Dilemas de um cético

Meu amigo Walterego sabe que desde 1991 não participo de partido político. Ele também é sabedor do quanto essa ruptura foi traumática. Afinal, foi a separação com o primeiro e único partido que militei ativamente. Quanto tempo da minha vida dediquei, quantas horas, quantos momentos subtraídos à vida pessoal e familiar? Não me arrependo. Foi uma das minhas escolas; como diria o saudoso Maurício Tragtenberg, uma das minhas universidades. E aprendi muito.

O amigo Walterego questionava sobre a minha contribuição para transformar e sociedade. Ele sabe que assim me faz retornar ao passado não muito distante, quando a minha geração tinha uma ideologia para viver, como diria Cazuza. E realmente acreditávamos que estávamos no caminho certo, que mudaríamos o Brasil e o mundo e o que o nosso partido era o instrumento essencial para atingir este objetivo. A luta se mostrava árdua e longa, mas sabíamos que a história estava do nosso lado. Portanto, seríamos vitoriosos. Éramos ingênuos e sonhadores. Apesar disso, também não me arrependo.

Walterego perguntava: “Em que consiste a tua militância? Em escrever blogs e textos em revistas eletrônicas? Que pretendes com isso? Pensas que transformarás o mundo pelas palavras? Acreditas que influencias por estes meios?” E acrescentava: “Tua vida se resume a isso. Nem mesmo participas da política universitária. E, ainda te recusas até mesmo a conscientizar os teus alunos” (coisa que entendi como “fazer a cabeça”, “doutrinar”).

Ele me deixou muito mal. De repente, pareceu que a minha vida é mesmo muito mesquinha, restrita às tarefas docentes, a editar e coordenar revistas, escrever e organizar blogs, publicar um artiguinho aqui, outro acolá, participar de um ou outro evento acadêmico. Quanta diferença do tempo da militância full time, com a agenda lotada por compromissos e tarefas práticas. Eram reuniões, campanhas eleitorias, eventos políticos, encontros partidários, nos quais discutia as estratégias e táticas e os grandes temas que afetam a humanidade.

Se não tivesse abandonado esse caminho talvez a minha contribuição à transformação da sociedade fosse ainda mais intensa através da ocupação de algum cargo político. E por que não?! Não tenho ex-companheiros que se tornaram até ministros e outros que ocupam postos importantes no sistema sesi/senai e outras instituições? Nem precisava tanto, mas estaria diretamente vinculado aos que agem, em vez de ficar a pensar e lançar palavras em garrafas no “mar internáutico”, sem saber se algum leitor as encontrará e o que fará com elas.

Fiquei a pensar se o meu amigo Walterego tinha razão. Mas, depois que ele me deixou absorto e solitário, compreendi e agradeci. Na verdade, o seu questionamento me ajudou a concluir que fiz a opção certa. Financeiramente talvez não; mas eticamente sim.

Hoje, sou cético quanto aos que prometem a utopia do paraíso celeste ou terrestre, que falam em bem-comum e em coletividade, mas buscam os interesses particularistas; sou cético porque o humano é imperfeito e a sociedade que constrói é e será imperfeita. Sou cético porque as ideologias se revelaram artifícios perigosos e também acomodatícios à ordem, através de aparelhos partidários, sindicais e do Estado.

Sou cético, mas sem ilusões. Sei que não posso aceitar o status quo. Talvez o que faço não tenha qualquer influência sobre a necessidade, que permanece premente, de transformar a sociedade. Mas é o que posso fazer. E faço da melhor forma possível e sem sentimento de culpa.

Os meus ex-companheiros estão no poder! Mas não o grande amigo Walterego. Talvez por isso ele me compreenda tão bem!

17 comentários sobre “Dilemas de um cético

  1. Prezado Ozaí… Senti-me abraçado por seu texto (e pelo seu amigo Walter Ego). Temos trajetórias semelhantes, encantos e desencantos convergentes. No final, fizemos a mesma escolha. E não nos arrependemos. Obrigado pela sensibilidade tão saltitante. Queria que meus ex-amigos fossem assim, humanos e autocríticos, como você. Um abraço no seu coração!

  2. Estimável Ozaí,Sabes que dentro de meus ideiais, seus pensamentos estão à tona. Hoje, um ex-aluno seu, atuando na área que desejei por toda minha graduação, tenho a possibilidade de ser um representante da sua militância enquanto professor, já que “é isso o que pode fazer”. Assim como, me empenho também em lograr minhas particularidades dentro do meu própio trabalho, é óbvio.Creio, e isso talvez seja uma ilusão, que não é pouco o que “o que se pode fazer” numa profissão tão influente como a de um docente.E, se fazes seu trabalho “da melhor forma possível”, talvez não seja um “cético sem ilusões”. Talvez esse texto seja apenas um Walterego necessitando de alimento.Nada mais justo.Um forte abraço, Rodrigo

  3. Preclaro OzaíQuanto ao teu texto sobre os dilemas de um cético, tenho a dizer algumas coisas. Apesar de não concordar com sua concepção de Partido (até porquepara mim que militei no PT em Fortaleza em 1981, permanecendo nele apenas seis meses), nunca acreditei nos oportunistas de esquerda do tipo Genoíno,Pallocci, Dulci, Gushiken, Freire e outros da mesma espécie, e, naturalmente, muitomenos ainda em suas promessas utópicas e ucrônicas, demagógicas. Muito cedo descobri, há pelo menos 25 anos, que eles e outros usavam o bem-comum e o coletivo,para a consecução dos seus interesses pessoais. Além de malbaratar e deformar os escritos de Marx, Engels, Lenin, Rosa, Gramsci dentre outros renomeados intelectuais e líderes revolucionários. Meu caro Ozaí, se seus ex-companheiros estão no poder(?) ou no governo, os meus muitosdeles a ditadura matou.Quanto aos Walterego da vida, eles são muitos, loquazes e enchem o saco. Malgrado os comentários em contrário, espero que continue escrevendo e fazendo o que vens fazendo, isto porque,suas palavras têm me levado a refletir sobre a minha própria militânciapolítica no interior da Universidade e fora dela.Se os Walterego não o compreendem, outros, como eu, ocompreendem e muito tão bem!”Como diria o grande florentino: segui il tuo corso e lascia dir le genti”.Máuri de Carvalho

  4. Nobre companheiro:Acredito apesar de não ser filiado e militante partidário da esquerda, que o partido político está acima das legendas partidárias. As legendas se fundem e se contaminam, mas o partido de cada pessoa é a sua vinculação com a classe e os interesses que pretendem defender. Duvido que a partir das desilusões do atual Governo, mudarás de partido, ou seja, defenderás os interesses das elites. A história não acabou. Imagino o que sentiram os mártires das muitas ditaduras existentes no mundo momentos antes de morrerem. Será que valeu meus ideais? Estamos comprometidos com os traidores das classes oprimidas, mas não poderemos ser como eles, acomodarmos. É preciso retomar as críticas, mas de forma coerente. A história os despirá.James Simões de Brito

  5. Saudações professor.Tive o prazer de te conhecer em um desses eventos da universidade que vc sitou, la na UEL, e ouvi coisas interessantes.O que vc diz sobre sua prática militante, não acho que esteja errado, acho somente que vc deveria mudar o campo de atuação. Em resumo, sou um aluno de Ciências Socias da UEL com a matrícula trancada, hoje estou em São paulo pra ser mais exato na brasilândia, periferia de São Paulo, e professor, acho que nas periferias tem muito mais pessoas interessadas no que vc tem a dizer, não estou dizendo pra vc abandonar a universidade, pois vc tb precisa sobreviver, mas talvez, voltar um pouco mais sua atenção para onde realmente estão os pobres, pois afinal de contas não é sobre os pobres que tanto se tem o costume de falar dentro dos encontros de esquerda.Um abraço e parabéns pelo trabalho.

  6. Ao mesmo tempo, convivendo com tal dimensão desde que me conheço por gente, por indivíduo que foi parido no coletivo, por indivíduo que se reconhece como produto mas ao mesmo tempo produtor do coletivo, entendo que a militância se faz no partido, para o partido, enquanto projeto que organiza uma parte do coletiva, mas que também se constrói fora dele e por ele. Até quando, enquanto acadêmicos, professores ou alunos, nos descriminaremos, a nós próprios, com culpa e pesar, como se toda nossa existência não estivesse comprometida com a construção do mundo que queremos? Até quando sofreremos por aceitarmos tal separação – violenta – segunda a qual o trabalho intelectual jamais pode ser revisto como também práxis? Afinal, somos ou não trabalhadores subsumidos ao capital, subalternizados pelas condições capitalistas de produção e, ao mesmo tempo, resistentes e capazes de confrontar às mesmas condições capitalistas, seus limites e fragiidade de classe? Até quando nos puniremos (uso a terceira pessoa do plural de forma consciente) etendendo como atividade menos política a atividade de escrever, viver, debater com a intenção de destruir a visão de mundo burguesa e construir uma nova concepção de mundo? Afinal, o que é ser um intelectual? Afinal, o que é ser um militante? Velhas perguntas…!E afinal, o que é um partido? Quais são as instituições que possuem a função do partido na sociedade e na luta revolucionária? Qual a função do partido socialista? Acaso não é a de construir uma visao hegemônica das classes subalternas, que as faça superar a visão corporativa de mundo? E esse papel, conforme o proprio gramsci nos apresenta, será cumprido de outra maneira a nao ser por meio de uma reunião, em termos de forma e conteúdo, da concepção de militância que se entenda como ampla, no campo das ideologias e no campo da prática, mas vistos como uma totalidade que foi separada em grande parte, por nossa própria consciência que em muito ainda não superou os termos epistemologicos de uma certa visão de mundo departamentalizada? Caro Ozaí, compartilho de seus dramas…apenas escrevo para organizar minha própria tentativa de superação do mesmo.Saudações,Maria Amélia

  7. Diza Brecht que essencial nao é quem luta um dia, outro dia, mas quem luta a vida inteira. Esses são os imprescindíveis. Ozaí, compreendo que o cansaço chega para todos, que vc esteja desacreditado, que foi ingênuo o bastante para nao conhecer a teus próprios companheiros de partido e a estrutura estatal brasileira, mas nao compreendo que queira desanimar as novas gerações com os pecados da tua. A história nao acabou e para toda uma juventude o PT é apenas um detalhe. A grande diferença é que vc pode se dar o direito de estar cético e se direcionar à atividade acadêmica enquanto outros milhões ou terão que lutar ou padecerão na miséria e/ou numa vida indigna. A Bem da verdade nao vejo razões para desânimo. Não é o primeiro partido nem será o ultimo. Antes de vc, de nós, havia vida e continuará existindo depois de nós também. Vc morrerá, eu morrerei, e outros virão. Nós passaremos, como passou esse cadáver que vc tanto chora ainda. Abraços,

  8. Querido mestre, amigo e companheiro:Sabe que sou daqueles que dedica tempo na militância full-time.Como deve saber, sou trosko. Um trosko de vez em quando ortodoxo. Mas na maioria das vezes Sergiano (do Victor Serge).Vivemos uma época difícil.Eu, ainda no PT encontro todas as contradições da classe operária, da burocracia traidora, dos dejetos na política… tudo.As coisas boas (as massas!) e as ruins (os burocratas, os sujos…).Mas não concordo com aqueles que dizem que só é militante quem está num partido.Um partido é um instrumento, um meio.E a militância para um revolucionário é como o ar, é uma necessidade elementar para viver.No seu caso, meu estimado companheiro, sua tarefa talvez seja mais parecida com aquela que o Velho Hermínio Sachetta tenha reservado ao Florestan Fernandes quando esse dedicava suas poucas horas livres ao glorioso (porem muito pequeno) PSR.Inclusive, sua militância virtual organizando e dirigindo uma revista cientifica que abre espaço para tantos debates necessários nessa academia senil, é como uma bolha de ar fresco na poluição intelectual de nossa época.Seu lado basista da PJ e seu heterodoxia herdada do bom e velho Tragtenberg são sua cara.Por outro lado meu vanguardismo me obriga a cobrá-lo: você pode fazer mais sem trair seus princípios.O espaço acadêmico é um começo. Mas poderia ser muito mais.Saudações,seu companheiro,Alexandre Linares

  9. Caro Ozaí,Gosto muito de tudo que você escreve. Em geral, não comento, porque sou justamente uma pessoa que viveu à margem da militância, estudando em um colégio de freiras lá no Ceará e aplaudindo, de chapeuzinho branco, o Castelo Branco… abolutamente alienada, de coração “verde, amarelo branco e azul anil. Considerando o que o “futuro” prometia, até que me saí bem, com os estudos acadêmicos, doutorado e um textinho aqui outro acolá para engordar a parte que me cabe no Lattesfúndio Cnpq. Nem tento fazer a cabeça de aluno nenhum – dou aulas em escolas particulares e todos estão “cansados”, debocham do presidente analfabeto (freqüentemente citado nas aulas de sociolingüística) e comportam-se mais como clientes do que como alunos.Mas hoje, lendo seu texto, fiquei com o mesmo sentimento “estranho” (tipo freudiano) que às vezes tenho em relação a mim. É o seguinte: o ponto de interrogação inicial, o “cético sem ilusões” e a declaração de que não tem “sentimento de culpa”. Para quê… senão para denegar (é o velho Freud de novo) algo que talvez o incomode mais do que você pensa? Sei lá, desculpe, mas fiquei com essa sensação. E como ela também me incomoda, queria dividir com você!Um abraço,Viviane

  10. Não sou cético como você caro Ozaí, mas entendo que militância política não combina com a atividade intelectual que desenvolves. “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa” como já nos disse uma dessas figuras políticas que nos cansam pela incapacidade de se envergonhar. Não sei se é uma “neutralidade weberiana” que separa a vocação da política, da ciência. Mas sou daqueles que ainda tem esperança (não a do Lula) e acredito na força das palavras (as do teu trabalho por exemplo). Se não acreditarmos, como diria o Padre Antonio Vieira “tudo será vão!”. Caríssimo, um abraço!

  11. Deve ser sempre difícil se ‘entender’ na vida, para quem tem como sentido central de sua vida, o interesse em que hajam transformações no mundo em que vivemos,o interesse em um mundo sempre melhor.É porque estas pessoas têm como objetivo de vida, ou seja, como a escolha do trabalho que dá sentido à sua vida, um trabalho que pode dar frutos plenos ao longo de um tempo transcorrido na História, o qual nunca sabemos se será longo, médio ou curto, em geral, são de longo prazo.Uma vez meu pai, que era sociólogo e tinha portanto, esse sentido de vida ligado à dedicação para uma melhoria de tudo o que é ligado ao nosso mundo (deixando assim bem amplo seu interesse no bem estar da humanidade), me disse que eu era feliz porque via logo o resultado do meu trabalho e que ele não tinha essa sorte.Ele disse isso com um jeito sentido de quem se sente um bocado chateado com a condição de lutar por melhorias no modo de vida da humanidade e saber que poderia não ver resultados diretos ou mais rápidos, do seu trabalho.Eu sou cantora e professora de voz, assim, segundo a visão de meu pai, eu trabalho e vejo o resultado do mesmo no momento em que o produzo. Haveria assim uma ligação mais direta entre o que eu quero fazer no mundo, do meu trabalho realizado, e das decorrências do mesmo em transformações na vida real, de modo mais imediato. Poderia eu assistir mais diretamente, à essas transformações decorrentes de meu trabalho.Por um lado, concordei com ele, mas o lembrei que ele era também professor e um professor que estava mesmo compromissado com o desenvolvimento dos seus alunos. Inclusive, muitos dos alunos das instituições em que deu aula, os alunos que tinham grandes dificuldades, eram enviados à ele porque ele sempre encontrava modos de ajudá-los a ultrapassar suas dificuldades, com dignidade e desenvolvendo o que tinham de melhor.Nesse momento, ele estava vendo no ato de seu trabalho, profundas transformações e por isso, grandes transformações. As mudanças presentes naqueles alunos certamente iriam reverberar, através das atuações deles no mundo, além de já trazer à eles mesmos, a vivência do sentimento de possibilidade, que costuma gerar positividade ao redor de quem se sente realmente pleno de sua potência pessoal.Meu pai concordou comigo mas não fez outros comentários, então não sei dizer exatamente o que achou, mas de qualquer modo,resgato ainda o que disse à ele em relação aos professores desta área, que contribuam para o desenvolvimento intelectual e pessoal de seus alunos. Com positividade e generosidade. Acho que não é pouco, ese trabalho merece ser valorizado por eles e pelos que estão à sua volta.Peço apenas desculpa pelo pequeno romance em que se tornou esse comentário, um grande abraço, Lucila

  12. Querido Ozaí, parafraseando Tratenberg, do ponto de vista anarquista, o povo sabe votar!!?!?!, embora esse fenomeno nos fuja a compreensao.Cabe a cada um de nós fazer o possível dentro da sua circunstancia e dos limites obscurantistas que nos sao impostos. Um abraço fraterno, Toni.

  13. Ozai: acho que suas colocacoes incomodam a muitos de nos que optamos pela vida intelectual e deixamos de lado a militancia partidaria. Mas, como voce coloca muito bem no texto, esta militancia muitas vezes fala de bem coletivo enquanto leva o falador aos interesses particularisticos. Voce, e todos nos que escrevemos, continuamos militando, mas num outro nivel. Num nivel intelectual. Num nivel mais duradouro. As politicas mudam, mas o humano continuam. Imagino que Kafka nao particupou de partido nenhum, por exemplo. Mas continua ensinando ao mundo, mesmo depois de tantas mudancas da politica, das divisoes das nacoes, dos alinhamentos e desalinhamentos internacionais. Voce e’ como Kafka, e sua tarefa e’ pensar, escrever, comunicar, sem tentar “fazer a cabeca,” apenas mostrar outros lados, outras possibilidades. Continue! Ate’ o Walterego, o que quer, e’ isto mesmo.

  14. Prezado Walterego,Envie ao nosso amigo comum Ozaí meu abraço solidário. E meus parabéns pela sua dedicação permanente à Ética e à Justiça.A proximidade ao Poder se tem revelado muitas vezes daninha aos melhores valores morais. Distanciar-se dele pode ser um ato de sacrifício pessoal, coragem e Integridade.Abraços,Moisés Storch

  15. Ana Cecília Barbosa, mulher simples e dotada de profunda capacidade de análise de tudo o que nos pareça humano, te diria, ao ler “Dilemas de um cético”: – Ah, esse teu senso de realidade! Que falta isso nos tem feito, Ozaí. E que senso de medidas, meu filho! Definitivamente isso não é ser cético, mas razoável, ponderado, comedido. E depois de evocar esses atributos e virtudes, não há como deixar de falar sobre a tua têmpera: o teu grau de resistência e flexibilidade, de capacidade de luta e de devoção a uma causa qualquer, que te faz prosseguir a despeito das tantas críticas. Corajoso te mostraste ao fazer esta tua confissão: “fiz a opção certa. Financeiramente talvez não; mas eticamente sim.” Nem é preciso estender comentários a uma tomada de posição que elege o “melhor proceder possível, sempre, mesmo que atinja os meus próprios interesses”…Quanto à “influência sobre a necessidade, que permanece premente, de transformar a sociedade” já as tem feito! Talvez devas aprender algumas lições sobre “semeaduras e colheitas”… As sementes que tens lançado, em favor das “boas e retas reflexões acerca dos fenômenos que afetam a vida humana”, mesmo que minúsculas, tem o poder que toda boa semente detém, intrínseca à sua própria condição – a de vir a ser acolhida nas tantas terras das mentes e corações e a de carregar consigo a virtualidade de vir a manifestar-se, a brotar, a conduzir ao crescimento, à vida.Quanto à colheita dos frutos, ora, isso já não é contigo! A vida se encarregará disso quanto o tempo for propício…Semeia, Ozaí, semeia. E isso não é pouco, filho!Ana Cecília Barbosa diria exatamente estas palavras, se eu a conheço bem. E eu as quais faço minhas.AbraçosAbel Sidney

  16. Estimado amigo Ozaí:Vuestras reflexiones son de actualidad para conocer por donde andan nuestra almas y sus pasiones. Usted me hace recordar unos apuntes que publicó nuestro amigo Manuel Burga, ex-rector de San Marcos acerca del impacto de la caida del Muro de Berlin ya que militaba en una organización de izquierda y de pronto se sintió sin alma, corazón y vida. Su experiencia en San Marcos le ayudó a encontrar otra utopía, la republicana, la del comunitarismo y la de la virtud. Su experiencia como autoridad y su proyecto universitario todavía no ha sido evaluado desde la historiografía del presente. En mi caso nunca milité en una organización partidaria pero la vida académica en San Marcos en los 70s funcionaba casi como un partido político, mucho más fuerte cuando se presentó el maoismo(algunos dicen el Pensamiento de Mao Tse Tung)y la izquierda empezó un movimiento incontenible de atomización partidaria y la emergencia de Sendero Luminoso. Muchas veces yo también me preguntaba porqué no terminé en las filas de este movimiento cuyos profetas fueron capturados en lindas casas de urbanizaciones de clase media y que finalmente apostaron a que usando la dinamita y el terror estaban conquistando los cielos? La ironía de la historia es que ahora sus mirriadas militancias están propagandizando la democracia burguesa?SaludosClaudio César

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