A rua e a sala de aula

É tarde, faz muito calor. Caminho em direção ao “templo do saber” e vejo na rua uma mulher que aparenta idade acima da que realmente tem. Seu rosto mostra as marcas de uma vida sofrida e laboriosa. Desço a avenida e ela, no sentido oposto, puxa um carrinho cheio de lixo reciclável. É o seu trabalho, o ganha-pão. Isso me faz pensar sobre as contradições da sociedade. Começo a enumerar as respostas em minha mente, mas a materialidade é incomensurável diante das minhas idéias sobre o presente e o futuro. Penso em abordá-la. Mas, o que dizer? Concluo que apenas a perturbaria e faria perder precioso tempo. Sinto-me até mesmo culpado por não ajudá-la a puxar o “veículo” ladeira acima. Como ela reagiria diante de inusitada atitude? Porém, ainda que aceitasse minha ajuda, não mudaria a realidade do seu cotidiano. Se nada posso fazer para aliviar o seu esforço diário, que direito tenho em admoestá-la? Sigo o meu caminho, mas não a esqueço.

É noite. Caminho sob o brilho da lua, cuja beleza é ímpar. Ando absorto em pensamentos que me consomem. Uma visão me traz de volta à realidade: um homem negro sentado à frente de um prédio assistindo TV num desses aparelhos portáteis. Ele não está ali por acaso, mas sim porque é o vigia do estacionamento de um imóvel de poucos andares que aparenta ser uma república de estudantes universitários. Não ouso atrapalhar o seu entretenimento, mas quase paro para conversar. Gostaria de perguntar porque seu local de trabalho é uma cadeira na rua. Ele deve ficar ali até o nascer do sol, a cuidar dos automóveis de gente que é bem-cuidada. Protege a propriedade dos que lhe pagam o salário do mês. Parece justo. Quanto receberá por seu trabalho? O prédio fica num vale, à margem de um córrego. O frio, portanto, é mais intenso. Por que os condôminos não constroem uma guarita que o proteja das intempéries? Talvez considerem que custa caro garantir uma condição de trabalho humana; quem sabe se sintam mais protegidos se o homem estiver ao relento. Até porque é mais difícil cochilar e dormir. E muito provavelmente todos, inclusive o trabalhador, achem a situação como normal e natural.

Estou na sala de aula e observo os estudantes durante uma atividade. Uns se envolvem com o que fazem, outros fazem de conta; uns tomam a sério a tarefa de pensar sobre as palavras do texto; outros se recusam a pensar, seus corpos estão presentes, mas mentalmente distantes. Não se retiram, talvez por respeito. Analiso tudo pacientemente e tento compreendê-los. Não conheço suas histórias de vida, os laços que nos unem são tênues. Sei que não são simplesmente a abstração genérica “alunos”, mas indivíduos com personalidades e histórias de vida específicas.

Lembro-me da senhora que vive do lixo e do senhor negro vigilante. Percorro a sala com meus olhos e penso se os estudantes têm consciência da realidade social e das causas que produzem situações como estas. Não sei o que se passa em suas cabeças, conheço-os apenas naquele restrito espaço da sala de aula. Não tenho o direito de julgá-los, mas as atitudes sugerem possibilidades nem sempre alentadoras. Imagino se algum deles conhece a senhora do carro de lixo ou se moram no prédio do vigia que trabalha sob o luar e o brilho das estrelas. Não ouso perguntar.

Termina a aula e volto para casa. Um pensamento me angustia: que tipo de ser humano contribuo para formar? São indivíduos críticos e capazes de transformar a sociedade que vivem? Ou será que nada mais faço do que legitimar a formação de indivíduos adaptados e incapazes de questionar a ordem social? São, pelo menos, sensíveis e capazes de se indignar? Não sei! Depende das opções que fazem. De qualquer forma, há os que fazem valer a pena o ofício do educador.

17 comentários sobre “A rua e a sala de aula

  1. eu fiz a especializaçao em sociologia na época em que ze claudio do pt entraba na prefeitura, nesses anos se trabalhou em maringa com os catadores do lixao…falando com os catadores nessa época em que era presidente fhc, os catadores comentavam que comiam somente arroz e feijao e nos finais de semana uma mistura de patas de galinha….era a unica mistura proteica da semana………….pensando nisso é que eu nao entendo como professores hj podem estar contra o bolsa flia!!!!!! nunca mais vi como naqueles tempos tao perto a fome e a miseria , o medo e o preconceito….se avançou muito ma s O MONSTRUO SOMENTE ESTAVA DORMIDO …PARECE QUE ACORDOU!!!!

  2. Sei do que você está falando. Inclusive, vejo frequentemente a senhora do carrinho e às vezes o guarda do prédio próximo do córrego. Conheço também outros catadores de material reciclável e outros guardas de prédios. Passam desapercebidos para a maioria das pessoas e mesmo para mim. Alguns deles já me chamaram a atenção e às vezes bato papo com algumas pessoas que ganham a vida com esse trabalho. O Roberto é um catador que mora perto de minha casa, compra as coisas nos mesmos estabelecimentos comerciais que eu e seus filhos e sobrinhos estudaram na sala da minha filha. É uma pessoa que encara a atividade de catador como a maneira possível de garantir o seu sustento e o da sua família. É uma pessoa simpática.

    Diferentemente é a mulher de quem você fala. Não é comum mulher da idade dela, sozinha, carregar um carrinho tão pesado. Sua figura chama a atenção por isto. Nunca a vi conversando e nas várias ocasiões em que passa por mim, também nunca vi ela esboçar um sorriso. Não tenho nenhuma ideia de onde ela mora, de onde ela vem arrastando o seu carrinho ou se de seu trabalho depende o sustento de outras pessoas.

    O contato, na maior parte das vezes apenas visual, que temos com essas e outras pessoas, é diferente do contato que um professor tem com seus alunos. Essa é uma relação em que é possível saber a origem e outras informações já que a convivência é maior.

  3. Hahahahahahah, leio ali em baixo alguém se referindo ao Ruben Alves como educador.. é pra morrer de rir. Trata-se de um mercenário que cobra mais de 5 mil reais para dar uma palestra, nao tem um fio de cabelo de coerência. Para o Vagner Souza: Meu truta, agora que vc está carregando caixa nas costas novamente vá pensando bem e raciocinando bem pq, da proxima vez que vc conseguir entrar na faculdade estatal, procure se juntar com os pobres que lá existem, que são explorados, oprimidos, discriminados e até humilhados e bota pra quebrar pq ninguém está nem ai para os pobres da universidade não. Eles querem é que os pobres se danem, que se nao aguentem e dêem o fora, como, infelizmente, ocorreu com vc. A esquerda universitária é esquerda somente como uma vitrine, para fora, pq os pobres da universidade nunca contam para a tal esquerda universitária e dessa hipocrisia compartilham anarquistas, marxistas, catolicos de esquerda, ongs e tudo o mais. Veja se tem alguém se senbilizando com os alunos de araraquara que foram condenados a pagar 10 mil ou 2 anos de cadeia? Isso é ninharia e os professores poderiam fazer uma vaquinha, ou o sindicato deles arcar com esse custo, ou auxiliar judicialmente. Meu amigo, eu conheço a brasilândia e outras quebradas mais. Vc se engana numa coisa: existe uma periferia na universidade também, mas pra essa periferia ninguém está nem ai pq a emancipação da periferia da unversidade vai contra os interesses de muita gente dita humanista da mesma. Se cuida irmão, a vida por aqui não está fácil também.

  4. REVISTA EDUCAÇÃO – EDIÇÃO 125 http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=12246 “As pessoas ainda não foram terminadas…”Porque nosso DNA é incompleto, inventamos poesia, culinária… Rubem Alves As diferenças entre um sábio e um cientista? São muitas e não posso dizer todas. Só algumas.O sábio conhece com a boca, o cientista, com a cabeça. Aquilo que o sábio conhece tem sabor, é comida, conhecimento corporal. O corpo gosta. A palavra “sapio”, em latim, quer dizer “eu degusto”… O sábio é um cozinheiro que faz pratos saborosos com o que a vida oferece. O saber do sábio dá alegria, razões para viver. Já o que o cientista oferece não tem gosto, não mexe com o corpo, não dá razões para viver. O cientista retruca: “Não tem gosto, mas tem poder”… É verdade. O sábio ensina coisas do amor. O cientista, do poder. Para o cientista, o silêncio é o espaço da ignorância. Nele não mora saber algum; é um vazio que nada diz. Para o sábio o silêncio é o tempo da escuta, quando se ouve uma melodia que faz chorar, como disse Fernando Pessoa num dos seus poemas. Roland Barthes, já velho, confessou que abandonara os saberes faláveis e se dedicava, no seu momento crepuscular, aos sabores inefáveis. Outra diferença é que para ser cientista há de se estudar muito, enquanto para ser sábio não é preciso estudar. Um dos aforismos do Tao-Te-Ching diz o seguinte: “Na busca dos saberes, cada dia alguma coisa é acrescentada. Na busca da sabedoria, cada dia alguma coisa é abandonada”. O cientista soma. O sábio subtrai. Riobaldo, ao que me consta, não tinha diploma. E, não obstante, era sábio. Vejam só o que ele disse: “O senhor mire e veja: o mais importante e bonito do mun­do é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando…” É só por causa dessa sabedoria que há educadores. A educação acontece enquanto as pessoas vão mudando, para que não deixem de mudar. Se as pessoas estivessem prontas não haveria lugar para a educação. O educador ajuda os outros a irem mudando no tempo.Eu mesmo já mudei nem sei quantas vezes. As pessoas da minha geração são as que viveram mais tempo, não pelo número de anos contados pelos relógios e calendários, mas pela infinidade de mundos por que passamos num tempo tão curto. Nos meus 74 anos, meu corpo e minha cabeça viajaram do mundo da pedra lascada e da madeira – monjolo, pi­lão, lamparina – até o mundo dos computadores e da internet.Os animais e plantas também mudam, mas tão devagar que não percebemos. Estão prontos. Abelhas, vespas, cobras, formigas, pássaros, aranhas são o que são e fazem o que fazem há milhões de anos. Porque estão prontos, não precisam pensar e não podem ser educados. Sua programação, o tal de DNA, já nasce pronta. Seus corpos já nascem sabendo o que precisam saber para viver.Conosco aconteceu diferente. Parece que, ao nos criar, o Criador cometeu um erro (ou nos pregou uma peça!): deu-nos um DNA incompleto. E porque nosso DNA é incompleto somos condenados a pensar. Pensar para quê? Para inventar a vida! É por isso, porque nosso DNA é incompleto, que inventamos poesia, culinária, música, ciência, arquitetura, jardins, religiões, esses mundos a que se dá o nome de cultura.Pra isso existem os educadores: para cumprir o dito do Riobaldo… Uma escola é um caldeirão de bruxas que o educador vai mexendo para “desigualizar” as pessoas e fazer outros mundos nascerem… – Rubem Alves – Educador e escritor rubem_alves@uol.com.br

  5. Olá!!!Bom dia!!!! Gosto muito de ler seus textos, sempre aprendo muito e eles ajudam a ponderarmos sobre o nosso dia-a-dia e se não tivermos controle ele passa rapidamente, sem percebermos o outro que muitas vezes está ao nosso lado e não conseguimos ouvir o seu grito. É muito triste observarmos esta desigualdade social cruel em nosso país e sabemos que o nosso Brasil poderia proporcionar outro modo de vida para seu povo!!!! Olho para os meus alunos com toda sua historicidade de vida e constato está situação caótica em que se encontra nosso país, pergunto-me:”Qual o futuro para essas vidas?” Creio que nós educadores devemos ser um canal para que possamos mostrar e esclarecer a outros o que observamos,não podemos ser míopes quanto as mazelas da nossa sociedade. Sua fala Ozaí, foi excelente, seu ponderar primordial para que reflitamos sobre tudo o que nos cerca. Escrevo aqui uma fala do meu amado Paulo Freire em 1986 em Paris:”não creio em nenhum esforço chamado de educação para a paz que, em lugar de desvelar o mundo das injustiças, o torna opaco e tenta miopisar as suas vítimas”.“Quanto mais eu ando, mais vejo estrada .Mas se eu não caminho, eu sou é nada.” Paulo FreireAbraços, muita saúde e prosperidade!!!! Verônica Ozório

  6. Professor Ozaí,Também sou educadora, e,além do ensino da Língua Portuguesa que é minha principal função, nunca deixo de, na escolha dos textos, dos temas das produções textuais, das músicas, dos filmes, e em tudo o que for possível, abordar a questão da desigualdade social, da divisão entre o saber e o fazer, do mundo resolvido para alguns em detrimento da grande maioria.Precisamos formar pessoas sensíveis e isso é possível. Você mesmo disse que há os que valem a pena. E pode ter certeza, eles farão diferença. Apesar de como alguém já postou, as mudanças ocorrerem muito devagar, e às vezes voltarmos à estaca zero, acredito que na nossa função podemos sim contribuir para transformações. Isso é o que me faz ser educadora. Aprendi isso com um professor de faculdade. Nada fazia sentido pra mim até que o conheci e, creio que como ele, abracei essa causa. Se nos sentimos assim é porque precisamos e podemos fazer a diferença. Um abraçoAndréia

  7. Ozaí,Essa sua reflexão representa, em algum grau, a nossa incapacidade de agir prospectivamente. O “centro de saber” contribui para que assim sejamos e multipliquemos.Lembrei-me de uma poesia da Vera Lúcia Basseto, aluna do 4º ano de direito na época, publicada em Ed. especial do DCE em agosto/94.SOMOSSomos aves saindo do ninhoSomos estrelas cheias de brilhoSomos pessoas seguindo um destino.Sentindo, sentindo a alma se ferindoSumindo, sumindo como energia findaSeguindo no escuro por instinto.Somos pessoas em constante desatinoSomos soldados, bravos e fortesSomos alguns nobres em enfoque.Vamos juntos, separadosÀs vezes para um mesmo ladoSilenciosos, vamos nos separandoPouco a pouco…Pouco a pouco…Pérolas como essa foi publicada no “centro do saber”, não sei se ali foram gestadas…O Prof João Luiz Gasparin nos dizia: O verdadeiro crítico é àquele que, percebendo as anomalias e as injustiças, age para que as mudanças ocorram. Ivan Luiz Colossi de Arruda

  8. … essas palavras tão realistas me fizeram lembrar das vezes que saí chorando de colégios me sentindo impotente… Alguns momentos nos fazem sentir que vale a pena continuar!Mas, meus poucos anos de vida ainda me fazem chorar…

  9. Caro Ozaí,Também temos os mesmos personagens citados e vivemos os mesmos Dilemas em nossa classe, cidade e Estado. Claro, não é novidade.Seu artigo me provoca mais do que talvez tenha imaginado. Existe uma frase que eu tomo como uma máxima, considerando as distinções entre: informação – conhecimento – compreensão e sabedoria.”Quando uma Compreensão ascende à Consciência, não há como não fazer o que Deve ser Feito!”.Se não faço, não passei do nível de obtenção da informação e da compreensão sobre o que a mesma encerra.Poucos têm conseguido a plena consciência, um estado de iluminação e se tornado sábios e capazes de efetivamente promoverem profundas transformações. Quando surgem nós os identificamos, temos os líderes, tomamos consciência e agimos.Talvez tenhamos pseudo-razões para não interferir, como, por exemplo, nos posicionarmos como especialistas que refletem e indicam o que outros devem fazer.Talvez tenhamos – através das informações acadêmicas em particular, atingido apenas o estágio da compreensão e aí, estacionamos.Intuo mudanças em processo (ainda que em doses homeopáticas) nos indivíduos e na sociedade. São, certamente, “brasas” sob as cinzas à espera de se tornarem ‘labaredas’. Cabe-nos assoprá-las.Quanto aos alunos, eu penso que nós devemos sim, interferir, provocar, viver os conflitos e as conseqüências para mudar atitudes.Como você disse: “De qualquer forma, há os que fazem valer a pena o ofício do educador”.Abraços,Wander

  10. Belo post… muito sensível!!!É… se alguns alunos possuem senso crítico??? alguns sim… outros pensam que tem… outro querem/tentam ter… mas boa parte ñ está nem aí com isso e pensam apenas na formação própria e na carreira!!!Mas e os professores??? será que fazem mais que belos discursos???

  11. Saudações professor.Ja escrevi antes em seu blog, e embora não escreva sempre eu sou um leitor de todos os textos do seu blog.O que escrevi da outra vez vou repetir. Será que não seria válido repensar nossas ações? A prática docente reflexiva dentro da universidade de professores como vc é respeitável, porém acredito que vc deveria pensar em alguma forma de ação dentro das periferias, pois dentro da universidade vc esta inserido dentro de um contexto onde a maioria dos alunos são de famílias de classe média alta, ou seja, vc esta tentando trabalhar situações com pessoas que talvez não estão nem aí para esses fatos os quais vc relatou no seu texto, e cara aqui na periferia tem gente muito mais interessadas no que vc tem a dizer.Vagner Souza: Estudante de Ciências Sociais da UEL, com a matrícula trancada por falta de grana, atualmente morando novamente na vila Brâsilandia São Paulo bairro onde nasci.

  12. Professor ozaí:Apesar de o concreto nos revelar nossas impotências diante das circunstâncias sociais quase irreversíveis. Acredito que vale a pena continuar dentro do possível histórico a lutar.Dentre as muitas estratégias destaca-se a denúncia, materialização de nossas insatisfações. Com certeza será sempre um grão de areia. Não obstante, em termos de história, as coisas são alteradas de forma muito lentas. Algumas vezes ficam estacionadas. Outras vezes, reacionariamente, voltam à estaca zero.Contudo, ficaremos imóveis? Ou quem sabe fecharemos nossos olhos diante das explorações?Claro que não. Então vamos continuar dentro do possível a questionar e reivindicar. Quem sabe mais pessoas aderirão está luta.Parabéns por evidenciar um pouco a impotência de cada um de nós. Esta prática nos exorta a necessidade de produzir teorias que subsidiarão nossa práxis transformadora desta realidade. Logo, não será em vão.James Simões de Brito.

  13. Ozaí,estamos imersos num oceano de excluídos, não só da tecnologia, mas também da cidadania e de mínimas condições de vida. Nós também, em alguns aspectos de de alguma forma, somosexcluídos.Penso que só vale a pena nos dedicarmos ao estudo do pensamento marxista se tivermos na mente esse horizonte que você pinta em seu artigo.É certo que ajudar a empurrar o carrinho ladeira acima, ou estudar pacientemente os “Manuscritos Econômico-Filosóficos”, não vai mudar nada de nada do que está aí.Mas, como também é certo que os excluídos, por si sós, jamais conseguirão sequer questionar o estado de coisas, façamos a nossa parte, estudemos, observemos, trabalhemos. Sejamos solidários, acima de tudo: mesmo sem botar a mão no carrinho ou sem prosear com o vigia você foi solidário -e esta capacidade que não podemos perder, esta de sermos solidários e a outra de nos indignarmos ante as mazelas políticas – por mais que “eles” tentem, ao banalizá-las e torná-las comuns, “naturais”, massacrando-nos através dos meios de comunicação em nome de uma pseudo democracia.Um novo dia vai chegar, novos ventos soprarão, e o que tivermos estudado e sentido e percebido até lá terá alguma valia. Qual não seja, apenas de justificar nossa existência.Um abraço

  14. Adorei o texto.Muito bom para refletirmos sobre essas situações rotineiras e problemáticas que acontecem mas que nosso modo de viver não permite que enxerguemos.

  15. .comBom dia, Ozaí!O seu olhar sobre o entorno, mesmo que um recorte, é um olhar para o mundo. Nesses momentos, perguntamo-nos o significado da nossa existência, o “porquê”, o para quê” e em “nome de quê ou de quem” exercermos esse árido e prodigioso ofício. Várias vezes deparei-me com as cenas do mundo e o meu mundo ficou pequeno sob os meus pés. Então, novamente olhei em volta, para além das paredes que circundam o meu olhar sobre os estudantes aos quais observo e o vejo este mundo mover… coisas boas, construtivas, coisas ruins, pobreza, indiferença, preconceito, desigualdade! Penso em correr… para onde? O mundo é uma roda! Decido novamente, fazer o que acredito fazer melhor: educar/ensinar/aprender/orientar! El@s, como nós fizemos um dia, estão fazendo suas escolhas e essas escolhas é que movem a roda para a vida ou para a morte! Esse poder,não o detemos; fazemos a nossa parte e precisamos deixá-l@s partir…não existe garantia!Continue escrevendo para nós, você sempre terá interlocução.E, acaba sendo uma catarse mútua ou múltiplas, encontrando você ressonância ou não! Obrigada,Vera

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