Gripe A e mudança de hábitos

A pandemia do vírus A (H1N1) tem mudado hábitos e estimulado situações no mínimo curiosas. O meu amigo Walterego, por exemplo, costuma cumprimentar seus alunos com um aperto de mão. Ele admite, porém, que mudará de atitude e manterá a distância adequada. Alega que não se trata apenas de proteger-se, mas também aos estudantes. Argumenta que o vírus pode estar incubado sem que saibamos, isto é, sem que a gripe tenha se manifestado. Até entendo seu gesto, mas sua justificativa pareceu-me exagero. De qualquer forma, as circunstâncias exigem cuidados extras e parece que é razoável evitar o tradicional aperto de mão e, mais ainda, a troca de beijos nas faces.

Por falar em beijos, como evitá-los quando a fé é mais forte que razão. Imagine os fiéis em fila para beijar a imagem da Santa. O que fazer? Proibir? A autoridade eclesial encontrou uma solução simples: alguém foi responsabilizado a, com um pano embebido em álcool, limpar a Santa a cada beijo dado. Por que os fiéis não se abstêm do beijo? Será que a Santa ficará triste? Brava?! Não seria mais sensato evitar o gesto. Penso que a Santa compreenderia.

O medo do contágio pelo vírus Influenza A (H1N1) influência até mesmo o espaço e os ritos sacros. Bispos católicos reconhecem que é preciso adotar medidas preventivas e recomendam aos párocos e seu rebanho que, durante as missas, evitem os abraços da saudação da paz e também o dar-se as mãos para a oração do Pai Nosso. Por outro lado, como alguns fiéis gostam de receber a hóstia diretamente em suas bocas, os que servem o “Corpo do Cristo” foram aconselhados a agirem de outra maneira. A hóstia deve ser entregue nas mãos dos católicos. As orientações dividem as opiniões: uns consideram necessário, outros acham que é exagero. Não obstante, todas as denominações religiosas se vêem diante de uma situação que não podem desconsiderar. O simples fato dos cultos propiciarem a aglomeração de pessoas exige precauções contra o vírus.

Não é muito diferente nos espaços profanos. Até mesmo em nossas residências nos pegamos em vacilações quando cumprimentamos as visitas. Evitar o aperto de mão, o beijo na face, pode se tornar constrangedor; praticá-los, também. É um dilema! Se o bom senso pressupõe proteger-se e ao outro, nem todos encaram dessa forma e podem ficar melindrados. Outro dia escutei alguém reclamar do médico que o atendeu mantendo certa distância. A pessoa se sentiu discriminada. Pode ser que o respeitável doutor tenha exagerado, mas, por outro lado, nem sempre temos a consciência de que é necessário proteger o outro. Aliás, isso deveria ser uma atitude permanente e não apenas devido ao medo da nova gripe. Imagine alguém com uma gripe comum que age como se estivesse bem. Se evitarmos abraçá-lo e/ou beijar sua face, ficará magoado.

A distância entre o razoável e o alarmismo é tênue. Em situações como estas, o medo induz a exageros irracionais. A paranóia generalizada é a anteporta para o pânico. As precauções necessárias podem dar lugar a atitudes descaradamente discriminatórias e comprometer as relações e o convívio social. Então, estaremos diante do risco de combater o doente e não a doença. Atitudes paranóicas não contribuem. É preciso cuidar-se, mas não precisamos ressuscitar o deus .

É necessário, sobretudo, responsabilidade do poder público e da sociedade. Mas também é mister a informação e conscientização dos indivíduos. Se estou gripado, ainda que pareça uma gripe comum, os cuidados para proteger os demais deve partir de mim e, claro, devo procurar o médico. Sob tais condições é aconselhável não ir à missa, nem beijar a imagem da Santa. O crente pode até querer ir para o paraíso, mas não tem o direito de levar o outro…

6 comentários sobre “Gripe A e mudança de hábitos

  1. Estranho como as restrições todas se fixam nas missas católicas.Se há riscos nos aglomeramentos, então devem ser suprimidas as reuniões em bares, restaurantes, coletivos, escolas de todos os níveis, empresas e repartições públicas. Se real a situação que pintam haveria que ser decretado uma quarentena total, o que é absurdo. Essa gripe nada tem de letal, é uma outra qualquer. As mortes são decorrentes de outros fatores que o enfraquecimento da virose ocasiona. Um dos maiores fatores de óbitos é a pneumonia. Até hoje as mortes por pneumonia em sua maior parte é decorrente de gripe que mal tratada gera a pneumonia e estatística nenhuma dá como causa do óbito a gripe precedente. O que não ocorre com a atual gripe. Há evidente terrorismo com intenções que é bom averiguar. Talvez vendo a história dos envolvidos, laboratórios, governos etc… se chegue a algum resultado. A letalidade da gripe suina é nada, tal como qualquer gripe que sempre judiam das pessoas, mas a morte se dá por outros fatores não ligados à doença. Pensem bemCeduardoComo posso ficar sabendo se minha manifestação foi aceita e se cheogou?Aguardo uma respostaceduardo

  2. EstranhoPretendem as autoridades impor restrições ao culto católico, a missa, sob alegação de pandemia generalizada. Mas não proibe a aglomeração em ambientes fechados, como coletivos, cultos evangélicos, shows, bares e restaurantes (será que precisaria desinfetar as mãos para dar a gorgeta ao garçon?. Escolas, empresas com muitos empregados. A ser coerente deveria haver um toque de recolher total. O que é absurdo. A hipótese plausível é que o grau de letalidade desse resfriado como qualquer outro é nenhum, exceto aqueles casos em que o enfraquecimento das defesas abre caminho para outra doença que mata, por exemplo, a pneumonia. A todos os que até hoje morreram de pneumonia nenhuma estatística diz que a morte foi decorrente do precedente resfriado. Nessa gripe isso é registrado. Existe, portanto, nesse anticlericalismo oficial algo podre que se quer esconder sob terror. O que será? Será que o nome dos laboratórios envolvidos não sugeririam algo? PensemCeduardo

  3. Prof. Ozai,Já te enviei um email antes para falar sobre a Olimpiada Nacional em História do Brasil e estou retomando assunto. Aqui está o site com as informações sobre as Olimpiadas:www.mc.unicamp.brSe puder repassar essa informação a frente, ficaria gratissimo.Obrigado,Thiago

  4. Eu achei o texto muito interessante, realmente temos q nos previnir, e quem tiver com alguma suspeita de gripe tem que ficar um pouco em casa até se recuperar pra não passar para os colegas de trabalho e outras péssoas. Mas eu acho q cancelar aulas, missas, e outros tipos de aglomerações que tomaram alguns cuidados como maior ventilação, locais para higienizar as maõs e passaram as informação devidas as pessoas q freguentam não precisaria fechar.

  5. Realmente, o contato com as pessoas está arriscado a esfriar ou, até mesmo, deixar de existir! Apocalíptico, lembra filmes de ficção científica!Eu me lembro d'O Demolidor que retrata uma época na qual a troca de fluidos é inexistente, é ruim, não se deve fazer.Angustiante!

  6. Ozai:de fato, voce aponta pra algo muito interessante: quem se sinta resfriado, deve manter-se longe dos demais. Mas na verdade o virus pode estar com a pessoa antes mesmo dela apresentar qualquer sintoma. Embora a gente corra o risto de parecer exagerado, devemos proteger as pessoas e a nos mesmos mantendo distancia, lavando as maos o tempo todo, pelo menos ate' que se descubra uma vacina e remedios para esta gripe. Ou entao vamos superlotar o ceu, e o inferno (sem mencionar o purgatorio) de um dia ao outro!

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