Deus na Escola?!

A Assembleia Legislativa do estado de São Paulo aprovou a lei que prevê a formação de um grupo de estudo cuja tarefa é elaborar o manual “Deus na Escola” a ser utilizado nas escolas. O projeto foi vetado pelo governador do estado, José Serra.

Não deixa de ser curioso que as nobres almas que freqüentam o legislativo paulista imaginem que o Todo Poderoso necessita dos seus préstimos para se fazer presente no ambiente escolar. E sob a forma de um manual a ser usado por educadores, transformados em soldados do exército de salvação do Senhor. Ironicamente, a autora do projeto afirmou que “tentar impedir a entrada de “Deus na escola” é, no mínimo, um ato antidemocrático”.* Deus não é Onipresente? Por que precisaria da ajuda da nobre deputada para adentrar às escolas? Seria um caso de incredulidade na capacidade do Divino? Talvez ela se refira a si mesma e aos que se consideram porta-vozes do Altíssimo!

Isso me fez lembrar uma historinha. A professora entra na sala de aula e se apresenta aos adolescentes. Ela os chama de “meus filhos”. Eles estranham, afinal têm as suas genitoras e não imaginam ter outra mãe, muito menos que fosse a professora. Ela pede que não estranhem e explica que os ama como “filhos”. Risinhos, troca de olhares irônicos, e a “aula” continua. A “mãe-professora”, cheia de amor, diz que precisa ter uma conversa muito séria. Os estudantes se entreolham. Será que ela falará sobre o “diga não às drogas”? O assunto é sexo. Em tom maternal, ela pede que mantenham a abstinência sexual, que se guardem para os seus respectivos esposos e esposas e não usem camisinha. Ainda sobram críticas ao presidente da república que teria defendido o uso do preservativo.

Nada contra a liberdade de opinião e o direito da professora-mãe ter posições sobre temas controversos na sociedade. Porém, vale destacar que: 1) a aula não era de ensino religioso (e mesmo se o fosse me parece que não se trata de determinar comportamentos, mas de estimular o debate); 2) a professora, mesmo que com a melhor das intenções, foi motivada por suas convicções religiosas e confundiu o seu papel de educadora laica com o de catequista, sem atentar para as diferenças que caracterizam a sua igreja e a sala de aula; 3) desrespeita, ainda que não tenha intenção, os que não comungam da mesma religião e usa inadequadamente a autoridade de professora; 4) ela confunde o papel que deve desempenhar enquanto educadora com a função de mãe.

É admissível, e até desejável, que os educadores estimulem os alunos a discutirem temas polêmicos, com o cuidado de prepará-los para esse debate, evitando que resvalem para o preconceito, racismo, intolerância religiosa e etc. Mas não como sermão e de maneira condicional. A professora, mesmo que se veja como mãe dos educandos, tem a autoridade instituída e sua fala tem peso – ou deveria ter. Pode influir e essa influência não é necessariamente benéfica.

Será que os jovens aceitaram a moral religiosa da professora? Mas se não se “controlam” e têm relações sexuais, não seria melhor orientá-los a usar a camisa-de-vênus? Na ótica moralista da “mãe-professora”, se as jovens engravidam ou contraem Aids e doenças sexualmente transmissíveis, isso se deve ao pecado, ao fato de não terem dado ouvido às suas palavras. É um castigo, uma punição.

Contudo, talvez o mais grave seja a confusão entre o laico e o religioso. Tal professora é o exemplo de como o espaço laico da escola é tomado como extensão do templo e, portanto, sujeito ao discurso da religião. E isso sem que exista o tal manual. Imagine esse tipo de educadora legitimada por manuais e com a certeza de que expressa a vontade divina, como se o Todo Poderoso falasse por sua boca. Deus nos livre!
__________
* O projeto é de autoria da deputada Maria Lúcia Amary, líder do PSDB na Assembleia Legislativa do estado de São Paulo. A defesa da autora está disponível em http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=50993. Roseli Fischmann, doutora e livre-docente, é professora do programa de pós-graduação em educação da USP e expert da Unesco para a Coalizão de Cidades contra o Racismo, a Discriminação e a Xenofobia, defendeu o veto ao projeto em artigo publicado na Folha de S. Paulo e disponível em http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=50992

13 comentários sobre “Deus na Escola?!

  1. Caro Douglas,O seu comentário inaugura um novo debate: Ciência x Religião – ou Fé x Razão. Debate interessantes, sem dúvida, mas não é este que vínhamos desenvolvendo aqui: até agora nós, os comentadores, falamos quanto aos prós e contras do ensino religioso obrigatório nas escolas públicas.E, neste quesito, você levantou alguns pontos importantes: que tipo de ensino seria ministrado?Seria a história das religiões? Mas,então, por que não incluir também o ensino da história das revoltas populares? Seria a história das idéias religiosas? Mas, então, por que não incluir também o ensino das idéias políticas? Seria o ensino de uma religião? Seria ensino doutrinário? Entendo que nada justifica o poder público privilegiar o ensino de uma religião em detrimento de outras, e, quanto ao ensino doutrinário, qual seria a confissão: cristã católica ou cristã protestante ou cristã ortodoxa ou islâmica ou judaica ou budista ou afro-brasileira?Concordo com você quando diz ser lamentável uma graduada em Letras não conhecer Jesus Cristo e a Bíblia. Mas será também digno de lamentação se não conhecer Maomé e o Corão, ou Confúcio e o Tao. Há figuras e obras da história e da literatura universal que devem ser de conhecimento obrigatório de um bacharel, qualquer seja sua área.Continuo, caro Douglas, batendo na mesma tecla: o ensino das religiões e suas doutrinas tem um lugar social que lhe é próprio: os templos e igrejas; nas escolas públicas deveria ser ministrado o ensino da Ética e da Moral – porque estas, além de base de todas as religiões e doutrinas, são o fundamento do humanismo, do civismo, da cidadania e da convivência em sociedade. Um abraço.

  2. Que o entusiasmo científico de Augusto Comte seja, atualmente, desacreditado nas Ciências Humanas é um discurso acadêmico – mas será mesmo (pergunta-se). Pois insiste-se nas fases do conhecimento propostas por Comte, valorizando o pensamento positivo em detrimento do filosófico e religioso. Que a Biblia tenha suas diversas interpretações é inegável. Que filósofos de 2.500 anos atrás, sejam reinterpretados à luz de novas reflexões, é outra ocorrência comum. Mas e a ciência. Aliás, de que ciências falamos. Recentemente, durante uma aula de Bordieu, o professor rechaçou as reportagens exibidas em televisão sobre as descobertas de renomados cientistas do corpo humano, que associam comportamentos de gênero à constituição biológica; essas “pseudodescobertas científicas”, foi o termo que ele usou. E talvez tenha razão. MAs quem garante que tem mesmo. Qual a verdade da ciência. Qual a ciência mais verdadeira. Por quanto tempo durará cada nova teoria embasada em descoberta científica. Se as instituições de ensino são os lugares do saber, porque o saber religioso deve ser desprezado. Não se trata de substituir o conhecimento laico pelo religioso. Mas de não preterir um em relação ao outro. Há dois anos, uma amiga se formou em letras, e não sabia nada sobre a história de Jesus Cristo. Na Civilização Ocidental, uma bacharel que não tem referências ao Cristianismo. Não foi uma pessoa pior por isso, pelo contrário, uma pessoa muito ética e responsável. Mas até que ponto as instituições a preparam para entender a realidade sociocultural em que vive (pergunta).Outro ponto se refere mesmo a tão polêmica democracia. Que o govenador tenha vetado o “manual religioso” pode ser motivo de aliviado e defesa da democracia, mas até que ponto ele representou os interesses dos representados é algo dificil de saber. Será que representou os “aliviados” da elite do saber ou a população em geral. Abrir uma porta para o conhecimento religioso no ensino não quer dizer que o Estado deixa de ser laico. É evidente que, um tal ensino deveria ser cuidadoso, não doutrinário e não apologista a uma determinada denominação. Por fim, Bordieu, tão averso ao conhecimento religioso, mais crítico que Comte, também dá uma chave em seu pensamento, para entender certos pontos de vistas: os intelectuais não são tão críticos a si mesmos como o fazem com os outros campos. Por isso alguns professores fazem proselitismo em sala de aula, de forma descarada, sobretudo os “marxistas”, contando, senão com a aprovação de seus companheiros, aos menos com seu silêncio “Ético” corporativista. A questão é: quais as formas de saber que podem ser tratadas como religião nas instituições de ensino (pergunta). Eu particularmente, acredito que mais vale aprender o conhecimento religioso com sobridade, que aprender o conhecimento científico com exageros e irrealismo de sua valoração. Quanto ao que se deve aprender na escola, penso que, para que o sistema seja democrático realmente, deve-se ouvir também o “povo”. A voz da base da pirâmide deve ser ouvida também. Pois, aqueles que dizem temer o retrocesso da educação, são os mesmo que defendem a educação tradicional, de “cima”, sob a imposição da elite dominante, dos mais esclarecidos, os arautos da conhecimento libertário.

  3. O estado laico foi uma invenção judáico-cristã. Por mais que se exalte a laicidade do estado há essa limitação original da cultura. Além disso, no contemporâneo o que prevalece é a cultura do “tempo real”, da presentificação da vida diária, do Carpe Diem, enquanto o ensinamento religioso trabalha com a idéia da salvação como promessa para nossas pobres almas. Aí é a hora de nossos jovens responderem ironicamente: “valeu”! A juventude quer mais é gozar em tempo real a vida no sentido grego de verdade, aletheia – a verdade do que se vê e do que se sente. Mas o papo careta judaíco-cristão impõe uma “moral das sensações”. Este é um dos temas que pretendo pesquisar no mestrado. O foda é passar na prova. Até mais.

  4. Querido Ozai: los mismos que tienen a la humanidad al borde de su extinción y que propician el consumismo más galopante y el reinado del mercado por sobre todas las cosas, son los que propician esta oleada fundamentalista religiosa, negando el caracter laico del Estado. Me pregunto:¿será que quieren poner a la religión de nuestro lado como arma de liberación para acabar con esos males, o, por el contrario, el propósito es utilizarla de nuevo, como en La Colonia, como arma de sometimiento espiritual para que no nos rebelemos contra ellos?. Estamos viviendo tiempos difíciles amigo.Un abrazo.Hugo Torres J.

  5. Fiquei mais aliviado qdo li a seguinte frase: “O projeto foi vetado pelo governador do estado, José Serra”…Interessante é o debate sobre o Estado laico e etc… aliás… o Brasil é laico… mas pq na Câmara dos Deputados tem um crucifixo??? hehe

  6. Grande Antonio,Não pensei que este tema gerasse tanta polêmica!!! Parece tudo tão óbvio!!!Seu texto é saboroso e com boa dosagem de humor e ironia, sem, contudo, perder a objetividade em relação ao tema. Você disse tudo: é o que encaro como, na minha opinião, uma posição lúcida, infensa a fundamentalismos. Assino embaixo. Só não te digo que esgotou o assunto porque achei oportunas e definitivas as colocações do Flávio dos Santos Silva e do Eduardo Navarro: não há como discordar deles. A Regina “detona” e “chuta o pau da barraca” (excelente a comparação com os EUA), fulminando definitivamente o assunto. Pronto, e voces acabaram com a polêmica, colocando as idéias no lugar.Em relação à Kátia de Cássia Pires… também achei legal sua posição!!! Calma, não estou sendo contraditório, eu explico: entendo perfeitamente a posição dela e concordaria plenamente com ela se ela tivesse substituído “aulas de religião” por “aulas de ética e moral”. Isto sim é necessário, e creio que o efeito sobre os alunos seria o que ela descreve. Pois Ética e Moral – hoje tão desacreditadas – são a base do humanismo, da civilidade e da cidadania. Já a religião, pode ser manipulada e se confundiria com catequese – e esta tem seu lugar social próprio, que não é a escola. Afinal, nem toda postura ou prática religiosa é ética, não é mesmo? É só atentar para a letra do grande Bob Dylan que está mais acima: contundente, como sempre; quantos cometem as piores atrocidades em nome de Deus? Quantos intolerantes e violentos autoritários não acham que estão sendo inspirados por Deus?Que uma escola religiosa ministre tais aulas é uma coisa. Matricula seus filhos em tal escola quem quer e sabe o que está fazendo. Tornar o ensino religioso obrigatório… bem, os amigos já falaram tudo.Um abraço a todos

  7. Prezado Professor, essas espantosas noticias – o projeto de lei e a atitude da professora sao dessas que fazem a gente se beliscar e se perguntar que pais é esse? E o Brasil, mesmo? Um pais que se diz democracia moderna? A proposito, a Constituiçao brasileira consagra a separaçao igreja/estado, ou ainda estamos na idade das trevas em matéria de leis? Outro dia fiquei sabendo que o aborto ainda nao é legal no Brasil. Como estou longe ha vinte anos, levei o maior susto – pensei que isso so acontecia em paises governados por autoridades religiosas e obscurantistas. O que é que esta acontecendo com essas democracias americanas, que se pretendem as mais modernas do mundo? Nos Estados Unidos, como se nao bastasse aquela vergonhosa reeleiçao de Bush, que parecia coisa de republiqueta de banana dos anos 50, agora se ensina que o homem foi moldado diretamente por maos de um divino oleiro e ja saiu com um look de Brad Pitt – em todo caso, moldado segundo um modelo WASP. Bom, mas voltando à Constituiçao – sinto-me como o Compadre Paciência, personagem da Carteira de meu tio, livro em que Macedo ironiza as mazelas do império brasileiro. Esse personagem tenta desesperadamente defender a Constituiçao do império, mas so consegue atrair caçoadas e desprezo.Sera que é esse o caso ainda hoje? Gostaria que alguém me informasse sobre as disposiçoes constitucionais a esse respeito.Cordialmente,Regina

  8. Prezado Antonio Ozaí, a polêmica em torno do ensino de religião tomou conta do mundo a partir da influência dos neopentecostais, apoiados aqui no Brasil pelos ex-governadores do estado do Rio de Janeiro Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, de triste memória, agora donos da rádio Manchete FM. O movimento, contudo, tem sua origem nos EUA nos anos 1990.É importante constatar que o Estado laico é uma conquista da humanidade a partir da revolução francesa, a qual se acomodaram as igrejas cristãs. Parece-me que os neopentecostas tentam dar um passo atrás na História ao pretender abrir a escola pública para o ensino religioso. Vale lembrar que tal iniciativa deverá introduzir uma verdadeira “guerra” religiosa na medida em que deverá ser aberta a todas as religiões, inclusive politeístas, execradas como demoníacas pelos pentescostas.Um abraço,Eduardo.

  9. Olá Antônio Ozaí!Li a sua versão quanto a estória da professora e ainda não lí o projeto da deputada Maria Lúcia, mas no meu ponto de vista a religião deveria ser ensinada em todas as escolas desde o primário até o ensino fundamental. Claro que sem exageros e com metodologia do ensino religioso. Minha filha estuda religião desde a 1ª série do primário, no Colégio Santa Maria, hoje ela está na 6ª série e o que ela aprendeu além dos meus ensinamentos, com certeza ela irá levar para a vida toda que é o respeito pelo próximo.Para mim a ciência anda pareada com fatos que sabemos que existem, mas que às vezes nos deixa sem chão. Quando vou me deitar, faço uma oração a Deus e quando acordo me pego agradecendo pelas noites maravilhosas de sono e sonhos que descansam o meu corpo após horas de trabalho durante o dia e renova minha alma. Apesar de fazer pesquisa e conviver com pesquisadores que mal acreditam neles mesmos, coloco que não vejo minha vida sem a presença divina que ilumina o meu caminho, nosso Senhor Deus Todo Poderoso. A ele dedico vários momentos de alegrias e tristezas, peço ajuda para clarear minha visão e aumentar a minha fé, pois sinto que muitas vezes somos um grão de areia nesta imensidão de coisas que conhecemos e que ainda temos para conhecer.Um abraço. 17/10/2007

  10. Oi Antonio, aqui é Paulo Meksenas, sobre os comentários que você recebe gostaria de acrescentar umauma canção de Bob Dylan e que diz:O meu nome não importae menos ainda a minha idadeo país do qual venhose chama Velho Oeste,me criaram e me ensinaram alia respeitrar as leis eque o pais que vivo tem Deus ao seu lado.A cavalaria atirou e osíndios caíram mortos, poiso pais era jovem com Deus a seu lado.A guerra Hispano-Norteamericanateve o seu momentoe também a Guerra Civilchegou prontamente. Os nomes dos heróis, com suas armas nas mãos,precisei decorar, eles tinham Deus ao seu lado.A Primeira Guerra Mundial, amigos,veio e foi,o seu motivo eu nunca entndi,mas não se fazem perguntas quando se tem Deus ao seu lado.A segunda Guerra Mundialchegou a seu fimperdoamos os alemães e nos fizemos amigosainda que tivessemassinado milhões em seus fornos.Agora, também os alemães tem Deus ao seu lado. Hoje temos tantas armas químicase se nos forçam usálas bastaráapertar um botão e um barulho do tamanho do mundo será ouvido e não se fazem perguntas quando se tem Deus ao seu lado.

  11. Olá meu amigo Ozaí!Você tocou mesmo em um tema polêmico. Mas sou da mesma opinião que você. As coisas devem ser separadas.Grande abraçoSilvério.

  12. Então…Minha opinião vai de acordo com a do senhor Ozaí. Penso que escola e universidade, mas sobretudo na educação Fundamental e de nivel médio, os respectivos educadores devem estimular o discernimento de seus alunos e não outra coisa. No caso especifico de proferir ensinamentos religiosos trata-se de doutrinação. Definitivamente esse tipo de pratica é inadmissivel em instituições de ensino, ao menos as que não tem esse tipo de pretensão ou prezem minimamente pela qualidade e senso critico.

  13. penso que Deus poderia, sim, ser “matéria” escolar. mas Deus sem religião ou melhor, as escolas deveriaminstituir o ensino das religiões, todas elas.sem induzir escolhas, sem pregações. apenas o estudo das religiões. de repente isto se constituiria num contraponto ao excesso de materialismo dos dias presentes, cujas consequênciasestamos observando.

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s