O homem medíocre

Assisti, novamente, o documentário Vale a pena sonhar, sobre a vida de Apolônio de Carvalho (1912-2005), revolucionário e fundador do Partido dos Trabalhadores. Dessa feita, me chamou a atenção a referência que ele faz ao livro El Hombre Mediocre, de José Ingenieros, que teve influência em sua formação. Desconhecia o autor e a obra e decidi ler.

“O Homem Medíocre” é um ensaio filosófico sobre a natureza humana. O autor nos faz pensar sobre a mediocridade que marca as sociedades modernas, com os homens envoltos em suas rotinas e sem idealismo. São seres humanos “normais” que passam a vida sem vivê-la. Na verdade, reproduzem e vegetam. São homens e mulheres imersos em seus pequenos mundinhos, excessivamente prudentes, pragmáticos e sem ideais. Recusam-se a sonhar! Os seus horizontes não vão além dos instintos e necessidades imediatas.

Embora não compartilhe com a visão elitista e meritocrática que o autor imprime em sua obra, considero importante refletir sobre as suas palavras. Eis alguns trechos*:

“Muitos nascem: poucos vivem. Os homens sem personalidade são inumeráveis e vegetam, moldados pelo meio, como cera fundida no cadinho social. Sua moralidade de catecismo e sua inteligência quadriculada, os constrangem a uma perpétua disciplina do pensamento e da conduta; sua existência é negativa como unidade social. (50)

O homem medíocre é uma sombra projetada pela sociedade; é, por essência, imitativo, e está perfeitamente adaptado ara viver em rebanho, refletindo rotinas, preconceitos e dogmatismos reconhecidamente úteis para a domesticidade” (58).

Os homens medíocres, afirma Ingenieros:

“São rotineiros, honestos, mansos; pensam com a cabeça dos outros, condividem a hipocrisia moral alheia, e ajustam o seu caráter às domesticidades convencionais.

Estão fora de sua órbita o engenho, a virtude e a dignidade, privilégio dos caracteres excelentes; sofrem, por isso, e os desdenham. São cegos para as auroras; ignoram a quimera do artista, o sonho do sábio e a paixão do apóstolo. Condenados a vegetar, não suspeitam que existe o infinito, para além dos seus horizontes.

O horror do desconhecido ata-os a mil preconceitos tornando-os timoratos e indecisos; nada aguilhôa a sua curiosidade; carecem de iniciativa, e olham sempre para o passado, como se tivessem olhos na nuca.

São incapazes de virtude; ou não a concebem, ou ela lhes exige demasiado esfôrço. Nenhum afã de santidade consegue pôr em alvoroço o sangue do seu coração; às vêzes não praticam crimes com mêdo do remorso.

Não vibram com tensões mais altas de energia; são frios, embora ignorem a seriedade; apáticos, sem serem previsores; acomodatícios sempre, nunca equilibrados. Não sabem estremecer, num calafrio, sob uma carícia terna, nem desencadear de indignação, diante de uma ofensa.

Não vivem a sua vida para si mesmos, senão para o fantasma que projetam na opinião dos seus semelhantes. Carecem de linha; sua personalidade se desvanece, como um traço de carvão sob a ação do esfuminho, até desaparecer por completo. Trocam a sua honra por uma prebenda, e fecham a sua dignidade com chave, para evitar um perigo; renunciaram a viver, ao invés de gritar a verdade em face do êrro de muitos. Seu cérebro e seu coração estão entorpecidos igualmente. Como pólos de um imã gasto.

Quando se arrebanham, são perigosos. A fôrça do número supre a debilidade individual: mancomunam-se aos milhares, para oprimir todos quantos desdenham encadear a sua mentalidade nos élos da rotina.

Subtraídos à curiosidade do sábio, pela couraça da sua insignificância, fortificam-se na coesão do total; por isso, a mediocridade é moralmente perigosa, e o seu conjunto é nocivo em certos momentos da história: quando reina o clima da mediocridade. (65-66)

São prosáicos. Não têm ânsias de perfeição: a ausência de idéias impede-os de pôr, em seus atos, o grão de sal que profetiza a vida. (76)

Pressentem um perigo em tôda idéia nova; se alguém lhes dissesse , que os seus preconceitos são idéias novas, chegaria a julgá-los perigosos. (78)

Vivem uma vida que não é viver. Crescem e morrem como plantas; não necessitam ser curiosos, nem observadores. São prudentes, por definição, de uma prudência desanimadora. Se um dêles passasse junto ao campanário inclinado de Piza, afastar-se-ia, temendo morrer esmagado. (79)

No verdadeiro homem medíocre, a cabeça é um simples adôrno do corpo. Se nos ouve dizer que serve para pensar, julga que estamos loucos” (81).

Olho à minha volta e me assusto com a mediocridade em que estamos submersos. Ela campeia livremente pelo campus, presente em luminares titulados e não-titulados. Fico a pensar em que medida sou cúmplice e também medíocre. Resta o consolo de ousar pensar o utópico e inexeqüível.

Quanto às palavras de Ingenieros, que cada um tire as próprias conclusões.

__________
* A edição que uso foi publicada pela Edições Spiker, Rio de Janeiro, sem data. Mantive a grafia original.

16 comentários sobre “O homem medíocre

  1. Caro Ozaí,Conheci este livro (O Homem Medíocre) pelos idos de 1980 quando um colega de trabalho, chileno, que era filho de um intelectual em seu país, o indicou para mim. Li-o naquela ocasião e pouco pude aproveitá-lo devido, creio, à minha inexperiência (tinha 20 anos). O primeiro exemplar que tive, emprestei a um amigo e … nunca mais o vi. Comprei outro, reli, emprestei novamente e … a história se repetiu. Depois achei esta edição e também o comprei no original. A tradução me decepcionou um pouco, pois cotejando-a com o original encontrei algumas imprecisões; desisti da releitura em português e, com a ajuda de dicionários, reli no original.Lembro-me de uma amiga, uruguaia, que achava o autor um pouco tirano, radical, inflexível. Concordo com ela, embora ache que o livro tem seu valor. Interessante também é o contato com outros escritos de Ingenieros; este argentino publicou vários títulos (infelizmente não encontrei mais nada em português) e alguns merecem no mínimo uma inspeção além do superficial.Um outro livro, “A Revolta das Massas” (José Ortega y Gasset), mostra por um outro prisma, um tipo de indivíduo que nos lembra estes medíocres de Ingenieros. Não me lembro qual capítulo (e o livro não está ao meu alcance neste momento), mas é à definição de “homem-massa” a que me refiro.Quem sabe seu blog já tenha algum comentário a este livro (A Revolta das Massas). Caso não tenha, me agradaria muito ler suas impressões sobre o mesmo.Um cordial abraço,Hélio

  2. artur nogueira diz:Estou chegando agora no teu reduto e gostei muito do que li.Depois longo tempo ausente dos bancos escolares, estou aqui, novamente a pensar e refletir com a Filosofia.Espero compartir desse espaço mais vezes. Abraço.

  3. Prezado AntónioNunca nos vimos antes porém já te conhecia desde sempre, através da identidade que me proporcionou teu artigo, crônica que o nosso irmão Mhário Lincoln brindou a todos os que tiveram oportunidade de te ler através do espaço de “Textos e opiniões com ma estria ” onde nos colocou ombro a ombro. Porque em Buenos Aires onde nasci (quando cursava o terceiro ano primário aos nove anos de idade) o nosso professor nos apresentou o autor de um livro que, com seu pensamento, conduta e moral sem dogmas, deveria demarcar o roteiro da nossa incipiente vida. O título do livro é (ra) “El hombre mediocre” e seu autor José Ingenieros. Não me estenderei falando de ambos já que vi que os conheces bem. Todavia, entendo oportuno contar-te que, as minhas três filhas, Márcia, Verónica e Camila, de 31, 27 e 16 anos, cresceram ouvindo-me recitar tantas vezes o que segue em castelhano (que naturalmente tu conheces) e que, ao repetê-lo 54 anos depois, espero que haja conseguido preservar a versão textual já que o livro ficou na correria da Argentina e sua versão como a recordava repassei às minhas filhas: “Cuando pones la proa visionaria hacia una estrella y tiendes el ala hacia essa excelsitud inasible, afanoso de perfección e rebelde a la mediocridad, llevas en ti el resorte sublime de um ideal. Él es ascua sagrada, mantenlo siempre vivo, pues, si ele muere en ti serás una bazofia humana”. Que mais dizer?Marco Ferraripremionacionaldeliteratura@ig.com.br

  4. Estimado Antonio: muchas gracias por su mensaje relativo al hombre mediocre de José Ingenieros. Estuve ausente durante más de dos semanas en el DF México.Me agradó mucho leer sus reflexiones sobre este médico psiquiatra nacido en Palermo Sicilia, quién aborrecía la vejez. Era un tenaz bebedor de café y fumador de cigarrillos. Alcanzó su objtivo porque falleció a los 48 años.Integró el Partido Socialista argentino y fue fundador de la “Unión Latinoamericana”. Nuevamente gracias por su recuerdo a este gran hombre.Muy cordialmente, Alberto

  5. Amigo Ozaí:Embora esteja comentando agora a sua postagem sobre O Homem Medíocre, já o tinha lido e, devido a algumas ocorrências não me foi possível dizer-te que fostes muito feliz em resgatar para uma leitura de nossos jovens estudantes alguns trechos do Inginieros. Para mim foi bom porque já conhecia de alhures (dos idos da decada de 60/70) este livro de Inginieros, o qual tem edição antiga em portugues (a qual eu adquiri na distância do passado) e me deleite naquele momento após ter lido tantos outros estudiosos e filosofos desde Mark, Proudhon, Heidegger, e outros como o saudoso Apolônio também lera. Cada um destes escritores são especiais (e clássicos) os quais deveriam ser lidos e relidos mesmo para aqueles que não gostam de suas idéias. Eis um alerta para a mediocridade: Não saber Ler e nem Interpretar e, ainda por cima, emitir opiniões sobrevalorizando alguns outros e depreciando outros. Cada autor tem sua particularidade e mesmo que eu não goste de seus escritos não devo depreciar aquilo que foi obra de sua criação. Assim, vale mesmo resgatar Inginieros, Pessoa, Marx, Heidegger, Machado de Assis, não importa. O que vale é aquilo em que você acredita e que lhe pertence. O resto é contribuição que damos sem custo, mas com um valor primoroso como tu vens fazendo neste teu Blog. Parabens.

  6. Alô amigos!!!Esta é uma “errata” ao meu comentário, o de nº9: no primeiro parágrafo cometi erro básico ao dizer que “a superestrutura provoca a estrutura”. Ia dizer exatamente o contrário!!! Digitei apressado e acabei invertendo os conceitos. Erro primário!!!Desculpem. Fica corrigido o meu pensamento. Um abraço ao Antonio e a todos.

  7. O tal do “homem medíocre” do Ingenieros nada mais é que o homem alienado de Marx. O Ingenieros descreve com verve literária, com “poesia” – diriam alguns – os resultados da alienação, com um agravante; ele passa por cima das causas da alienação, o contrário de Marx, que buscou, entendeu e explicou os processos relativos à propriedade privada e à divisão social do trabalho que tanto originam como são mantidos pela consciência alienada de si Não me chamem de marxista mecânico ou determinista: ou o marxista considera a estrutura ou não é marxista. Há nuances nas relações estrutura/superestrutura, particularidades, singularidades, variações: mas que é a superestrutura que provoca a estrutura, disso não há como discordar dentro do marxismo. Ia dizer que a superestrutura “determina” a estrutura, mas essa palavrinha está tão carregada de preconceito e negatividade, que prefiro usar “provoca”, “explica”, “justifica” “suscita” (mas o sentido é o mesmo). Atribuiu-se uma rigidez negativa e limitadora ao verbo “determinar” quando empregado para caracterizar as relações entre estruturas e superestruturas econômicas e ideológicas dos grupos sociais – ao meu ver, rigidez e limitação negativas e impróprias. Mas enfim, é isso. E por causa desse “esquecimento”, digamos assim, do Ingenieros (de mencionar a estrutura, ou as causas da alienação e eventuais soluções para sua superação), que sua obra se presta para justificar todo o oportunismo dos arrivistas políticos e militantes pistolados do PT. O Ingenieros pode ser muito bem usado pelos usufrutuários de prebendas e benesses da coisa pública para justificar seus cargos e “coerências” políticas.Que social-democratas ou liberais utilizem esse tipo de argumento, nada a espantar: faz parte de seu discurso histórico de mascaramento político. O que é inadmissível é quem foi, ou quem diz ser de esquerda, utilizar esse tipo de argumentos.Resumindo: para uma leitura sadia, “El Hombre Medíocre” deve ser completado com a leitura de “Combtribuição à Crítica da Economia Política”.

  8. Bela referência Prof. Ozaí… e acho que tdos nós somos medíocres!!! mas a vantagem está em conhecer esta situação e lutar para mudá-la!!!Ah… ví referência a um texto seu no site da Caros Amigos… meus parabéns!!!

  9. Ozaí, já não se fazem mais homens como antigamente. E quanto mais adornos, piores ficam.Há que bom seria se somente as bananeiras produzissem bananas…Só não gostei do culto ou apologia ao crime: “às vêzes não praticam crimes com mêdo do remorso.”Tanto pelo que aprendi no catecismo, como pelo que se pratica no seio dos partidos políticos. Celso Daniel não me sai da lembrança.

  10. Professor Ozaí:Mais uma vez parabéns pelo texto.Acredito que quase toda mediocridade humana pode ser vista, além de outras maneiras, pelo menos sob duas perspectivas.Na primeira, a mediocridade pode ser interpretada como um “mecanismo de defesa”. A falta de liberdade plena impede as pessoas de opinarem, de agirem sem reservas (de ter uma vida atuante na direção de sua utopia). O medo de cerceamento dos espaços da produção da vida faz muitas pessoas engolirem sapos. Lembremos o exemplo de Fernando Gabeira em seu livro “O que é isso, companheiro?”. Na segunda, a mediocridade é fruto da falta de personalidade numa sociedade de massa. Nesta direção, o desafio político e pedagógico é justamente superar a condição de massa. Fortalecer uma sociedade civil criativa que nasce das aspirações populares e busca da autodeterminação, assim como, da participação ativa na gestão democrática do poder, da vida acadêmica… Superando a mediocridade… James Simões de Brito

  11. Meu caro Antonio Ozaí. Especialmente agradável ler tuas iniciativas intelectuais e hoje trazendo-nos o gênio de José Ingenieros. Não tem sido fácil para o homem descobrir que vive em plena Idade da Técnica, bem alertada em 1959 por Heidegger que trago como uma contribuição a todos, para discussão e criticas é claro. De Heidegger, ele nos conta o seguinte: “O que inquieta, de fato, não é que o mundo se transforme num completo domínio da técnica. Muito mais preocupante é que o homem não está preparado para essa radical mudança do mundo. Muito mais preocupante é que ainda não somos capazes de compreender adequadamente, por meio do pensamento meditativo, aquilo que esta emergindo em nossa época.” M. Heidegger, O Abandono, 1959. e ainda de Umberto Galimberti, filósofo mais jovem e mais atual, neste milênio já nos ensina o seguinte: “Estamos todos convencidos que vivemos na Idade da Técnica, de cujos benefícios usufruímos em termos de bens e espaços de liberdade. Somos mais livres do que os homens primitivos porque dispomos de um maior campo de atuação. Os lamentos e as desafeições em relação ao nosso tempo têm algo de patético.”Bem, temos que reagir e aproveitar, não esqueçam, trata-se do bem estar de nossas mentes.Cyro Laurenza

  12. Uma contribuição de Heidegger que envio cumprimentando Antonio pela excelente lembrança de trazer José Ingenieros para nosso conhecimento e memórias. Creio que a nossa ausencia mental, nosso abandono ao entorno envolvente é devido a um momento histórico, fim da industrialização e inicio da Idade da Técnica da humanidade. Ainda nem todos compreendem e pasmo vagamos entorpecidos evoltando a Heidegger: “O que inquieta, de fato, não é que o mundo se transforme num completo domínio da técnica. Muito mais preocupante é que o homem não está preparado para essa radical mudança do mundo. Muito mais preocupante é que ainda não somos capazes de compreender adequadamente, por meio do pensamento meditativo, aqui-lo que esta emergindo em nossa época.” M. Heidegger, O Abandono, 1959.

  13. É “vida de gado, gado marcado, povo feliz” que segue para o matadouro ignorando a própria sorte. Em cada um de nós há essa tendência à mediocridade, à preguiça, à acomodação.Realizar nossas utopias é um desafio perigoso, trabalhoso e que requer desapego à vidinha do cotidiano, do caminho do menor esforço.Essa crítica à mediocridade não me parece que separa os homens entre heróis vanguardistas e a massa acomodada e medíocre. Ela nos desafia a todos a nos questionarmos sobre a nossa existência e sobre as nossas opções: o que queremos, na verdade? A vidinha sem grandes emoções, com pequenos confortos; ou a ousadia de uma paixão, com os riscos que todos grandes desafios implicam? Apolônio viveu intensamente a vida e se lançou não à aventuras, mas investiu contra os horrores do fascismo espanhol na “Guerra Civil” e contra o nazismo e o colaboracionismo na “Resistência Francesa”, depois de lutar aqui no Brasil pela liberdade e pela igualdade. E voltou depois da Segunda Guerra Mundial, para novas investidas contra às injustiças sociais, contra a prepotência das elites, contra o autoritarismo etc. Dele pode-se também dizer que “viveu, não passou apenas pela vida”.Ainda ontem estava conversando com companheiros sobre o Teotônio Vilela e como foi a trajetória do “Menestrel das Alagoas”, e que no documentário sobre sua vida pode-se perceber a paixão, a luta cada vez mais intensa, e porque não dizer radical, para fazer acontecer alguma coisa que valha a pena!O cinema brasileiro atual, que tão bem tem registrado vidas apaixonadas, bem que poderia registrar a vida e a luta do nosso bravo combatente Apolônio, meu caro Ozaí.Um grande abraço e parabéns por suas leituras, reflexões e instigadas em nossas mentes e corações.

  14. Já tirei uma: quantos de nós – ou será que todos nós – não devem o que são a homens e mulheres medíocres, a começar por nossos pais e mães. Afinal, poucos tiveram a chance de ser homens e mulheres notáveis, heróis, como nosotros.

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