E se eu morresse hoje?!

Um pensamento me sobressaltou: “E se eu morresse hoje?” Eis um mistério da mente: pensamos o que não queremos e não nos reconhecemos no próprio pensar. Quem já não se pegou pensando algo que não gostou, se envergonhou e até se culpou? Em qual região do cérebro se escondem tais pensamentos, idéias medonhas que nos assustam e as vezes parecem premonitórias?

Reluto em pensar, tento esquecer e me tranqüilizar. Mas há pensamentos que resistem ao tempo. Peguei-me pensando sobre a morte e, desde então, a idéia teimosamente retorna. Deixei os subterfúgios e decidi enfrentar. E ainda fiquei a questionar sobre a resistência a refletir sobre a morte. Por que? Afinal, é a única certeza absoluta que tenho.

E se eu morresse hoje? Não mais ouviria o canto dos pássaros a anunciar o nascer do sol; nem veria o seu esplendor e não sentiria o calor dos seus raios. Não poderia admirar o crepúsculo do entardecer e as cores indescritíveis que ele produz. Dou-me conta de que não mais poderia me embeber do brilho e beleza das estrelas.

Vejo na estante os livros que ainda não li. Não farão falta. E ainda que não morresse hoje e lesse todos, de que valeria se a vida inevitavelmente se desvanece? Não advogo a rejeição dos livros, apenas observo que não são tão importantes quanto o viver. Quem sabe qual será o último ato, quando as cortinas se fecham e o espetáculo da vida chega ao epílogo?

Se hoje eu morresse, não mais seria acalentado pelo sorriso das crianças, pela ingenuidade sincera dos jovens que imaginam transformar o mundo com idéias e palavras. Morto estaria e, óbvio ululante, não poderia falar, escrever e dialogar com eles. Não mais haveria o que ensinar e aprender.

Meus olhos não mais me extasiariam ao contemplar a natureza em toda a plenitude; nunca mais refletiriam o olhar e o encanto do rosto feminino. Levaria comigo as lembranças das mulheres que amei, mesmo que não tenham correspondido. Quando se amou intensamente, não olvidamos nem mesmo o amor da infância e da deliciosa fase da juventude a desabrochar. Ainda que a vida siga outros rumos, não se esquece. Fica a bela e terna recordação. Até que a morte a extinga definitivamente.

Entristece-me saber que não mais verei as pessoas que marcaram a minha vida, em especial a minha família. Não terei o prazer de compartilhar das suas vidas, sorrir com elas, de me emocionar ao ouvir uma palavra de afeto e sentir, diante dos gestos mais singelos, a intensidade da felicidade traduzida em amor.

Não mais veria meu Palmeiras ser campeão, nem me emocionarei com suas vitórias e derrotas. Perderei a doce alegria da rivalidade com o Corinthians da minha filha e das provocações e alianças mútuas que fazemos contra o “inimigo comum”.

Não mais verei meus amigos, nem conversaremos sobre assuntos banais e sérios. Não terei o prazer da convivência com os meus alunos, de acompanhá-los na formação intelectual, dos momentos de desconcentração em que os conheço melhor e me surpreendo, de deliciar-me com a música que tocam no violão.

Se hoje eu morresse, se extinguiriam todos os motivos que dão sentido e fazem a minha vida alegre e feliz. Por outro lado, também terminariam as preocupações. Não mais sentiria a angústia diante da impotência utópica de transformar o mundo. Dívidas, discussões estéreis sobre futilidades e vaidades humanas e tantos outros dissabores acabariam para sempre.

Porém, a vida é uma experiência fantástica e nenhum dissabor é capaz de anular o sabor do viver. Como diz o poeta: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”. O amanhã será o hoje e muitos são os motivos para permanecer vivo. Um dia, a morte virá e o hoje e o amanhã não farão diferença. Mas se hoje eu morresse, graças a vocês, valeu a pena viver!

21 comentários

  1. No filme A Baba Encantanda McPhee ela diz “Vocês não me querem, EU FICO e quando voces me querem, TENHO QUE PARTIR”. Agredito que na Vida também seja assim… BeijosRanieli

  2. Caro Ozaí, Nietzsche dizia que somos educados para a vida e para o amor, por isso que a morte é sempre um pensamento provocador e de difícil racionalidade.Abraço!

  3. gostei do texto “se eu morrese agora” fez-me pensar que se não fosse a morte a vida seria uma piada sem graça. mas como sabemos que a morte e certa a gente tenta viver a vida da melhor forma possivel. se me perguntassem o que é a vida para mim eu ficafria com a resposta dada na musica do Gonzaguinha. é bonita, é bonita e é bonita. Edson

  4. gostei bastante deste texto. Gostei muito do caráter humano que ele passou… muitas vezes o racionalismo “domina” boa parte dos nossos pensamentos, bem como suas transmissões, deixar transparecer nosso lado emocional é fantástico, principalmente da forma como você fez: despida no meio da rua… a idéia (ou a matéria) de viver… Não vejo tristeza, arrependimento, morbidez ou qualquer pensamento relativo à morte, vejo sim, um ELOGIO À VIDA.

  5. Caro professor acredita que estava pensando nisso esses tempos! Eu estive conversando com uam sensitiva ou cartomante enfim essas pessoas que sente o que poderá acontecer, e ela disse que estava sentindo algo muito ruim e que morreria alguem… Eu não acredito nisso…mas o fato de ela ter dito isso me faz temer… Caio na indagação será que temer é acreditar? Mesmo que o meu racionalismo não permita cair na idéia de que há pessoas capazes de prever acontecimentos futuros, de certa forma fiquei um tanto quanto ressentida e temerosa… Espero que tenha sido apenas um devaneio, um presságio errôneo… Até mais professor

  6. Derrrrrrrr… eu mandei um monte de comentário!!! Burrrrrrrriiica! Tem moderação!HAiJUHAijHIAUhJHAiuHJAhIUHAJHA Aceita só um tah gordo! =*****

  7. Eu não me preocupo com a morte, talvez porque me sinta muito longe dela… Mas Deus me ajude que, quando eu começar a pensar no assunto, possa dizer, assim como vc, “valeu a pena viver!”. Eu sei que se eu chegar a essa conclusão não será por mérito meu, mas sim dos que me rodeiam e fazem com que a vida realmente valha a pena.E as preocupações? Não tenho nada a ver com isso neh?! rs =D~ Bjo*

  8. talvez,como diz um amigo, se a humanidade, no momento de dormir e assim que acorda todos os dia, pensasse em sua própria morte, o mundo seria um lugar ainda melhor.e os tibetanos dizem isso sutil e gentilmente :”A impermanência é a essência da nossa condição humana.Ela controla muito mais do que simplesmente as nossas vidas; influencia todo o cosmos – todas as estrelas e planetas, bem como o nosso meio terrestre.Podemos ver os efeitos da impermanência observando a ascensão e a queda das nações, da nossa sociedade e até do mercado de ações.A impermanência impregna toda a existência. Podemos observar as mudanças em nossa vida e na vida de nossos amigos e famílias, mas a mudança mais devastadora da vida humana – a morte – está sempre nos pegando de surpresa.Nesta sociedade, quase toda a gente tem medo da morte – mas, para apreciar plenamente a vida, precisamos enfrentar a realidade. A impermanência e a morte são partes integrantes do estar vivo; essa realização pode vibrar dentro de nós e despertar-nos … vemos que, embora as nossas vidas nos sejam muito caras,não duram para sempre. Nascer como ser humano é privilégio muito raro,e é importante que apreciemos nossas vidas e tiremos proveito dessa oportunidade.Com a compreensão da mpermanência, muitos aspectos da vida que comumente achamos fascinantes já nos parecem menos atraentes. Tornamo-nos capazes de veratravés deles e descobrirmos que, na realidade, não são tão stisfatórios.Podemos, então, mais facilmente largar nossos apegos e medos, assim como a nossa pequena casca de proteção. Pensar na impermanência da vida nos desperta;damo-nos conta de que nesse exato momento estamos de fato vivos!”Gestos de Equilíbrio Ed.PensamentoTarthang Tulku Lama-Chefe do Centro Tibetano de Meditação Nyingma e do Instituto de Nyingma

  9. Querido Ozai: creo que el temor a la muerte es la mayor manifestación neurótica del ser humano. A diferencia del resto de los animales, que siente temor a sufrir o a morir sólo en el preciso momento de peligro inminente, el hombre se vive muriendo a pedazos cada vez que se angustia por el futuro y, sobre todo por el miedo a morir, como si no estuvieramos conscientes de que la muerte es una realidad absoluta, inevitable e imprescindible. Leónidas, el de Las Termópilas, decía que el hombre alcanza su libertad el día que le pierde el temor a la muerte.Recordemos que si hay algo indisolublemente ligado a la vida, desde el primer latido de nuestro corazón, es la muerte; entonces, no luchemos contra ella porque es una pérdida inútil de tiempo y procuremos gozar de las bellezas que la vida nos ofrece cada día.Un abrazo.Hugo.

  10. O pensamento sobre a morte é uma constante da condição humana e para evitá-lo as pessoas utilizam-se de diversos estratagemas. Com certeza o tema da morte hoje é muito mais tabu em nossa sociedade do que o tema do sexo. Penso que é justamente pelo enfrentamento em nossa consciência da idéia de morte e finitude que podemos crescer e evoluir existencialmente, proporcionando um encontro conosco mesmo.Ps. Amigo Ozaí, aguardo-o também no meu blog “Ser Escritor”, endereço abaixo. Seus comentários e sugestões serão bem vindos.AbraçosProf. Dr. Silvério da Costa Oliveira.E-mail e MSN: drsilverio@sexodrogas.psc.brHome page: http://www.sexodrogas.psc.brBlog “Ser Escritor”: http://www.doutorsilverio.blogspot.com

  11. Ótimo texto, meu caro Ozaí. Leva-nos todos à inescapável reflexão inerente à consciência da finitude dessa vida que conhecemos. Eu, particularmente, acredito que essa aventura, a qual chamamos vida, esvazia-se de sentido se ao fecharmos os olhos pela última vez não despertemos para uma nova e melhor aventura.p.s: Não acredito que você chamou o Renato Russo de poeta. Coitada da poesia…

  12. Byron para reflexão====http://br.geocities.com/anton_tijolinho/poemas/É bom ouvir o honesto ladrar do cão de guarda dando-nos as boas vindas quando nos aproximamos de casa; É bom saber que há um olhar à nossa espera que ganha mais brilho quando da nossa chegada; Lord Byron (Don Juan, Canto I, st. 123) ====Memorial Para Boatswain Lord Byron http://br.geocities.com/anton_tijolinho/poemas/Perto daqui Estão depositados os despojos daquele Que possuía Beleza sem Vaidade, Força sem Insolência, Coragem sem Ferocidade, E todas as virtudes do Homem sem seus Vícios. Este elogio, que seria uma Adulação sem sentido Se escrito fosse sobre Cinzas humanas, É somente um justo tributo à Memória de BOATSWAIN, um CÃO Que nasceu em Newfoundland em maio de 1803, E morreu em Newstead, em 18 de novembro de 1808. Quando um orgulhoso Filho do Homem retorna à terra Desconhecido pela Glória mas sustentado pelo Berço, A arte do escultor exaure a pompa do infortúnio, E urnas ornadas registram aquele que descansa abaixo: Quando tudo está terminado, sobre a Tumba é visto Não o que ele foi, mas o que deveria ter sido. Mas o pobre Cão, na vida o mais fiel amigo, O primeiro a dar boas vindas, na dianteira para defender, Cujo coração honesto é do próprio Dono, Que trabalha, luta, vive, respira somente por ele Sem honra se vai, despercebido seu valor, Negada no Paraíso a Alma que tinha na terra; Enquanto o homem, fútil inseto! tem a esperança de ser perdoado, E reivindica para si só exclusividade no Paraíso! Oh, homem! frágil, breve inquilino Rebaixado pela escravidão, ou corrompido pelo poder, Quem te conhece bem, deve rejeitar-te com desgosto, Massa degradada de poeira viva! Teu amor é luxúria, tua amizade inteira ilusão Tua língua hipocrisia, teu coração decepção. Por natureza mau, dignificado apenas pelo nome, Cada irmão selvagem pode fazer-te corar de vergonha. Vós! que, por ventura, contemplais esta Urna simples Ficais sabendo, não homenageia ninguém que desejais prantear, Para marcar os despojos de um Amigo estas pedras se levantam; Nunca conheci nenhum, exceto um único — e aqui ele descansa. Newstead Abbey, 30 de novembro de 1808 [Original em inglês] ———————————–

  13. Grande Antonio,Meu único comentário possível não sou eu quem faço: passo a palavra ao Lô Borges:Jogue sua vida na estradaComo quem não quer saber nadaOuça bem as vozes do matoComo quem abriu o seu coração(…)Sonhei que era o tempo de reencontrar amigosFalar do velho tempo morto que passou depressaSonhei que amanhã é hora de você jogarJogue sua vida na estradaComo quem não quer saber nadaJogue sua vida na estradaComo quem não quer fazer nadaJogue sua vida na estradaComo quem abriu o seu coração“Estrada” pode ser a carreira profissional, a família, um trabalho voluntário, uma atividade artística… e pode ser literalmente uma estrada mesmo!!!Grande abraço a todos.

  14. quando pensamos que sofremos pelo “outro” na verdade estamos é sofrendo por nós. estamos ainda muito distantes do amor incondicional, que abrange tudo e todos. mas isto não é crime… apenas mostra o quanto de ego pessoal ainda resta agarrado em nós. muito comuns as perguntas que fazemos diante de acontecimentos que nos causam dor : por que eu? por que “ele” ou “ela” fez isso comigo? o que eu fiz para merecer isso? e por aí vai. estamos muito centrados em nós , não no sentido de equilíbrio, mas na contínua viagem que fazemos ao redor de nós mesmos.assim é, muitas vezes, quando as pessoas fazem doações. poucas o fazem anonimamente… , o que em nada inflaria o ego delas, não é? MAS… para “matar” o ego primeiro é preciso constuir um ego e aos poucos, conforme o grau de evolução consciente de cada um, suponho que se possa ir matando o ego negativo, o que nos torna UM com todos. ligia———————————–Porém na casa algo está diferente,O teu próprio retrato te parece outro.E mais do que nunca sentes-te estrangeiro.(Rodrigues Miguéis, Regresso a Ítaca)———————————O MISTÉRIO DA MORTE E O SEU DEPOIS Anselmo Borgespadre e professor de Filosofia http://dn.sapo.pt/2007/11/03/opiniao/o_misterio_morte_seu_depois.htmlNeste domínio, há um pudor que nos habita. Peço, pois, a compreensão benevolente do leitor. Quando os meus pais morreram, olhei – era o fim de um mundo! – e constatei que o que deles restava não eram eles e lembrei-me daquela pergunta lancinante que Tolstoi coloca na boca de Ivan Ilitch moribundo: onde é que eu estarei, quando cá já não estiver? Sempre que passo pela terra que me viu nascer, faço uma visita ao cemitério e, ali, diante dos seus túmulos, ouço as palavras do anjo às mulheres diante do túmulo de Jesus : “Não está aqui!”Diante da morte, fazemos a experiência do mistério pura e simplesmente. A morte é o absoluto, sem relação. O absoluto tem uma dupla face: a morte e Deus. Daí, tudo quanto dizemos sobre a morte e sobre Deus sentirmo-lo como nada que nos convoca para o silêncio, segundo o preceito de Wittgenstein: “Sobre aquilo de que se não pode falar deve-se calar.”Para onde vão os mortos? O que é morrer e o que é a morte? Depois, o quê?Impressionou-me em extremo a declaração do teólogo J. I. González Faus sobre o pai, que lhe transmitiu a fé e que considera “uma grande personalidade”: “Terminou a sua vida derrotado e duvidando de Deus como quase todos os humanos.”A morte e o seu depois constituem para nós uma tenaz: impensáveis que nos obrigam a pensar. Impensável que tudo acabe como impensável qualquer depois. Lá está Pascal: “Incompreensível que Deus exista, e incompreensível que não exista; que a alma seja com o corpo, que não tenhamos alma; que o mundo seja criado, que o não seja, etc.”O filósofo ateu E. Bloch é modelar nestas perplexidades. A mim perguntou-me ironicamente onde é que meteria tantos milhares de milhões de seres humanos, se houvesse ressurreição dos mortos. Um dia, em Viena, disse que, se houvesse ressurreição, as galinhas estoirariam a rir. Mas, na juventude, admitiu a reencarnação. Na maturidade, teorizou sobre “o núcleo do Humanum extraterritorial à morte”.Bloch casou com Else von Stritzky, uma cristã de Riga, e a relação que entre os dois cresceu foi a de um amor como há poucos. Ela morreu jovem, e o filósofo foi fixando no Diário a sua dor, aliviada pela esperança do reencontro “do Outro Lado” (Drüben), “no Além” (Jenseits). O teólogo J. Moltmann contou-me que, poucos dias antes da morte, lhe perguntou como reagia a esse desafio, tendo ele respondido: “Estou curioso” – note-se, porém, a força da palavra alemã “neugierig”, com o sentido de ansioso por novidades. Moltmann também escreveu que “na véspera de morrer, ao entardecer, ele escutou mais uma vez a sua música mais querida, a abertura de Fidelio, de Beethoven, com o sinal das trombetas para a libertação dos cativos no final”. Essa passagem, que associava à Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, 13, 16: “Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá dos céus e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro”, sempre o comovera. É que, como escreveu, “em Beethoven, pré-anuncia-se a chegada de um Messias. Erguem-se desde as masmorras sons de liberdade e de recordação utópica. O grande momento chegou, a estrela da esperança cumprida no aqui e agora”. Depois da morte, é a eternidade: a eternidade do nada ou eternidade de Deus. Mas não se tratará da dupla face da mesma eternidade, como diriam, no limite, os místicos? Não será a pergunta – para onde foram os mortos?, onde estão os mortos? – que é mal formulada? Porque os mortos não foram nem estão: a pessoa dos mortos é.Por mim, nos dias 1 e 2 de Novembro – os dias em que as nossas sociedades científico- -técnicas, que fizeram da morte tabu, permitem a visita dos mortos -, coloco um CD com o Requiem Alemão de Brahms e outro com o Requiem de Mozart no leitor de CD, em homenagem aos meus pais, amigos e todos os mortos – poderão ser uns cem mil milhões. A música diz-nos o indizível: o que é existir simultaneamente no tempo e fora dele. ———————————–

  15. Achei interessante a maneira como os comentarios desenvolvem o tema do blog (tanto Leandro e Rita como o implacavel torcedor – seria um corintiano?). O que vem demonstrar, prezado Ozai, que o seu blog faz sentido e ajuda a pensar, trazendo ao nosso conhecimento, por exemplo, as preciosas reflexoes do filosofo.Abraço, Regina

  16. Espinosa em “Ética” (terceira parte, “Ordine Geometrico demonstrata”) levanta quatro proposições principais:Toda coisa , enquanto está em si, esforça-se por perseverar no seu ser.O esforço, pelo qual toda coisa tende a perseverar no seu ser, não é senão essência atual dessa coisa.O esforço, pelo qual cada coisa tende a perseverar no seu ser, não envolve um tempo finito, mas infinito. A alma (mens), enquanto tem não só idéias claras e distintas, mas também idéias confusas, esforça-se por perseverar no seu ser por uma duração infinita, e tem consciência do seu esforço.Esse é nosso legado. E considero extremamente triste. Seu pensamento de morte fez eco em mim, engraçado que não me fez pensar em sua morte, imediatamente pensei que éramos de um só material, e, se você morre, eu também morro.

  17. Antonio Ozai, que pena que voce, um homem tão inteligente, não somente é palmeirense como diante da morte acredita que ele voltara a ser campeão…

  18. Viver é maravilhoso meu caro Ozaí, por isto acho melhor deixar a morte ao acaso. Além do mais, penso que a tristeza que sentimos quando lembramos que vamos morrer é muito mais um ato de egocentrismo do que outra coisa. Pensamos que somos essenciais, o que não é verdade,pois a vida continua (de uma forma ou de outra) e nós passamos. Já parou para pensar, refletir, sobre o ambiente de um velório, eu já tive esse lampejo de sagacidade, e percebi que na maioria das vezes as pessoas não choram pelo “morto”, mas sim pela falta que ele lhe fará. Por isso, penso que a morte “morrida”,desde que se tenha vivido com intensidade, talvez seja mais um motivo de alegria do que de tristeza. Abs. Leandro

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