11 de setembro de 1973 / 11 de setembro de 2001

10 de setembro de 2010,  participei de evento promovido pelo Instituto Paranaense de Estudos Geográficos, Econômicos, Sociais e Políticos (Ipegesp) sobre o 11 de setembro de 1973, data gravada tristemente na memória da histórica, quando o governo democraticamente eleito pelo povo chileno foi derrubado pelas forças armadas.  O debate, mediado pela Fernanda (Ipegesp), teve  a participação de José Henrique Rollo (DHI/UEM), Manuel José Espech de Almeyda (Manolo – Ipegesp), Pedro Jorge de Freitas (DCS/UEM) e Victor Santander.  Fiquei a refletir sobre os acontecimentos, falas e as polêmicas entre nós. Minhas palavras, no entanto, seriam apenas outras somadas às diversas interpretações sobre este evento histórico. Por outro lado, dificilmente expressariam, de forma plena, seu significado e importância. As imagens do filme dirigido por Ken Loach falam por si; as palavras do exilado chileno expressam fielmente o que não conseguiria exprimir com a intensidade de quem viveu esta experiência. Portanto, deixo aos leitores este texto-imagem, para que não esqueçamos e aprendamos as lições que a história nos oferece.

Agradeço à Patrícia, Manolo , Fernanda e demais membros do Ipegesp pelo convite! Sinceros parabéns pela iniciativa!

5 comentários sobre “11 de setembro de 1973 / 11 de setembro de 2001

  1. É verdade, as atrocidades e misérias são mais obscuras hoje.
    Li esses dias um estudo publicado, em julho de 2010, conjuntamente pela Fundação Getúlio Vargas e pelo Instituto Trata Brasil (uma entidade científica muito respeitável), sobre o saneamento básico no Brasil de hoje. O que se lê é que, no oitavo ano do governo Lula, 57% DOS BRASILEIROS NÃO TÊM ACESSO A ÁGUA TRATADA (ÁGUA ENCANADA, REDE DE ESGOTO, ESSAS COISAS)! O resultado desse troço, como problema de saúde pública, é assombroso: no ano de 2009, 462000 brasileiros de todas as idades foram internados com complicações gastrointestinais em decorrência do não saneamento básico. Destes, 2101 morreram, nos leitos hospitalares ou no chão de algum corredor imundo. Quer dizer, a não realização nacional do Brasil continua significando, agora com mais cinismo, de um modo mais cruel porque mais hipócrita, a morte de milhares e milhares de brasileiros. Esse caso do não estabelecimento sanitário do país é só um exemplo, haveria diversos outros.
    Sobre o que o Jayro disse, minha opinião é a de que esses grandes movimentos sociais que vemos hoje nas cidades e no campo, mas principalmente nas cidades, poderiam, em dado momento, criar um movimento de novo tipo, de certa forma semelhante a um partido (ou um partido de novo tipo, caso venha a se chamar “partido”), diferente da esquerda eleitoral e da esquerda vanguardista. Existe gente pensando e conversando sobre isso, e a conversa é boa.

  2. Esse é o maior exemplo de que é impossível chegar a uma sociedade socialista por meio de eleições. O Estado é por natureza antidemocrático. Infelizemente a “esquerda” insiste nesse papo de eleições. Nos países desenvolvidos, o número de abstenção é superior a 30% e ninguém mais acredita em partidos de vanguardas ou de massas. É um caminho sem volta. O reformismo social-democrata e o vanguardismo bolchevista dificilmente vingaram no futuro.

  3. Dessas imagens tiramos uma certeza, continuamos no mesmo barco as atrocidades mudou apenas de cenário, a miséria continua a mesma talvez mais obscura do que antes, o que falta são mobilizações públicas para mostrar o lado sinistro dessas políticas sujas direcionadas apenas a interesses de uma minoria que obdece a mesma cartilha de antes.

  4. Saúde, Maria, Antonio e amigos.

    Sobre as tais lições (há sempre muitas), outro filme que vale a pena ver é Chove sobre Santiago. A certa altura, o diretor quis enfatizar a tentativa de coligação, ou de preservação de uma coligação estratégica, por parte de Allende, com a direita militar encabeçada por Pinochet. Sem querer ser metido a besta ao ponto de simplificar as coisas ao nível do mais óbvio e do mais fácil, penso que Allende e a via chilena ao socialismo são um grito de alerta quanto a quem se deve considerar inimigo. Naturalmente, inimigo deve ser tratado como inimigo, ainda que sem terror midiático, sem pelotões de fuzilamento, sem polícia política, sem “gulags”, sem nada disso.
    Sobre o que a Maria escreveu. Pois é, minha amiga, eu também sou pessimista, não por azedume, mas por lucidez. Mesmo assim, devo dizer que ando novamente assanhado cá em São Paulo com os movimentos sociais que há por aqui e em todo o Brasil e em toda a América Latina. Há muito o que considerar a respeito, mas existe sim a perspectiva de que muitos e diversificados movimentos do povo pobre, ajudados por não pobres comprometidos com a transformação da sociedade, se convertam num movimento de novo tipo (algo como um partido, embora sem a sua limitação), realmente popular. Que oportuno seria vermos acontecerem, pelo prazo de alguns anos, amplas mobilizações por fora do Estado de da representação do Estado, orientadas, do ponto de vista político, à instauração de uma democracia realmente democrática, exercida pelos cidadãos livremente associados entre si. Seria uma grande resposta a dar a tudo o que conhecemos de mais escabroso, não é mesmo?
    Por outro lado, é muito fácil falar e eu sei disso.

    Abraços.

  5. HOJE JÁ NÃO ACREDITO QUE OS HOMENS E AS POTÊNCIAS TIREM LIÇÕES DE EVENTOS

    QUE SÃO SINAIS DE MUDANÇAS E NÃO PARA RETALIAR OU ESCUDAR-SE ATRÁS DE

    DE ARMAS CADA VEZ MAIS POTENTES PARA DOMINAR ,EXILAR,DESTRUIR EM NOME DO

    BEM MAIS PRECIOSO QUE SE DIZ TER:DEMOCRACIA.

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