Pra que governo?

Os clássicos da política são uma contribuição fundamental à compreensão da sociedade moderna, sobre os dilemas do nosso tempo. Sua leitura é imprescindível ao aprendizado e à reflexão sobre a atualidade. Thomas Paine[1] e John Adams[2], por exemplo, nos ajudam a pensar sobre as relações sociedade e governo e até mesmo sobre a necessidade deste. Para Thomas Paine:

“A sociedade é produzida pelas nossas necessidades, e o governo pela nossa maldade,; a primeira promove positivamente a nossa ventura, unindo os nossos afetos, enquanto o segundo o faz negativamente, refreando os nossos vícios. A primeira encoraja o intercambio, o segundo cria distinções. A primeira é uma patrocinadora, o segundo um punidor” (PAINE, 1964: 4)

A sociedade em qualquer estado é uma bênção, enquanto o governo, mesmo no seu melhor estado não passa de mal necessário, no pior um mal intolerável. Porque, quando sofremos ou ficamos expostos, por um governo, a nossa calamidade aumenta pela reflexão de nós é que fornecemos os meios pelos quais sofremos” (id.:5).

Segundo Thomas Paine, precisamos de governo, porque nossa natureza é má e não conseguimos agir apenas por nossa razão. Por isso, estamos dispostos a ceder parte da nossa propriedade e trabalho, através dos impostos, para instituir um órgão que nos proteja de nós mesmos e dos outros. A necessidade de instituir um governo resulta da “incapacidade da virtude moral para governar o mundo” (Id.: 6)

Qual é o objetivo do governo?

Uns acham que o objetivo do governo, vale dizer da política, é a justiça e o bem comum. Thomas Paine, considera que “o verdadeiro propósito e fim do governo” é a segurança (PAINE, 1964:5). A estabilidade política e social é o objetivo principal do governo. O problema essencial da política é a ordem. Só ela é capaz de propiciar as condições para o desenvolvimento livre e equilibrado da sociedade.

Se a segurança e a ordem são os objetivos da instituição do governo, é a prosperidade e a felicidade que os indivíduos buscam. Esse, segundo John Adams, seria o objetivo do governo:

“Nesse ponto todos os políticos, em suas especulações, concordarão em que felicidade da sociedade constitui o propósito de governo, como todos os teólogos e filósofos morais concordarão que a felicidade do indivíduo constitui o alvo do homem. Partindo desse princípio, seguir-se-á que a forma de governo que proporciona tranqüilidade, conforto, segurança ou, numa só palavra, felicidade ao maior número possível de pessoas e em maior grau, é a melhor” (ADAMS, 1964: 77)

Mas, quais as regras para escolher os representantes? Será que a maioria é sempre democrática? Ou será que a maioria apenas legitima o governo da minoria, a qual governa em defesa dos próprios interesses e privilégios? Se é assim, por que e para que democracia representativa?

Referências bibliográficas
PEEK JR., George. (seleção). Escritos Políticos de John Adams: Seleções Representativas. São Paulo: IBRASA, 1964 (Clássicos da Democracia)

PAINE, Thomas. Senso Comum e outros escritos políticos. São Paulo: IBRASA, 1964 (Clássicos da Democracia)
______________________
[1] Thomas Paine (1737-1809) nasceu na Inglaterra. Foi jornalista, republicano, defensor e signatário da Declaração de Independência das colônias inglesas, posteriormente, Estados Unidos da América. Participou ativamente da guerra de libertação e das lutas políticas do seu tempo.

[2] John Adams (1735-1826), foi vice-presidente dos Estados Unidos (1789 a 1797), no mandato de George Washington, e foi o seu segundo presidente (1797-1801). Durante a guerra de independência ocupou cargos diplomáticos no exterior e participou do tratado de paz.

2 comentários sobre “Pra que governo?

  1. ozaí, fiquei curiosa em saber se você considera válida o pensamento de maquivel, que fala da manutenção do poder como objetivo primordial da política.ela me parece tão convincente… mas até que ponto essa teoria pode ser validada? que ideologia se esconde em maquiavel, ozaí?cris

  2. Nas sociedades indígenas, das quais Clasters (em Sociedade contra o Estado) estuda, o controle do poder político do chefe é diretamente limitado pela comunidade. A segurança e o bem estar da tribo depende desse controle. A cultura euro-ocidental desde os primordios até os nossos dias os considera primitivos por serem sociedades sem Estado, contudo é ignorado que eles fazem essa escolha como opção e não como mera ignorância. A segurança e a permanencia da tribo depende desse controle. Nossa sociedade prefere entregar nossa segurança nas mãos do Uno , do Estado uno. Nossa evolução como sociedade “civilizada” não conseguiu ainda incorporar o princípio legitimo de democracia apesar de repetir o discurso insensantemente!!!Não escrevo muito bem, mas quis colocar meu comentário nao só apenas para mostrar opinião ou demonstrar conhecimento( até mesmo pq “Só sei que nada sei”, hehehe, mas para apoiar o seu blog viu? Grande beijo.Kelly Dipre

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