É democrático proibir os militantes partidários desfraldarem suas bandeiras?

Clipboard04Não sou filiado a partido, nem porto bandeiras. Desde que, em 1991, me desfiliei do PT, rompi definitivamente com a política partidária. Não foi uma ruptura fácil, afinal o PT foi uma das minhas universidades de formação política. A experiência militante incorpora subjetividade, vínculos humanos, crença em valores, alegrias e dissabores, realizações e frustrações. Rupturas nos transformam, mas não apagam os registros da memória. Na vida real não temos o neutralizador dos Men in Black. Nem é preciso, pois orgulho-me das minhas raízes e não me arrependo dos anos dedicados à militância petista. A minha geração aprendeu política na igreja (com a Teologia da Libertação), nos sindicatos e movimentos sociais. E tudo isso confluía para o PT!

Saí do PT porque não me reconhecia mais na prática política do partido. Foi, sobretudo, uma ruptura ideológica. Com o tempo, outras experiências e leituras me conduziram na direção oposta à organização partidária, mesmo as de cunho marxista-leninistas, trotskistas e/ou vinculadas à tradição stalinista, maoísta, etc. Mesmo no tempo em que militava no PT não me atraía o tipo de organização vanguardista, o partido de quadros. Não obstante, o discurso anticomunista que grassava na base sindical e popular lulista atiçou a minha curiosidade e, longe de afastar-me desta realidade, aproximei-me a ponto de escrever o História das Tendências no Brasil – o qual expressa uma necessidade militante daquela geração. Também aprendi com eles e, mesmo com as divergências que nos separam, mantive relacionamentos, pautados pelo respeito mútuo, que perduraram.

Sou, portanto, “Sem Partido”. Não me reconheço nos partidos políticos existentes! É uma opção político-ideológica tão legítima quanto a dos que dedicam anos fundamentais das suas vidas aos partidos. Reconheço, porém, a contribuição da militância política partidária. Sou de uma época em que não podiam expressar-se livremente, tinha que viver na clandestinidade. Suas bandeiras não podiam ser desfraldadas, nem mesmo podiam identificar-se por suas indumentárias, etc. Era uma questão de segurança, de sobrevivência, a integridade física e a vida estavam em risco. A ditadura civil-militar perdurava. Quando o PT surgiu, muitos deles aderiram. Com o tempo seriam convidados a sair ou foram sumariamente expulsos. Então, formaram seus próprios partidos. Outros permaneceram sob o biombo do MDB/PMDB. Dentro ou fora do PT, contribuíram para o processo de redemocratização do país.

Hoje, vivemos sob a democracia qualificada por burguesa. Embora críticos da “democracia burguesa”, as forças da esquerda organizadas em partidos também foram os seus construtores e sabem o quanto são importantes os direitos e as liberdades democráticas. Sob esta democracia puderam sair da clandestinidade, assumir ideologias, constituir organizações, disputar eleições e expor publicamente as suas ideias. Enfim, junto aos que lutaram contra a ditadura civil-militar, conquistaram o direito de desfraldar suas bandeiras vermelhas, fazê-las tremular nos ventos que anunciam utopias.

Não é paradoxal que sob a democracia e em nome da democracia sejam impedidos de levantar suas bandeiras? A maioria que se considera antipartidária tem o direito de impor seus sentimentos e valores de rejeição à minoria? É democrático impedir a livre manifestação dos que escolhem outros caminhos? Por outro lado, é preciso levar em conta que o sentimento antipartido é difuso e nem sempre considera as diferenças substanciais entre os diversos partidos, colocando todos sob o mesmo balaio. A ojeriza aos partidos políticos é legítima e salutar, na medida em que questiona a estrutura basilar da democracia representativa. Que os partidos aprendam a lição das ruas!

Os partidos disputam a direção dos movimentos sociais, precisam se fazer presente. Muitas vezes, isto os faz cair na tentação de instrumentalizar as massas, de se arrogarem seus representantes, já que se consideram a vanguarda consciente. Talvez precisem repensar seus métodos. Por outro lado, há também o oportunismo político – como caracterizar, por exemplo, o chamamento dos líderes petistas para que a militância participasse da passeata, após as massas terem colocado em xeque o prefeito da capital paulistana? A rigor, a política petista nos últimos anos também contribuiu para o sentimento antipartido manifestado nas últimas mobilizações populares. Ainda que consideremos oportunismo político é democrático impedi-los de caminhar juntos e desfraldar suas bandeiras e faixas?

A maioria pode ser tirânica, antidemocrática e intolerante; a minoria também. Ideais utópicos antipartidários também podem se revelar extremamente autoritários. Desdenham da democracia em nome do princípio da liberdade. Não veem a incoerência de negá-lo ao outro. Como diria Rosa Luxemburgo, a liberdade é sempre a liberdade de quem pensa diferente. Minorias e/ou maiorias que impeçam a livre manifestação do pensamento divergente contribuem para fortalecer o caldo cultural autoritário – também presente na esquerda marxista. Impedir, em nome da liberdade, é um contrasenso! Justificar com o argumento de que os partidos é que são autoritários, por desejarem desfraldar suas bandeiras perante as massas, é um sofisma! A liberdade de expressão é uma conquista e os militantes tem o direito de portar seus símbolos ideológicos. Talvez a insistência surta mais efeitos negativos do que positivos, mas é uma questão de estratégia política a ser avaliada por eles.

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* Fonte da foto e mais imagens: http://noticias.uol.com.br/album/2013/06/20/confira-as-melhores-fotos-dos-protestos-pelo-brasil.htm

27 comentários

  1. Ozaí, meu eterno professor! Como sempre seus textos tem uma honestidade incontestável, já lhe disse que percebo sua alma neles. Contudo, permita-me, ao responder sua pergunta, discordar. Não veja ausência de democracia, ao contrário. Vejo um movimento de massa que há muito não víamos no Brasil e que muitos partidos e movimentos não conseguiram (ou não quiseram) mobilizar. Vejo um povo se posicionando diante de sua realidade: desigualdade vergonhosa e um estado corrompido. Esse para mim é o ponto, como escreveu meu amigo Jonas Jorge. De qualquer forma esse é um momento especial, está abalando as convicções mais arraigadas. Desde que iniciou esse movimento no Brasil algumas perguntas me surgiram a respeito dessa forma de mobilização e da rejeição às bandeiras e tenho lido e participado de algumas discussões que são muito enriquecedoras. Esse é um momento muito interessante!
    Um abraço!

  2. O PSTU vai empunhar suas bandeiras. O PCB e o PSOL certamente farão o mesmo. E os honestos anarquistas, aqueles que sabem que nenhuma aliança com a direita anticomunista é correta, com certeza terão a coragem de desfraldar suas bandeiras libertárias. Não deixem abaixar as bandeiras vermelhas. Foram os melhores filhos do povo que derramaram seu sangue pela defesa delas.

  3. Quero parabenizá-lo pelo texto, Prof. Ozaí. Discerne alhos de bugalhos sem cair no discurso fácil de alguns setores de esquerda que utilizam argumentos falseados mais apropriados à lógica de rebanho do que à cabeças pensantes.

  4. Pode não ser democrático barrar o desfraldamento de bandeiras partidárias nas manifestações espontâneas da Sociedade Civil, por outro lado também não podemos dizer que é antidemocrático, quando se verifica que as bandeiras desfraldadas pelo movimento de manifestação popular espontâneo, são as mesmas que os partidos políticos defenderam nas campanhas eleitorais e ao chegarem ao poder baixaram as bandeiras e passaram a fazer conchavos e negociatas, corrupções e furtos do dinheiro público e outras falcatruas e delitos para se locupletarem e se manter no poder, ignorando quase sempre os anseios populares, os direitos da Sociedade Civil e o poder constituinte enfim. Isto não é de agora, está registrado na história política brasileira. Os “donos” do poder sempre tentam justificar porque os serviços públicos no Brasil são tão ruins. Muitos chegaram ao poder se aproveitando da insatisfação do povo e do seu baixo nível de educação política, que protestava e protesta contra a péssima qualidade dos serviços públicos, mas lá chegando se acomodaram, esqueceram as bandeiras populares e passaram a agir egoisticamente, pensando só nos interesses pessoais e assim fazem qualquer negócio para se manter no poder. Tem alguns destes políticos que chegam a dizer que “na política o que é feio é per, pois ganhando tudo se justifica”. A verdade é que há no nosso país uma falta de legitimidade de representação política e isto já ocorre há várias décadas. Há décadas o povo brasileiro vota por dinheiro, por favor, por um pequeno emprego, por uma dentadura, por um tratamento médico enfim, desta forma os políticos que chegam ao poder através destes expedientes, não são legítimos representantes do povo e este mesmo povo sabe muito bem disto e por isto mesmo não se sente representado. Isto forma um ciclo vicioso. Este é sem dúvida um dos motivos pelos quais as manifestações populares espontâneas rechaçam o desfraldamento de bandeiras político/partidárias. No entanto, é fato que a liberdade é um valor intrínseco em se mesma, por conseguinte se o povo tivesse um melhor nível de educação política, jamais rechaçaria o desfraldamento de qualquer bandeira de apoio às manifestações e às suas reivindicações, muito pelo contrário, aproveitaria para emparedar estas entidades partidárias ou de classe para agir concretamente no sentido de viabilizar a satisfação dos anseios legítimos do povo. O governo é um todo, não é de um partido e o poder é bastante fracionado, de forma que todos os partidos detêm parcela do poder, portanto são todos responsáveis pela situação em que vive o povo brasileiro, com serviços públicos de péssima qualidade, evidentemente que cada um na medida da sua parcela de poder.

  5. Há uma diferença sutil, ou nem tanto, nesta questão da suposta rejeição aos partidos pelo movimento ora em curso, entre um engajamento real de militantes de diferentes partidos e a sua mera presença ostensiva, desfraldando as bandeiras, como uma tática clara de desidratar o movimento, esvaziando o caráter do seu conteúdo crítico.

    Por que, e com que propósito, os porta-bandeiras insistiram em desrespeitar uma orientação prévia e conhecida, consensual e majoritária, e portanto legítima e democrática? Por que, em vez de bandeiras, não portavam cartazes com propostas e demandas com algum conteúdo, como a maioria? Sem esquecer que, em dado momento, houve uma convocação da parte do presidente do PT para que saíssem às ruas numa “maré vermelha”, o que lembrou o Collor conclamando o povo(?) para sair de verde-amarelo.

    Em primeiro lugar, um fato: houve sim uma grande participação de militantes partidários, muitos deles como lideranças, inclusive. Num debate na TV entre líderes das alas jovens de PT, PDT, PSDB e PSTU, todos afirmaram que correligionários estavam engajados; a participação do PSOL é conhecida; o Coletivo do mandato de uma vereadora do PT também teve participação; e eu soube por uma filiada ao PMDB que ela, junto com vários companheiros, se fizeram presentes. Um militante, por sua própria condição, com a sua presença física e identificado publicamente com o partido, representa esse partido ao aderir a um ato político, sem precisar de bandeira para isso. É falaciosa essa acusação de fascismo: as agressões, condenáveis por todos os títulos e praticadas por extremistas, devem ser contextualizadas, portanto, e debitadas na conta de um grande equívoco político, tanto da parte dos “bandeirantes” quanto dos seus agressores.

    Em segundo lugar, seria interessante aproveitar a oportunidade para se fazer uma reflexão sobre o verdadeiro significado e toda a carga de simbolismo que uma bandeira carrega, sendo portada e desfraldada em público. O precursor da bandeira foi o ‘vesilo’, estandarte de metal portado pelas Legiões Romanas, forças de ocupação do império, como símbolo do seu poder. A bandeira de pano, tal como conhecemos hoje, tem origem na Idade Média, quando era usada pelos exércitos identificando batalhões e companhias aliados, para não confundirem entre si e evitar o fogo amigo. Suas insígnias eram sinais distintivos de poder e comando, e dos graus de hierarquia dos comandantes militares. Ou seja: um símbolo de superioridade, do PODER que é exercido pela FORÇA.

    Sendo assim, é fácil de se imaginar o constrangimento, para dizer o mínimo, que uma horda de portadores de bandeira causa ao cidadão comum ao ocupar o espaço público, numa sociedade que se pretende democrática. Não se trata, em absoluto, de proibir o uso de bandeira; mas não seria o caso de se pensar criativamente em outras formas de expressão pública, pelos partidos, da sua identidade?

    1. Volto a esse espaço apenas para um esclarecimento;

      No mecanismo de busca do Google, por alguma razão que eu desconheço, aparece, em seguimento ao meu nome, o seguinte:

      “…. Os Deputados e Senadores ditos progressistas votaram essas leis draconianas para “salvar” a Previdência …”

      Devo dizer que tais palavras não fazem parte do meu comentário, não expressam o meu pensamento e não estão no rol de nenhuma das minhas preocupações. Relendo atentamente os demais comentários pude constatar que, na verdade, elas podem ser encontradas no box do comentarista que assina como Pedro, de onde reproduzo a frase, na íntegra:

      “Os Deputados e Senadores ditos progressistas votaram essas leis draconianas para “salvar” a Previdência e os entes públicos, quando na verdade deveriam cobrar como já esta na lei os que devem, fraudam o INSS.”

  6. Bom texto…..o povo finalmente esta saindo do ostracismo e esta mostrando a sua cara….é por ai!!!!

  7. Olá, Ozaí! Parabéns pela iniciativa. É bom encontrar um espaço onde a inteligência prospera. Estamos em cima dos fatos e não raro a emoção atrapalha. Ainda há pessoas mesmo brilhantes que não escapam ao maniqueísmo. Uns atacam os partidos porque tiveram expectativas frustradas. Outros culpam as elites pelo preconceito contra o operário que subiu a rampa. Contudo vejo no artigo a preocupação essencial com a razão política. A isso juntam-se os cacos de uma gestão econômica ilusória. Um abraço.

  8. Acho que, como és costumeiro, sempre há políticos que deseja se aproveitar da situação onde observamos que as ações ganharão notoriedade e estarão na grande mídia. Seria bom que partidos com suas bandeiras manifestassem seu descontentamento com os próprios partidários que atuam de forma antidemocrática, desonesta e etc. Isso não não acontece, sempre o partido encobre seus erros e isso é a grande tônica das manifestações. O Ozaí está sem partido, assim como muitos estão, principalmente porque o partido se “partiu”. Será a melhor opção? Poderíamos permanecer nos partidos e sair às ruas e mostrar nossas bandeiras pedindo dignidade, justiça e honestidade para nossos companheiros de partido? Acho que isso poderia ter evita que agora essas bandeiras fossem repudiadas como se fossem anátema do espírito da democracia e apenas simbolos de uma utopia que cada vez mais se revela um mal necessário.

  9. “Sem partido”
    Por Clóvis Augusto Melo [Jornal O Diário do Norte do Paraná/ 21/06/2013]
    Algumas pessoas demoram para perceber que não estão agradando. Acontece nas melhores famílias, na vida social e… nas mobilizações.
    Na terça-feira, em Maringá, meia-dúzia de partidários do PSTU insistiu em manter as bandeiras do partido levantadas enquanto milhares de pessoas pediam que deixassem a politicagem de lado em prol do protesto. “Sem partido”, gritavam as massas. Indiferentes, os militantes do partido de esquerda se colocaram atrás do carro de som onde a “diretoria” se instalou para – vejam só que disparate! – ensinar ao povo os bordões da manifestação.
    Seria patético, não fosse a reação da multidão. Já que eles não queriam abaixar as bandeiras e preferiram seguir adiante com o caminhãozinho de som fazendo ouvidos moucos ao protesto do povo, eis que o povo deixou aquele pessoal seguir sozinho e foi para o outro lado.
    Defendo o direito do pessoal levar sua bandeira, seja lá qual for. Mas defendo também o direito de todo mundo que não quer ser visto ao lado daquelas pessoas com bandeiras, seja lá de que partido, pois está claro que os protestos também têm como alvo os políticos e suas agremiações partidárias, independentemente da sigla.
    Penso que, se há uma possível unidade nesse esquema difuso de muitas reivindicações, é que há um único partido: o do povo. E esse não precisa de bandeiras nem de siglas para se manifestar e mostrar sua força.
    Se já é difícil para jornalistas e analistas políticos fazerem uma reflexão sobre essas manifestações, sem lideranças, que pregam a não-violência, que bradam por um país melhor e apontam muitos caminhos para transformar a nação em algo decente, imagine para partidos considerados caquéticos pela massa na ruas, como o ________ (preencha aqui a agremiacão política de sua preferência, você não corre o risco de errar), que pararam no tempo – um tempo em que manifestantes seguiam caminhões como cordeirinhos, entoando cânticos de protesto puxados por dois ou três “iluminados”.
    Não queira liderar nada aqui, e agora. Fique na sua, leve a indignação que mantém latente em sua alma cidadã. Seja pacífico, ordeiro, e reclame muito. Una-se a todos, em comunhão pela mudança. Aí sim você poderá caminhar ombro a ombro com essa massa anônima, poderosa e que já não tolera o status quo.

  10. Antonio
    Bom dia
    Também não sou filiado a Partido político. Do que tu saíste em 1991, me retirei tardiamente em 1995. Minha trajetória política – engajamento – é concomitante, ou seja, participava (1980) do Movimento Estudantil e na esteira do Sindical. Confesso que me arrependo e profundamente de ter me aproximado dessa organização política. Também discordo que tudo confluía para a construção desse partido, quando na sociedade fervilhavam outras ideologias, com raízes históricas, tais como: libertários, socialistas, socialdemocratas, bolchevistas, trabalhistas. Liberais, e outros. Diferentemente do que propalavam não foram elles que “inventaram” a luta dos sem teto, terra, da reforma agrária, esses movimentos eram anteriores a 1964.
    Minha saída também se deu por razões ideológicas, quando observava que para quem se dizia democrático, participativo e tolerante, expulsava Companheiras e Companheiros da sigla que tinham idéias divergentes e minoritárias, mas que sempre estiveram presentes nas greves, na organização, nas mobilizações, nas cotizações, nas panfletagens, etc. Na contramão eram recebidos novos militantes, principalmente originários de outras siglas cujo compromisso com as lutas sociais até então fora zero, quando até alguns dias atrás nos combatiam abertamente, nos tachando de baderneiros, agitadores, subversivos, vermelhos, grevistas, etc. Oportuno nesse particular, também lembrar que o Partido passa a eleger Prefeitos e Vereadores ainda em 1982, passando a se viver profunda dicotomia interna entre os que estavam nas estruturas de poder e os que estavam nas trincheiras. Os mandatos foram sempre monocráticos, blindados, sem aceitação de critica e participação dos coletivos. Na escolha dos cargos pesava o interesse dos que estavam diretamente ligados aos eleitos e não do conjunto. As instâncias, convenção, diretórios e mesmo executivas eram ignoradas ou amaciadas. Esse fenômeno também já vinha se repetindo no seio dos movimentos, sobremodo no sindical, onde o conforto das salas, logo fez esquecer a dura exploração do chão das fábricas, ficando esquecidos os discursos ufanistas do fim do Imposto Sindical, do assistencialismo, da luta por melhores condições de trabalho, da organização horizontal e não vertical.
    Decidi em 1997 não mais votar, passei a defender abertamente o direito ao voto nulo, ao voto em branco, ao direito de não comparecer e mais que isso ao direito de acesso aos Meios de Comunicação Social nos períodos eleitorais para defender esses direitos como o tem os Partidos.
    Partido algum me representa, pago religiosamente todos os impostos, portanto sou trouxa e bocó, há mais de 37 anos tenho horário para levantar, sempre antes das seis da manhã e não tenho horário para parar de trabalhar. Minha carteira esta assinada desde 1977 e de quebra graças às políticas neoliberais do Senhor Luís tenho que pagar pedágio de cinco anos para me aposentar. Os Deputados e Senadores ditos progressistas votaram essas leis draconianas para “salvar” a Previdência e os entes públicos, quando na verdade deveriam cobrar como já esta na lei os que devem, fraudam o INSS. Em momento algum os do Poder Executivo falaram em abrir uma auditoria sobre as dividas para com a Previdência, com a divida interna e externa da União, coisa que o ditador Getúlio promoveu, sem haver quebra da institucionalidade ou legalidade.
    No que tange aos movimentos sociais, não são esses que afastaram as bandeiras e sim os que portavam bandeiras partidárias é que se afastaram optando pelas benesses dos gabinetes e cargos e isso não foi na segunda e terceira semana de junho de 2013, mas coisa já de anos, obviamente para preservar os governantes de plantão de seu monocratismo estatal.
    Se efetivamente tem ideologia, programa, estatutos, promessas escritas, que os cumpram. Nós cidadãos não os estamos também impedindo de irem às ruas, somente pedimos que fossem coerentes. Na Venezuela, quem é Maduro vai as ruas coerentemente para defende-lo, quem é oposição vai as ruas para protestar, xingar, exigir melhorias, menos impostos e papel higiênico. São coisas, portanto, distintas, quem é governo que se assuma. Não vimos e não vemos os da base de sustentação criticar os gastos das Copas, as viagens internacionais com dezenas de assessores, os caros hotéis que se hospedam, a corrupção, cadeia para os mensais, CPI nas doações de Campanha, auditoria nas dividas. Tem muito tempo que caiu quem no BNDES pensava em aplicar o dinheiro público no desenvolvimento e não se viram criticas a isso. Não vejo os Chefes de Executivos dos tais partidos de esquerda no Poder, pagando sequer a miséria do Piso Nacional ao Magistério.
    Reitero elles podem e devem ir as ruas com suas bandeiras para serem coerentes com suas irresponsabilidades, mas não para descaracterizar o sentimento de revolta, insatisfação, fervor popular por direitos sociais, por cidadania. Se quiserem em tempo serem coerentes que proponham abertamente a redução dos salários astronômicos dos altos cargos da República, do número de assessores, dos gastos supérfluos, redução imediata nos impostos.
    Rosa, Gramsci e outros tinham realmente criticas duras aos governos monocráticos de Lenine e Staline, mas não tiveram a capacidade de romper com o marxismo, já Canelas foi o único que disse na “lata” dos bolchevistas um sonoro NÃO! Antonio era brasileiro, não recebia ou recebeu mensais, um dos que merecem ser lembrados na construção do sol da liberdade.

    Pedro
    Caxias do Sul, 23 de junho de 2013.

    1. Mas é o povo quem está dizendo não às bandeiras. Se a representatividade desse seguimento não é olhada com bons olhos, é por que não é legítimo sua presença. Acho que as bandeiras não podem agir como se essa crítica não fosse nada ou invertesse, como tenho percebido, dizendo que estão sendo proibidos. Bom, não sou cientista política, mas é o momento é de reflexão para qualquer bandeira tanto de direita qto de esquerda. A bem da verdade gostaria até que nas eleições ninguém votasse em ninguém. Afinal quem nos representa? O problema está aí, não há identidade.

      1. Oi Carolina. Também me pergunto “quem nos representa?”. Acredito que as coisas vão tão mal justamente porque quem é eleito não representa o povo, representa seu partido.

      2. Sim Daiane esse é o principal argumento dos que foram às ruas. Cabe a reflexão dos partidos, pois a identidade de cada um está em xeque.

  11. Acho que há mais argentinização e menos globalização nas manifestações brasileiras; algo que foi traduzido no país vizinho como “que se vayan todos” (que se vão todos) e aqui foi expressado pelo voto nulo nas últimas eleições. Há uma pitada de cinismo e um desencanto da geração recente, generalizados em relação à política partidária, cuja visibilidade nas ruas são as bandeirolas dos partidos com função de marketing político-ideológico e nada mais. O cinismo também fica por conta destes partidinhos antidemocráticos, sectários, dogmáticos, que pegam carona nas manifestações. Se estivessem no poder eles grupelhos nunca permitiram manifestações populares como estas. Isso a história comprova.

    Por outro lado, ESTETICAMENTE, acho que fica mais bonita a foto acima com vários cartazes, diversas frases (algumas boas outras inadequadas) do que bandeirolas que já sabemos o que representam; seus slogans se tornaram vazios.

  12. Interessante o texto. Há muitos movimentos anti-partidos, com cunho militar ou anárquico, que participam ativamente dos protestos, há uma lista por exemplo em https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=538407982884717&id=149047141820805. Entretanto, concordo com o Cristovam Buarque, que foi muito criticado no Twitter por defender a abolição dos atuais partidos. Está muito claro que os manifestantes, em sua grande maioria não filiados a ideologias fascistas, rejeitam completamente os partidos atuais e estão cientes da falsa dicotomia PT-PSDB. Talvez um verdadeiro partido de liberalismo econômico, ou então um que tenha como fundamento a vida simples, ao estilo do novo papa, ou um partido de centro que não aceite coligações espúrias, etc., encontrasse ressonância na massa disforme que têm ido a público manifestar insatisfação generalizada.

  13. Pelo visto e aqui perguntado nota-se que ainda não houve pleno entendimento do que está ocorrendo; é o sentimento puro das pessoas que querem mudar o que se passa atualmente, sem necessidade de rótulos; não temos que vestir um uniforme,qualquer que seja, para demonstrar o que estamos sentindo.

  14. Acho que há, Ozaí, uma necessidade de expressão, de angústia contida que independe de partidos, por um lado. Mas, por outro, parece-me que há um esvaziamento muito concreto de representação partidária que mantém a resistência, no sentido de luta transformadora para que entendam que ninguém aguenta mais, mas que não tem rosto, não tem bandeiras. Acredito que as bandeiras são o grito, são cidadãos (por mais falacioso que seja a compreensão dada a palavra cidadania, que, às vezes, não parece existir). Essa massa que compareceu às ruas, luta pelo o sonho utópico que é chavão de conquista de toda bandeira: o povo unido, jamais será vencido. Acredito que esse impedimento para que as bandeiras não se levantem se deve a uma política interesseira, embusteira, que se aproveita do grito das massas para que o grito, que é legítimo, lhe seja retirado. Agora isso tudo reflete um problema maior que é representativo, de identidade partidária. Os partidos, as bandeiras têm de ler essa situação como crítica ao embuste que representam. Por outro lado me assusta esse furor violento. Toda vez que a violência comparece é porque a voz das pessoas têm sido negada. Tenho receio de ouvir daqui a pouco que era melhor com a ditadura. Mas vamos gritar como diz a Rita Lee: “Pra pedir silêncio eu berro, pra fazer eu mesma faço, porque tudo é um caloroso espetáculo!!” E Rita Lee está certíssima, as pessoas estão definitivamente cansadas e sem partidos para representa-las. Um clássico problemão de identidade no Brasil!

  15. PERFEITO OZAI. Vemos que temos muito em comum. Cresci em Brasilia de 1972 a 1985, fiz primeiro a faculdade dom bosco dos Salesianos, onde fiz, aos 18 anos a Pastoral d Educacao com Padre Josimo nos recebendo em Tocantinopolis. Aquela semana em Tocantins mudou ou focou minha visao de mundo. Era epoca das diretas, e participei de todas as manifestacoes inclusive votacao das diretas, q assisti dentro com congresso gracas ao deputado, cassado em 68, Paulo Mincarone do RS.QUando fui para Sao Senastiao do Tocantins, bico do papagaio, deparei me com o caos.os pereiros q efetuam nos acolher sequer moravam nas cidadelas em que iríamos atuar, dois estudantes em cada ponto.eram palhoças, sem luz, exceto por quatro horas a noite. Criancas doentes, barrigudas, com eczemas, as quais como educadora fisica procuramos promover educacao saude e diversao atraves do esporte: canoagem, natacao, jogos, ate campeonato de cuspe a distancia.Por incrivel q pareça, alguns cartazes audaciosos de Tancredo Neves, eram colocados nas margens da estrada, onde viajávamos em paus de araras…comsegui entregar ao velho e ao MDB, que ficaram muito sensibilizados.Ninguem a nos orientar, fiquei uma semana com meu colega ao deus dara. Preocupados pela falta de comunicacao, pois levei 3 dias para chegar em Sao Sebastiao, meus pais mobilizaram o congressista, que sabia que o local era de alta periculosidade, pois lá ainda reinava o GETAT, e Grilagem. No sexto dia alguem apareceu nervoso, mas optamos eu e Lucio a ficar. Tivemos que sair depois correndo via Imperatiz do Maranhão, onde na rodoviaria, onde pegaríamos o Belém Brasilia, assistimos a cenas dantes as, de Pistolagem, alem de nos dizerem que o onibus pararia lá se quisesse. Era zona de garimpo tb. Dali, de uma filha que vivia numa super quadra do alto escalao técnico do governo e do Senado, tudo mudou. Mais tarde, retornei ao Sul para na PUC fazer direito e trabalhar com projetos da CPT junto ao Morro da Maria Degolada em Porto Alegre, o me voltar me ao direito publico. Retornei a Brasilia onde fiz especialização na UnB com monografia Vitimologia, na real um material de um livro q foi perdido na editora da UFRGS… Trabalhei na LBA pos Collor como procuradora atuante no TST e TRF, e depois fui para o MJ. Fui assessora parlamentar, mas resolvi largar cargos comissionados e estudar, na casa de meu pai, que já Tornara ao Sul gracas a extincao privatizacao da Siderbras, sendo ele hj anistiado da Era Collor, tendo que trabalhar aos 74 anos de idade, pois apesar do lula anistiar a esses servidores, NAO corrigiu seus salários e tao pouco a forma de aposentadoria.eu sou Procuradora do INCRA, hj procuradora da uniao, desde 1997, por opção, sabendo a historia da reforma agraria. O locus foi determinante para que eu fizesse mestrado e doutorado em antrologia social, sendo q jamais terminei a tese de doutorado por forcas ocultas.Há cerca de cinco anos construi a tese juridica que nos levou ao precedente unico de reconhecimento de quilombos urbanos, familia Silva, em Porto alegre, tendo atuado ate o ano passado, quando percebi que a causa era sabotada pelo proprio governo, pressionado pelos latifundiários e mesmo pela agricultura familiar. Embora tenha me filiado com Cristóvão em Brasilia, ao vir para o Sul NAO me refiliei. jamais acreditei em lula, q na verdade só focou sua atuação pro operariado metalúrgico, tendo contribuído para o direito de greve. Sempre odiou servidores PUBLICOS, aos quais chamava de barnabes como na Era Getulio e seguintes. Acredito no mensalao. Ate mesmo pelo oficio. te digo que nunca sofremos tanto assedio moral no servico publico, o que levou a uma pesquisa dos Ministerios da saude, previdência e trabalho, que mostra q quase 90% dos servidores se afastam ou mesmo se aposentam por SOFRIMENTO PSIQUICO. Na minha carreira,AGU, há um PLC que simplesmente destroi a advocacia publica, de Estado, transformando a em advocacia de governo. O stalinismo reina e a pratica NAPOLEONICA de dividir para conquistar e praticada com os novos ingressos na carreira, maioria geracao Y, quee usada para desconstruir o saber dos mais experientes. Estive em Marabá em 1998, quando recebi denuncias de corrupcao envolvendo Alta Piranheiras Ipixuna.Fui sabotada com meu colega consultor do IICA,pelo superintendente de lá, e pedi socorro a CPT, que me ajudou a ir ao assentamento extrativista citado, alugando uma voadora e a escolta de sindicalistas. Dos mortos que hj temos noticias, estive com todos. Fui perseguida em Marabá, e em Brasilia, mesmo denunciando ao entao Jungman, nada aconteceu. Atuei em outras frentes, a primeira causa que me deram em 1997 foi contra Jader Barbalho. Voltei ao RS pois minha bidão corria risco em pleno ano 2000…no mestrado na UFRGS lecionei a disciplina sociedades camponesas, hj, pelo q me contam, extinta…fiz trabalhos na area para o PNUD, BIRD,IICA, publicados pelo NEAD do MDA, que hoje esta praticamente aparelhado para NAO usar os excelentes trabalhos lá realizados. Atualmente, o INCRA esta sob o jugo autoritário da corrente DS, o que só aumenta o clima generalizado dos servidores de bullying. Sou pesquisadora nas áreas de campesinato, relacoes interetnicas e antropologia da politica. Atualmente reeditando dois livros, um estudo antropológico do estatuto do Indio, e outro sobre o canhamo. mas pesquiso a ditadura de 64 a abertura. Me identifiquei muito contigo. Para mim o unico ícone religioso DOM PEDRO CASADAGLIA. POLITICOS, OLIVIO DUTRA E DARCY RIBEIRO. Hoje, faco meu trabalho de procuradora, mantendo apenas a ilusao de que trabalho pelos pobres da agricultura familiar.Sou tida como competentissima, mas ” encrenqueira” o q para mim e um elogio… Conte comigo na sua rede. Luciana Job, antropologa social e advogada publica.

    lujob

  16. Então vamos combinar o seguinte: quando os partidos deixarem de ser de mentirinha, eles desfilam suas bandeiras. A presença dos partidos nas passeatas parece ocorrer por puro oportunismo, por isso os partidos precisam provar que sua presença nas manifestações é legítima. Quando os partidos calaram o povo, foi democrático? Agora que o povo cala os partidos, é apenas uma reação. Se são de mentirinha, não representam o povo, e sua participação não é legítima. Os tempos mudaram. Ainda bem.

  17. As teses nem sempre se mostram, na prática, que darão certo.
    No caso da política brasileira onde os partidos políticos deveriam ser representantes do povo, tal não acontece.
    Existem várias razões para este rompimento e, a mais importante, dá conta que nossos parlamentares não viram na população a finalidade primordial de seus interesses.
    O advento do PT ao poder, um partido reconhecidamente de esquerda e com propósitos socialistas, trouxe esperanças ao povo e País que mudaria o que era necessário e acrescentaria o que carecíamos de longa data.
    Ledo engano.
    O PT seguiu rigorosamente a cartilha de seu antecessor, a ponto de manter na função o mesmo presidente do Banco Central;
    Deslumbrou-se com o poder;
    Não modificou o arroxo das pensões dos aposentados;
    Seu discurso contrário ao Plano Real foi alterado e passou a adotar os mesmos critérios anteriores;
    Percebeu que poderia se manter à testa do governo indefinidamente com atitudes que demonstrassem sua preocupação com os necessitados quando, na verdade, queria cooptar votos suficientes à sua manutenção no poder, haja vista que o Bolsa Família deveria obrigatoriamente trazer consigo outras medidas paralelas;
    O PT foi pródigo em alianças espúrias;
    Seus inimigos políticos do passado, milagrosamente tornaram-se seus aliados mais próximos no Planalto;
    A ma´xima de que era um partido que não era corrupto e não se deixava corromper, caiu por terra com o mensalão, entretanto, a sua amplitude tática abrangia a eliminação da oposição, meta conseguida através de loteamentos de ministérios, diretorias, secretarias, estatais, de modo a conceder retribuições pela elaboração da famigerada e deplorável base aliada;
    Houve o aparelhamento do Estado em níveis antes nunca vistos;
    Os partidos políticos perceberam que se estivessem ao lado do PT e fizessem parte desta união, conseguiriam votos da população e elegeriam seus representantes mais facilmente, diante do furacão petista de nome Lula;
    Bajular o partido do governo se tornou natural e, os partidos políticos, passaram a romper consigo mesmos rasgando seus estatutos, ignorando suas posições ideológicas, desprezando suas filosofias, desconhecendo suas histórias para comporem um grande partido, uma agremiação única, apesar das várias siglas a montá-lo;
    Nesse turbilhão de construções e arregimentações de simpatizantes, aliados e vendidos, o povo foi sendo esquecido;
    O PT se firmou exclusivamente no Bolsa Família, projeto importante, indiscutivelmente, caso não condenasse os necessitados à miséria perpétua, haja vista que dependeriam sempre das benesses governamentais e estariam na dependência do governo em alimentá-los;
    Os partidos políticos, nessas alturas, não ouviam mais o povo clamar por uma Educação melhor, Saúde mais eficiente, Segurança mais confiável;
    O PT e aliados obrigaram ao povo brasileiro suportar a mais alta carga tributária do mundo;
    A ãnsia de arrecadação sempre foi a característica do PT, pois era fundamental rechear os cofres públicos e ter dinheiro suficiente para atender as exigências dos partidos com relação a continuarem aliados ao governo;
    A eleição para Prefeito em São Paulo desmascarou definitivamente o partido que deixava atrás de si marcas profundas de corrupção, comprovando seu comportamento nefasto e deletério ao País e povo ao unir-se com o símbolo maior da desonestidade brasileira: Paulo Maluf. Os fins justificavam os meios, cínica e hipocritamente;
    A luta de Lula para trazer a Copa do Mundo de Futebol para o Brasil, demonstrou a sua vaidade e irresponsabilidade para com a nação brasileira e sua população carente nas questões básicas. Verbas inimagináveis mesmo que financiadas estariam sendo locadas para futuros elefantes brancos, os estádios que ficariam sem público após o torneio, aumentando a falta de verbas em áreas decisivas e vitais ao povo;
    Os escândalos prosseguiam apos o mensalão. Os partidos oposicionistas de tanto serem criticados pelo PT e aliados perderam suas forças, fragmentaram-se, colaborando com os petistas ao repetirem suas falcatruas através de governadores e senadores que compunham partidos que não se juntaram ao poder;
    O povo percebia que este divorciamento se agravava. Os aumentos não paravam. O custo de vida cada vez mais caro. Os parlamentares sempre foram perdulários com seus gastos inexplicáveis e injustificáveis, além de desonestos porque certamente suas notas fiscais apresentadas não resistiriam minutos sob uma auditoria séria;
    Os presidentes da Câmara e do Senado condenados, porém aliados do governo petista;
    Os condenados pelo mensalão continuam legislando em causa própria;
    A PEC 37 retira do Ministério Público, o fiscal da lei, seu poder de independência e investigação;
    O poder Legislativo bandeou-se para o Executivo que, unidos, trataram de enfraquecer o Judiciário, último baluarte da morasl e ética brasileiras;
    Os partidos políticos separaram-se do povo, e foram os causadores das manifestações populares que exigiam que as suas bandeiras desfraldadas fossem retiradas, pois não mais representavam o sentimento popular.
    A democracia precisa dos partidos políticos, sim, mas estes não conseguem sobreviver sem que atendam a demanda do povo, seus clamores, seus pedidos, suas exigências que visam um País desenvolvido e cidadãos fazendo parte efetiva deste progresso.
    A desilusão deu lugar à descrença; o descaso político cedeu espaço à revolta; o momento é de atenção e urgente reforma política, sob pena de se inviabilizar o Brasil em definitivo, porém, os atuais partidos ou se renovam ou voltem às suas origens, caso contrário, abrem vaga a movimentos que tanto podem estar interessados na continuação democrática ou o retorno de regimes de exceção, que condenam a todos à barbárie, e por culpa exclusiva de quem deveria representar o povo à altura, e não somente a si mesmos em caráter pessoal e interesseiro.
    Os partidos políticos hoje sofrem de fadiga, perderam o fôlego, não possuem mais credibilidade alguma!

  18. Prof. ANTÔNIO é sempre um prazer ler o que escreve. Seus textos têm sinceridade, são escritos com alma. Bonito o senhor escrever que saiu do PT e também toda a sua formação ideológica.Há confiabilidade em suas palavras.
    Também senti um aperto no coração quando não permitiram as bandeiras de partidos. Achei as manifestações do povo, uma festa da Democracia e o fato me incomodou um pouco. Mas, como estamos cansados e decepcionados do oportunismo dos integrantes de partidos políticos, logo me conformei e achei que os jovens tinham razão.Os políticos ou seriam politiqueiros(???) deturparam algo sagrado, o nosso caminho natural de encontro para a Democracia. Eles perderam a confiabilidade dos eleitores. Decepcionaram muito.
    Na minha pacata cidadezinha natal, conheço pessoas que já trocaram de partido um montão de vezes. Lógico, que tudo por “caça a cargos,” os famigerados CCs. Nojo puro, compadrismo,, conchavo barato, troca de favores, quase uma chantagem.
    Será lindo o dia em que a pessoa merecer o cargo, por sua competência, conhecimento, dedicação e confiabilidade. Que ótimo quando não houver mais o sorteio de cargos. Portanto, caríssimo professor, após pensar muito, ler muito, trocar ideias com a famíla (minha mãe falava e participava muito de política. Ela era uma pessoa política.) Logo, aprendi desde cedo a querer fazer parte de um partido e a ser uma pessoa participativa e pensar no bem comum.Fiz o mesmo com meus filhos. Eles já pesquisaram, sondaram e não se decidiram por nenhum, infelizmente.Não pude censurá-los, porque constatei tanta sujeira e gente safada, que também desanimei.
    Tenho a esperança, que o recado contundente das ruas, seja um alerta aos políticos e que para o bem da nação e também deles, seja feita uma boa depuração, uma organização nos partidos. Que sintamos alegria e orgulho de empunhar uma bandeira partidária.
    Abraço fraterno e ótima final de semana.
    Vera Linden.

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