Qual é o sentido da vida?!

“The only absolute knowledge attainable by man is that life is meaningless” (Leon Tolstoi) [1]

“Juro-vos senhores que uma consciência muito perspicaz é uma doença, uma doença autêntica, completa. Para uso do cotidiano seria mais do que suficiente a consciência humana comum…” (Dostoievski) [2]

Às vezes fico a pensar, ainda que relutantemente, sobre a validade de algumas das minhas ações. Por que ler tanto, se a minha capacidade de assimilação e compartilhar o conhecimento é humanamente limitada? Por que ler em demasia, se o conhecimento humano é ilimitado e inalcançável para o tempo de uma vida? Para que ler a diversidade de gêneros literários e temas díspares, se o saber é cada vez mais especializado? Não é suficiente dominar o conteúdo a ser trabalhado? De que me servem tantas leituras se elas me afastam das pessoas que não comungam o mesmo hábito? De que me vale ser um bom leitor, se isto representa ser um “chato” distanciado do cotidiano das pessoas com quem convivo?

Por que ocupar o meu precioso tempo com os livros, se ainda assim interpretam o que escrevo como uma crítica e uma desvalorização da leitura e dos livros? Prá que escrever se as palavras são interpretadas de diversos modos e até em oposição ao afirmado? Se o leitor pinça uma frase e carrega na crítica sem a devida contextualização, sem levar em conta o argumento e as limitações do espaço? Por que se expor? Enfim, por que ler e escrever se tudo é efêmero e a vida é finita? No limite, de que adianta tudo isto se temos um encontro marcado com a morte?

Este pensamento foi reforçado ao assistir ao filme Hannah e suas irmãs.[3] Sim, os filmes também induzem à reflexão – e tenho assistido muitos, talvez mais do que o necessário. Pois bem, Woody Allen faz o papel de um hipocondríaco com suspeita de ter um tumor no cérebro. Os exames revelam que está tudo bem. Ele sai do consultório médico aos pulos de alegria. De repente, porém, ele pára e pensa: se não foi agora, será amanhã ou depois. Compreende, então, o quanto a vida é frágil. A morte foi apenas adiada!

O tempo todo, ele sabia, mas não havia parado para pensar. Agora, tem a certeza absoluta e nada parece fazer sentido! A efemeridade de tudo fica patente diante da morte que o espreita. Na verdade, evitamos tais pensamentos, pois é angustiante sabê-lo. Talvez Dostoievski tenha razão e a ignorância seja necessária para evitar sofrimentos. Quanto mais sabemos maior a tendência à angústia, ao sofrer.

Mickey leu Sócrates, Nietszche, Freud, etc., e nenhum tem a resposta para seu dilema. Aliás, não precisava lê-los para saber o que sabe. Nada responde a questão essencial: qual o sentido de viver? Ele vê homens e mulheres a correr. Iludem-se tentando impedir a inevitável decadência do corpo. “É tão triste ver pelo que as pessoas passam com seus exercícios físicos…”, pensa. Prá que se apenas adiam o inexorável?

Não obstante, não podemos esperar deitados pelo encontro fatal. A vida tem as suas premências, especialmente quando há os que dependem de nós. É preciso agir e a ação cotidiana dispensa conjecturas filosóficas e existenciais. A maioria das pessoas não fica a pensar sobre o sentido da vida ou da morte. E talvez a resposta esteja nelas, na forma como vivem a vida.

Certa feita, alguém perguntou quais eram os meus planos. Espontaneamente, respondi: Continuar vivo! Permanecer vivo é fazer as coisas que gosto – a docência, ler, escrever, assistir filmes, etc. E, inclusive, me questionar sobre tudo isto. Assim, tento manter o equilíbrio entre o necessário e o que excede, a crítica e a apologia. Sobretudo, a certeza da finitude que me faz reconhecer o humano demasiado humano que sou. Em suma, simplesmente viver. Eis o sentido da vida! E para você?


[1] Citado no filme “Hannah e suas irmãs”.

[2] Ver: Dostoievski, Fiodor. Memórias do subsolo e outros escritos. São Paulo, Editora Paulicéia 1992, p.68.

[3] Link para download do filme: http://vagalumerosa.wordpress.com/2008/11/30/hannah-e-suas-irmas-hannah-and-her-sisters-1986/

33 comentários sobre “Qual é o sentido da vida?!

  1. É como já dizia o grande filósofo da vida Renato Russo, no final ninguém sai vivo dessa…. mas enquanto nossa hora não chega vivamos com todo o nosso potencial procurando fazer dela o melhor que podemos! Abraços prof. Ozaí… parabéns pelo blog e pelas exposições de sempre! Flaura.

  2. De fato o conhecimento nos coloca diante de um grande dilema : saber mais para correr o risco, praticamente inevitável, de sofrer frente às limitações e impossibilidades que a existência oferece OU permanecer, ainda que deliberadamente, na ignorância e, assim, levar uma vida menos angustiante e talvez até mais “feliz”.

    Isto me faz lembrar o filme Matrix :

    … até então imerso na “ilusão” de que a vida que levava e o mundo em que vivia eram resultado de suas ações enquanto sujeito, dentre outros sujeitos, da História, o jovem Neo, uma vez raptado pelos guerreiros da resistência, recebe em suas mãos duas pílulas, cada uma com uma cor diferente : dependendo da escolha que fizer poderá ou “descobrir a verdade” e passar a enxergar o mundo como ele realmente é ou permanecer na ignorância e continuar levando a vida de ser humano comum que sempre levou.

    Eis a grande questão : que pílula escolher ?

    Abraço.

  3. Caro Ozaí, como dá pra ver pelos comentários, o tema suscita muitas reações, inclusive a minha, e é interessante como tantas perguntas não tem respostas, portanto busco viver a vida sem me preocupar com essas perguntas, leio bastante, gosto de conversar com quem gosta de ler, que deve ser outro chato como eu, mas é isso (também) que me dá sentido à vida, mesmo sabendo que meu escasso conhecimento não me permite grandes elucubraçoes para tema tão extenso; a vida.

  4. Viver a Vida é se questionar sobre a sua existência , mas não desisitir e continuar Vivendo na plenitudo dos seus desejos….

  5. Caro Ozaí, Me identifico com as suas indagações e com o seu jeito espontâneo e profundo de as tornar públicas, nos convidando a prosseguirmos no caminho da busca do encontro conosco mesmos. Obrigado.

  6. Caro Ozai!

    Fico feliz em viver num periodo da historia humana com tanto acesso a informação.
    Ao mesmo tempo fico triste em não poder compartilhar e refletir temas tão instigantes com tantas pessoas como aqueles que voce aborda. Somos diariamente arrastados, mesmo disciplinados em nossas ações, por um turbilhão de dados e informações que precisamos processar e nos posicionar.
    Permito-me dizer-lhe que deves continuar com a perspectiva inquieta de procura e divulgação da verdade e da sabedoria. Continue sendo a luz que ilumina com a tua forma de ver e interpretar o mundo. Hoje, como nunca, é indispensável.
    Admiro seu trabalho. Um grande abraço,
    Luiz Tatto

  7. Caro amigo Professor OZAÍ.
    Antes mesmo que você questionasse ” Qual o sentido da vida “, já passou pelos meus pensamentos, que um dia você iria cair na real, e iria buscar a fé em algo que pudesse livrá-lo imediatamente e inexoravelmente da grande e perturbadora questão de se saber que estamos desde ao nascer morrendo. Para aqueles como você meu amigo que é de tendência socialista, ateu, fica mesmo difícil conciliar os louros da posteridade, mesmo trabalhando duro como você tem demonstrado a todos nós seus amigos.Mesmo que você não aceite agora, aceitará no futuro próximo, uma fé inabalável em um ser superior que a tudo vê e está uniciente, unipresente. Ele tem misericórdia, e sabe que você tem bom coração, e é por esta razão pura e simples que ele preservará a tua alma para a redenção, para continuar abrilhantando com o sucesso que teve até hoje o seu trabalho, aquilo a que você se apegou para continuar vivendo, as reflexões do conhecimento do nada.
    Certa feita quando mais jovem, eu e meu mestre aristotélico, para a filosofia, disse que nós nos conhecemos muito pouco, mal sabemos como funciona nosso ser , o humano que existe em nós com todas as suas complexidades. Quanto mais questionamos e tomamos as respostas , mais, sofridamente cocluimos que não podemos aceitar que Deus não exista, porque nós somos o seu testemunho, a sua razão, a sua motivação, para com o universo e/ou universos. E foi aí que ele o meu mestre naquela oportunidade impar , me disse que a grande ciência está no nada, devemos estudá-lo com carinho, pois, o NADA , ou a ciência do NADA , é verdadeiramente tudo o que existe somados, esse nada é pois o estudo que devemos encarar , a NADOLOGIA, a ciência do NADA. Sim, porque tudo que existe pertence ao nada. Por esta razão é que você questiona sobre qual o sentido da vida, e eu respondo que depende dos teus objetivos primordiais com relação aos teus interesses imediatos e futuros, um futuro que começa hoje, agora. Finalizando caro amigo, nós NADA SABEMOS, ou seja, tudo é nos concebido em nossa existência porque morrem as nossas células todos os dias, e todos os dias nascem novas células em nosso corpo humano, isso que dizer que não estamos morrendo, e sim resnascendo todos os dias pela misericórdia do Deus que você não acredita, mas que ele existe e nos governa a todos. SHALOM.

  8. Caro Professor Ozaí!

    Não vejo nada de errado em sua resposta, sincera, verdadeira, simples e objetiva.
    As pessoas, me parece, querem sempre uma resposta formulada e complexa.
    Mas para essa pergunta não há rodeios.
    Você já é um exemplo de vida, tem a profissão que é a mais bela e importante de todas, a de professor. Que hoje em dia é uma profissão desvalorizada, principalmente em nosso país.
    Tem a iniciativa de abrir um espaço como este para interação das pessoas sobre diversos assuntos pertinentes a vida de todos.
    Independente de princípios e ideologias, é um homen de bem e trabalhador.
    Faço de suas palavras as minhas.
    Apenas acrescento que para realizar tudo isso é necessário ter fé!!
    Agora em que, cada um sabe a sua.

    Abraços e que Deus o abençoe!

  9. Antonio,

    Diante de tantos questionamentos, percepções, ajustes e amadurecimento, imagino que Sinatra cantou, muito bem, uma bela resposta para ti e para todos nós. É isso que conta, o resto é lenda.

    Segue a letra:

    My Way
    Frank Sinatra
    Composição: Claude François / Jacques Revaux / Paul Anka

    And now the end is near
    And so I face the final curtain
    My friend, I’ll say it clear
    I’ll state my case of which I’m certain

    I’ve lived a life that’s full
    I traveled each and every highway
    And more, much more than this
    I did it my way

    Regrets, I’ve had a few
    But then again, too few to mention
    I did what I had to do
    And saw it through without exemption

    I’ve planned each charted course
    Each careful step along the byway
    And more, much more than this
    I did it my way

    Yes there were times, I’m sure you knew
    When I bit off more than I could chew
    But through it all when there was doubt
    I ate it up and spit it out

    I faced it all and I stood tall
    And did it my way

    I’ve loved, I’ve laughed and cried
    I’ve had my fill, my share of losing
    And now as tears subside
    I find it all so amusing

    To think I did all that
    And may I say, not in a shy way
    Oh no, oh no, not me
    I did it my way

    For what is a man, what has he got?
    If not himself, than he has naugth
    To say the things he truly feels
    And not the words of one who kneels

    The record shows, I took the blows
    And did it my way

    Meus parabéns pelo Blog 🙂

    Gislaine Becker
    http://illustramus.blogspot.com

  10. Ozaí,

    Não há sentido em viver. Reproduzimos o que vemos e aprendemos individual e coletivamente. Em alguns momentos, raros, criamos, porém de modo circunscrito àquilo que aprendemos individual e coletivamente. O “sentido” é uma construção. A vida não é! Não há mesmo sentido em viver.

    Francisco Giovanni Vieira

  11. Prezado Ozaí

    Acompanho seu blog há pouco tempo, mas me identifico muitas vezes com seus pensamentos. Este é mais um dos casos, pois também reflito bastante sobre o sentido da vida. As vezes me pego observando os outros e chego a conclusões semelhantes: as pessoas estão simplesmente vivendo, sem maiores preocupação sobre o que isso possa significar. Estão certas? Estão erradas? Há resposta para isso? Melhor ainda: é de alguma utilidade tal resposta?
    Preferi me desviar da questão do sentido de muitos viverem despreocupadamente e resolvi observar um pouco melhor a questão de porque as pessoas que pensam no sentido da vida se preocupam com as que não pensam. Em seu texto me parece haver uma resposta interessante: O que as orienta as afasta de nós.
    Filosofar, estudar, refletir, quando a maioria das pessoas não tem saco pra isso, não nos torna melhor ou pior que elas – apenas diferentes. Esta diferença é suficiente para que as coisas que pensemos, ou sobre as quais pensemos, não possam ser compartilhadas, debatidas, questionadas, satirizadas. Produz-se um isolamento incômodo, que não se vê quando o assunto é futebol.
    Mas como agulhas no palheiro, vez por outra, esbarramos um no outro. É nesses momentos que se torna claro, para cada um de nós, o quão agradável e estimulante é ter com quem compartilhar aquilo que nos interessa. Ato simples, mas que muito tem a dizer sobre nossa busca incansável pelo sentido da vida.

  12. Prezado Ozaí!
    Penso que a poesia é a melhor resposta a sua pergunta. Ei-la nas palavras de Mia Couto:

    Identidade

    Preciso ser um outro
    para ser eu mesmo

    Sou grão de rocha
    Sou o vento que a desgasta

    Sou pólen sem insecto

    Sou areia sustentando
    o sexo das árvores

    Existo onde me desconheço
    aguardando pelo meu passado
    ansiando a esperança do futuro

    No mundo que combato morro
    no mundo por que luto nasço

    Identidade

    Preciso ser um outro
    para ser eu mesmo

    Sou grão de rocha
    Sou o vento que a desgasta

    Sou pólen sem insecto

    Sou areia sustentando
    o sexo das árvores

    Existo onde me desconheço
    aguardando pelo meu passado
    ansiando a esperança do futuro

    No mundo que combato morro
    no mundo por que luto nasço

    Mia Couto
    Um abraço.
    Maria Aparecida da Silva

    • Ao Prof. Ozaí e Leitores,
      Desculpem-me, ao colar a poesia, colei duas vezes, ficando repetida.
      Um abraço.
      Maria Aparecida

  13. Caro Ozaí,

    Sempre que assisto a uma discussão entre um que acredita que a morte é a estação final e outro que acha que não, que há vida depois do túmulo, chego à conclusão que as duas partes têm razão – uma, para acreditar, outra para não acreditar. Mesmo o surrado argumento de que não há provas, que ninguém voltou para dizer, etc., não se sustenta – “ausência de evidência não é evidência de ausência”, alguém já disse.

    Mediante isso, acho melhor seguir o conselho de Pascal (referindo-se a Deus, se não me engano): é melhor viver como se houvesse continuidade depois. Se não houver, não tem problema – uma vez morto, tudo encerrado. Mas se houver, pelo menos teriamos agido conforme!

    Imaginar que a vida tem um sentido sim, que se perde no futuro, é muito melhor do que achar que o túmulo é o destino final. É como escolher ser otimista – simplesmente porque é muito melhor do que ser pessimista.

  14. Brilhante a sua perpectiva de vida, professor!
    Ser o que somos e viver solidariamente aos outros, faz parte de um cotidiano.
    O inexorável fim de cada um de nós, a morte, a certeza e que fomos útil ao nosso semelhante nos faz melhor a cada dia. Fazendo o melhor para nós e para os outros nos dá a tranquilidade da certeza de a morte não é o fim, mas apenas um recomeço. Como não sabemos quando ela virá, vivamos o nosso momento como se fosse o último.
    Que sejamos cada vez melhor sob todos os pontos de vista.
    Fico grato por poder fazer da partilhar dos seus conhecimentos, de seus pensamentos e dos pensamentos de todos aqueles que lhe inspiram.

    Cláudio Seixas

  15. Caro Ozai,

    Fantástico seu texto, também tenho me questionado muito, afinal, já tenho meio seculo para olhar no retrovisor e pensar…..será que valeu a pena? o que já fiz, teve essencia? Pois bem, conclui que a possibilidade de colocar meu pé ao chão todos os dias pela manhã, me instiga e conforta para caminhada do fim.

    Um forte abraço,
    Adair

  16. buscar sentido onde não existe…

    cá estamos tentando encontrar um norte (ou um sul) para a nossa existência, que inexoravelmente nos encaminha para a deteriorização de todo nosso ser físico e mental.

    isso independente de qualquer ato pensado ou irrefletido do nosso agir, pois o determinismo (a vida antecede a morte) nos assegura um fim sem direito a recomeçar um eterno viver.

  17. Caro Ozaí,
    Leio assiduamente e com muito interesse quase(ah! o tempo! outro tema correlato) tudo o que vc escreve e envia.
    Pouco comento com vc e seus leitores, mais por timidez do que vontade e estímulo pelos temas pra lá de pertinentes.
    “O Sentido da vida”… chorei muito: primeiro.
    Segundo: nos últimos meses é meu café da manhã, por assim dizer.
    Terceiro: Deprimida, eu? Agora percebo que não. Estou verdadeiramente viva. Ainda tenho dúvidas e não certezas. Isso é fundamental para a sanidade mental.
    Muito obrigada e meus parabéns, sempre.

    Elenice.

  18. olá!
    Acho que essa pergunta ocorre a todos nós em muitas fases da vida e em cada uma delas ,terá uma resposta diferente.
    Vai depender sempre da situação que estamos vivendo no momento. Nos ultimos meses tb me fiz essa pergunta ; qual o sentido da minha vida …
    Acredito que a noticia de uma doença grave num familiar fez toda a diferença na resposta ,afinal a morte mostrou sua sombra e não sabemos se ou quando se fará presente .Essa expectativa nos faz refletir sobre o que importa ou que é necessario .Agora ,enquanto se faz o tratamento ,o que importa é viver o dia com o que ele nos apresenta .
    Percebi que projetamos um futuro cheio de planos mais pra nos sustentarmos do que para realiza-los e com isso encontrarmos uma razão pra seguirmos adiante nessa luta contra a morte .
    O medo paralisa mas é preciso vence -lo.
    O sentido da vida nesse momento pra mim é encontrar meios pra encorajar , confortar e tranquilizar todos os envolvidos ,inclusive a mim .
    saudações !
    P.S. Gostei do tema desse post pq ao comentar ,tive a oportunidade de organizar ideias que andavam soltas em minha mente .obrigada!

  19. Ozaí, caro,
    Suas reflexões são, sempre, muito pertinentes. Terminei de ler seu texto com uma certa angústia, procurando ao menos a resposta para uma das questões levantadas em seu início. É impossível. A angústia, quando se trata de temas como esse, é necessária. Obrigado. Bom domingo!
    Roberto.

  20. Muito obrigado por manter este blog professor 🙂

    Creio que um fator importante na questao da nossa existencia encontra-se na transcendencia do ser, na religiao. Religiao como algo que completa o ser humano quando o positivismo moderno se mostra insuficiente para responder a questoes fundamentais.
    Religiao nao significa, neste contexto, um sistema (politico) de dogmas e rituais, mas algo paradoxalmente individual e comum, local e universal. Algo perfeitamente racional, pois humano, e ao mesmo tempo transcendente.

  21. Antonio
    Cumprimentos
    Culto ou ignaro, alfabetizado ou analfabeto, pobre ou rico, todos sabem da finitude e que tem limites. A questão que fica é se o que estamos fazendo, forma de viver, pode nos satisfazer ou é satisfatória. Nos parece que entramos no território da angústia, ou seja, o que faço é suficiente nessa vida. Faço o melhor? É o melhor? As perguntas se sucedem! Lamento informar que mesmo para essas questões triviais e que não deveriam estar a nos preocupar, teimam elas a nos desafiar. Particularmente concluo que não estou fazendo nunca o suficiente (auxiliando os necessitados, realizando trabalho voluntário, dormindo mais, passeando, indo ao cinema, ao teatro, comparecendo a musicais, férias em lugares diferentes, vivendo de forma mais modesta ou austera), daí a angústia com a vida. Tenho tb certeza que mesmo que fizesse tudo o citado anteriormente a incerteza estaria presente.
    Um abraço
    Pedro

  22. Como disse a Cecília, “nossa cultura ocidental lamentavelmente nos bloqueia frente ao enfrentamento da morte.”

    E nos impede também de questionar os próprios sentidos da morte.

    A despeito dos questionamentos contrários à ideia de finitude, preferimos nos apegar, meio doentiamente, a esta “certeza”, de que somos “mortais” e fadados ao “desaparecimento”.

    É possível que pesquisas futuras confirmem que “o ser transcende a morte” e “permanece como tal”.

    Porém, diante das certezas que vimos acumulando a respeito da “inexorabilidade em face da morte” e da “finitude da vida” no seu todo, é possível que paguemos o preço, muito elevado, de uma aposta quase sem limites neste “fim irremediável”…

    Enfim, prefiro acreditar e comungar com o Monteiro Lobato, quando desejou, nos seus últimos dias entre nós, enfrentar a morte para saber se ela era mesmo ponto final ou mero ponto e vírgula.

  23. Olha so. Senti infinitamente so quando li seu artigo. De uma forma menos requintada, e isso que eu penso todos os dias. E para mim tem sido mais dificil, nao desprezando as dificuldades alheias, pois estou num lugar que nao e meu. Alem de nao ser meu, vivo na marginalidade. Alem de viver na marginalidade nao enxergo nada para que eu possa sair dela logo. Entao eu penso. Porque fiz uma graduacao? Para que eu aprendi ser uma mente questionadora? Para ser vencida pelo alvo da minha critica? Para ser vencida pelo sistema que eu aprendi como funciona? Sera que o Tim Maia tem razao e “na vida uns nascem pra sofrer, enquanto outros ri”? Pensar e nao ter respostas que ao menos nos de a impressao de solucao, talvez seja a parte mais dificil. Algumas vezes eu entendo porque amigos meus optaram por nao mais viver. Viver e dificil. Pensar e dolorido. Pensar sozinho e pior. Mas, um viva aos pensadores e questionadores que nos fazem pensar, encarar a existencia, ver que em meio ao caos ha ordem. Gde abraco Ozai.

  24. Caro Ozaí!
    Nada há de mais angustiante do que a finitude que remete á morte que remete á impotencia que remete á falta.
    Enigma, mistério… Pobres seres, bípedes mortais, desemplumados somos todos meros mortais, um grão de areia no deserto. Nossa cultura ocidental lamentavelmente nos bloqueia frente ao enfrentamento da morte. O impulso de vida é a gana de conhecer de aprender de viver de criar de expandir sem perder a expectativa da transitoriedade…
    Abraço,
    Cecilia Leonor Brescianini

  25. então caro professor. muitas perguntas já fiz,esta com mais frequencia. Em nenhuma delas tive respostas porque não há respostas ,quando perguntamos algo é porque já foi feito o que era para ser feito ,e de nada vai adiantar esta resposta. Com certeza quanto mais sabemos mais sofremos ,mas ainda prefiro isso a inércia perante a vida e, tudo que ela nos mostra. Tudo é tão simples,viver simplesmente,amar simplesmente,saber simplesmente reconheço ,é simplesmente difícil reconhecer que tudo é simples .Chega uma hora que deixamos tudo que pensamos saber e, simplesmente vivemos,mas é preciso saber tudo para vivermos tudo; até ai pensamos : tudo tem que ter um sentido. Quando estamos distantes de tudo é que vemos com clareza. Temos que afirmar primeiro a vida para morrermos. Minhas palavras parecem sem sentido,mas é isso ,simplesmente, e complicamos tanto para voltar no nada. Bom Dia Professor!! vivamos a vida simplesmente !! pode ter certeza o simplesmente melhor voce nos permite saber. Abraço! Obrgada!

  26. Caro professor Ozaí, a nós mortais, felizmente, cabe viver essa breve existência com intensidade: ler, assisstir filmes, ouvir música, brincar, trabalhar, apreciar a arte e todas as construções humanas. E, assim, caminhar rumo ao inexorável fim.
    Abraço

  27. Acho que sua resposta ficou aquém de suas possibilidades, e parece que a mediocridade toma conta de parte de sua intelectualidade. Penso que viver é um desafio inclusive de algumas prometidas superações da finitude, que algumas religiôes chamam de VIDA ETERNA. A própria ciëncia enfrenta o desafio com a gerontologia dia a dia abrindo novos espaços, nâo apenas para viver, mas para viver melhor. NADA É INEXORÃVEL, este é o maior estímulo, cada segundo tem seu desafio. CONSEGUIREMOS SER MAIS UM HERÕI QUE VAI AJUDAR A HUMANIDADE A SUPERAR-SE EM MAIS ALGUM DILEMA ASFIXIANTE, ou seremos apenas mais um a sujar a terra e atrapalhar os herõis. É PRECISO SER VERDADEIRAMENTE HUMANO PARA QUERER SUPERAR-SE EM TUDO, e apenas mais um ANIMAL DOMÉSTICO PARA ADMINISTRAR ROTINAS ERRADAS. SHALOM

  28. Que Blog legal professior Ozai! Parabens!

    Márcio – aluno seu do Direito Uem – Turma 31!
    abraços…sucessoo!!!

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s