Emails and more emails!

Conhecemos a história da carta na garrafa lançada ao mar. A possibilidade de encontrá-la é ínfima. Quem sabe alguém algum dia a encontre e possa ler as palavras que contém. Talvez haja até quem acredite que um gênio mora em seu interior e que, libertado, realizará seus desejos! Em nosso tempo, tornou-se extremamente fácil lançar “garrafas” com mensagens sobre tudo e todos: são os emails transmitidos aos milhões no “oceano virtual”. São emails e mais emails.

Antes que nos afoguemos nesse mar de idéias lançadas nas águas do “mar virtual”, temos que adotar defesas. Há o anti-spam e os filtros que ajudam a organizar a vida de navegador nos mares da internet! Tenho uma pasta denominada Newsletter para a qual são direcionadas as mensagens impessoais e os serviços que assino (há algumas “garrafas” que valem a pena encontrar).

Como acesso primeiro os emails individuais, dirigidos a mim e não a dezenas e centenas que eventualmente estariam interessados no conteúdo da “garrafa”, e, por outro lado, o tempo é finito e limitado, o número de emails na newsletter acumula (passa dos 1.400). No final de semana, dei uma olhadinha. A primeira mensagem afirmava “É de arrepiar”. Mais um email de cunho religioso, este sobre o “3º milagre de Fátima”; não a conheço, não sei do milagre, mas fiquei arrepiado. Aliás, é incrível como esse “mundo virtual” é repleto de “boas almas” que querem nos salvar.

Outro email afirmava: “Abaixo-assinado eletrônico em favor da Raposa”. De imediato pensei que se tratava do mascote do Cruzeiro mineiro. Descartei a hipótese de que fosse um protesto contra a “caça à raposa”, pois que eu saiba esse costume da nobreza européia não sobreviveu nessa latitude. Clico no link e tudo fica esclarecido: trata-se de uma petição eletrônica em prol dos interesses dos índios da Raposa/Serra do Sol a ser encaminhada ao Supremo Tribunal Federal. “A coisa é séria”, pensei. E, claro, assinei. Mas fiquei a refletir se este simples ato, que exigiu alguns segundos e um clique, terá alguma influência.

O título do email seguinte é engraçadíssimo: “Por que o sapo não lava o pé”. Passo a ler e desconfio da brincadeira, já que vejo logo acima o nome de um reputado pensador – e a palavra nada tem a ver com o palavrão –reconhecidamente de direita. “Por que perder meu tempo com isso”, penso. Mas a curiosidade é maior e continuo. Vejo então que é um texto muito criativo sobre os motivos que explicam a atitude do anfíbio, utilizando-se argumentos parodiados de diversos pensadores e filósofos. Pode até ser um recurso didático para usar em sala de aula. No mínimo será divertido!

Esse, então! Trata-se de um texto sobre “Chapeuzinho vermelho e o lobo mau”, isto é, sobre fatos e versões. “Veja o que só o lobo viu”, promete a Plaboy para o próximo ensaio fotográfico. O Estado de S. Paulo afirma: “Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT”. E assim vai… O autor brinca com as diferentes formas de divulgação dos fatos pela mídia. Excelente bom-humor aliado à criatividade.

Passo à mensagem seguinte. Essa me faz lembrar os bons e velhos tempos, o filme “Os Libertários” e a peça “Eles não usam black-tie”, que tive o prazer de assistir. O email apresenta “Canzoni di lotta”, disponibilizadas nos sites ftp99.autistici.org/../mp38, Tempo Perso e Internazionalisti. Escuto Bandera Rossa, Bela ciao e a Internacional e sinto que o pulso ainda pulsa. Tem até a canzoni “Lenin e Stalin” que, motivado pela curiosidade histórica, também ouço. Não domino plenamente o italiano, mas foi o suficiente para detectar o culto à personalidade. Eis o modo de ser comunista relatado por Eric Hobsbawm em sua autobiografia.

Parei aqui! É muito email, muitas “garrafas” para abrir!
__________
Ver Tempos Interessantes: uma vida no século XX (São Paulo: Companhia das Letras, 2002), especialmente o Capítulo 9.

6 comentários sobre “Emails and more emails!

  1. Pois é, tempos modernos… Uma amiga dizia que o mundo acabaria afogado em papel. Enganava-se: acabaremos soterrados por e-mails…

  2. eu ainda posso ler, quase tudo rsrsmas tenho recusado há alguns pps, as famosas apresentações, comumente, de cunho religioso que não me aliviam como espera o remetente! rsabraço!

  3. Caro Pedro,a REA é enviada apenas aos cadastrados, como também o blog. Para facilitar o envio e diminuir sanar problemas como apontado por vc criei os grupos no google (no caso da REA, nem todos está cadastrados no google, mas a nossa política é evitar SPAM). Se vc tem recebido estas mensagens (do blog e da REA) sem estar cadastrado e não deseja receber mais, por favor, informe seu email que será excluído da lista (no caso do blog, vc pode cancelar o cadastro a partir da própria mensagem que recebe, gerada pelo sistema google).No mais, peço desculpas por qualquer transtorno causado, ainda que involuntariamente. Também peço desculpas por responder por aqui, mas não consegui localizar seu email (escrevi a um certo Pedro Gustavo, mas ele informou que não era vc).Obrigado por ler e comentar o blog.Abraços e tudo de bom,

  4. Uai, mas vc mesmo fazia isso enviando notícia de novo texto em seu blog e de nova edição da espaço acadêmico. Não entendí nada!É bom considerar que muitas empresas de net cadastram os e-mails das pessoas automaticamente. DEssa forma, ao se mandar um texto pra todos, acaba indo para quem não interessa também. Como as listas ficam enormes, há muito trabalho em selecionar as pessoas certas numa lista gigante. Mas, no seu caso, o problema maior advém do fato de vc se comunicar com muita gente. Para as pessoas normais, não há tanto problema assim. Vc deve receber muito mais mensagens.

  5. E as correntes? Que devem ser mandadas para, no mínimo 19 pessoas, com súplicas para não interrompê-las? Ninguém merece. Prefiro não irritar amigos. Ozaí, com esse estoque de e-mails não lidos, nem fico mais com remorsos por não responder alguns. Se já levava em conta o seu precioso tempo, depois dos seus artigos sobre as augruras de um editor, mais ainda. Desse jeito, você vai ter que estabelecer cotas ou contratar um auxiliar. Sem contar os blogs que, diariamente, nos acostumamos a visitar.Um abraçoIvan

  6. Ozaí, meu caro,O que você escreveria e colocaria em uma garrafa para ser jogada ao mar e, talvez no futuro, resgatada? Parece-me que a história da garrafa e dos e-mails nada mais são do que uma forma de se fazer história. A pergunta é: o que você gostaria de dizer para registro futuro? Em que medida isso poderia ser útil para a história da humanidade?AbraçosRoberto.

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s