Sobre o blog

O meu amigo Walterego é um crítico que faz questão de ler o que escrevo. Embora nem sempre estejamos de acordo, devo admitir que seus comentários são instigantes. Mesmo que eu tenha dúvidas sobre esse papo de “crítica construtiva”, ele é o tipo de interlocutor que nos privilegia, é o leitor que vale a pena ter. Pedi que compartilhasse suas reflexões, mas ele prefere manter o caráter particular. Compreendo.

Walterego, na qualidade de amigo, ainda que crítico, se declarou preocupado com as críticas ao texto “Biblioteca pública, uso privado”. Mas do que a quantidade, ele ficou estarrecido com os adjetivos utilizados por alguns leitores. Ele insistiu: “Tens que responder às críticas”. Tentei argumentar que não considerava necessário, pois críticas são normais. A condição de quem escreve é se expor. Ele disse: “Há críticas e críticas. E há críticas que beiram a grosseria, pelo abuso da adjetivação e acusações que não se sustentam”. Dei de ombros! Como ele, não sou afeito a polêmicas. Que cada um pense o que quiser. O tempo é o senhor da verdade! Ele não desistiu. Sua obstinação foi tamanha que decidi escrever.

Primeiro, agradeço aos leitores, em especial aos críticos. Quero acreditar que leram atentamente e merecem meu sincero agradecimento. Muito pior seria se não houvesse leitores. A minha gratidão se estende, é claro, aos que, voluntariamente, é bom que se frise, saíram em minha defesa. Mesmo grato, devo honestamente assumir que se não concordo com muitas das críticas que foram feitas, também discordo de muitos argumentos dos “defensores”. Porém, ainda que respeite uns e outros, não entrarei no mérito. Desejo apenas esclarecer algumas questões, as quais, espero, contribuam para a melhor e mais aprofundada avaliação por parte dos leitores.

Quando decidi escrever um blog pensei em algo como um espaço para reflexões compartilhadas com eventuais interessados.* Um blog sem grandes pretensões, a não ser a de escrever sobre o que sentisse necessidade e inspiração. Da simplicidade do cotidiano, algo que beira a crônica, à complexidade dos acontecimentos internacionais, tudo pode se constituir num tema sobre o qual se debruçar. Não há hierarquia temática. Embora se dirija aos leitores, o blog tem como objetivo, essencialmente, organizar idéias e compartilhar angústias e reflexões. Sem a pretensão de aprofundamento teórico, acadêmico e, muito menos, científico.

Para tanto, tomei duas decisões fundamentais: 1) mantê-lo restrito, acessível apenas aos leitores interessados em um blog com este caráter e que, virtualmente ou pessoalmente, conheça o seu autor, ou seja, aqueles que acompanham o meu trabalho; 2) escrever textos claros e concisos (defini o limite de 3.100 caracteres). O intuito não era proibir o acesso ao blog, mas facilitar a formação de uma comunidade de leitores com certa permanência, e não apenas leitores eventuais que não conheço nem mesmo por email. Porém, por motivos técnicos, e após consulta com os leitores, reavaliei e decidi liberar o blog, ou seja, deixou de haver a necessidade de login e senha para acessá-lo. O aspecto positivo é que o blog passou a ter maior repercussão, mais acesso e leitores; o lado negativo é que também ficou exposto aos riscos inerentes à rede.

Mas mantive o limite quando à extensão do texto. Isto indica a necessidade de circunscrever bem o tema tratado em cada post. Portanto, o crítico arguto deve considerar o caráter do blog – insisto que leia o texto Por que um blog? – e também a restrição do espaço. Se o leitor crítico observar estes detalhes, certamente não exigirá do autor o que este não promete e se aterá ao tema. Sugiro, enfim, a leitura atenta e que considere as limitações indicadas.
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* Ver Por que um blog?

11 comentários sobre “Sobre o blog

  1. Gosto do que o Sr escreve, principalmente por escrever em redes sociais, coisa que professores universitários como um todo não costumam fazer.

  2. Caro Amigo Ozaí:permita-me que o trate assim.Postei um comentário,mas não sei se consegui enviar, porque tive um problema s~ubito por aqui.Chamo-me Anita Vilar e sou portuguesa. SE NÃO CHEGAR TENTAREI AMANHÃ VOLTAR A REESCREVER. Um AbraçoAnita

  3. O nível dos comentários está péssimo. Estão questionando coisas que não são pertinentes, que não estão inseridos no âmbito da discursão (sobre o texto do Ozair). Estamos diante de analfabetos funcionais. O que a maioria dos brasileiros são. Sabem ler e escrever mas não sabem ser coerentemente críticos e nem a interpretar um texto. Isso é sério pois é reflexo da política educacional de nosso país, que investe pouco em educação e ciência. A educação no país é precária e está longe da qualidade de ensino que existe em outros países. Quanto aos livros,são caros e por isso o acesso a livros de qualidade fica restrito às bibliotecas públicas. O tema usado por Ozair foi muito pertinente sobre as bibliotecas públicas. O que seria de nós universitários (de baixa renda) ? Eu mesmo não poderia estar frequentando a faculdade pois não teria condição de comprar todos os livros exigidos no curso de Ciências Sociais.

  4. Grande OZAÍ, sempre na dúvida: escrever ou não blogs? eis a questão!Parabéns pelos artigos com cara de Ozaí: liberdade, opinião, respeitar o outro…temáticas já clássicas!

  5. O seu outro blog é menos pessoal, mas este aqui, mais pessoal, é interessante justamente porque o “ozaí” parece apenas uma “ponte” para questões “públicas”. Gosto dos dois. Abs.

  6. “Toda unanimidade � burra”.(Nelson Rodrigues)Seu blog, � diferente, pois voc� se exp�em no mais �ntimo de suas convic�es, se alguns leitores s� criticam � porque nunca pagaram o pre�o de realmente dizerem o que pensam de si mesmos. Contudo, tudo isto s� soma ao seu favor, suas reflex�es aprofundaram e o seu blog � mais conhecido hoje.Sei que prosseguir � mais dif�cil que seguir, mas prossiga! Precisamos de gente que faz! E voc� � uma delas. Abra�os, Aline Carla.

  7. Ozaí, boa a sua reflexão. Escrever é oferecer-se às críticas. Alguns que escreveram a seu favor afirmaram coisas horrendas que certamente nao estão em sua linha de pensamento. Mas é de causar reflexão, boa reflexão, quando se é defendido apenas pelos amigos, como é caso da postagem à cima. Fica parecendo a política nacional, na qual os “amigos” surgem para dar uma mãozinha nos momentos críticos.

  8. Caro, ozai,postei um comentarário e esqueci de colocar meu nome.Sou Alice de MG e fiz värios curso com voce.Acho que é a emoção, de comentar sobre algo que o mestre escreveu.Alice Souza-MG

  9. Ozai,ao ler sua colocação sobre a morte, confesso que assutei.Mas ,entrei em reflexão.Toda ação tem uma causa e um efeito.A vida adquire uma ordem temporal e irreversível .Diante disto o relacionar-se com o outro, torna um risco.Muitas relações que são rompidas,nos remete a situações de morte.Tenho tres perdas em minha vida que me tornaram armada frente ao risco.Ai , o ser humano, confunde o efeito com a causa.Eu vivo isto. .. Diante disto me recuso até em pensar,ante uma ameaça de perda, sobretudo afetiva.Discordo, entretanto ,quanto ao esquecimento.Quem experimenta a sensação de amar e ser amado, jamais esquecera quem lhe proporcionou estas experiencias.Fato este pode ser observado entre,amor fraternal, amizade e relacionamento entre homem e mulher.

  10. Caro Ozaí: postei um comentário sobre a estúpida polêmica que se fez a respeito do seu post sobre bibliotecas. A sua cruz é muito pesada, amigo. Abraço fraterno.

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