Vossa Excelência, o(a) leitor(a)

Todos os dias, inclusive domingos e feriados, acesso a Internet para ler os e-mails. Tornou-se um hábito! São dezenas de mensagens e me esforço para respondê-las num prazo razoável. Nem sempre consigo. O tempo é escasso e há muito o que fazer. Tive que adotar uma agenda diária e me disciplinar, do contrário ficaria dia e noite diante do computador. Diariamente, dedico “x” horas a essa tarefa e priorizo os e-mails por ordem de chegada e urgência.

Como tenho várias contas, nem sempre é possível acessar todas e algumas respostas demoram mais do que gostaria. Redigi, então, mensagens que são enviadas automaticamente e indicam ao remetente que o e-mail foi recebido. Considero, porém, que é desrespeitoso se ater a essa prática, pois as pessoas não são máquinas.* Aliás, não escrevo mais para certas personalidades porque suas respostas, quando havia, eram nesse estilo. Não me relaciono com computadores, mas com seres humanos. É até interessante que tais indivíduos divulguem seus e-mails. Pra que, se não respondem aos seus leitores, ouvintes, etc.?

Antes que o leitor seja acometido pela tentação de me confundir com esse tipo, afirmo, conscientemente, que isso está muito longe da minha realidade. A imensa quantidade de e-mails que recebo se deve às tarefas e responsabilidades que assumo com as revistas das quais sou editor e coordeno, devido aos blogs e grupos que mantenho e à atividade docente. Adoto, porém, o princípio de responder a todos, nem que seja simplesmente para agradecer. Claro, me recuso a responder as mensagens impessoais – aquelas enviadas para uma lista enorme e com anexos que, não fosse o avanço da tecnologia, travaria a conexão – e quando percebo abuso. Afora esses casos, esforço-me para responder, inclusive porque também considero irritante não receber a resposta a um e-mail pessoal.

Haja tempo para ler tudo que nos enviam! Isso sem considerar as newsletters que assinamos, pois temos que nos manter bem-informados. Seria ainda mais grave se não fosse a ajuda do anti-spam. Numa das minhas contas havia mais de mil mensagens identificadas como spam, as quais serão automaticamente deletadas (quanto tempo das nossas vidas ocupamos apenas com o ato mecânico de apertar a tecla del?!).**

Por isso, somos seletivos. Definimos prioridades e adotamos estratégias para o uso racional da tecnologia. O que não nos interessa, simplesmente deletamos. Continuamos a receber, até porque algumas pessoas ficam sentidas se pedimos para que não enviem mais. Sempre temos, contudo, muito o que ler ou pelo menos visualizar antes de deletar (com o risco de apagar o que não deveria). E não se trata apenas dos e-mails. Estes nos levam a outras leituras (blogs, sites, textos anexos, slides com textos imensos e cansativos, etc.). Ainda que despertassem o nosso interesse seria impossível dar conta da tarefa (a não ser que a vida se resuma a isso). No final, só lemos o que consideramos o mais importante, o que priorizamos.

O leitor, portanto, é alguém muito especial. Quando lemos um texto, estamos priorizando-o em meio aos muitos que não nos conquistam, que não nos interessam. O autor deve alegrar-se e sentir-se grato aos leitores que dedicam parte importante das suas vidas para lê-lo. Considerando-se a quantidade de textos disponibilizados e a facilidade de acesso, o autor deve cultivar com muito carinho a relação com os leitores, ainda que eles sejam, como dizia alguém em tom irônico, reduzidos a menos de meia dúzia. Ele deve agradecer até mesmo ao crítico, mesmo que se considere injustiçado, pelo simples fato deste ter se ocupado com o seu texto. O autor, seja quem for, deve agradecer à sua excelência o(a) leitor(a).
__________
* Ver Homens e máquinas, de 25 de agosto de 2007.
** Ver Usos e Abusos do Correio Eletrônico, publicado na Revista Espaço Acadêmico, nº 08, janeiro de 2002.

7 comentários sobre “Vossa Excelência, o(a) leitor(a)

  1. Mário PegoCaro Osai,Cá estou em pleno sábado noturno relacionando-me com a “máquina”. Deliciei-me com sua “rosa rosa” e a caçada implacável ao pernelongo. Caramba! agora fiquei com aquela dúvida: quero ser um cristão comunista ou um comunista cristão?. Louvável seu reconhecimento ao trabalho do pessoal da Biblioteca, poucas são as pessoas que sabem o que faz a bibliotecária Adélia (negra linda e cativante)que, com habilidade e arte (uma verdadeira Pitangui)devolve a beleza aos livros marcados pelo uso de tantos futuros “homens de bem”.Valeu pelo prazer de passear pelo seu blogMário Pego

  2. Estimado Ozai:La vida es corta y el tiempo marcha a ritmo incontenible, me parece muy razonable vuestras interesantes reflexiones y pareceres sobre las prioridades que usted señala. Esta situación que usted describe también yo la sufro y comparto. Creo que con las indicaciones valiosas que apunta y practica mejorará la comunicación digital de manera mucho más flexible y valiosaCordialmenteCesar Espinoza ClaudioUniversidad Nacional Mayor de San Marcos, Lima, Perú.

  3. Suponho estar você com toda razão de às vezes até se indignar contra os tais e-mail’s. Eu, que nada sou, ficou assoberbado de tantos que deveria abrir e, conforme o assunto já deleto, uma vez que nada me acrescenta. Se for abrir todos utilizarei as 24 do dia e não acabo, tal são os abusos do comércio virtual comunicativo. Lanço no seu blog um brado de protesto contra a comunicação virtual abusiva. José Antônio de Azevedo. 25/03/2008″. Saúde e PazAzevedo.

  4. Prezado Ozaí:Compartilho o que você diz. Eu actuo da mesma maneira.Tenho um amigo que envia-me muitos e-mails cada dia, 80% quase-spam. Dificil não responder.Carlos A. Figueredo

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s