Carência, rejeição e culpa

A carência é própria do ser humano. Todos queremos ser reconhecidos, valorizados, amados. E, pensando bem, até mesmo os animais querem carinho. À sua maneira, o pupi, o poodle que minha filha ganhou de presente, “choraminga” e exige atenção. É difícil resistir ao seu olhar e gestos. A diferença é que ele não guarda mágoa e mostrará alegria quando, mais tarde, receber o carinho solicitado. Talvez por isso as pessoas prefiram os cães, eles sempre são fiéis e compreensivos, ainda que rejeitados.

O ser humano não suporta a rejeição. Sentir-se rejeitado é ser marcado por toda a vida. Talvez esta seja a fonte do ódio e ressentimentos que muitos cultivam. O escritor John Steinbeck, no romance A leste do Éden, faz com que seus personagens discutam o assassinato de Abel por seu irmão, Caim. O ato que marcou a humanidade teria sido perpetrado por causa da rejeição. Lee, a personagem de Steinbeck, afirma:

“ – Creio que se trata da história mais conhecida do mundo porque é a história de todos. Acho que é a história que simboliza a alma humana. (…) O maior terror que uma criança pode ter é a possibilidade de não ser amada. A rejeição é o inferno que teme. Acho que todas as pessoas do mundo, em grau maior ou menos, já experimentaram a rejeição. E com a rejeição vem a ira, com a ira vem alguma espécie de crime em vingança, com o crime vem a culpa… e aí está a história da humanidade. Acho que se a rejeição pudesse ser eliminada, a humanidade não seria o que é. Poderia haver menos loucos. Tenho certeza de que não haveria tantas cadeias. Está tudo aí, o ponto de partida, o começo. Se uma criança vê recusado o amor por que anseia, chuta o gato e oculta a sua culpa secreta. Outra rouba para que o dinheiro a torne amada. Uma terceira conquista o mundo. E sempre se encontra a culpa, vingança e mais culpa. O ser humano é o único animal culpado” (p. 284).

Quantos adultos seriam bem melhores se tivessem sido amados na infância? Quanto sofrimento carregamos em nossos corações causados por gestos e palavras impensadas? Quantas marcas teimam em não desaparecer? Quantas feridas insistem em não cicatrizar?

Claro, como diria alguém que conheci: “A culpa é do capitalismo!” Os indivíduos vivem em sociedade e a forma como esta se organiza tende a reforçar determinadas patologias. Uma sociedade que prioriza o TER em lugar do SER imagina suprir o afeto pelo consumismo. Não é por acaso que os educadores apontam a ausência dos pais como um dos problemas atuais mais prementes. São pais que transformam o amor e o convívio, necessários à formação da personalidade, em bens a consumir. Isso, é claro, entre as camadas com maior poder de consumo.

Vejo um adulto neurótico, rancoroso e infeliz e penso como foi sua infância. É grande a probabilidade de que traga as marcas da rejeição. Muitas vezes, recolhe-se à solidão e ao mundo abstrato dos conceitos e dos livros. Torna-se intragável, chato. Tende a afastar as pessoas, e até mesmo os amigos, da sua companhia. E, na verdade, precisa de ajuda. Como nem sempre é compreendido, adota subterfúgios. É a forma que encontra para resistir.

No fundo, todos somos carentes e carregamos alguma marca de rejeição. Mas nem todos temos a sorte de encontrar as pessoas certas que nos ajudam a superar os sofrimentos do passado ainda presentes em nossas almas. Nem todos temos o privilégio encontrar no amor a segurança necessária para não sucumbir à maldição de Caim. E não me refiro apenas ao amor que une o homem à mulher e vice-versa, mas a todas as formas de amar, inclusive a materna, paterna e a amizade.
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Referência:
STEINBECK, J. A Leste do Éden. São Paulo: Abril Cultural, 1984 (Volumes I e II)

14 comentários sobre “Carência, rejeição e culpa

  1. Ola eu também estou passando por isto sofro tanto com esta situação. Todas asvezes que eu vou a escola fico deprimido, sou sempre o tipo que os outros criticam, humilham asvezes me pedem coisas exageradamente que eu sei perfeitamente se fosse com eles nunca olhariam pra mim. Pois eu sei que algumas dasvezes sou mais inteligentes q estes. Imagine quando regresso a casa ja todo deprimido, as respostas aparecem de como eu teria me comportado perante a eles. E, na verdade sofro de mais com isto e não sou também sofro de “fobia social” o que faz com que muita dasvezes eu me isole. Porfavor preciso de ajuda

  2. Prezado Prof. Ozaí,É quase incrível a mágica da internet, que faz unir pensamentos e ações. Faz do acaso uma pérola! Seu texto não só nos faz refletir, mas nos convida à compreensão de nossa própria natureza – dual. Ao ler seu texto sobre um tema tão enraigado ao ser humano, a rejeição, podemos também, além do lado perverso que nos remete, também podemos ver o lado bom da dor.Vejamos por exemplo, as pessoas empregnadas de rejeição, própria ou alheia, não importa, é capaz de fazer. Embora todo o lado perverso das coisas seja indesejável, eles são necessários, pois é na dor que podemos enxergar nossas mazelas. “Onde foi que errei?” Daí, partimos num exame íntimo e percebemos que nossa rejeição que antes fora nos ensinada por nossos pais, agora nós ensinamos a nossos filhos, para tentar nos livrar dessa dor.Infelizmente, ou felizmente é nesse processo que podemos agradecer à dor em prol do aprendizado, do auto-reencontro e que o que vemos fora, está dentro. Assim , a rejeição como tantas mazelas humanas têm um só propósito, a busca – a autobusca, o reencontro de si mesmo, o auto-desenvolvimento mesmo que o mundo nos rejeite. Afinal, a dualidade humana deve servir para alguma coisa, não é mesmo? E, nesse caso, a rejeição é diretamente contrária, mas muito próxima. É desse modo que podemos estabelecer diferenças e finalmente podemos fazer escolhas, rejeição ou amor? Parece simples, mas não é. Rejeição atordoa, entorpesse, cega… Por isso o desafio será sempre o amor, num sentido mais holístico. Obrigada pelo estímulo à reflexão, à viagem interior embebecida de realidade humana. Pois todos um dia padecemos desse mal que vem para o bem.

  3. Como professora, acredito que o mais difícil é saber lidar com possíveis alunos/as rejeitados/as que acabam sendo classificados de chatos/as!! Em geral são agressivos, e fazem tudo o que podem para atrapalhar ou incomodar a aula. Acho, realmente, que é uma forma de chamar atenção dos amigos e do professor.Numa situação que ocorreu comigo, ao invés de repreender, censurar ou brigar com o adolescente, disse: “Você não precisa nada disso para chamar nossa atenção. Você já chama atenção pelas suas qualidades”. Aí, comecei a enumerá-las.Por fim, abracei o menino que ficou muito emocionado e me pediu desculpas. Desde então, nunca mais “incomodou” as aulas, pelo contrário; se mostrou bastante prestativo em me ajudar e participar mais proximamente dos meus planejamentos de aula e de outros trabalhos burocráticos comuns numa instituição de ensino.Um abraço, prof. Ozaí. Gosto muito do seu blog, embora seja a primeira vez que escrevo.Gabriela Honorato

  4. Sobre a rejeição, quem melhor a sabe que nosso Senhor Jesus (pergunta). “Estava no mundo, e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não O conheceu. Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam”, diz as Escrituras (S. João 1:10-11). Era preciso que nosso Senhor fosse rejeitado, para ENSINAR O PERDÃO. Deus não despreza a ninguém. Por isso há de se tomar cuidado na meditação do assassínio de Abel por Caim. Às vezes, esse episódio leva a pensar que a responsabilidade do assassínio de Abel é de Deus, que desprezou Caim e despertou nele um mal sentimento. Mas, se Deus não aceitou a oferta de Caim, era justamente porque seu sentimento já era mal. “E o SENHOR disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar”. (Gênesis 4:6-7).Quanto a culpa, Jesus também é o Mestre no assunto, pois não tendo culpa de nada, e sendo culpado injustamente, ainda assim deu exemplo, levando sobre Si a culpa de todos. A cruz era tida como símbolo de maldição, e Jesus, sendo santo, se fez maldito, para que os que eram malditos pelo pecado de Adão, se fizessem santos, Nele reconciliados com Deus. Quanto a carência, Jesus disse que convinha que fosse crucificado e voltasse para o céu, para que nós recebêssemos o Espírito Consolador(S. João 16:7). “Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós. Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós” (S. João 14:16-18). Os sofrimentos humanos mais profundos, tais como a rejeição, a culpa, a carência, são consequência da falta de Deus, e de reconhcer Jesus como profundo conhecedor e ajudador de suas almas. Como Deus lembrou ao profeta Isaías: “Meu povo sofre por falta de entendimento”. O salmista Davi escreveu: “O SENHOR olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus.” (Salmos 14 : 2)E Salomão aconselhou: “Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento.” (Provérbios 3 : 5).Deus está nos céus e sabe de todas as coisas, mas o homem prefere confiar apenas em si próprio e no seu parco saber, daí seu sofrimento. É como o filho rebelde que vive “quebrando a cara” por não ouvir os conselhos dos pais, achando como sabe mais do que eles, como se os pais não enxergassem mais longe, e não fossem mais sábios pela sua experiência de vida. Ora, Deus fundou o mundo. E por toda a eternidade nada se furtou aos seus olhos, nem mesmo os profundos abismos da alma humana. Se os homens O reconhecessem como seu Criador, e atentassem aos Seus conselhos, sofreriam menos.

  5. Prof. Ozaí, há tempos acompanho o seu blog e inclusive tenho um link seu na minha página sem a sua autorização(sacanagem!), Mas só hoje me senti à vontade para comentar seu texto.Eu acho que o mundo acadêmico, esse universo particular criado por uma parte dos homens, é muito babaca ao ignorar a palavra amor e seus signifacados e consequências.Você falou da rejeição, que, trocando em miúdos, é não ser amado. Pois bem, e quantas vezes nós ouvimos falar de amor ou rejeição em ciências sociais ou jurídicas (como é o meu caso, acadêmico de direito)? Nunca, o máximo que consegui encontrar foi numa leitura extracurricular de Direito e Psicanálise, dum autor muito bacana chamado Cyro Marcos da Silva que faz discussões jurídicas ricas com a psicanálise (Freud e Lacan, basicamente).Bom, e so mal da humanidade é a falta de amor ou o descaso com os rejeitados eu digo que o mal da academia é ignorar essa discussão tão espinhosa, como disse um amigo seu logo acima, mas tão necessária hoje. É um paradigma a ser quebrado.Forte abraço!

  6. steinbeck, como nosso guimarães rosa, sempre foi fascinado pelo assunto mais importante do mundo, para eles, o bem e o mal.e a literatura de steinbeck mostra isso extremamente bem. não estou à altura dos comentaristas do blog, não sou intelectual, como se diz…mas peço permissão para algumas considerações.carência, rejeição e culpa. a ordem foi proposital? como saber?prá mim, rejeição vem antes da carência – esta permanente se houver rejeição? -e a culpa é geralmente presente nos casos de abuso de qualquer natureza, inclusive o sexual. a vítima termina por se sentir culpada, imagina ter permitido.rejeição é omissão. seja em casos particulares, individuais, em que se recusa a ver o que Não se faz.rejeita-se e muito planeta afora. rejeita-se raça, côr, religião, partidos políticos,sistemas científicos, educacionais, pobreza, rejeita-se a verdade.intelectualmente sempre há o argumento, por exemplo, no caso das esmolas:não dou porque não vai resolver o problema, que é social-político-global e por aí.mas como não resolve? o indivíduo está alí, na rua, jogado, com fome. não quer dar dinheiro? não dê! leve comida ao cidadão, fale algumas palavras amáveis e ele vai,sim,comer. resolveu o problema da miséria? claro que ão, “apenas” matou aquela fome.não bastou? então por que não se incluir em voluntariado, em protestos junto ao governo,em votar melhor?rejeitamos. omissão.se madre thereza fosse pensar nas N causas da pobreza, ficaria apenas pedindo a deusque resolvesse o assunto. e dormiria tranquila. dormiria?rejeitamos e alimentamos a carência. se isto resultar em violência escreveremos lindosartigos a respeito, nomeando as causas, oferecendo mil enfoques sobre o assunto,listando centenas de livros como referência e pronto. fizemos nossa parte. fizemos?culpa de quem?culpa em quem ?naturalmente há culpa. até do próprio rejeitado – infeliz – que não tem força suficientepara superar tudo, achar tudo uma maravilha, ser na prática um livro ambulante de auto-ajuda, e chegar ao topo do mundo.ele pode? será aceito?não será mais rejeitado?mesmo sendo de religião rejeitada, de côr rejeitada, de origem rejeitada?será aceito SE ganhar muito dinheiro. dinheiro é aceito, sempre.SE uma daquelas pessoas, as mais solitárias do mundo, como as da etiópia, de darfur,de repente se transforma numa celebridade rica, será aceita, mas as demais continuarãono esquecimento, rejeitadas. sem ajuda, sem nada.as pessoas em geral sequer assinam petições, tão fáceis hoje porque online.quando no auge das prisões de monges e manifestantes em burma, a petição respectiva tinha pouquíssimos brasileiros. por que?o que estou escrevendo não é para criticar nada nem ninguém, é quase que apenas página de um diário pessoal, e talvez levantar algumas questões,esperando que os leitores me esclareçam, mas há um momento na vida em que precisamos escolher e seguir o coração.em geral ele nos engana menos do que toda a sabedoria adquirida.o mundo atual está de “ponta-cabeça” e é este o momento para asescolhas certas. penso até que estamos sendo testados. por quem?por nós mesmos.mlv

  7. Meu caro Ozaí, eu havia feito um comentário relativamente extenso ao seu excelente texto, mas ele “sumiu” da tela.Enfim, você escolheu um autor muito significativo para pensar, refletir a questão da rejeição, esse sentimento terrível. Kafka, como você sabe, parece ter sido o mestre ao levar para a literatura o problema que acomete o homo sapiens-demens desde a sua aurora. Mas Steinbeck é extraordinário, sim, e você soube muito bem nos tocar profundamente com o recurso da literatura desse escritor também de “As vinhas da ira”. Parece que a rejeição não pode ser compreendida a partir de um único viés. Acredito que ela tenha um componente antropológico de característica sensível, emergindo em determinadas relações. É histórica, sim, mas igualmente cultural, social e individual. Não há como não lembrar Edgar Morin para tentar compreender a nossa Humanidade. O seu texto, Ozaí, como sempre, nos ajuda a pensar e a refletir. E sobre o sentimento de rejeição – tão profundo e tão presente desde sempre – você nos lembra a literatura de Steinbeck plena de sabedoria, de profundo sentimento humano, de amor e amabilidades, face a face com o ódio, o rancor, a inveja, a culpa e a rejeição. A rejeição é a morte em vida de quem a vivencia. Não há maior temor nem maior desespero do que vivermos a iminência desse sentimento que se objetiva em relações concretas. Acredito que a nossa solidariedade, compreensão e amor podem ajudar a vencer a dor e o sofrimento de todos quantos vivem a rejeição.

  8. Vanja Garcia, Belo Horizonte – MGCaro Ozaí, muito obrigada por esse texto sensível e pungente. E os comentários, todos, foram muito pertinentes, lançando cada um mais uma luz ao assunto. Para mim, esse é um dos seus melhores textos.Um abraço pra você. Tenha um ótimo domingo!

  9. Li ontem e hoje de manha (talvez por ser domingo) o que me chama a atençao é a ocorrência dos mesmos mitos e da mesma fonte: os mitos de origem da fundaçao do mundo ocidental e monoteista, a Biblia (com suas continuaçoes, o Novo Testamento e o Corao) e o titulo do romance: Eden designa o paraiso terrestre na biblia. Duas representaçoes claramente situadas dentro de uma mesma visao de mundo, a nossa, que pensamos ser universal, mas sera mesmo? O que me deixa curiosa é a situaçao “geografica” dos personagens do livro, marginalizados, pecadores e rejeitados “a Leste”. Por que um escritor americano, do Oeste do mundo, do Ocidente por excelência escolheria tal titulo? (o original é o mesmo) E isso em plena guerra fria, quando o Leste designa geralmente o mundo comunista?Talvez os que leram o romance possam responder. Eu so vi o filme, que me deixou uma lembrança indelével, de fatalidade e angustia, trazida por maravilhosos atores.Um abraço,Regina

  10. Prezado Prof. OzaíAlguns escritos têm o poder de nos tocar profundamente é o primeiro texto seu que leio e já posso afirmar que este texto é um dos escritos que tocaram minha alma e me convidaram à reflexão, abraços, Profa. Cláudia

  11. Espinhoso esse assunto, Ozaí. Mas louvável encarar o tema. Não tem como ler o seu texto sem pensar que ele foi escrito pra gente (fui vivendo o filme da minha vida para encontrar o desencontro…). Concluí: quem se acolheu a si mesmo de maneira incondicional não haverá de se deixar balançar por nenhum tipo de rejeição.Mais uma vez, me acrescentou e valeu!Abraços…

  12. xiii… é bom nem começar….imagine o que existe em todo o mundo de abandono, de rejeição.milhões e milhões de pessoas e animais sem a menor chance deabrigo, alimento, carinho, respeito.consequências? inúmeras.entretanto, talvez tudo isso tenha outras explicações que não vemos.todos sabemos de casos diversos, de pessoas com a mais tristeorigem que, por sí mesmo, decidiram interiormente prosseguir,lutar, superar, vencer.será que existe um destino individual, como nesses casos de seres humanos que superam seus dramas pessoais,e destino coletivo, como em tantos outros casos, lembrarholocausto, rwanda, darfur, etc.?

  13. Professor Ozaí:Acredito que a rejeição é também um processo social e histórico.Ninguém é rejeitado naturalmente. Os “estereotipo”, as exclusões e os preconceitos são construídos historicamente. Talvez a alienação provocada pela concorrência conduza o homem, propício ao social, ao individualismo capaz de negar o outro. James Simões de Brito

  14. Caro amigoA verdade que no caso de Steinbeck no seu “Ao leste do Paraíso”, a rejeição nasce de uma mãe que também desdobra sua afetuosidade no exercício de sua profissão que é o de uma prostituta, ofício carregado de (des) venturas e de sentimentos onde, sobressair o melhor e o mais intenso deles exige equilíbrio e vagar na sua identificação coisa que as rameiras geralmente não lhes sobra.Steinbeck é de por si um alucinado do amor, mas de um amor formal, regrado, certinho, (um “papai e mamãe” seria sua designação nos dias que correm) que não admite dividendos.Por isso quando o protagonista encontra a mulher fornicando com um eslavo que trabalha na colheita, a arrasta e a esfolha com o “knut” que usa para “tocar” os bois e cavalos do arado manual. Não a castiga pelo ato de fornicar senão porque divide o amor que deveria pertencer-lhe só a ele.Esse temor pela rejeição é, sim, em menor ou maior grau inerente à natureza humana.Marco Ferrari

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