E se o seu filho for homossexual?

Claro, a pergunta se dirige aos pais com filhos e filhas heterossexuais, ou que não sabem sobre a homossexualidade deles(as). É, geralmente, no momento da descoberta que o preconceito mostra a sua face mais cruel. Há pais que simplesmente não aceitam, e se perguntam, como o personagem da TV, “Onde foi que errei?!”. Outros, que até se consideram “modernos” e livres de preconceitos, manifestam-se preconceituosamente e têm muita dificuldade em aceitar a verdade.

Recordo de alguém que fez um trabalho acadêmico sobre o assunto e, cortando na própria carne, assumiu o sofrimento e as incertezas que teve quando descobriu que o filho era homossexual. No início até achava que o rapaz não era “normal”, apelou para as explicações morais e religiosas, profundamente preconceituosas e obscurantistas. O amor de mãe foi mais forte e ela acabou por aceitar a realidade, mas confessou que não foi fácil. Mas do que uma atividade acadêmica, foi uma experiência impressionante. O humano em sua plenitude também respira no ambiente do campus; a universidade não é só teoria, conceitos, abstrações.

Compreendo o sofrimento dos que se deparam com situações como esta. É o que vemos no filme Milk, quando ele propõe que todos assumam a homossexualidade. Mas há também a solidariedade, a compreensão e aceitação do outro como ele/ela é. O que é difícil entender são os argumentos de cunho religioso sobre a homossexualidade e a sua caracterização como “anormal”, “doente”, “demoníaco” e que até deveria ser declarada ilegal. É irritante ouvir as palavras da personagem Anita Bryant em Milk: a voz da igualdade. Ela expressa bem o tipo de fervor religioso dos candidatos a santos, mas capazes de queimar os “pecadores” para purificar o mundo. É uma espécie de cristão paradigmático, cuja intolerância tem o aval da “ética dos escolhidos”. Este tipo é um perigo não apenas para os “eleitos” como o mal a extirpar, mas também para a sociedade democrática. O intolerante quer impor seus valores morais à minoria, à sociedade. No fundo, gostaria de instituir a teocracia.

Estes senhores e senhoras que insanamente acreditam representar Deus, não reconhecem que se Ele os criou também é Pai das criaturas que eles consideram “aberrações da natureza”. São seus irmãos em Cristo, irmãos na carne, filhos e filhas. Eles se dizem cristãos, mas são incapazes de “Amar o próximo como a si mesmos” e ensinam a intolerância me nome de Deus. Em seus próprios termos, são profundamente incoerentes.

Eles se imaginam porta-vozes Dele, e querem nos fazer crer. Questionado, o senador John Briggs responde: “Quer saber, pode discutir comigo, mas não podem discutir com Deus”. Pronto, não há argumento em contrário. Como pode alguém que expressa a santa doutrina estar errado? Este procedimento anula o diálogo e desqualifica o interlocutor – pois só um endemoninhado, ou coisa do tipo, ousaria duvidar. Transforma, portanto, um tema político numa questão moral e religiosa.

As palavras e atitudes de pessoas como Anita Bryant e o senador John Briggs, que propõe a demissão dos professores homossexuais, supostamente “pervertidos” e “pedófilos”, põem em xeque a democracia. Pode esta sobreviver se, em nome da tolerância, permite a intolerância. E se o discurso intolerante tem o apoio da maioria, é democrático negar os direitos da minoria? É a tirania da maioria. A questão, então, não se restringe ao indivíduo e sua crença religiosa. O problema é político. A resposta não poderia ser diferente: também ela é política. E se manifesta pelas palavras e ações do movimento pelos direitos dos homossexuais. Sexo, enfim, é uma questão política e Milk, o filme, é uma mensagem de esperança.

22 comentários sobre “E se o seu filho for homossexual?

  1. Eu tbm não assisti o filme, mas gostaria de contribuir com a discussão a respeito da homossexualidade. Fiz uma modesta pesquisa no Mestrado em 2002 sobre o preconceito na escola e me deparei com uma situação de discriminação em relação à homossexualidade em uma turma dos primeiros anos escolares. Confesso que foi chocante para mim enquanto pesquisador, professora, me deparar com uma discriminação precocemente escancarada na escola. Com a pesquisa, constatamos em nossas incursões, que a homossexualidade pode ser considerada de diversas formas, entre diferentes nações, pessoas e tempos. As relações homossexuais estabelecidas entre um homem livre adulto e um homem livre jovem, na Grécia e em Roma, por exemplo, configuravam a passagem do homem de sua menoridade para a maioridade, adentrando a uma vida adulta, política e social; ou seja era então que um jovem se tornava cidadão. “Esta relação pederasta é valorizada, pois constitui um processo integrador à cidade, pela aprendizagem de um papel político, ele próprio valorizado” (CATONNÉ, 2001, p. 38). O padrão de sexualidade estabelecido pela sociedade dos tempos modernos é a da heterossexualidade. O normal e o correto das relações sexuais são aquelas desenvolvidas entre seres de sexo oposto e nunca entre seres do mesmo sexo. A homossexualidade é vista como uma aberração da natureza humana, assim como tudo aquilo que é divergente, diferente dos padrões aceitos pela moral dominante e que, constantemente, está sendo objeto de rejeição. E, “na raiz dessa intolerância, dessa contradição, está o preconceito sexual que faz com que certos comportamentos sexuais divergentes sejam considerados errados, já de antemão” (GOLDBERG, 1998, p. 70). Como pesquisadora, penso que existe uma relação ainda bastante polêmica em relação ao tema, pois vivemos atualmente um momento de profundas discussões e implantações de políticas em relação à tolerância e o respeito às diversidades no âmbito da educação e no entanto, quando somos chamados a enfrentar tal situação, na pele, nos vem a tona a questão da “aceitação”. Qual a relação entre tolerância e aceitação? Desenvolver uma atitude tolerante é o mesmo que aceitar?

  2. É uma realidade complexa. Uma coisa é olhá-la de fora, outra muito diversa vivenciá-la. Se vivemos em uma sociedade predominantemente heterossexual, como compreender o diferente? Se associamos o amor e o sexo à reprodução, à possibilidade de continuidade genética, à idéia de uma família, do afeto pelo ser que é carne de nossa carne, como entender uma relação da qual esse fato esteja excluído? Tendemos a encarar com preconceito o que desconhecemos. É justamente esse o sentido da palavra: um conceito formulado previamente, sem conhecimento de causa ou fundado em um pseudoconhecimento. No caso do homossexualismo o que intriga é a falta de uma explicação que se adapte às nossas estruturas.
    Quanto a ter um filho homossexual, creio que o sentimento é contraditório: ao mesmo tempo que não se pode deixar de amar o filho (acho isso impossível para uma mãe) mistura-se a dor pela carga de preconceito que se sofre (tanto o próprio homossexual, como sua família).É mais confortável ficar na linha do que é considerado “normal”. Concordo, porém, que acima de tudo está o caráter, o agir ético, solidário. Antes um filho homossexual do que desonesto, impiedoso, cruel, sociopata. Muitos dos que condenam o homossexual ao inferno, descumprem solenemente as ordenanças do próprio evengelho que dizem professar e defender. Cristo declarou: “Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás e quem matar estará sujeito a julgamento. Eu porém vos digo que todo aquele que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento … e quem lhe chamar Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.” (Mateus 5:21-22)Todo o Sermão do Monte é um libelo ao amor e à tolerância, bem como à pureza de sentimentos e à sinceridade. Fazer uma leitura crítica da Bíblia nos ajudará a sermos seres humanos melhores.Guardemo-nos de posições extremadas e dogmáticas. “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia.”

  3. é politicamente correto que estudiosos das ciências humanas tenham a clareza de não se posicionarem preconceituosos como manifestações homossexuais diante de seus pares, mas quando o problema é pessoal…na práica, a teoria é outra, né. lamentavelmente.
    acho até justo que um pai sofra pela sexualidade de seu filho, ciente dos preconceitos exernos que ele irá sofrer, e só*. agora dificultar seu desenvolvimento como ser socio-sexual (existe o termo?) é contradição descarada. ser homossexual talvez não fosse um fardo se as pessoas politizadas se fizessem ouvidas e dessem o exemplo. manter o tema como tabu pode impedir que a vida emocional de um jovem se bem estruture, tendo em vista que se ele não desenvolver heteroafeto, para o qual foi exclusivamente educado, seu homoafeto fica sem amparo, sem referências e ele próprio pode acabar se depreciando. ou mais, suas relações podem acabar sendo apenas desenfreadamente sexuais. então isso vai mesmo deixar um filho se sentir infeliz por ser homossexual. e aí não por falta de deus, mas por inexistencia de apoio. educa-se heterossexuais, os homossexuais são até chamados maleducados. mesmo sabendo que nem só a educação implica na formação de uma sexualidade, se vc educar seu filho em valores “hermafroditas”, ele pode ser ético em qualquer relação. claro que as referências sexuais persistirão, mas serão contrapostas a valores melhores pensados no convívio.

    * netos o mundo nos dá o tempo todo, adote um.

  4. Acho que talvez eu morreria… ou melhor, acho que não. Apesar de todas as dores e dos preconceitos… eu teria de aceitar a questão, que não é uma das questões mais fáceis. Isso me faz pensar nas enchentes do sul, e o caso de uma mãe chegou a perder os quatro filhos. Cheguei a pensar… como ela vai sobreviver, como eu sobreviveria… E ela sobreviveu… Aliás… Me lembro do nascimento do meu primeiro filho, em que a primeira coisa que perguntei foi: ele é normal? No segundo não foi diferente. Depois outros medos vieram, na adolescência, a homossexualidade, e ainda tal rota parece não findar Mas… enfim, eu também também gostei da atuação do ator principal, o Sean Penn, e levou uma premiação por sua atuação nesse filme. Que aborda além do preconceito e todas as consequências de uma empreitada política, o encontro apaixonado de duas pessoas. Como a música que embala uma das últimas cenas, Tosca de Puccini, a história do pintor revolucionário Cavaradossi, que enquanto trabalha canta um hino de amor à arte, à vida e à sua amante.

  5. Caros,

    Permitam-me discordar de alguns de vcs. Alguém escreveu que a homossexualidade tem se ‘expandido’ no mundo, o q me parece um equívoco imenso, já que a maior visibilidade de um grupo não necessariamente reflete um acréscimo numérico em relação a períodos anteriores.
    Outro comentário se referiu a isso ser ‘próprio da modernidade’; caso se estivesse falando da classificação de indivíduos homoafetivamente orientados designados por homossexuais isso seria correto afirmar, visto que até então não havia termo para essa conduta ainda que negativamente vista. Mas, se estamos referindo modernidade à época atual há vários problemas conceituais: nem a homossexulaidade é fruto de nossa época, nem necessariamente foi criada nos anos de 1910 e 1920, apenas ‘mehor’ classificada.
    Quanto à opiniões de religiosos mais extremistas e pouco humanistas, pouco tenho a dizer por ignorar solenemente os argumentos fajutos e furados buscados num livro sagrado a algumas pessoas e que, no máximo, reflete ua visão de mundo circunscrita. Muitos outro grupos desconhecem a existência ou preponderância do conteúdo da Bíblia e, portanto, num Estado laico, esse conteúdo nem deveria ser levado em questão. Até porque nenhum cristão até hoje conseguiu me explicar como a humanidade surgiu de Adão e Eva, que tiveram apenas filhos homens, sem que um deles tivesse tido relações sexuais com sua própria mãe (Eva).
    Aberrações a parte, viva e deixa viver. Direitos civis não são religiosos e se alguém peca, que seu deus o julgue, não vc, puro comportamento arrogante.

  6. Respondendo à pergunta feita pelo autor no título do artigo: se um filho meu fosse homossexual, bicha, maricão ou como quer que se chame, eu sofreria um bocado, me sentiria culpado de algumas coisas sem sentido, ficaria constrangido diante do moleque, enfim, o trivial. A mãe do pilantra ficaria favorável a ele desde o início, o que me ajudaria muito em diversos aspectos. Depois nos entenderíamos, o garoto e eu, e penso que terminaríamos mais acumpliciados e mais íntimos quanto a todos os assuntos da vida. E sem pôr Deus na jogada (um dia compreenderemos por que o tal Deus continua a atormentar a humanidade), acredito que o filho homossexual terminaria de me colocar no centro de minha própria existência, ao, de certa forma, forçar coisas novas novas, sentimentos novos, um tipo de normalidade nova, tudo em nome da melhor relação entre dois homens, nesse caso o pai e o filho. Não é tão difícil, certo? Mas não vou bancar o hipócrita, sou preconceituoso sim, demoraria um tempo até que um filho homosexual e eu nos sentíssemos completamente à vontade na presença um do outro, embora eu fizesse muita questão disso.

  7. Parabenizo pela feliz escolha do tema,algo do nosso cotidiano que pode se manisfestar em qualquer um,e mesmo assim desperta muitos preconceitos.
    Agradeço pelos textos enviados.Obrigada!

  8. Bom Dia

    Após ler o texto e também os comentários, senti também no direito de colocar minha posição e idéias sobre o assunto em questão. O homossexual deve ser respeitado como ser humano, mas a sua prática deve ser questionada porque uma sociedade não se pode fundamentar´em uma união de sexos iguais. Como serão as gerações futuras? Como se estruturar uma família? Para quem acredita na Palavra de Deus pode fazer uma leitura no livro de Romanos cap 01 os versículos 24 ao 32(abaixo). Não é por acaso toda essa discussão. Ela tem respaldo bíblico e sabemos e defendemos que Deus ama a todas as pessoas independente do que ela seja, no entanto, Deus aborrece o pecado, que são as práticas que contariam sua natureza divina.

    Romanos 1,24-32
    24. Por isso, Deus os entregou aos desejos dos seus corações, à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios corpos.
    25. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém!
    26. Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza.
    27. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario.
    28. Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Deus entregou-os aos sentimentos depravados, e daí o seu procedimento indigno.
    29. São repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade.
    30. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais.
    31. São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia.
    32. Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus que considera dignos de morte aqueles que fazem tais coisas, não somente as praticam, como também aplaudem os que as cometem.

    Deus abençoe a todos!!

    • Cara Eva…
      Há alguns anos atrás, quando eu trabalhava no centro acadêmico de Biologia,na UEM, li sobre uma pesquisa realizada por um biólogo canadense, que infelizmente, não recordo o nome agora. Essa pesquisa relatava que durante 12 anos, ele havia estudado o comportamento sexual de diversos animais e constatado que existia uma “diversidade de comportamento sexual” entre eles. Ou seja, entre os animais existe comportamento homossexual sistematizado, não um fato ocasional e cirscunstancial… o que a Bíblia diz sobre isso? Afinal, na própria natureza o homossexualismo parece natural…

  9. Muito bem, por mais que pessoas tentem discriminar, ser indiferente aos homoafetivos, por que julgam as pessaos pelo crivo de uma ótica pervertida, se olharem na alma verão que todos somos iguais. Parabens palo artigo.

  10. Olá, professor!

    Bom mesmo receber seus textos. Obrigada!
    De fato, quando o filho manifesta homoafetividade, parece que a questão se torna mais complexa, porque sai do campo da racionalidade. É a forma de sentir o filho homossexual que se manifesta e não mais uma racionalização dos aspectos do tema desenvolvidos dentro de uma teoria que a gente cria na universidade.
    Ainda assim, esperamos que a teoria e aquilo pelo que lutamos no mundo das idéias seja expressão sincera daquilo que sentimos tb, e de fato queremos, por que não? Eu espero que sim!
    Em todo caso, suscitando um outro aspecto: temos pensado muito no direito sobre como lidar com questões de afetividade, como essa, em consonância com um direito que nasceu sob o paradigma da racionalidade, da regulação dos corpos, da separação de classes, da discriminação, e etc. Esse direito pode se tornar instrumento de luta e proteção efetiva da dignidade de qualquer pessoas, sem distinção? Parece-me que a luta de hj é essa. Então, veremos…, mas me parece bastante paradoxal pensar que é mais fácil conseguir respeito à identidade fora de casa, do que dentro..Quando penso nisso, acho que ainda é necessário avançar muito nessa discussão.

    abraços,

    Crishna Correa

  11. A questão da homossexualidade? o problema da homossexualidade? Questão ou problema está na cabeça de quem se sente divinamente autorizado para definir forma fixa ou fronteiras bipolares para esta matéria plástica que é o ser humano – animal político, social e cultural, não uma programação ou fórmula matemática. Quem define “normalidade” para a orientação sexual considera-se um deus a definir forma definitiva para a matéria humana. Podemos ser muitos ao longo da vida, sem fronteira predefinida. Afinal, o que deveria preocupar os pais não é a orientação sexual de seus filhos, mas o tipo de caráter ou educação que estão formando, se sabem equilibrar os princípios de liberdade e responsabilidade, se são capazes de serem solidários, se são sensíveis e mobilizados perante violências físicas imediatas e institucionais. Sexualidade não define caráter. Não há erro, questão ou problema para ser inventariado pelos pais perante a sexualidade de seus filhos.

  12. Estou cada vez mais inclinado a concordar com Dawkins: “quando uma pessoa sofre de um delírio, isso se chama insanidade; quando várias pessoas sofrem de delírio, isso se chama RELIGIÃO”. É o nosso lado bizarro, como já dizia Gramsci. Em pleno século XXI ainda encontramos alguns delirantes prontos a encampar uma cruzada em nome desse ópio chamado religião. Essa moral barata, nazista… Quantos ainda terão que queimar nas fogueiras e fornos da irracionalidade humana? Quando se dará o desencantamento completo do mundo?

  13. Caro Ozai, saudacoes de Johannesburg!
    Que bom abrir e ler seu artigo. Eu tenho 4 filhos homens entre 23 e 30 anos. Esta sempre foi uma questao para mim. Vou explicar um pouco.
    Por circunstancias historicas diversas, cresci uma doce iconoclasta. Em casa, nao eramos contra mas tambem nao promoviamos a ” tradicao”. Um pouco de Natal, um pouco de aniversario, nada de dia das maes, dia dos pais, dia do indio, este tipo de coisa. Em casa, todo dia era dia de indio, ou como pos Monteiro Lobato na voz da Emilia, todos os dias eram desaniversarios dos meninos (nada de TV em casa tambem!).
    Podes imaginar que a sexualidade e a questao da construcao do genero (palavra que fui conhecer somente mais tarde) eram presentes. Com 4 filhos, eu achava que, tirando todos os outros fatores, a estatistica ja me colocava diante da possibilidade de que um dos meus filhos “homem” se declarasse “homo”, ou seja, desejar sexualmente um igual.
    Nossa pratica desde cedo foi desconstruir estes significados todos. Azul ou rosa, mae ou pai, mulher ou homem, caminhoneiro ou manicure: somos todos uma construcao social. E o amor e’ verbo intransitivo.
    Parece que deu certo. O metodo se repetiu ao ficarmos face a face com outras questoes “morais”, como o aborto e o uso de canabis: nos desmoralizamos. Tentamos olhar as coisas pelo politico, perguntando como aquele ” significado” foi construido. E a quem serve aquela definicao.
    Sem encompridar, parabenizo sua iniciativaa de trazer para fora da discussao moral a questao politica. Quem sabe assim consigamos aceitar a equidade na diversidade.
    Beijo brasileiro-africano!

  14. caro Professor,o preconceito da homosexualidade, não é uma questão moderna, mas a sociologia das identidades sociais ja deu uma resposta a questão de estigma, principalmente Erving Goffman, explica que a sociedade constroi um mondo normal e outro anormal. O mundo anormal é considerado desviado, como o homosexualismo, porque a cha que a escolha sexual Gay e anormal. Mesmo a religião estratifica a sociedade ao dizer no mundo Adão e Eva são os nossos pais. Porque não se questiona porque essa realidade tão Dogmatica que faz viver o mundo. como uma realidade normal.
    Muito obrigado professor em trazer assuntos tão importante como esses para um debaté mas livre e academico.

    Joaquim Miranda Maloa
    Moçambique- Centro de Pesquisa e Promoção Social

  15. SHALON ADONAI! MEUS AMADOS, existe sim solução paa o problema do HOMOSSEXUALISMO, já tem algumas reelações biblica interpretadas pela inspiração do Espirito Santo e que quando sao praticadas por aqueles escolhidos do Senhor, a coisa se modifica. Eu posso lhe garantir que o tratamento ARRANCAR AS RAÍZES DAS INIQUIDADES, retira esse bloqueio da sexualidade de ambos os sexos. Agora não pode ser vendido em farmácias, não tem efeito naqueles que afirma como pagãos, ateus etc. As famílias que tem ou apresentam filhos agora já tem uma esperança e essa porta é JESUS: EU SOU O CAMINHO A VERDADE E A VIDA. Tem testemunhos de RESTAURAÇÃO. ALELUIA. MARANATHA.

    • Com todo o respeito que posso ter por um semalhante: é por causa de pessoas como você, que se acham donas da verdade e se guiam por um “decreto” modificado ao bel prazer pela mão de homens, que o mundo esta como está, sem esperanças de paz. Deus não pune seus filhos, não os trata com diferença. Jesus não é o eterno acusador, que aponta erros. Antes disso é pai misericordioso que ama seus filhos. Tuas teorias não me servem pois são escritas por seres humanos falsos, manipuladores e políticos. Deus é que fala aos corações e aconselho a todos a ouvirem essa voz sutil que brota de um pensamento orientado pela essência divina. Paz, saúde e bençãos a todos!!!

  16. Difícil, caro Professor, aceitar serenamente essa questão. Enão pretendo teorizar sobre isso. Mas é verdade que a homossexualidade tem se expandido enormemente. Como educador que sou, pervcebo isso nas salas de aulas entre meninos e meninas de tenra idade.E me pegunto: o que tem favorecido para esse fato? A tv, a lei, as paradas gays, as declarações públicas, como de Maria Bethania, “O mundo é gay”. E então? E a qustão da pedofilia sob os olhos do Direito, essa facilidade de envolvimento, essa aceitação tácita, essa defesa institucionalizada às preferências, essa atração não seria o caso também de um controle legal? Professores homossexuais, como são queridos entre os adolecentes. Como se abraçam e se beijam pelos corredores, como se propagam. Isso é próprio da modernidade? E como será o mundo daqui para a frente. Antes, escrevia para meninas debutantes, fazendo apologia à candura, meiguice, inocência e mais umas baboseiras. E hoje? FAlo o quê para atender ao pedido de uma mãe que teima em aceitar uma chapaeuzinho vermelho, quando ela própria já instrui a filha como usar preventivos.Qunatas e quantos já não “ficam” a partir do 12 anos? Estão aí as estatísticas e os apelos, não somente nas estradas, envolvendo camioneiros. Estão nas nossas escolas, nas nossas casas, nas comunidades de internet. Ser ou não ser homossexual já não é mais moda, é direito,é liberdade, que não pode sofrer nenhuma opressão. Meus três filhos, desde muito cedo foram machões demais, sem que tenha pregado ou exigido tal condição para eles. E se fossem o contrário? Bem, prefiro as três noras, aqui em casa, passando férias, e dormindo com eles aos nossos olhos. Isso é natural. E as maes e pais dessas meninas? Bem, deixe esse aspecto para lá. Assim, prezado Ozaí,cujos textos têm me propocionado agradáveis leituras, inclusive dos demais articulistas da revista,continui despertando essas reflexões, ainda que as soluções para os conflitos, se é que existem, estejam muito distantes de uma ceitável teoria. Grande abraço

  17. Eu não assisti ao filme ainda, mas o tema é polêmico. Como em tantos casos dar opinião estando de fora é uma coisa,mas vivenciar é outra, por isso é preciso nos inteirar do assunto, conhecer os fatos, não ser preconceituoso, daí sim pode-se opinar, mascarar não resolve, dar uma de bonzinho só para agradar não está nada correto, ou seja, pensar muito antes de dizer qualquer coisa. Muito bom o texto o que nos faz refletir bastante sobre o tema.

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