Revista Urutágua: uma experiência de aprendizado democrático e intelectual

Abertura do evento Educação & Sociedade: reflexões e debates para a contemporaneidade, por Jonas Jorge da Silva – Da esquerda para a direita: Raymundo de Lima, Antonio Ozaí da Silva, Jonas Jorge da Silva e Luiz Antonio Afonso Giani (29.10.2009, UEM – Foto: Tiago Valenciano).

Nesta semana, realizou-se o evento Educação & Sociedade: reflexões e debates para a contemporaneidade, organizado pela Revista Urutágua e Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá (PR). A mesa, coordenada por Jonas Jorge da Silva, foi composta pelos professores Luiz Antonio Afonso Giani (DCS/UEM), Raymundo de Lima (DFE/UEM) e Antonio Ozaí da Silva (DCS/UEM), que falaram respectivamente, sobre os temas: Educação e Arte, A ignorância na sociedade do conhecimento e Educação Libertária. O evento foi organizado pelos acadêmicos e mestrandos, aos quais, enquanto editor da revista, registro meu sincero agradecimento pelos esforços e dedicação para a sua realização.

Desde as origens, o primeiro número é de maio de 2001, a participação discente na Revista Urutágua é uma prioridade. Não foi por acaso, portanto, que o primeiro evento organizado tenha a participação predominante dos discentes, os quais tiveram voz ativa desde a idéia inicial proposta pelo Jonas. Mais do que restringir-se à formalidade dos procedimentos próprios aos periódicos do campo acadêmico, geralmente restritos e sob controle dos docentes, a Urutágua sempre incentivou a presença dos graduandos. Seu objetivo, desde o início, é incentivar a leitura, pesquisa e a elaboração intelectual dos discentes, abrindo espaço prioritário para a publicação pelos graduandos. E isto, sem paternalismo ou proteção.

Na práxis do Conselho Editorial não há distinções determinadas por titulações. Todos têm os mesmos direitos e deveres. Sua composição é determinada pelo compromisso com a revista. Os textos submetidos à apreciação são distribuídos entre os membros do Conselho Editorial, os quais lêem e emitem avaliações. Em reuniões realizadas quadrimestralmente discutem-se os pareceres e, democraticamente, decidimos. Os textos aprovados nesta fase são, então, encaminhados aos avaliadores externos.

Esta prática tem se revelado não apenas um espaço no qual se exerce a democracia, mas também um fórum de aprendizado mútuo. Um fator que contribui para isto é o caráter multidisciplinar e pluralista da revista. Não há veto ideológico à participação no conselho, garantindo-se a diversidade necessária para o debate democrático. Por outro lado, a leitura, avaliação e discussão sobre os textos submetidos à publicação, num ambiente de respeito mútuo, contribui para a formação intelectual de todos. Dessa forma, a atividade de membro do conselho editorial acaba por se tornar parte de um processo educativo, tanto no que diz respeito às relações de poder no campo acadêmico quanto em relação ao saber.

Nestes mais de oito anos, a experiência da Revista Urutágua comprova a possibilidade de uma prática democrática que envolva docentes e discentes. Por outro lado, ela mostra que não há uma relação automática entre saber e titulação, entre escrever bem e ser titulado. Ainda que os saberes pressuponham a especialização, isto é, que sejam próprios de especialistas, nada impede que qualquer membro do conselho editorial possa ler e avaliar, até porque se trata de uma primeira avaliação. Ao fazer isto, aprende-se. Como a avaliação é cega, isto é, nem os avaliadores internos ou externos conhecem a autoria e titulação, o processo demonstra que escrever bem não depende necessariamente de títulos acadêmicos.

Em suma, a Revista Urutágua é uma experiência que mostra a potencialidade intelectual dos acadêmicos e que é possível o exercício da democracia entre professores e alunos, desde que todos desçam do Olimpo e assumam a ignorância relativa inerente ao conhecimento humano.

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Agradeço também a todos que fizeram e fazem parte do conselho editorial da revista e a todos os colegas que aceitara contribuir enquanto membros do conselho de consultores, o que tornou possível a realização deste projeto; agradeço também à chefia e vice-chefia do Departamento de Ciências Sociais (UEM), Walter Praxedes e Geovanio Rossato, pelo apoio à realização do evento.
Os artigos submetidos pelos acadêmicos passam pelo mesmo processo avaliativo de outro autor que, por exemplo, tenha doutorado. Ambos são avaliados pelo conselho editorial e, se aceitos nesta instância, encaminhados aos pareceristas da revista; apenas diferem no fato de que o trabalho do graduando, considerando-se que geralmente já tem o aval de um professor, do seu orientador, é enviado para um parecerista, ao invés de dois como é o caso dos autores que já são graduados.
Conselho Editorial da Revista Urutágua: Antonio Ozaí da Silva, professor na UEM (Editor); Vinícius Costa Souza, graduando em Ciências Sociais na UEM (Co-Editor); Cássio Augusto Guilherme, formado em Direito e graduando em História (FAFIPA); Ciro Henrique Afonso Garcez, graduando em Filosofia na UEM; Givaldo Alves Silva, professor na FAFIPA; Giuliano Gomes de Assis Pimentel, professor do Departamento de Educação Física (UEM); Jonas Jorge da Silva, mestrando em Ciências Sociais (UEM); Meire Mathias, professora (DCS/UEM); Phillipe Tadao Sakai, graduando em Direito pela UEM; Rafael Egidio Leal Silva, graduado em Direito e Ciências Sociais (UEM); Tânia Braga Guimarães, professora do Departamento de Letras (UEM); Tiago Valenciano, mestrando em Ciências Sociais (UEM); Vanderlei Amboni, professor na FAFIPA eVictor Garcia Miranda, mestrando em Ciências Sociais (UEM).

2 comentários sobre “Revista Urutágua: uma experiência de aprendizado democrático e intelectual

  1. Faço minhas as palavras de Diva Ferlin, e reitero as congratulações pelo maravilhoso trabalho que a Revista tem feito.A iniciativa é, de fato, extremamente enriquecedora para a Academia!

  2. Caro Ozaí.Nem sempre me disponho a comentar os artigos que leio, mas não podia deixar de comentar este.Na verdade não é um comentário ao artigo em si, mas aproveitar o ensejo para o felicitar pela iniciativa dessa publicação e, ao mesmo tempo, lamentar que, até onde sei, ela ainda não tenha sido copiada, dando oportunidades de crescimento a outros graduandos, mestrandos e afins.ParabénsUm abraçoDiva M Ferlin Lopes

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