A educação é realmente importante?

A mídia alardeia diariamente: a educação transforma a vida das pessoas. Em sua capacidade de sintetizar ela mostra imagens sobrepostas de jovens em estado de delinqüência e inseridos no mercado de trabalho. São os mesmos jovens em momentos diferentes mediados pelo milagre da educação. Esta foi transformada numa espécie da panacéia para a cura de todos os males sociais. Os governantes fazem projetos, campanhas publicitárias etc. A TV faz a sua parte.

O discurso pela educação aparenta unanimidade. Paradoxalmente, a mesma sociedade que vê na educação algo essencial para que os indivíduos disputem no mercado, aceita passivamente a mercantilização da educação. Mesmo nas universidades públicas, os critérios produtivistas, próprios da lógica do mercado, são aceitos com naturalidade.

Eis o estado de guerra hobbesiano onde “o homem é lobo do homem”. O darwinismo social, a competição, resume a ideologia predominante. Os cínicos justificam a crescente mercantilização da educação como algo que estaria contribuindo para a cidadania. Estes, mesmo admitindo que os futuros diplomados terão pela frente um mercado de trabalho saturado e altamente competitivo, isto é, com poucas chances de exercerem a profissão, consideram que o desenvolvimento da sociedade é proporcional à quantidade de diplomas.

A lógica rasteira que transforma a educação numa mercadoria como outra qualquer, onde se vendem diplomas e ilusões, encobre os interesses particularistas em nome dos interesses da sociedade. Se os empregos são escassos, que farão os futuros formados com os seus diplomas? A resposta cínica: terão que enfrentar o verdadeiro vestibular do mercado de trabalho e a sociedade ganhará com isto porque vencerão os melhores.

Eis porque propostas como a adoção de cotas para negros produz tanta polêmica.* A educação é restrita a poucos, e o mercado de trabalho também. Quanto maior o número de diplomados, maior a disputa. As cotas reduzem o quantum de diplomas entre os que têm as melhores condições de disputar as vagas nas universidades públicas, isto é, entre os que possuem capital cultura e social acumulado. São indivíduos que, desde a infância, são preparados para assumirem o seu lugar na universidade.

Se a educação é mesmo importante, é preciso não apenas investimentos governamentais, mas também uma profunda democratização da mesma.
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* Publicado originalmente em http://antoniozai.blog.uol.com.br, 10.11.2006.
* Ver “Por que a Universidade resiste às cotas raciais?”, Revista Espaço Acadêmico, 65, outubro de 2006.

17 comentários sobre “A educação é realmente importante?

  1. Nem lembro mais exatamente o que li. Depois de ler tantos comentários. Lembro que a primeira coisa que me veio à mente foi esquecer qualquer preocupação com a adequação ao mercado de trabalho e aumentar a quantidade em cada vez maior grau de estudantes em formação e de estudantes formados. E, de preferência, bem formados. Acho que pensei como um comentarista que na atualidade quem tivesse conhecimento seria procurado pelo mercado de trabalho para ser empregado.

    Lembrei de Marx na “Critica do Programa de Gotha” argumentando que onde existe a educação pública universitária as classes dominantes não gastam com a educação que é paga pelas classes dominadas. Por isso, ele considera que o sistema universitário privado dos EUA é o melhor. Defende para os trabalhadores as escolas técnicas com formação teórica e prática. Defende que nelas seja possível produzir e vender mercadorias para manter e desenvolver tais escolas. Finalmente, aposta que tais escolas politécnicas darão um salto e superarão a formação superior universitária das classes dominantes.

    Sempre fiquei impactado com este pensamento de Marx e com o grau extremo de contradição dele com o pensamento marxista que tradicionalmente aparece aqui defendendo a educação pública desde a base até o mais elevado pico universitário. Porque Marx aparecia defendendo duas formas de inserção da educação no mercado. Uma que tornava todas as universidades particulares e, portanto, dependentes do poder de compra do seu cliente no mercado, ou seja, as classes dominantes, E outra que tornava todas as escolas técnicas mistas e dependendo cada vez mais do estudante ou aluno-trabalhador que, vendendo a produção tecnicamente desenvolvida pela escola, aprendia prática e teoricamente, ao mesmo tempo, que pagava e, dependendo do desenvolvimento, até poderia vir a ser pago pela produção dessas escolas.

    Marx parecia transferir e aplicar as diferenças de classes e de relações com o capital, aqui visto como todo o conjunto de equipamentos da educação universitária e da educação técnica. A educação universitário tendo uma relação puramente teórico-abstrata com a sua formação, que ele parece comparar àquela de quem dispõe de Dinheiro-Capital. A educação técnica tendo uma relação prático-concreta com sua formação, que ele parece comparar àquela de quem dispõe da Mercadoria-Força Humana de Trabalho. Em ambas as situações a Mercadoria ou o Mercado está presente. Porém, ele parece apontar para uma novidade. As escolas técnicas que são também unidades produtivas diferem das fábricas porque nestas últimas o trabalhador não é educado e permanece simples força humana de trabalho, enquanto que nas escolas técnicas o trabalhador é educado e muda para complexa força humana de trabalho de modo que tende a participar diretamente e se apropriar do que caracteriza a capacidade revolucionaria da burguesia que é a incessante revolução dos meios de produção. Essa parece ser a aposta de Marx ao dizer que os estudantes-trabalhadores dessas escolas superarão por completo a formação superior dos estudantes-capitalistas universitários.

    Agora desenvolvi melhor e compreendi melhor Marx.

    Porém, eu antes tinha pensado se acaso este pensamento de Marx que criticava a defesa da universidade pública na Alemanha pelo partido dos trabalhadores estava atento para um país muito culto e muito filosófico onde certamente a formação superior cabia aos mais cultos e aos mais filosóficos, quer dizer, o acesso às universidades públicas estava determinado pelas circunstâncias e pela educação para as classes dominantes. Por isso, a introdução do mercado ou a passagem das universidades para o setor privado tornaria possível destinar o investimento do Estado para as escolas técnicas na formação de estudantes-trabalhadores que em pouco tempo pudessem vir a sustentar tais escolas por meio da venda dos produtos de sua formação teórica e prática, de modo que, após formados, saíssem como empreendedores de unidades produtivas cooperativas e/ou dos próprios trabalhadores que seriam também os que aí revolucionariam incessantemente os meios de produção com essa sua educação cooperativa-produtiva.

    Os estadunidenses com suas universidades privadas eram vistos por Marx como os mais adequados para que o orçamento público fosse destinado para as classes trabalhadoras e não fosse gasto para sustentar a educação das classes capitalistas.

    Lembrei do Brasil e das suas forças humanas de trabalho. Os colonizadores vinham para cá com a formação que tinham tido na metrópole portuguesa. E usaram primeiro a força de trabalho indígena e quanto à educação desta coube aos religiosos, em especial, aos jesuítas. Mas ensinaram o quê? Aparentemente mantiveram a cultura oral e nela introduziram a cultura católica. Mas os colonizadores em determinado momento descartaram a força de trabalho indígena e também descartaram seus educadores jesuítas. A força de trabalho escravo dos negros africanos substituiu a dos indígenas. Os negros africanos, de um modo geral, também tinham uma educação oral e, em geral, nela foram mantidos. Com a abolição os ex-escravos negros foram substituídos pela força de trabalho europeia, japonesa e indiana com cultura letrada. Os ex-colonizadores, os ex-monarquistas e os republicanos aparentemente fizeram muito pouco pela educação e quando fizeram foi para os homens livres colonizadores, para os homens livres monarquistas e, pela primeira vez, além dos homens livres de bem, para os trabalhadores livres letrados. Durante a Segunda Guerra Mundial o Governo Vargas para se defender dos quinta-colunas (espiões do Eixo ou da Alemanha, Itália e Japão) confiscou as escolas dos imigrantes alemães, italianos e japoneses, em seguida, as incorporou ao sistema de educação pública e, com isso, melhorou bastante este sistema de educação pública. O que é notável aí é que os trabalhadores alemães, italianos e japoneses se responsabilizavam pela educação dos seus filhos e de suas comunidades, quer dizer, desenvolviam sua própria autoeducação, logo, pareciam expressar natural e socialmente aquela expressão de Associação Internacional dos Trabalhadores: “A emancipação dos trabalhadores é obra dos trabalhadores”.

    Mas os índios e os negros africanos em momento algum deixaram de lado sua educação oral. E a educação oral dos negros irá introduzir uma musicalidade característica na cultura brasileira e suas escolas serão chamadas de escolas de samba, mas também de culturas do candomblé, da quimbanda, da umbanda, da macumba etc. Todas estas comunidades (índios, negros, alemães, italianos, japoneses) se responsabilizam por si mesmas como é defendido e cabe àquele que quer sair da menoridade de acordo com “O Que é o Esclarecimento?”, de Kant.

    Qual é o problema então? A cultura e educação letrada foi expropriada do imigrantes e o Estado que a assumiu fez da educação básica algo muito rudimentar e que não aproveita as potencialidades das diversas faixas etárias tornando toda a educação básica algo muito abstrato e preparatório da entrada na educação universitária. As potencialidades técnicas da edução básica não foram sistemática e aprofundadamente aproveitadas ou desenvolvidas. De modo que o funil foi sempre mantido e lá no topo as universidades eram majoritariamente públicas e minoritariamente privadas católicas, pelo menos é o que minha memória reteve, pode ser que tenha retido o errado. E aí será fácil para quem souber o cero criticá-la.

    Os portugueses e os brasileiros não são, como os alemães eram, cultos e teóricos ou filosóficos, mas, mesmo assim, suas classes dominantes não pagavam por sua educação universitária e eram, portanto, sustentadas na sua educação universitária pelas classes trabalhadoras. O que é natural então nessa formação cultural portuguesa e, em especial, brasileira, tendo em vista a relação direta com a colonização e uso de mão de obra escrava indígena e africana, bem como a importação de mão de obra letrada ou em condições de formação técnica apropriadas para o trabalho com meios de produção maquinais. O que é natural é um pragmatismo que descarta algo e passa para outro algo também descartável nas relações com a mão de obra. Mas, nas relações com a “coisa pública” de sua majestade ou da república a comunidade dos agentes das classes dominantes e da monarquia e da república também agem como se tudo fosse descartável no sentido de ser consumido a seu bel-prazer, quer dizer, como se tudo fosse feito para eles que são os senhores usufruírem como bem quiserem, ou seja, tudo que é público é para eles e é igualmente descartável por eles porque lhes vem das forças de trabalho que são descartáveis.

    Esta cultura do descartável é a cultura dominante que vemos nos banheiros de bares e restaurantes depredados, rabiscados etc. desde os mais pobres aos mais ricos tal qual aquela que foi notada em Biblioteca Central da Universidade de Maringá. Esta cultura de um modo geral é inerente aos agentes das classes capitalistas, mas, sem dúvida, há exceções. Além disso, como cultura dominante, ela também vigora nos “pacientes” das classes trabalhadoras, mas não em agentes das classes trabalhadoras que conseguem chegar à universidade, como é o caso de Antonio Ozaí, ainda que, certamente, existam exceções.

    Como disse no início não sei mais exatamente o que li e agora foi o que li noutro momento e lugar que veio à tona. E, como já me alonguei demais, para quem deveria fazer um simples comentário, eu vou para agora. de repente, sem saber direito se comentei ou não o assunto. Porém, grato pela oportunidade de me expressar.

    Abraço a todos.

  2. ÒTIMA MATÉRIA PROFESSOR… MEUS PARABÉNS!

    REALMENTE A UNIVERSIDADE ESTÁ PRECARIZADA, MAS ELA É SÓ UMA PARTE DE UM TODO [A SOCIEDADE] QUE SE ENCONTRA EM SITUAÇÕES COMPLICADAS. ESSA CULTURA / IDEOLOGIA COMPETITIVA E INDIVIDUALISTA QUE DOMINA A SOCIEDADE TBM DETEM A UNIVERSIDADE [INFELIZMENTE].

    MAS COMO VOCÊ JÁ DISSE: “Se a educação é mesmo importante, é preciso não apenas investimentos governamentais, mas também uma profunda democratização da mesma.”

    ENTÃO NÃO PODEMOS NOS ACOMODAR, E SIMPLESMENTE CULTIVAR NOSSOS MUNDINHOS. É CHEGADA A HORA DE LUTARMOS POR UMA TRANSFORMAÇÃO EDUCACIONAL E SOCIAL. NÃO É MAIS UMA QUESTÃO IDEOLÓGICA, É UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA HUMANA. ESSA PRÁTICA SOCIAL CAPITALISTA, SE FIZERMOS UMA ANÁLISE PROFUNDA, VEREMOS QUE PÕE EM RISCO TODA A HUMANIDADE.

    ESTÁ SURGINDO UM “MOVIMENTO PELA UNIVERSIDADE POPULAR”

    QUE VISA A DEMOCRATIZAÇÃO E AUTONOMIA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA GRATUÍTA, LAICA, DE QUALIDADE E A SERVIÇO DAS DEMANDAS SOCIAIS POPULARES!!!

    CRIAR.. CRIAR.. UNIVERSIDADE POPULAR!!!!

    aBRAÇO

    ALISON.

  3. [Aristides Cardoso Bisneto] [aristidesbisneto@uol.com.br] [Salvador,Bahia,Brasil] Amigo Ozaí, A educação pode ser mercadológica também quando pensamos no surgimento de novas áreas de ensino superior para atender a demanda de grandes empresas, moldando profissionais para o mercado de emprego cada vez mais carente .Porém não devemos esquecer que a sociedade precisa de mudança e melhor equilibrio social e econômico.Formar cidadãos e os fazerem presentes na luta e trabalho pela justiça e bem estar social é um dos papéis da universidade.Os mais atingidos historicamente que não obtiveram as mesmas oportunidades podem dentro da universidade, mostrar que a igualdade de idéias , de função de trabalho e inteligência é possível, e apagar gradualmente a falsa imagem do negro subalterno que o sistema escravocrata e sua abolição deixaram em nossa sociedade.Quanto mais rápido melhor.O sistema de cotas está sendo aprovado pelo seu resultado no rendimento dos alunos, e pela maioria dos docentes que estão notando mudanças positivas na participação em sala de aula de todos.22/01/2007 24:58

  4. [MARIA INES COSTA] [COMPETENZA@TERRA.COM.BR] [PORTO ALEGRE, RS, BRASIL] O discurso publicitário e as escolas de educação infantil: construindo uma espécie de sujeito desejável Os anúncios escolares como aparelhos ou máquinas que visam dar visibilidade e autenticidade à infância no contexto escolar, se valem de discursos construídos socialmente, já fixados e autorizados. Isto quer dizer que os sentidos produzidos por estes textos contribuem com seus efeitos para reforçar aquilo que já faz parte de um acontecimento discursivo ou ainda aquilo de que se pode falar, ou seja: a infância como uma categoria a ser observada, nomeada, classificada, e sobre a qual se pode intervir. Sendo assim, ao examinar o discurso dos anúncios escolares, reconheço, de antemão, que determinadas narrativas se encarregam de perpetuar uma relação de poder sobre os sujeitos infantis. São práticas que se preocupam em enquadrá-los, descrevê-los mas, ao mesmo tempo, de formar sujeitos com novos traços e novos marcas, requeridos pelos tempos de hoje.27/11/2006 08:07

  5. [Neli Klix Freitas] [neliklix@terra.com.br] [neliklix@terra.com.br (ainda não fiz BLOG)] [Florianópolis/SC/Brasil] A educação é importante,sim.Mas,como seu artigo esclarece muito bem,a educação não pode ser identificada somente com diplomas.Os títulos acadêmicos são importantes para a academia,para os pesquisadores,mas a educação é muito mais do que isso,uma vez que não ocorre somente nos espaços formais,como a escola.Como já referiu Gardner(1994),em seu livro “A Criança em Idade pré-Escolar:Como pode a escola ensinar e ajudá-la”,existe a educação intuitiva,a acadêmica e a especializada.A educação está em íntima conexão com o meio,com a cultura, em interação dialética.Cada vez mais espaços do cotidiano devem permear as discussões e reflexões sobre a educação.Como educadora que sou, e isso iniciou muito cedo em minha vida, como docente alfabetizadora até chegar à Universidade,acredito que a educação possui um papel relevante na sociedade.Reitero meu parecer favorável ao seu texto, porque o mesmo possibilita múltiplas reflexões, e que bom que essa possibilidade existe.Prof.Dra.Neli Klix Freitas/UDES19/11/2006 21:16

  6. [Elias Enrique] [hmeliass@yahoo.com.br] [São Paulo] Oi Toninho! Muito bom seu texto. Farei apenas um comentário em relação a questão das cotas. Acho que o problema da presença do negro pobre e do branco pobre na Universidade pública e Universidade em geral se resolve apenas com a implantação da Universidade pública e gratuita para todos. Considero positivo o esforço de inserção por meio de cotas. Mas me parece mais um caso de reprodução no sentido utilizado por Bordieu. Ficaria muito empolgado e disposto a participar de um esforço que retomasse a defesa do ensino público gratuito em todos os níveis. Um grande abraço Elias18/11/2006 13:28

  7. [Vivian] [vivetica@hotmail.com] [Campina Grande / Paraíba] Olá Antônio, Gostei muito do seu texto! A educação, atualmente, vem sendo tratada como a responsável por uma grande mudança, que transformará a sociedade, gerando emancipação! Mas a ela não vem sendo dada as devidas possibilidades para a realização de tal processo, sendo encarada, principalmente nas regiões mais pobres, com uma política assistencialista, que quando tece alternativas para manuseio de tecnologias, por exemplo, não forma os profissionais, os deixando a margem do processo! Assim o Brasil vem encarando aquilo que ele põe como único meio para melhoria de vida, não democratizando recursos e uma boa qualidade de ensino! 14/11/2006 18:21

  8. [Ruiz Pereyra Faget] [pertinax@chasque.apc.org] [Montevideo-Uruguay] La universalización de la educación fue establecida por la burguesía en su fase de ascenso porque necesitaba un trabajador con conocimientos técnicos. Pero su concepción parcial de la laicidad, dirigido a combatir el dogma religioso con “las verdades de las ciencias naturales”,frenó el conocimiento científico cabal del funcionamiento de la sociedad burguesa. El desafío hoy de la educación, es ingresar a este campo, para transformar la sociedad actual de clases en una sociedad sin explotadores ni explotados. Por supuesto, sin negar la formación científico-técnica puesto que el trabajo es la primera necesidad del hombre. Así lo creo yo.14/11/2006 15:54

  9. [Bruno Franco] [brunofrancorj@gmail.com] [Rio de Janeiro] O mercado tampouco gera empregos sozinho. Marcos regulatórios, taxas de juros, infra-estrutura… tudo isso depende da ação governamental. Não é a ação pura e simples do mercado que fez o crescimento econômico dos Tigres Asiáticos, ou que fez Japão e Alemanha, devastados pela II Guerra Mundial, reconfigurarem-se com potências mundiais. Também acho liberalismo demais dizer que educação é um serviço como outro qualquer. Acho mesmo que é por tratar a educação dessa forma, que o ensino no Brasil tem ilhas de excelência cercadas por um mar de mediocridade.12/11/2006 17:27

  10. [Paulo Roberto de Almeida] [pralmeida@mac.com] [www.pralmeida.org] [Brasilia, DF] Devo dizer, de imediato, que tenho profundas objecoes à maneira como voce interpreta o problema educacional no Brasil, hoje. Não existe, absolutamente, qualquer problema com a mercantilizacao do ensino no Brasil, pois isso nao é de hoje, se trata de ceonfiguracao estrutural do ensino brasileiro desde sempre. Mas isso não é um problema, pois voce aceita, por exemplo, que os servicos bancarios sejam mercantilizados, e nao estatizados, voce aceita que os supermercados sejam mercantilizados, voce aceita que os transportes sejam mercantilizados, inclusive o seu transporte individual, voce aceita que a sua poupanca individual se transforme, eventualmente, no seu investimento pessoal, e nao determinado pelo governo, voce prefere que os direitos autorais que voce eventualmente produza pela elaboracao de um livro sejam apenas seus, e nao socializados com o conjunto da sociedade. Se voce aceita tudo isso, nao ha porque protestar contra a mercantilizacao do ensino, que é um servico como outro qu12/11/2006 14:53

  11. [Paulo Roberto de Almeida] [pralmeida@mac.com][www.pralmeida.org] [Brasilia, DF] O comentario anterior, de Bruno Franco, revela uma determinada compreensao do processo economico que obscurece completamente o fato de que quem cria empregos, de verdade, é o setor privado, ou seja, o mercado, nao o governo. Se o governo fosse criar ele mesmo os empregos, como o faz frequentemente, ele precisa tirar o dinheiro do pagamento dos salarios de algum lugar, e esse lugar só pode ser o setor produtivo, ou seja, mais uma vez, o mercado, pois não há outro. Se alguém quiser me apontar qual seria o outro lugar que consegue criar riquezas que nao seja o mercado eu agradeceria me indicar, pois não conheço nenhum outro. Não há nenhuma outra forma conhecida de criacao de riqueza que nao seja a do mercado. Enquanto as pessoas não se conscientizarem dessa simples realidade, vão continuar tirando leite de pedra, ou seja, pretendendo fazer magia economica. Não é por outra razao que o Brasil encontra-se na situação em que está: as pessoas acreditam na capacidade do Estado criar empregos..12/11/2006 14:52

  12. [Neuza Mello] [nsmello@yahoo.com.br] [tempodecordel.blogspot.com] [Londrina] Creio que a educação é necessária e condição para a libertação, mas não por este modelo de educação elitista que temos em nosso país. O próprio Paulo Freire quando falava em educação como libertação, não se referia à este modelo, muito pelo contrário, ele foi um grande crítico da escola capitalista. Ele pensava em um modelo educacional que realmente fosse ao encontro das necessidades do povo, porém, para isto, ele mesmo aponta que é necessário envolvimento humano, ou seja, tem que ter vontade política das pessoas envolvidas neste processo. Vale registrar que esta vontade política não é a mesma que orienta as ações dos homens e mulheres que têm pensado a nossa educãção, portanto, penso que esta vontade de mudar teria que nascer “obrigatriamente” de movimentos promovidos por pessoas que já conseguiram libertar suas mentes.11/11/2006 10:33

  13. [zacarias marinho] [zacariasmarinho@uol.com.br] [http://antoniozai.blog.uol.com.br/] [mossoró-rn] o capitalismo necessita hoje, diferentemente de décadas passadas das pessoas com alguma conhecimento. quanto mais se torna sofisticada a tecnologia, maior a necessidade de qualificação técnica, não necessariamente educacional. por isso a necessidade de inserção dos negros a qualquer custo, não importa se isso se dá na forma de cotas, pois estes serão tambem um exercito de reserva qualificado. por isso o prouni, pois aqueles que não conseguem entrar numa universidade pública competindo com quem vem dos melhores cursinhos pagos, terão a chance de fazerem parte de exercito de reserva através das universidades particulares que não conseguem preencher suas vagas. fiquem atentos, daqui há pouco teremos mais alunos pelo prouni nas particulares do que mesmo aqueles que entram sem ser pelo prouni.11/11/2006 08:28

  14. [Moisés Viana] [tutmosh@gmail.com] [http://tutmosh.blogspot.com/] [Belo Horizonte] Creio que sim!! Educar é humanizar. Não vejo nosso o humano desvinculado da educação. Educar é formar e compor humanidades. Lembro-me de Platão, o educador do Ocidente, e sua preocupação com a educação dos jovens e das consciências da polis grega. Lembro Adorno que salienta a dimensão emancipadora da educação, essa ilustração do ser humano. Também Paulo Freire que faz da educação um processo de libertação humana.10/11/2006 12:28

  15. [Simone+Guimar%E3es] [simonematheus@uol.com.br] [não tenho] [MG] Outro dia fui almoçar na casa de uma amiga professora universitária e o filho dela, estudante universitário. Ele comentou do risco que seria que seria tanta gente entrando para a universidade… fiquei chocada pois não vejo o aumento de universitário como um problema. Pois seria mais pessoas para reivindicar distribuição de renda em um país que tem o governo tira esmolas dos ricos para os pobres. A solução é fortalecer a conscientização do povo…09/11/2006 22:16

  16. [Bruno Franco] [brunofrancorj@gmail.com] [Rio de Janeiro] Concordo. Investir em educação, particularmente no ensino superior, sem criar mais e melhores empregos apenas aumentará a qualificação de nossos milhões de desempregados.09/11/2006 09:59

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