Quais as dez obras essenciais para a formação intelectual e humanista?

Não sou dos mais organizados em relação às leituras que faço. Sou disperso e pragmático! Em geral, leio motivado pela necessidade imediata, guiado pelos temas e autores que trabalho nas aulas. Muitas vezes, retomo leituras e procuro novos livros que contribuam para melhor entendimento e discussão do conteúdo. No início do ano letivo – ou semestre – revejo os livros que tenho, aproveito as “férias” para visitar os sebos e pesquiso na biblioteca, com o objetivo de encontrar novidades ou mesmo aquela obra que passou despercebida.

As minhas leituras não se limitam às obras teóricas, sociológicas, políticas etc. Adoro literatura e adoto nos cursos que trabalho. Isso faz com que as leituras sejam ainda mais diversificadas. Porém, ainda vinculadas às disciplinas da vida acadêmica. Vez ou outra leio algo apenas por curiosidade, para distrair-me ou simplesmente porque vi na estante da biblioteca, onde ficam expostas as “novidades”, e me chamou a atenção. Também leio por indicação de amigos e os livros que resenho para a Revista Espaço Acadêmico.

Ler é parte do meu ofício. Mas leio sem planejamento. Olho para a estante e me angustio diante dos livros que ainda não li – e nem sei se lerei. O tempo urge e me consome. É melhor, portanto, planejar. Decidi, então, fazer um plano de leituras para este ano – já que começou um novo tempo!

Mas, o que ler? Como escolher diante de tantas opções? Quais critérios utilizar para fazer uma lista de obras essenciais? Resolvi pedir a ajuda dos amigos, colegas da universidade e aqueles com os quais me correspondo por email (colaboradores da REA e da Revista Urutágua, leitores do blog, amigos virtuais etc.). Formulei uma pergunta: “Em sua opinião, quais as dez obras essenciais para a formação intelectual e humanista (independente da área de conhecimento e gênero)?”

De início, pareceu-me uma questão simples. Afinal, bastava relacionar dez livros. Logo me dei conta de que as minhas dificuldades eram compartilhadas. Como fazer uma relação tão estrita diante da vasta imensidão de obras produzidas pelo conhecimento humano em todos os tempos? Alguns se limitaram a indicar autores; outros extrapolaram o número solicitado; houve quem justificasse sua “lista”; e quem simplesmente indicou a partir de projeto de pesquisa em andamento ou recém concluído. E, lógico, houve os que não responderam.

Foram 889 livros indicados. É uma lista imensa (18 páginas). Um dado interessante: 711 (80%) obras tiveram apenas uma indicação. Pelos números, observamos que o conceito de “essencial” é muito relativo. Eis os mais indicados (considerando-se 12, devido ao empate):

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Um dos aspectos mais positivos desta experiência foi a possibilidade de conhecer mais e melhor os colegas e amigos – em especial aqueles que não se limitaram a citar as obras. Este diálogo foi muito instrutivo, instigante e prazeroso. Mais do que uma lista de obras a ler (ou reler), ficou o aprendizado.

Agradeço a todos que responderam à solicitação e ajudaram a elaborar o plano de leituras. Meu sincero muito obrigado!
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Ps.: Estou lendo “O Capital”. Sugestões e comentários são bem-vindos. Acesse o grupo Leitores de “O Capital”: http://groups.google.com/group/leitores-de-o-capital Participe!

34 comentários sobre “Quais as dez obras essenciais para a formação intelectual e humanista?

  1. Oi, aqui não aparece a lista de livros, aparece o texto todo mas na parte da lista aparece uma exclamação, gostaria de saber quais são os livros.

  2. Acho que de todas as obras existentes, a que deveria ser de leitura obrigatória, no modo de dizer, são as obras de Dostoievski.
    Toque mais profundo e humano na alma humana não há.

  3. Quem o “notório saber” que poderia ser consultado?Para quem ele é”notório saber”?Quais os critérios que definem um “notório saber”?Como reconhecer um “notório saber”?É possível existir uma”cultura desinteressada”?Qual é essa “cultura”?Por que a lista dos mais votados e relacionada aqui está contaminada?Contaminada de quê?

  4. …e, caro Raymundo, qual seria a tua lista?Teria alguns pontos a questionar sobre tópicos do teu comentário, e serviria de fundamento entender qual é a tua, ou seja, qual as obras que VOCÊ entende como essenciais para a formação intelectual e humanista.Depois disso, perguntarei qual o seu conceito de “formação intelectual”, de “humanismo”, da restrição de as Ciências Sociais e Políticas participarem da formação intelectual e humanista…bem, e “otras cositas mas” que devem ser fundamentadas.Um abraço.

  5. Não gostei da lista, porque ela revela baixa erudição, forte apelo dos “livros-manuais” influenciados pela linguagem das Ciências Sociais e Políticas. A “metodologia” tem esse furo. Suspeito que sua mostra estava contaminada. Faltou ampliar a consulta com gente comprometida com a cultura “desinteressada” ou mais “interessada” em melhorar a erudição com aqueles que privilegiam as leituras com excessos politizantes. Nesse sentido, concordo com Phillipe que disse “Foi difícil não ver Shakespeare, Rousseau, Freud, Foucault, Gabriel García Márquez”, e tantos livros e autores que contribuem para melhorar a alma humana. Concordo com Paulo Meksenas, que lamenta a falta de “O estrangeiro” e “O mito de Sísifo” de Camus. Concordo com Marta Bellini, que entende ser equivocada a escolha de “A ideologia alemã”, infelizmente tido em alguns cursos de Metep como livro-manual obrigatório. No cotidiano da universidade podemos reconhecer o quanto nossos intelectuais são canônicos, estreitos, e distantes da boa literatura universal. Essa lista serve para fazermos uma ilação: porque ficamos bem atrás dos nossos vizinhos argentinos em matéria de leitura. Por que nossos alunos não conseguem melhorar o índice de compreensão de leitura? Em vez de fazer uma pseudo pesquisa com amigos-colegas-conhecidos, cerca de 20 anos atrás eu consultei um amigo, conhecido como “notório saber”, sobre os livros que deveria ler. Acho que tal consulta não estava longe daquela brincadeira infanto-juvenil sobre “que livro levar para uma ilha deserta”, ou levar para uma temporada na prisão ou para uma cidade no fim do mundo. Minha lista contém os livros da lista do Ozai (menos “A ideologia alemã”), mas há muito mais de obras significativas da literatura nacional e mundial. Ou seja, não peca pela angústia da influência do politicismo ou do academicismo. Acho que, no assunto “formação intelectual” é preferível consultar um notório saber, alguém que encarna a cultura literária com sabedoria de vida e não apenas eruditismo vazio. Ozai, prefiro a minha lista. Lamento. Abraços. Do Raymundo de Lima.

  6. Interessante notar que na lista existam obras de literatura, nao apenas de sociologia… Na minha humilde opiniao faltou a essa lista um livro que vem fazendo me influenciando bastante que é o As consequencias da modernidade, do Antony Giddens… até…

  7. Cara Ligia e todos,obrigado por ler e comentar o blog.A relação de livros está disponível em formato DOC e RAR, no seguinte endereço: http://groups.google.com/group/blogs-do-ozai?hl=pt-BR&lnk=li . Para acessar é preciso ser membro do grupo. Também posso enviar por email. Basta solicitar a antoniozai@gmail.com O arquivo RAR é zipado. Trata-se de um programa para comprimir arquivos, disponível gratuitamente na internet. É possível fazer o download a partir de: http://baixaki.ig.com.br/download/WinRAR.htm Estou à disposição. Obrigado.Abraços e tudo de bom,

  8. ozai,tentei a url q forneceu, para a listagem, mas não abre… e não tenho a mínima idéia do q seja arquivo RAR… analfadigital q sou…ligia

  9. Ozai: palpitar e’ preciso, viver nao e’ preciso, desde que sigamos palpitando… A tua lista foi respondida por gente que gosta de livro pesado!!!!! E nao muita gente de letras, pelo jeito. Ta’ tudo muito pro lado da sociologia, estas coisas que soam bem, e soam “serias.” O Capital e’ um livro chatissimo, e pessoalmente nao conheco ninguem que consigar terminar de le-lo, mas que cita bastante, feito os padres de antigamente citando coisas em latim, dominus vobiscus, per semper etc. Mas no meu tempo de colegio, era a maior bravura ter uma copia do Capital, de preferencia em alemao, que ninguem conseguia ler. Don Quixote em numero 6???? Absurdo mesmo! E Casa Grande e Senzala la’ em cima, antes de Memorias Postumas? Cume’ que pode???? Este pessoal que respondeu sua pesquisa realmente merece os parabens por lerem coisas que 98,96% da populacao nao le, pelo menos nao nesta ordem. Outra reclamacao: ninguem deste povo le poesia nao? Teatro? Literatura de mulheres? Cade a apreciacao de Drummond, de Bandeira, e de outros genios da literatura em portugues, como Pessoa?

  10. Eu não sei que tanto marxismo o senhor Paulo R. de Almeida – um elitista convicto e assumido, ainda bem! – consegue enxergar nessa lista. Há apenas dois autores anticapitalistas, numa lista de 10. Sua prepotência é tão grande que ele pretende que não tenham respondido a Pareto – acaso ele conhece todas as obras que foram publicadas para afirmar isso? Eu mesmo poderia censurá-lo de não ter lido obras que eu conheço e vice-versa. A grande utilidade dessa lista, como alguém disse, são os livros que ficaram de fora. Comprova-se que uma formação intelectual e humanista pode ser feita de raizes as mais diversas. Agora,se o senhor de Almeida tem tanto apreço por Pareto, sua luta deveria ser não para que uma minoria se adequasse aos fundamentos politico-filosóficos da rede Globo, mas para que ela explicitasse os cãnones que a orienta, talvez, assim, a absorção de tais autores seria maior.

  11. Uma coisa que podemos depreender dessa lista é a arbitrariedade de um professor submeter alunos a provas sobre textos que ele considera de importância.

  12. Caro amigo,Esse sempre foi o meu dilema. O que ler? E para que ler?Nunca tive preocupação com um guia de leitura. Li de tudo um pouco, mas meu sonho de montar uma biblioteca trouxe-me a preocupação com os livros que seriam importantes para montá-la. Durante minha militância política li alguns livros indicados e muitas revistas. Hoje estou buscando justamente isso: a formação intelectual e humanista. Dias atrás comprei o Guia de Leitura-100 autores que você precisa ler- org. por Léa Masina, da Editora L&PM Pocket. Gostei da sua formatação. Lendo esse guia me veio uma pergunta: existe um guia de leitura para a esquerda? Confesso que nunca vi!É uma boa idéia!O tópico é interessante meu amigo. Acho que deve ser retomado ao decorrer do ano. Não vou indicar livros, apenas listar alguns que ficaram na memória: 1. Os dez dias que abalaram o mundo – John Reed;2. Tudo que é sólido desmancha no ar – a aventura da modernidade – Marshall Berman (já em 2a. ed.);3. Manifesto Comunista;4. O Tempo e o Vento – Érico Veríssimo.Por enquanto é isso.Grande abraço!

  13. Puxa, Ozaí, não acredita que a obra mais importante ficou de fora dessa lista! E a Bíblia Sagrada! Penso que é imprescindível para qualquer formação humana e intelectual, e não apenas religiosa ou espiritual!! Mas tudo bem… Me conformo com a presença de Machado de Assis e Guimarães Rosa. A Ética é uma obra muito representativa, ainda que alguns estudiosos de Weber a tenham como a menor de suas obras – eu a considero muito, embora discorde de alguns pontos essenciais. Assim como discordo de Marx, mas reconheço a importância de sua obra. Mas o mais importante dessa pesquisa, penso, não foi a relação das dez (ou doze) mais, e sim as 711 obras que só apereceram uma única vez. O que demonstra a diversidade do conhecimento e da formação de nossos intelectuais. Ou teríamos infindos intelectuais discutindo as mesmas vinte obras de toda a vida, ou a formação de intelectuais “em massa”. Ou então se começaria por criar regras para obter a credencial de intelectual. Sugiro, como já fizeram outros, que o senhor faça também uma relação por autores. Assim o triplo Marx apareceria uma vez só, e talvez aparecesse o Sr. Jesus de Nazaré ou, quem sabe, o estimado Salomão, ou o bem-aventurado Paulo de Tarso (ehehehe). É brincadeira, é claro (mas com todo o fundo de verdade). Ozaí, um grande abraço, nunca desista de bem contribuir para o mundo!

  14. Foi difícil não ver Shakespeare, Rousseau, Freud, Foucault, Gabriel García Márquez, entre outros. No entanto, não sei o quão eclética foi a comunidade entrevistada. Não gostei da lista, óbvio, não critico as obras listadas individualmente, mas enquanto parte da lista me pareceram tão clichês.Gostei bastante da idéia da lista, mas apenas como sugestão, não seria melhor listar por autor?um grande abraço Ozaí.

  15. Prezado Ozaí,Interessante a relação! Ela reflete, suponho, o universo de leitores do Blog e demais conhecidos e amigos seus. Talvez por isso tenha um viés, digamos … socialista. Chamou-me a atenção o fato de haver apenas duas obras de literatura entre as 12 mais citadas e de autores brasileiros (Machado de Assis e Guimarães Rosa. Esse último está em uma relação sugerida por 100 renomados autores contemporâneos de 50 países diferentes, como um dos 100 melhores autores da história da literatura mundial em todos os tempos).Considerei curioso, também, o fato das outras duas obras brasileiras da lista serem relacionadas à discussão da cultura brasileira, seja do ponto de vista sociológico ou antropológico. Outra coisa que despertou a atenção foi ver Marx e Weber citados e não ver Durkheim – especialmente porque suponho que em sua rede de contatos exista um bom número de sociólogos. Apenas uma das obras que mencionei na sua pesquisa foi relacionada: “A Era dos Extremos”, de Hobsbawn. Mas a inclusão foi suficiente para levâ-la a aparecer na lista. Caso contrário, teria recebido oito indicações e, assim, ficado de fora das “Top Ten”.Gostaria muito de ler em seu Blog algumas considerações sobre formação intelectual e formação humanista. Como você entende uma e outra e como elas se relacionam.A propósito dos comentários, achei bastante instigantes ler aqueles que foram postados por Marta Bellini e Paulo R. de Almeida.Por fim, gostaria de parabenizá-lo pela iniciativa e pedir para que disponibilize a relação em formato distinto do “.rar”, pois este dificulta o download da relação e o acesso ao arquivo. Que tal, colocá-la em “.doc”, simplesmente ?Saudações,Francisco Giovanni Vieira

  16. Antonio e amigos, apenas um adendo:Creio que em se tratando de formação intelectual e humanista, a obra de Marx é imprescindível, dado ser ele um pensador rigoroso e original e humanista de primeira linha.Não ouso rotular-me de “marxista” porque não tenho gabarito intelectual para isso, e nem tenho o conhecimento (que espero um dia ter) suficiente de seu pensamento e obras para atribuir-me tal rótulo..Ousadia maior, porém, vejo em alguns comentaristas, que depreciam Marx e suas obras sem conhecimento e com argumentos verdadeiramente asininos. E de forma tão segura e peremptória !!!Lembro que Antonio Cândido dizia sempre em suas aulas que o primeiro e imprescindível requisito para quem dedicar-se às lides acadêmicas é a humildade intelectual. Não sabemos tudo, e o que sabemos sempre pode ser aperfeiçoado e ampliado.Vejo estar em moda um anti-marxismo gratuito, infundado e não demonstrado teóricamente, com laivos de douta sapiência a revesti-lo. Humildade intelectual é bom para todos nós, alunos, professores ou diletantes, pois ajuda a impedir que falemos bobagens a torto e a direito.Um abraço.

  17. Rapaz,Após enviar meu comentário acima, eu percebi que você falou, falou, mas não saiu da moita: e QUAIS AS SUAS INDICAÇÕES DE LEITURA PARA NÓS ?O que você colocou no blog foi um “ranking” das mais, digamos assim, votadas. São obras eternas, cuja leitura e releitura não se esgotam nunca, e além dessas existem mais dez, e mais dez ainda, e outras dez.Mas aponte para nós, Grande Antonio, quais as leituras que te marcaram no ano que passou, aquelas obras/autores que lidos/relidos em 2007 você reputa como essenciais para a formação intelectual e humanista de todos nós.

  18. Grande Antonio,também quero dar os meus palpites, e o critério que uso é apontar aquelas cuja leitura ou releitura foi marcante no ano de 2007, pois é”infinito” o número ” de obras essenciais:FICÇÃO: “O Estrangeiro” e “A Peste”, de Albert Camus; “Por Quem os Sinos Dobram”, de Ernest Hemingway; “O Senhor Embaixador”, de Erico Veríssimo.NÃO FICÇÃO: “Imperio”, de Michael Hardt e Antonio Negri, “O Novo Imperialismo”, de David Harvey “A Virada Cultural”, de Fredric Jameson, “Depois da Teoria”, de Terry Eagleton e “O Mito de Sísifo” e “O Homem Revoltado”, de Albert Camus.Um abraço a todos.Um abraço a todos

  19. Olá!Gostaria apenas de comungar com a sugestão do colega Leandro e ao mesmo tempo reforçá-la ,pois realmente seria muito interessante que pudessemos ter disponível a lista inteira das obras concebidas como essenciais para a formação intelectual e humanista elaborada a partir do ponto de vista de vários intelectuais e estudiosos.Cada vez mais sucesso!Wal

  20. Só não entendi a inclusão de Guimarães Rosa com esse livro entre os 10 mais (ou menos), visto que, sobre temas dessa ruralidade, há escritores muito superiores e bem mais originais e criativos no mundo todo, inclusive prêmios Nobel, precisamente utilizando essa perspectiva.Mesmo no Brasil, acho Graciliano Ramos superior.Mas em fim…Aquele abraçaço!Marco

  21. Meu caro Ozai,So posso desejar boa leitura para voce. Se ouso fazer um comentario, seria este aqui. Tendo eu mesmo feito varios programas de leitura ao longo de uma vida toda ela dedicada aos livros, as leituras e redacao de textos, e tendo “perdido” parte de minha vida com a leitura intensa de textos marxistas, eu diria a voce que nao perdesse tempo com Das Kapital. Acredite, nao vai fazer nenhuma diferenca na sua vida, e a obra so é importante ex post, isto é, devido ao impacto do comunismo no seculo XX. Mas isso é “cachorro morto” e nao há nada, absolutamente nada no Capital que o faça melhor compreender as realidades contemporaneas. Se quiser, leia os dois volumes do Vilfredo Pareto sobre “Os sistemas socialistas”, que configuram uma critica arrasadora à economia politica marxista, que nunca foram respondidos pelos proprios. Ou entao leia “O Calculo Economico na Comunidade Socialista” de Ludwig Von Mises, escrito em 1919, quando Lenin recem iniciava seus experimentos comunistas em economia. Nao ha como voce deixar de aproveitar argumentos inteligentes como esses, em face da pobreza da economia marxista. Marx foi, alem de filosofo, um “poeta” da economia, delirando em varios problemas.Acredito que o Manifesto Comunista de 1848 pode ser, sim, importante, apenas como uma obra A FAVOR da globalizacao e do capitalismo, e nao o contrario, como pretendem marxistas atrasados como sao os nossos academicos…

  22. Camarada Ozai,Como um dos “pesquisados” fico, até certo ponto, aliviado por ver que nenhum dos títulos de maior IBOPE, foi sugerido por mim. Acho que os dados obtidos em tua “pesquisa” são muito importantes, inclusive, para o desenvolvimento futuro de um estudo mais aprofundado sobre as bases do “saber” de nossa pseudo-intelectualidade e mais, a respeito de quê saber vem sendo transmitido realmente nos redutos sombrios de nossa academia. Parece-me mais do que significativo que, nesta altura dos acontecimentos, ainda se precise repousar à sombra de um Platão (400aC), de um Maquiavel (1500), de um Marx (1800), de um Weber (1900) etc. E digo isto lembrando que é ao velho Platão que se deve imputar a responsabilidade tanto pela criação da academia como da república. Dois legítimos presentes de grego para o ocidente. Voltar sempre a Platão como querem os professores é voltar à velha e estéril polêmica entre Heráclito e Parmênides. Não conseguir livrar-se de Maquiavel e de seu Príncipe é estar refém de uma moral renascentista e de um republicanismo fracassado. E depois, todos sabem que essa obra – apesar de sempre estar na cabeceira de tiranos e de impostores – foi escrita pura e simplesmente para obter favores da família dos Médici. Eu, particularmente, passei a detestá-lo quando me deparei com sua tumba no interior de uma basílica. Sobre Marx, já sabemos muito bem o que pensaram dele os anarquistas, seus contemporâneos. Tudo nele estava impregnado do sentimento vitoriano, inclusive o assédio sobre sua doméstica Helen Demuth – do qual resultou um filho –. Já o alemão Max Weber, que é quase um santo para a sociologia tupiniquim, nunca teve nenhum tipo de receio ou de pudor em reconhecer que o Estado é a entidade que possui o monopólio do uso legítimo da repressão social. Sabe-se que por problemas familiares teve um surto que o levou ao internamento e ao abandono do trabalho acadêmico no período de 1898-1903. E Cervantes (1600)? Cervantes, tudo bem, já que a chatice e o blábláblá da magnum opus desse cobrador de impostos e membro da Ordem Terceira de São Francisco não afeta o mundo em nada. Gilberto Freire, idem, já que ele, apesar de nunca ter sido realmente reconhecido pela academia e de ter sido devoto sincero de Santo Antonio tem textos singelos e curiosos sobre os confins e os desvarios de uma banda de nossa pátria. Machado de Assis e Guimarães Rosa – apesar de serem leituras compulsórias – competem com o velho Cervantes em chatice e em circunlóquios. O desconhecimento dos três não trará nenhum tipo de prejuízo ao sujeito e muito menos à civilização. Enfim, é preocupante que os professores, doutores e etc, continuem perdendo tempo e iludindo seus alunos com essas bobagens. Tudo será diferente quando passarem a ensinar Borges desde o primeiro grau. Quando Lautréamont, Augusto dos Anjos e Cioran se tornem leituras obrigatórias e quando Freud, João do Rio e Vargas Vila substituam a Bíblia assim como os catecismos de todos os gêneros.Em tempo: O Sr Sergio B. de Holanda, ainda não tive ânimo para conhecer e o velho e sempre citado Hobsbawn, estou deixando para ler mais tarde, bem mais tarde…

  23. Sendo português, em Portugal, desta lista faltam-me todas as referencias brasileiras, tendo tudo o resto como atempadamente estudado (tenho para mim que estas coisas têm os seus momentos para leitura e releitura, no decurso da nossa evolução). Vou estar atento à possível lacuna atendendo ao respeito que devo a este blog. José Viana

  24. olha o ozaí no google…digiteidez obras essenciais para a formação intelectual e humanista entre N entradas, o seu blog.

  25. ozaí,respeitável lista… porém, se possível, gostaria de ter acesso à relação completa para indicar outros, sem que se torne uma duplicação.obrigada,

  26. Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 2008Olá novamente caro amigo Ozaí!Interessante seu texto, ainda mais que eu fui um dos consultados para formar a tal lista dos 10 mais que se transformou em número assombroso. Engraçado o quanto podemos falar sobre a diversidade do que as pessoas pensem ser de fundamental importância no tocante a leitura. Penso que esta diversidade é muito salutar e frutífera e é justamente esta diversidade que me faz acreditar em um futuro promissor para a humanidade.Caro amigo, em meu blog “Ser Escritor” criei um sumário dos marcadores e um em particular “A arte de escrever” reúde vários textos sobre a profissão de escritor, como escrever e publicar um livro ou fazer um trabalho acadêmico. Ficaria honrado em ter suas opiniões e comentários a estes posts.Grande abraçoProf. Dr. Silvério da Costa Oliveira.E-mail e MSN: drsilverio@sexodrogas.psc.brHome page: http://www.sexodrogas.psc.brBlog “Ser Escritor”: http://www.doutorsilverio.blogspot.com

  27. Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 2008Olá novamente caro amigo Ozaí!Interessante seu texto, ainda mais que eu fui um dos consultados para formar a tal lista dos 10 mais que se transformou em número assombroso. Engraçado o quanto podemos falar sobre a diversidade do que as pessoas pensem ser de fundamental importância no tocante a leitura. Penso que esta diversidade é muito salutar e frutífera e é justamente esta diversidade que me faz acreditar em um futuro promissor para a humanidade.Caro amigo, em meu blog “Ser Escritor” criei um sumário dos marcadores e um em particular “A arte de escrever” reúde vários textos sobre a profissão de escritor, como escrever e publicar um livro ou fazer um trabalho acadêmico. Ficaria honrado em ter suas opiniões e comentários a estes posts.Grande abraçoProf. Dr. Silvério da Costa Oliveira.E-mail e MSN: drsilverio@sexodrogas.psc.brHome page: http://www.sexodrogas.psc.brBlog “Ser Escritor”: http://www.doutorsilverio.blogspot.com

  28. Legal o que vc fez, Ozai. Desses livros considero A ideologia alemã o PIOR de MARX. Para mim, é um livro fácil, faz a cabeça de “marxistas”, tem uma versão pobre de história, da filosofia…. O pior: todos lêem este livro como o catecismo de Marx. Ufa! Abominável!

  29. Verdade, Ozaí, já dizia o velho e bom Einstein: tudo é relativo. Fiquei feliz que 2 indicações minhas foram dentro das escolhas, embora eu seja pernambucanamente nelsonrodrigueano contra as unanimidades. Fiquei satisfeito de já ter lido todos os autores & obras mencionadas. E como cada gosto é um gosto, cada pitaco é um pitaco, sugiro que, como pitaqueiro inveterado & incorrigivel, aos poucos, vá mencionando as oitocentas e tantas sugestões, muitas vezes o bom não está nas unanimidades. Vamos juntos.Abração amigowww.luizalbertomachado.com.br

  30. Rapaz,Após enviar meu comentário acima, eu percebi que você falou, falou, mas não saiu da moita: e QUAIS AS SUAS INDICAÇÕES DE LEITURA PARA NÓS ?O que você colocou no blog foi um “ranking” das mais, digamos assim, votadas. São obras eternas, cuja leitura e releitura não se esgotam nunca, e além dessas existem mais dez, e mais dez ainda, e outras dez.Mas aponte para nós, Grande Antonio, quais as leituras que te marcaram no ano que passou, aquelas obras/autores que lidos/relidos em 2007 você reputa como essenciais para a formação intelectual e humanista de todos nós.

  31. Grande Antonio,também quero dar os meus palpites, e o critério que uso é apontar aquelas cuja leitura ou releitura foi marcante no ano de 2007, pois é”infinito” o número ” de obras essenciais:FICÇÃO: “O Estrangeiro” e “A Peste”, de Albert Camus; “Por Quem os Sinos Dobram”, de Ernest Hemingway; “O Senhor Embaixador”, de Erico Veríssimo.NÃO FICÇÃO: “Imperio”, de Michael Hardt e Antonio Negri, “O Novo Imperialismo”, de David Harvey “A Virada Cultural”, de Fredric Jameson, “Depois da Teoria”, de Terry Eagleton e “O Mito de Sísifo” e “O Homem Revoltado”, de Albert Camus.Um abraço a todos.Um abraço a todos

  32. Ótimas indicações! Devo ressaltar que não tive contato com algumas delas, e de outras li apenas algumas partes. O fato é que a partir deste levantamento que você fez podemos discutir a importância da formação de um intelectual. Vejo, neste sentido, duas possibilidades: stricto senso ou lactu senso. A primeira impõe-se como uma necessidade, tanto no que diz respeito ao avanço profissional, quanto no que diz respeito a sistematização do conhecimento, pois as leituras estão conectadas. Por outro lado, acredito que a formação lactu senso abre nossos horizontes, não permitindo que nos fechemos em dogmatismo, da mesma maneira que pode ilustra nosso saber. Contudo, empolgados com o saber geral podemos nos perder e não achar “função” para este conhecimento. Daí a importância da discussão que você levanta em seu texto Ozai. Não seria interessante disponibilizar a lista inteira? De minha parte penso que sim. As vezes antes de ler um livro, olho as referências citadas pelo autor, ou depois de lê-lo, ficho as referências que me interessam. Até a próxima!Abs

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