11 comentários em “Por que os alunos desistem?!

  1. Prezado colega, sem duvida essa é uma questão complexa, principalmente por que a resposta irá variar de acordo com a relidade de cada sujeito.
    Assim creio que os principais motivos seja a falta de preparo para a vida acadêmica, uma educação basica carente e principalmente a não identificaçao com o curso. Tendo em vista que na minha cidade a universidade federal oferece apenas 6 cursos, o que faz com que a grande maioria ingresse apenas para ter formaçao, sem saber realmente o seu valor.

  2. Meu caro Ozai. Este assunto é importante. Acabo de escreve outro que faz parede-meia: o aluno plugado ou ligado-desligado em sala de aula com celular, ipod, netbook…
    Eis minhas observações:
    1) DOS CURSOS: Há várias causas para a desistência na universidade, porém, é de se pensar sobre o que fazemos com os nossos alunos, em especial no primeiro ano da vida acadêmica.
    Suspeito que a desistência dos alunos de ciências sociais e filosofia é distinta dos alunos de outros cursos, especialmente nas áreas de saúde e exatas: geralmente nestes cursos os alunos desistem pq não conseguem acompanhar o ritmo puxado dos mesmos (muito mais puxados do que nas humanidades, onde geralmente os professores são mais frouxos e displicentes). Em matemática e física, basta ser bom em cálculo para acompanhar bem o curso, é preciso ter disciplina para estudar e estar sintonizado na cultura do curso.
    E hoje em dia, falta muita disciplina para nosso aluno brasileiro estudar. Mas não falta disciplina para um chinês ou coreano estudar. Tanto é que o índice de desistência destes países nas exatas é baixo e na universidade brasileira é alto (mais de 60%).
    Curiosamente o curso de Medicina da UEM (360 por vaga, no vestibular) praticamente não há desistência. O regime lá é dureza, turmas pequenas, professores vinculados aos alunos, tudo isso contribui para menos desistência.

    2) DOS ALUNOS: Contribui para a desistência do curso alunos dotados de alucinação e delírio “normais” dos adolescentes para com determinados cursos. Quando passam a confrontar esta alucinação e delirio com a realidade “concreta” eles reconhecem que não era bem isso que queriam para aprender ou forjar como profissão eterna. Esta alucianção e delirio é mais frequente na área de humanas do que nas biológicas e exatas. Estes alunos nas humanas hoje em dia ficam frustrados pq o ritmo de produtivismo acadêmico, que não reforça sua pré-patologia ou gozo para “salvar” o mundo imperfeito. O projeto de transformação ou mesmo a paixão por uma causa é bem diferente de alucinoses e delirios ideológicos. São alunos messiânicos que se pensam revolucionários. Messiânicos em termos de fanatismo religioso ou laico. Coitados deles que são presas fáceis de professores à caça de discípulos. Há ainda os alunos “turistas” que voce já se referiu.

    3) DOS PROFESSORES Também a desistência é frequente no primeiro ano em cursos cuja cultura é darwiniana, isto é, os professores fazem terrorismo acadêmico para selecionar os alunos resilientes ao curso/ profissão. Há professores que fazem “prova 24 horas”, outros incluem ameaças veladas (assédio moral) para alunos com dificuldade de acompanhar o “seu curso”, outros simplesmente passam a olhar-dar aula apenas para ‘certos” alunos, aqueles que estão sintonizados e respondem bem ao curso ou estilo hard do professor. Pierre Bourdieu bem analisou que alunos portadores de uma cultura familiar e prévia se dão melhor do que outros “por fora” deste jogo simbólico.

    4) DO GOVERNO: Agora com a cota de 50% vindos da escola pública ruim para as universidades federais, deve aumentar o número de desistências. Quem duvida? Não sou contra as cotas, mas sim sou contra o descaso do governo federal para melhorar a escola pública e criar uma medida populista como esta. Abraço. do Raymundo.

    • - Como o professor pode trabalhar para formação do sujeito ético político na nossa sociedade?
      - O que a sociedade e o estado podem fazer definitivamente para valorizar o trabalho do professor?

  3. Professor Antonio Ozaí da Silva
    Ouso me afastar ainda que por um curto espaço de tempo do conjunto de atribuições burocráticas e institucionais que envolvem a vida do professor que atua na universidade nesse tempo histórico, para tentar comentar suas indagações. De proto resalto que trabalho em uma universidade publica situada geograficamente no nordeste de maneira especifica na Bahia. E cheguei a imaginar que a evasão de alunos, e a permanecia alem do período preestabelecidos em planos e programas da instituição era problema pontualmente localizado, todavia com o seu artigo tomo conhecimento que o problema extrapola as regiões geográficas. Aqui ao tentar responder: Por que, enfim, os alunos desistem de estudar? Faz-se necessário compreender que a ideia de graduando aluno ideal se confronta com a concretude do aluno real. Aqui a elite economicamente dominante, faz uso da universidade publica para viabilizar os mais diversos interesses, desde a busca de legitimidade intelectual até a solidificação de interesses econômicos, dirigida e gestada por pessoas oriundas das camadas media da sociedade economicamente decadente e emergente a universidade recebe nesse tempo homens e mulheres oriundas das camadas sociais materialmente despossuídas de bens e direitos. Nesse sentido a questão da evasão não se restringe aos aspectos pedagógicos, mas tem suas origens nos aspectos de correlação de força política. Onde a maioria dos alunos trabalha quase sempre em situações degradantes, inclusive sendo explorado pelo próprio Estado federativo e prefeituras da região, na condição de professor improvisado nos sistemas educacionais, ou pela própria universidade na condição de subempregado com bolsas aviltantes. Concluo com o entendimento de que aqui não falta consciência aos alunos para compreender sua realidade o que lhes faltam são recursos materiais e financeiros para compra de livros uso de transporte coletivo, hospedagem, e em alguns casos ate mesmo alimentação, com esse sentido a questão da evasão e permanência dos alunos na universidade não é uma questão de limites pedagógicos.

  4. Bom dia professor! Espero que não se incomode com o que vou relatar. Eu começei a estudar em 2000 na primeira turma e terminei somente em 2006. Reprovei, tranquei mas terminei. Acho que uma série de fatores fala auto neste momento, e não me furtarei em dizer que a preguiça do aluno é uma muito importante. Desde já assumirei que a parte mais significativa de meu atrazo em formar estava atrelado a isso. Mas, sem dar nomes, também temos professores que pouco contribuem. Parecem que ignoram os problemas dos outros e estimulam uma competição Darwiniana. Se esquecem que o curso é noturno, e boa parte dos alunos tem que trabalhar. Como alguns dizem, formar é para poucos. Parte dos professores estimulam a desistência. Professor Ozaí, não estou dizendo que os alunos não tem que ser cobrados, e que o conteúdo não seja importante para a formação, mas temos professores que nitidamente achavam alunos melhores que outros sem reparar que em muitos casos, o aluno considerado exemplo não trabalhava. Professor, muitos me achavam turista ( e emparte fui) mas eu passei quase um ano inteiro como representante comercial tendo que viajar (ninguém reparou nisso). No meu primeiro ano, meu pai teve câncer e acabou falecendo, e foi nítida a diferença de tratamento de professores. Por dormir com meu pai no hospital, e por tudo que ocorria, não consegui realizar 2 trabalhos em tempo. Pedi para um colega avizar os 2 professores (os trabalhos eram no mesmo dia). Uma não viu problema e me deu tempo maior, o outro disse que eu tinha que entregar, por exemplo, no dia 15 ou no dia 17 (dia 17 o aluno entrou em contato por mim) e eu sabia que teria 72 horas para entregar com a justificativa formal (atestado). Bom, eu assim procedi, e encontrei o professor em questão na uem no dia que fui entregar e ele me disse para entregar no departamento no escaninho dele com justificativa que ele iria analizar. Tive que esperar 1 hora pela resposta que deixou no mural indeferido. Tive que entrar com uma documentação maior que o atestado do hospital do dia em questão, no caso, desde que o meu pai teve a doença, todos os exames até o momento e entregar no CEP. Estou simplificando o que ocorreu, mas só então ele viu e me passou. Outro caso mais leve, tinha professora que parava a aula e se recusava a me explicar por que chegava atrazado a aula. Nesta época, trabalhava em uma loja de parafusos, e mesmo o horário comercial sendo até as 18, tinha que ficar trabalhando, muitas vezes, até quase as 19, e com o trânsito intenso que temos, não chegava na aula (sei que pode parecer errado, mas ainda passava em casa as vezes para não chegar sujo na UEM por que isso seria vexatório), mas acha que a professora entendia? Nunca! Eu não chegar em tempo me desqualificava até para perguntar, quando eu aparecia na porta, ela parava de falar para todos notarem o atrazo e ia me acompanhando com o olhar até eu me acomodar. Me desculpe, mas não ia largar o meu emprego para ter o apreço dela. Hoje, acho que seriam raros os professores que me dariam a chance de me orientar em um mestrado…

    • Como a escola deveria trabalhar as mudanças ocorridas e existentes na sociedade na sociedade nas práticas do cotidiano escolar (nas salas de aulas,nas diferentes disciplinas, em atividades extra-sala, nos diversos espaços da escola etc.)?

  5. Um curso noturno como o de Ciências Sociais provoca nos alunos pobres uma ilusão de que poderão estudar e trabalhar, foi o que aconteceu comigo. Chegou o momento em que me vi tendo que escolher entre essas opções Como sou muito teimoso, escolhi fazer as duas coisas e acabei levando 6 anos pra concluir o curso. Parece que a universidade não enxerga essa realidade, e despeja conteúdos como um caminhão vasculante, e o estudante trabalhador que se dane. No final da peneirada, sobram sobram apenas os de classe média, ou os teimosos, muito teimosos.

  6. Nao e “puxação de saco”, mas se todos os professores no curso de Filosofia descem aulas como as suas, a desistência no nosso curso seria menor. Isso eu sei, pois todos dizem. Mesmo assim são outros fatores que contribuem para a desistência e o desinteresse. A maioria dos neófitos são muito jovens, somos inexperientes, a pressão que o meio exerce sobre nos também e muito grande, problemas familiares, como comentado no outro texto também. A visível impossibilidade de uma vida práxis apoiada nos valores que aprendemos no curso e o temor de um futuro sem o reconhecimento de nossos esforços (tanto profissionalmente quanto particularmente), pois estamos cada vez mais aprisionados numa sociedade cientifica e pouco humanista. Enfim, ainda teria outras razoes para expor, mas em suma, as mais claras e ocorrentes seriam essas… Peco perdão pela falta de acentuação, o notebook esta mal configurado, rs.
    Um abraco professor.
    Ate!

  7. Antonio
    Bom dia
    Tive na educação doméstica a inserção da idéia de que desistir não era muito aceitável, mesmo porque tudo o que conseguíamos, tínhamos, comprávamos, era com muito sacrifício. Por trás de cada resultado havia muita renúncia, espera, trabalho, regras, metas e humilhações, situação de que estultamente afirmo ainda se mantém. Nas pessoas que nos rodeavam o sentimento da necessidade determinar número significativo de atos também estava presente, portanto a idéia preponderante era (possivelmente ainda seja) de que pedra que muito rola não cria limo, se aplicava as coisa do cotidiano. O peão que troca muito de emprego, ainda não é bem visto em nossa comunidade, esquecendo-se em regra e hipocritamente o direito de procurar novas possibilidades. Obviamente por trás da difusão dessas ideologias há um manto de cinismo, ou seja, no plano intrafamiliar o que se quer é tornar o membro do clã competitivo e realizado. Por outro lado no bordo externo, (vida pública) o individuo se reveste do verniz das aparências e arrisca o jogo das conveniências sociais. Voltando a nossa história informo que os estudos de graduação foram realizados em instituição paga, conseqüentemente havia o temor pessoal herdado do lar, de que desistir seria uma grande humilhação e rematado fracasso. Sinceramente não recordo de desistências de Colegas na primeira graduação (Filosofia). O que havia era a diminuição do número de cadeiras em face do elevado custo e no máximo o trancamento de um ou dois semestres. Nos intervalos, horários extra classe, discutíamos muito sobre todas essas questões e sobretudo olhávamos com interesse a vida acadêmica em outros pólos. Sabíamos que desistir de um curso de graduação estava nos horizontes, parar um tempo, reavaliar as metas tudo era possível, somente não o fazíamos, talvez pelo enraizamento do conceito de vergonha. Naquele momento não nos passava pela idéia de que teria sido muito mais útil e necessário ter economizado o dinheiro gasto com uma faculdade paga, e que se mostrou totalmente inútil do ponto de vista material extensivo ao intelectual. Acho que tudo isso poderia ter sido evitado se dois elementos tivessem estado presentes: o primeiro a possibilidade de orientação continuada no ensino médio (acho que a escola pública sobremodo segue carente nessa área, não obstante destaco que meus filhos mesmo estudando no setor privado continuam não tendo esse tipo de atendimento, embora existente no seio da instituição que freqüentam); no ensino de graduação a difusão do direito de desistência acompanhada, qual algumas instituições realizam em outros países é em nosso entendimento outra necessidade. O discente que começa a ter desempenho insatisfatório é convidado a reavaliar sua presença na universidade, curso, cadeira, etc.
    Atualmente, longe das escolas de graduação, observo, contrariado e com muita amargura aos que chegam às instituições públicas e desistem física ou mentalmente do semestre como não merecedores da oportunidade. Confesso que não tive e não tenho essa ocasião (nossa cidade ainda tem número reduzidíssimo de vagas públicas). Acho de muita insensatez o aluno e seus familiares por extensão que desiste e com isto priva outro bem mais carente de estudar. Aqui sou contraditório, pois defendo o direito inalienável de desistir, de traçar novos rumos, de não querer fazer parte do exército alienado dos que buscam o sucesso e a realização material a qualquer custo, porém há o outro lado, o dos que nunca terão uma oportunidade e hoje como elas e eles (ao que lembre só 18% dos estudantes no Brasil chegam ao terceiro grau e isso não que concluem) ainda são maioria e é neste que devo “me” preocupar ao menos como contribuinte. Acho inclusive que os que furtam uma vaga no ensino superior público deveriam se punidos legalmente por desistirem causando grave prejuízo aos cofres do erário e, principalmente aos seus concidadãos excluídos sociais.
    Cordialmente
    Pedro
    Caxias do Sul, 9 de setembro de 2012.

  8. As varias e importantes perguntas formuladas neste artigo sugerem outras tantas interrogaçoes que poderiam ser desenvolvidas e que retomo aqui:
    - por que o entusiasmo do primeiro ano se esvai e nao se mantém nos semestres seguintes?
    - o que os cursos propostos atualmente têm a ver com as perspectivas oferecidas pela sociedade atual? ou: em que eles continuam respondendo a velhas formulaçoes ja ultrapassadas?
    - sera que ha uma real possibilidade de ensino universitario numa sociedade em que o trabalho esta cada vez mais achatado, em que o conhecimento aprofundado nao tem o valor que se espera do esforço despendido?
    - sera que a pesquisa pode avançar num meio em que os clichês e referências prestigiosas parecem encontrar mais eco do que uma linguagem e valores realmente inovantes?
    Para terminar, parabénspelo seu artigo, professor, e pela reflexao séria e diretamente inspirada por sua praxis dedicada e séria.

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