Declaração de voto!

A primeira eleição que participei foi em 1982. Morava em São Paulo e militava no PT (Núcleo do Parque São Lucas, na zona leste). O Lula foi o candidato a governador. Imaginávamos que o futuro estava ao nosso alcance. Alimentávamos sonhos e esperanças. A eleição não era o mais importante, mas apenas uma fase na luta pela transformação do Brasil numa sociedade justa e igualitária. Não nos abalamos com a derrota eleitoral.

A vitória do PT na capital paulista, em 1988, deixou-nos inebriados. O ápice foi 1989. A realização do sonho parecia próxima! Choramos com a derrota. Viriam outras eleições, acumularam-se as vitórias. Logo, vieram as desilusões. Com o tempo, o crescimento eleitoral revelou-se um cavalo de tróia.

Em 1991, já completamente desiludido com os descaminhos do PT e sua plena integração ao jogo eleitoral – somando-se as frustrações no âmbito da administração municipal em Diadema, onde residia à época – desfiliei-me e abandonei definitivamente a militância partidária.

Mas continuei a votar no PT e em Lula. Mais lulista que ex-petista, afinal, Lula foi o meu mestre em Política, com quem aprendi nas assembléias da Vila Euclides e no Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo. De certa forma, mantive-me ligado a este passado até 2002, a última eleição em que votei no companheiro Lula. Enquanto residi em São Paulo, votei naqueles que representavam a esquerda no interior do PT – como o saudoso Florestan Fernandes e o atual candidato pelo PSOL, Ivan Valente.

Nunca votei no Plínio, embora também estivesse ligado à Igreja, enquanto militante da Pastoral Operária. A teologia da libertação foi a semente que fez brotar o compromisso com a luta social e deu sentido à rebeldia contra as injustiças e as desigualdades que sentia na carne, e não enquanto teorias e conceitos.

Cristão radical. Como outros militantes forjados pela teologia da libertação, via Plínio à direita, do ponto de vista político. Em 1988, na disputa interna do PT para escolher o candidato a prefeito, apoiei Luíza Erundina (hoje no PSB).

O tempo passa e deparo-me com o Plínio em plena militância e à esquerda do PT. E eu, sem partido e decidido a anular o voto. No entanto, à minha formação “igrejeira” soma-se a influência de Karl Marx e autores marxistas, especialmente Rosa Luxemburgo; e, por outro lado, a inspiração do pensamento libertário, a partir do convívio com Maurício Tragtenberg. Sou, portanto, a síntese dessas experiências: cristão-marxiano-libertário e palmeirense! Não abnego os meus mestres, nem os pensamentos que forjaram o que sou, mas não professo qualquer fé laica e cultivo a liberdade de pensamento. Prefiro a militância solitária à doutrina do discípulo convertido.

Mantenho vínculos racionais e emotivos com o passado. Acompanhei atentamente a campanha dos candidatos de esquerda. Assisti aos debates e me mantive informado. De certa forma, eles são a ponte entre o meu passado e o presente. Entre eles, destacou-se o Plínio. Passei a admirar a sua resistência, coerência e insistência em plantar sementes para o futuro. Talvez a formação cristã de esquerda tenha falado mais alto nesta identificação.

Assim, embora mantenha a crítica, em especial à participação no jogo eleitoral, reconheço os esforços da militância destes partidos. É em reconhecimento a este esforço militante que votarei nas legendas da esquerda. Votarei no Avanilson, 16. E, para presidente, no Plínio, 50! De certa forma, é uma homenagem. Afinal, octogenário, ele poderia muito bem ter pendurado as chuteiras. Revelou-se, porém, um exemplo para os jovens e, também, para os da minha geração sem partido, mas que mantém a utopia da sociedade para além do capitalismo.

41 comentários sobre “Declaração de voto!

  1. Fala Eduardo!!

    Entendi sim.
    concordo, sem ações não tem resultado.
    É isso que venho percebendo em nosso país, a maioria do povo está anesteziado, não se sensibiliza com nada.

    Me passe seu email depois, quero te enviar uns artigos e saber sua opinião.
    jefbeck@gmail.com

    Abraços

  2. Salve, Jeferson.

    Não sei se você entendeu muito bem o que eu quis dizer, é claro que tive e tenho princípios. E quem tem princípios genuinamente SEUS (isso é importante), poderá entrar e sair de toda ciscustância sem se sujar irrediavelmente, esse tipo de situação vai pintar na história de qualquer um que não tenha uma vida meramente teórica.
    E é importante que eu deixe claro isto aqui também: em nenhum momento eu afirmo que minhas posições políticas e filosóficas estão corretas porque estão corretas, eu posso perfeitamente estar errado. Não tenho orgulho nenhum quanto a isto, a referência que uso é a do pensamento científico.
    E essas coisas que proponho já tiveram a sua oportunidade de certa forma. A sociedade brasileira é tão atrasada, que mesmo a categoria mais prosaica da revolução burguesa, a da cidadania, não existe por aqui.
    E muito interessantes essas citações de cunho religioso. Não estou gabaritado para discutí-las a sério. Mas o que posso dizer a este respeito é a coisa mais simplezinha do mundo — duas mãos trabalhando podem mais que milhões e milhões de mãos em oração.

    Forte abraço.

  3. Meu mano, deixa eu te contar uma história rapidinho aqui, sobre isso que você chama de relativismo.

    Houve uma época em que eu fui me refugiar numa grande periferia aqui em São Paulo, a banda mais pobre do gigantesco bairro de Ermelino Matarazzo. Eu já era sem partido, fui sozinho, havia me separado de minha família e estava louco; é fácil para alguns enlouquecer. Para outros, é fácil se manter “lúcido”, principalmente para aquelas pessoas que já têm as suas cabeças formatadinhas e fechadinhas, os que já encontraram as verdades finais, os que acreditam saber o que é o mundo e como são as coisas, ao ponto de imaginar que um sinal de sua lucidez é jamais pôr em dúvida nenhum fragmento das suas próprias idéias. Dentre todos as pessoas que conheço, as mais tolas são justamente as mais convencidas de tudo o que há em suas paisagens mentais. O ponto extremo desse convencimento se chama fanatismo, político, religioso ou de outro tipo.
    Pois então, fui morar numa quebrada composta por umas quinze casinhas de dois cômodos geminadas, até muito bonitinhas, construídas na década de 60 — o processo da favelização começou em 1975. Metade dos meus vizinhos era do PCC. Não um filho, ou alguém mais desgarrado, mas famílias inteiras. Existe um forte fator hierárquico no Primeiro Comando. Você tem um setor de cabeças, chefes da organização, de dentro e de fora do sistema carcerário, além de advogados que atuam como conselheiros e empresários envolvidos na lavagem de dinheiro, é máfia de verdade. E existe a raia pequena, que nunca enriquecerá no “partido”, que nunca sairá da miséria, composta pelos que fazem o serviço sujo: executar chacinas, queimar ônibus, extorquir comerciantes, essas coisas. Essas são as pessoas com quem vivi, com que chorei, com quem sorri, com quem morri algumas vezes, de quem tive medo, e de quem tive muita pena. Meu irmão, como posso lhe dizer que são culpados de mil coisas, e são, ao mesmo tempo, de certa forma incapazes de avaliar o que se passa com suas próprias vidas? Toda uma existência de pobreza, discriminação, violência policial (quem conhece a periferia sabe do que estou falando, mas é preciso conhecer), violência do crime e dinheiro seduzindo a rapaziada termina num tipo de loucura. E vou lhe dizer mais: essas pessoas, envolvidas na brutalidade até o pescoço, têm o sangue nos olhos e têm, ao mesmo tempo, os sonhos mais singelos do mundo, são as pessoas mais ingênuas do mundo. Eles querem alguém que os ame. A maioria gostaria de viver uma vida boa, uma boa casa, uma boa rede de esgoto, um bom trabalho, uma boa escola, um bom posto de saúde, um bom casamento. Ninguém é inocente e eu serei sempre o primeiro a dizer que ninguém é inocente, mas esse pessoal simplesmente não sabe como sair da criminalidade. Eu falo apenas daquilo que vi e sei, e sei apenas porque vi com estes meus dois olhos.
    Eu tinha umas depressões horríveis nessa época, e ia me encaminhando ao fim, à autodestruição — como civilização, nós todos vamos trilhando esse caminho, certo? Comecei a beber dois litros de cachaça todos os dias, parei de trabalhar e fiquei um mês sem tomar banho, e quem veio bater à minha porta, para me trazer um prato de comida e me exortar a reagir foi um negrão da quebrada, ex-assaltante, ex-presidiário, que não conseguiu se estabelecer como trabalhador por ser ex-presidiário, fez um curso técnico na cadeia e nunca ninguém lhe deu um maldito emprego, e depois caiu no vício do crack e desapareceu. Este homem estará guardado a sete chaves em meu coração até o último dia de minha vida. E que vontade eu tive de encontrá-lo, para oferecer-lhe um prato de comida e um canto de minha casa. Mas provavelmente está morto. Ele poderia voltar a praticar assaltos, mas optou ele mesmo por uma morte lenta, dolorosa e vergonhosa fumando crack, desprezado por todos. E é bom mesmo você nos trazer a revelação de que Deus existe, meu amigo, por ele tem muito o que explicar.
    O tal relativismo a que você se referiu é perigoso pra quem é fraco de caráter. Você pode conversar com um estúpido sem se tornar estúpido, ou com um sábio sem se tornar sábio, ou com um canalha sem se tornar canalha. Mas, cuidado: você pode precisar, um dia, que um degenerado qualquer venha bater à sua porta para trazer-lhe um prato de comida. Se o degenerado em questão quiser mais é que você morra, estará em maus lençóis. Só não me diga que esse tipo de situação jamais acontecerá com você, isso seria a maior tolice do mundo. O futuro pertence a Deus, é ou não é?

    E estou de acordo com você sobre o “comunismo” do século XX, mas preciso dizer que aquilo não é comunismo. Não existe comunismo no mundo, como não existe democracia. Eu defendo a criação de um movimento político de novo tipo, em defesa de uma democracia exercida pelo povo por meio da livre associação e do consenso. Gosto de conversar e me entreter com todo tipo de gente, porque, na sociedade que eu defendo, todo tipo de gente terá o direto de falar, mas falar pra valer, utilizando os grandes meios de comunicação, e de participar nos processos decisórios, gostemos disso ou não. E, é claro, para que isso acontecesse, precisaríamos criar uma educação em favor da responsabilidade do cidadão. A adoção de medidas socialistas ou comunistas numa democracia desse tipo seria legítima, porque estaria baseada na livre decisão do povo. Numa democracia desse tipo, os que acham, como você, que o capitalismo é muito bom e deve ser aprimorado, confrontariam as suas opiniões com o restante da população do país, todos gozando de total liberdade de expressão e associação. Surgiriam as opiniões mais interessantes num processo como esse. Aposto minhas fichas em que, nesse caso, a maioria da população optaria por medidas socialistas, como a reforma agrária, a reforma urbana, a estatização da educação com autonomia pedagógica e da saúde, o controle público das finanças do país por meio de um sistema de auditorias, a nacionalização do sistema financeiro, etc. E caberia à maioria da população, nesse caso, a defesa intelectual e material de suas decisões, mesmo o enfrentamento violento seria a coisa mais legítima do mundo. Como você disse, os poderosos usurparam e usurpam o poder e nós os alimentamos. E, é claro, os verdadeiros crimonosos deste país são esses, e já tive mais de uma vez a oportunidade de me recusar a apertar-lhes a mão. Acredite, eu poderia levar uma vida de nababo sendo burocrata de um certo partido político, antigo aqui no nosso país, não faltaram convites realmente tentadores.

    No mais, Jeferson, sei que as pessoas lêem o que se publica aqui, e é gente exigente quanto ao que se lê e se diz. Devo dizer que essa história de conversarmos nós dois e gostarmos de conversar, mesmo tendo umas posições tão diferentes, é o que gostaria de ver realizado do mundo. Não é o que se vê no comum das relações, e lamento por isso.

    Abraços.

    • Fala Eduardo,

      O que posso admitir que você é um abençoado, mas porque? Você pode não concordar mais agiu com princípios.
      Conheço esse lado da “bandidagem” também, tive amigos drogados e até presos, mas qual brasileiro não conhece alguém assim? Concordo com você que a maioria talvez dessas pessoas sejam vítimas e não vilões. Condeno os cabeças que as usam.
      Mas, perceba uma coisa, em suas próprias palavras:
      “A adoção de medidas socialistas ou comunistas numa democracia desse tipo seria legítima, porque estaria baseada na livre decisão do povo. Numa democracia desse tipo, os que acham, como você, que o capitalismo é muito bom e deve ser aprimorado, confrontariam as suas opiniões com o restante da população do país, todos gozando de total liberdade de expressão e associação. Surgiriam as opiniões mais interessantes num processo como esse. Aposto minhas fichas em que, nesse caso, a maioria da população optaria por medidas socialistas, como a reforma agrária, a reforma urbana, a “estatização da educação” com autonomia pedagógica e da saúde, o “controle público das finanças do país por meio de um sistema de auditorias”, a nacionalização do sistema financeiro, etc. E caberia à maioria da população, nesse caso, a defesa intelectual e material de suas decisões, mesmo o enfrentamento violento seria a coisa mais legítima do mundo.
      Cara, esse sistema já teve chance de existir, mas a matéria prima somos nós!!
      Pode existir a auditoria da auditoria, sempre a palavra final partirá de pessoas!!!
      Santo Agostinho já dizia mais ou menos assim: “Uma idéia para ser boa realmente, precisa ser boa em suas intenções, em sua execução e em sua conclusão.
      Como saber se uma pessoa age de boa fé, sabemosquasi são os princípios dessa pessoa. Simples.
      Você por exemplo, defende a justiça, igualdade de condições e não de mérito, pois mérito cada um tem o seu, uns mais outros menos e não pode existir compensação se não vira inustiça. Líderes sem moral viram tiranos!
      Um bom exemplo são os líderes políticos de hoje em dia.
      Perceba que princípios de ordem, justiça, busca da verdade, mérito em benefício prórpio e principalmente do próximo, são princípios reforçados por Cristo!
      Seguindo esses simples ensinamentos, acabou o problema.
      Identificando que com sua idéias e atitudes demonstram o contrário, claramente se identifica os tiranos!!
      E pessoas más por princípio e escolha, devem ser separadas, estirpadas da sociedade.
      De qualquer forma isso nunca será perfeito no nosso mundo, pois somos fracos e cometemos erros constantemente, por isso os princípios Cristãos levam vantagem contra qualquer ideal humano.
      Pois ser perfeito, não significa não cometer erros e sim buscar aos princípios divinos, buscar a Deus a todo instante e depois amarmos ao nosso próximo como a nós mesmos. Não tem erro esses princípios.

      “Santo Agostinho considera a filosofia praticamente, platonicamente, como solucionadora do problema da vida, ao qual só o cristianismo pode dar uma solução integral. Todo o seu interesse central está portanto, circunscrito aos problemas de Deus e da alma, visto serem os mais importantes e os mais imediatos para a solução integral do problema da vida.”

      “Quando o coração é sensível e o espírito contundente, basta lançar um olhar sobre o mundo para ver a miséria da criatura e pressentir as vias da redenção; se são insensíveis e embotados, serão necessárias perturbações maciças para desencadear sensações fracas.
      É assim que um príncipe mimado se apercebeu pela primeira vez de um mendigo, de um doente e de um morto ― e tornou-se assim em Buda; em contrapartida, um escritor contemporâneo vive a experiência de montanhas de cadáveres e do horroroso aniquilamento de milhares de indivíduos nas conturbações do pós-guerra na Rússia ― e conclui que o mundo não está em ordem e tira daí uma série de romances muito comedidos.
      Um, vê no sofrimento a essência do ser e procura uma libertação no fundamento do mundo; o outro, vê-a como uma situação de infelicidade à qual se pode, e deve, remediar activamente. Tal alma sentir-se-á mais fortemente interpelada pela imperfeição do mundo, enquanto a outra sê-lo-á pelo esplendor da criação.
      Um, só vive o além como verdadeiro se ele se apresentar com brilho e com grande barulho, com a violência e o pavor de um poder superior sob a forma de uma pessoa soberana e de uma organização; para o outro, o rosto e os gestos de cada homem são transparentes e deixam transparecer nele a solidão de Deus.” » (Eric Voegelin)

      Abraços!!

  4. Jeferson, veja como são as coisas.

    Você é um cara de direita, eu sou de esquerda, e, desde que deixei de ser membro de um partido, perdi toda a reserva em sentar-me a beber e a conversar com quem quer que seja, neolliberal, conservador, comunista, anarquista, fascista, religioso, doutor, analfabeto, trabalhador, bandido, quem quer que seja, sendo alguém com quem eu consiga conversar, porque todas essas pessoas dirão coisas de que me valerei para pensar e viver. Eu juraria por Deus, se acreditasse em Deus, que busco, sem nunca conseguir satisfatoriamente, enxergar e compreender as pessoas do modo mais irrestrito, embora eu não tenha o mínimo respeito pelas instituições a que nos referíamos, porque estão sempre se servindo de argumentos de autoridade, e argumentos de autoridade não têm valor. E é tão difícil ser justo, que a melhor postura que desejamos ter exige de nós uma boa vontade que, antes de ser altruísta, deve estar em benefício de nós mesmos, do nosso melhor olhar em relação a nós mesmos, não sei se me faço entender. Você me fez lembrar o russo Liev Tolstói, um dos meus heróis. Eis a pergunta: Como fazer um mundo melhor? Eis a resposta: Tornando os homens moralmente melhores. Segue-se outra pergunta: E qual o caminho para isto? Nova resposta: Que cada um responda a seu modo; ninguém possui essa resposta, e, ao mesmo tempo, todos a possuem.
    Sinceramente levo em conta a hipótese de que um sistema soial e político realmente democrático seria a única realidade capaz de nos aproximar de uma situação em que os homens e mulheres valessesm mais do que as coisas, entre muitos outros motivos porque precisaria se sustentar sobre um sentido de resposabilidade entre os indivíduos, grupos de indivíduos e correntes de opinião interessados nos negócios da sociedade. Essa é a ideologia dos meus sonhos. Precisaríamos amadurecer para viver um novo regime de liberdade, não como fruto de uma revolução que triunfaria para resolver de uma vez por todas a totalidade dos problemas humanos, eu também não acredito nisso, mas como fruto de uma revolução que triunfaria para que ficássemos diante dos nossos problemas, que são todos NOSSOS, de um modo mais honesto, e mais amistoso, e mais filosófico e prático ao mesmo tempo, e principalmente menos autoritário. Uma revolução, uma revolução! E o que poderíamos ou deveríamos esperar de uma revolução? É uma boa pergunta, que poderia ser respondida dos modos mais interessantes mesmo por aqueles que não estariam dispostos a defendê-la.
    Por fim, é muito fácil falar e eu sei disso. Mas é possível fazer. Olhe só, vou me despedir de você, por agora, com estas palavras de Monteiro Lobato. Penso que você e os demais gostarão:

    “Loucura? Sonho? Tudo é loucura ou sonho no começo, nada do que a humanidade realizou teve início de outro modo. Pois já tantos sonhos se realizaram, que não temos o direito de duvidar de nenhum.”

    Saúde.

    • Fala Eduardo! Ta legal nosso papo. hehe. Já que ninguém quer escrever nada, vamos em frente.

      Primeiro, na minha opinião esse negócio de esquerda e direita só serve para camuflar coisa errada, é rotulagem midiática.
      Eu defendo a verdade acima de tudo, porque ser de direita, esquerda, centro não quer dizer ser verdadeiro. Isso aí pra min é sem valor.
      Segundo, eu sei que Deus existe, pois não há explicação melhor, por isso. Crer em Deus nada absolutamente nada tem a ver com fé. É uma questão puramente racional de lógica e mais recentemente a física quântica tem nos ajudado a evidenciar que a existência de um ser inteligente eterno é a melhor explicação para a existência de todas as coisas.
      Isso a maioria dos ditos cristãos nunca avaliaram.
      Agora, meu caro, percebo que há muito relativismo em suas atitudes e palavras.
      Relativismo é perigoso, nos tira o foco e nos faz sofrer. Pois no relativismo não há saída.
      “perdi toda a reserva em sentar-me a beber e a conversar com quem quer que seja, neolliberal, conservador, comunista, anarquista, fascista, religioso, doutor, analfabeto, trabalhador, bandido, quem quer que seja, sendo alguém com quem eu consiga conversar, porque todas essas pessoas dirão coisas de que me valerei para pensar e viver.”
      Cara, como você pode nivelar um bandido com um trabalhador???? Roubar é profissão remunerada agora? Ta certo que na cultura brasileira está enraizado levar a vantagem no que for possível, mesmo ferrando o próximo. Mas, aí é esculhambar demais né. Anarquista??? Fascista??? Pesssoas assim não merecem respeito, devem receber um tratamento psicológico para serem reintegrados a sociedade, rsrs.
      Tem uma frase que diz o seguinte: “Para sabermos admirar é necessário sabermos desprezar.” Temos que ter idéia do que não presta.
      Se não tudo é válido.
      Sei que o comunismo é uma porcaria porque sua história o condena e seus ícones sem excessão foram ditadores inescrupulosos e sociopatas.
      O upgrade que eles fizeram atualmente é que estão capitalizando o estado para controlar cada vez mais as pessoas, mas parece que ninguém vê o óbvio.
      Existem banqueiros controladores? Sim. Existem corporações controladoras? Sim.
      Então o capitalismo é ruim também? A princípio não, pois se as pessoas deixarem de consumir o capital acaba.
      O problema é que hoje as pessoas estão cegas e não percebem que os capitalistas inescrupulosos (banqueiros, megaempresários, corporações como Bigpharma, Monsanto, Ford, instituições como OMS, etc.) estão todos ligadinhos por algum interesse comun e pelo que anda acontecendo, não é para o benefício dos cidadãos!!

      O que todos deveriam procurar estudar, são os acontecimentos que mostram que cada vez somos mais controlados independente do sistema econômico.

      É incrível a influência da televisão em nossas vidas e é mais incrível ainda o valor que damos a ela. Aliás, quem elegeu a televisão para nos dizer o que é certo, errado, bonito, feio, justo, etc???
      Veja nossos jovens de hoje em dia, não são preparados para pensar, tentar solucionar uma adversidade. São preparados para executar conforme o modelo e ainda assim fazem cagadas incríveis!!!
      Odeiam ler um livro que os force a pensar, mas adoram ver big brother, show de emo rock, pagode com aquelas letras sacanas, funk, encher a cara de cerveja, chegam as 8 da manhã e acham essa vida linda e maravilhosa!!!

      Será que não estamos sendo vítimas de uma engenharia social e não percebemos??

      Rede Bobo, plim, plim!!

      Abraços!

  5. Alô, Jeferson Pereira Leal e amigos.

    Compadre, você me dá licença de dizer um negócio? Não tenho nenhuma simpatia nem pelo seu credo religioso nem pela sua preferência eleitoral, mas, na sociedade que eu defendo, seremos obrigados a aprender a conversar de modo respeitoso e racional com pessoas muito diferentes de nós, esse clima a que me refiro até hoje é meio extraterreno, não existe na sociedade em geral, nem nas religiões, nem nos movimentos ditos revolucionários. Vejo muito sectarismo político e cegueira religiosa, muito obscurantismo. Sou contrário às igrejas e aos partidos políticos por isso. Essas instituições desencorajam o exercício crítico e a abertura de pensamento, em favor dos pontos de vista privilegiados da igreja ou do partido. Os “pais dos pobres” fazem isso também, do modo mais mesquinho e irresponsável. Eles odeiam a humanidade.
    Temos, por exemplo, essa questão do saneamento básico a que você se referiu, tenho alguns números anotados aqui. Segundo um estudo recente publicado pela FGV e pelo Trata Brasil, publicado em julho de 2010, 57% dos brasileiros não têm condições sanitárias mínimas. Em 2009, 462000 brasileiros foram internados com complicações gástricas em decorrência do não saneamento básico, dos quais 2101 morreram, entre eles muitas crianças. O PT e o PSDB se alternam há 16 anos na presidência da República. Ao fim e ao cabo, a não realização nacional do Brasil continua significando a morte perfeitamente evitável de milhares de brasileiros. Um dirigente ou filiado fervoso do PT diria que saneamento básico não é alçada da presidência, ou não só da presidência. Como eu dizia, eles odeiam a humanidade.
    Vejamos agora o bico tucano ensanguentado aqui em São Paulo. Em maio de 2006, a PM paulista matou a tiros, na capital, quase 600 jovens de periferia (entregadores de pizza, office-boys, alunos do ensino médio, desempregados, esses caras) em retaliação à tremenda balbúrdia perpetrada pelo PCC. As mães desses meninos estão organizadas como Mães de Maio, elas querem a investigação desses crimes e a punição aos assassinos. O advogado, Luis Carlos Santos, vem sofrendo ameaças de morte desde o momento em que a organização das Mães de Maio entrou em atividade, com o devido silêncio da nossa imprensa tão democrática, tão comprometida com as liberdades civis. E com o devido silêncio de Aloísio Mercadante, ex-candidato de “oposição”.
    O não saneamento e o massacre em São Paulo são só dois aspectos da chacina nacional, haveria muitos outros. Esses figurões do PT e do PSDB não são apenas cínicos, ladrões, matreiros, impostores, mascarados, incompetentes, paspalhos, trapalhões e medíocres. São verdadeiros assassinos. E não há alternativas. Somente haverá uma alternativa quando formos capazes de pôr em questão o sistema eleitoral e o regime da representação parlamentar, em favor de uma democracia de verdade, em que as mães de maio e outros meses, as vítimas do não saneamento, os trabalhadores formais e informais, os estudantes, as donas de casa, os idosos e até mesmo as crianças constituam um instrumento de poder político para si, sem os pequenos Napoleões que vemos tantas vezes na esquerda e sem a patifaria empresarial que vemos na direita. Não temos isto neste momento, mas podemos vir a ter no futuro. Nestas eleições, 20 milhões de eleitores decidiram não comparecer às urnas. E, embora os motivos desse não comparecimento não estejam nem possam estar perfeitamente claros, 20 milhões é gente pra chuchu.

    Grande abraço.

    • Fala Eduardo, tranquilo?

      “Essas instituições desencorajam o exercício crítico e a abertura de pensamento, em favor dos pontos de vista privilegiados da igreja ou do partido. Os “pais dos pobres” fazem isso também, do modo mais mesquinho e irresponsável. Eles odeiam a humanidade.”

      Não são as intituições que desencorajam, instituições são organizações formalizadas por nós, para se identificar, deixar claro para os outros nossas idéias.
      O real problema não está na religião, no capitalismo, no socialismo.
      Está em nós.
      Creio que devemos nos perguntar, por que raios a maioria das pessoas não se sensibiliza com o que você acabou de descrever acima, por que a maioria das pessoas só se preocupam em ter status, dinheiro e preferencialmente longe de trabalho?
      Ninguém nasce mal, só olhar para um criança. Ela pode ter nascido do Hitler, do Fidel, do Lula (sic), hehe. Ela vai ser uma linda e adorável criança!
      Por que o homen se torna mal? Se torna egoísta? Materialista? Maquiavélico?
      Porque começou a absorver de alguma forma idéias que não constroem nada só destroem.
      O interessante entre qualquer ideologia e os ensinamentos cristãos, é que a ideologia vê como forma de melhorar as coisas o ato de melhoria sobre um fenômeno já ocorrido, ah o problema da desumanidade é a luta de classes, ah é a burguesia, ah é o capitalismo, ah é a religiosidade, a é o racismo, etc.
      Qualquer ação promovida para melhorar essas injustiças dentro desses contextos, serão apenas ações corretivas.
      Adoro gestão da manutenção, porque podemos traçar paralelos com a nossa manutenção como pessoas.
      Manutenção corretiva sempre deve ser evitada, devemos procurar aumentar a eficiência da manutenção preventiva, essa evita de ter a corretiva.
      Só vejo forma de prevenir efeitos ruins na sociedade dentro dos ensinamentos religiosos, os sérios claro, pois estudam a causa dos problemas e não os efeitos.
      E a grande causa está dentro de nós e não fora! Não deve ser o sistema que nos modifica e sim nós modificarmos o sistema, cada vez mais as pessoas dão poder ao sistema, e por que? Somos nós que nos deixamos emburrercer ou somos emburrecidos, creio que as duas coisas!!
      Nenhuma ideologia vai resolver esse problema!

      Saudações!

  6. Caro professor Ozaí, considero que os petistas que mais refletiam o propósito do partido na sua criação estão hoje fora do PT. Com exceção do presidente Lula. Considero que a guinada do Pt para o centro enfraqueceu várias propostas que só o partido teria força para implementar e que trariam muito mais justiça ao Brasil. Concordo com você que Plínio foi exemplar na sua resistência e fechou o debate da Globo com uma declaração que suou como despedida…

    Abraços!

  7. Olá, Antonio. Aqui está o texto corrigido. Abração.

    Sobre o que escreveu o companheiro Luciano Pimentel.

    Conheço bem essa pataguada entre partidos, fui do PSTU e tenho verdadeira aversão a esse tipo de picuinha entre organizações e quadros. Mas, vejamos aqui o seguinte, essa agremiação que atende pelo nome partido político, mesmo quando de esquerda, mesmo sendo um dos quatro que Pimentel citou, mesmo sendo anticapitalista, é irremediavelmente uma agência política do capital, pela própria natureza de partido. Por exemplo, o partido é sempre bancado com dinheiro público, sem o consentimento ou abertamente contra as posições políticas dos contribuintes.
    Dos quatro partidos da chamada esquerda, PCO, PCB, PSOL e PSTU, três defendem sem reservas a contribuição sindical compulsória. O motivo disso não poderia ser mais óbvio: como são partidos de aparato sindical, sempre procurando ir pras cabeças no sindicato, trabalham pelo aparelhamento, visando à sustentação do partido e algo mais, esse pessoal vira os olhinhos diante do poder pessoal e do prestígio. Esta coisa tão simplezinha e prosaica será a mãe da corrupção política para qualquer partido político que surja entre os trabalhadores e que obtenha alguma expressão eleitoral; as relações a dinheiro passarão a pautar, inevitavelmente, no parlamento e junto à “base”, a atividade dos militantes “profissionais”, como se militância fosse profissão! Lembro-me do PC do B quando eu era menino, foi o amor da minha mocidade. Eles tinham uma sólida moral comunista, eram revolucionários mesmo, o militante era militante, “nem que me matem”. Bastou crescer eleitoralmente, de 1994 em diante, para que pintasse um Netinho como candidato ao Senado (talvez ele seja um sujeito muito sincero e etc, mas não é comunista). O PSTU não defende a contribuição compulsória, mas mantém a velha visão vanguardista sobre as organizações da Conlutas, o que gera outros problemas.

    Seja como for, o sistema é líquido. Os partidos políticos legalmente instituídos são uma instituição adequada à vertente “democrática” da civilização do capital, mesmo sem que nasçam em defesa da sociedade capitalista, e mesmo quando abertamente marginalizados pela legislação eleitoral, como aconteceu nestas eleições. Todos querem abocanhar o dinheiro do povo, todos querem consumar uma fonte de autoridade que se legitime por si mesma, e nenhum jamais estará disposto a abrir-se ao escrutínio cético e desapaixonado do cidadão comum que os sustenta, por motivos de “segurança” ou de outra ordem. Quando não querem dinheiro, querem aquele outro bem abusivo que é o prestígio “publicitário” ou de outro tipo. Quem sonhece a relação tradicional e nunca questionada entre o dirigente e os dirigidos sabe bem do que estou falando. Na esquerda, o dirigente é mais dirigente e o dirigido é mais dirigido.

    Em tempo: Tiririca acaba de se tornar uma autoridade da República, o deputado mais votado de São Paulo, com 1 milhão de votos. Esta regime é democrático pra cacete, vocês não acham?

    Abraços.

  8. Eu tinha decidido votar no plínio em novembro de 2009, quando esse, já tinha se posicionado
    a sair canditado pelo psol. Ouvi por duas vezes plinio discursar e birncar com a platéia no Rio de janeiro.

    Ele realmente é uma injeção de animo para nós jovens, um verdadeiro pessimista na análise e otimista na ação.
    Acho que plínio se sobressaiu nos debates, cumpriu o papel importante em desmascarar a “neutralidade” dos demais. Realmente ele fez a diferença…

  9. Saúde, amigo Antonio e amigos leitores deste blog.
    Bem, é hoje o dia.
    Minha amada Isabel está prestes a sair para votar no PSOL e no PCB (no partidão para o Senado). Vou acompanhá-la, passearemos Isabel, meu filho João Cândido e eu, ao local de votação. Mas não vou votar. Eu poderia anular o voto, mas simplesmente não vou votar.
    Mesmo gostando muito do que escreveu Ozaí e do escreveram diversas pessoas aqui, nestas eleições eu acabei de refinar o meu ódio inconciliável ao sistema eleitoral e a todos os partidos de esquerda existententes, embora haja aí muita gente boa, e muita gente canalha também. Vamos, no futuro, trabalhar em favor de uma democracia direta em nosso país, oriunda de uma livre associação entre trabalhadores, estudantes, etc.

    O POVO UNIDO
    GOVERNA SEM PARTIDO!

    Saúde.

  10. Prezado Ozaí,

    Nossas trajetórias são muito parecidas, com pequenas diferenças, que gostaria de registrar: de católico adepto da TL me converti ao ateísmo (embora não tenha muito ânimo para frequentar os cultos dessa religião); as origens do meu desencantamento com o PT estão a) na cada vez maior distância entre a proposta de concientização, organização e mobilização popular que você bem aponta no seu texto, b) na pífia história do PT no Rio de Janeiro, onde nasci e vivi praticamente desde sempre até março do ano passado, c) e em Angra dos Reis, onde trabalho desde 1992 – e que teve o prefeito petista com maior índice de aprovação do país, Neirobis Nagae (1989-1992), de 97% no último ano de governo -, que, a meu ver, como ocorreu em outros lugares, jogou uma bela história na vala comum da disputa pelo poder para depois conscientizar, mobilizar, organizar (de forma semelhante ao que havia prometido Delfim Neto nos anos da ditadura, dizendo que primeiro deveríamos fazer o “bolo” crescer para depois dividi-lo); votei no PSOL de cabo a rabo e, como no Rio o partido não ofereceu dois candidatos a senador, minha segunda opção foi o Heitor Fernandes Filho, do PSTU; não torço por nenhum time de futebol nem por nenhuma outra equipe de qualquer outro esporte.

    No mais, pelo que pude observar pelos vários comentários ao seu texto, se quiséssemos já poderíamos fundar um novo partido – mas, respeitando seu 1/3 anarquista, concordo em discutir suas ideias, já pensando em, talvez, fundar um sindicato de ex-petistas…

    Perdoe se a minha tentativa de ser engraçado (pura estratégia pra conter o choro) não agradar muito.

    Um forte e esperançoso abraço.

  11. Ozaí, como tu, votei em Lula em todas as eleições presidenciacias que participou e me emocionei, quando foi declarada sua vitória na quarta eleição – vibrei! E Lula não virou a mesa como queriam tantos.
    Outro que participei e conheço relativamente bem, em Ribeirão Preto, foi Palocci – gosto dele e ele seria meu candidato para a presidência do PT.
    Fiquei confusa com a escolha da Dilma…..
    Não conhecia Plínio. Gostei de seus argumentos no último debate ( só tinha assistido ao primeiro) – a pergunta que ele não calou – ” vocês prometem, mas de onde vão tirar dinheiro para fazer?” – nenhum respondeu.
    Gosto da Marina e sei que será bem conhecida a partir de agora. Penso que as pesquisas vão se surpreender com a percentagem dos votos nela.
    Ainda continuo com Lula, mais que o PT ( nunca me filiei ao partido) e conto a minha vigilância e a de todos Brasileiros, no próximo governo.
    Que nós todos brasileiros, ganhemos com o resultado.
    Abraço,
    Lina Bastos

  12. Ozaí, caro,
    Obrigado pelo belo texto, narrando seus contatos e experiências com a política. Fico feliz que tenha resolvido votar, em vez de anular o voto ou votar em branco. Vamos lá! Espero que tenhamos o segundo turno e que você possa, novamente, fazer sua opção.
    Abraços
    Roberto.

  13. Prezado Ozaí, boa noite,
    Seu discurso foi emocionante, apesa da ambiguidade….
    Meu voto é PSTU. É 16.
    Obrigada por propiciar esse espaço.
    Abs,
    Marilene

  14. Antonio

    Boa tarde

    Vários caminhos nos levaram ao processo de democratização do país. Muitos de nós apostamos nossas fichas num partido socialdemocrata, que se dizia muito mais que isso e sobretudo infenitamente comprometido com os pobres, com os desempregados, com os sem teto, sem terra, com os aborigenes, com as vitimas da escravidão, emfim com os excluidos e miseráveis do Brasil e do Mundo pois tb preconizava o internacionalismo em seus discursos ufanistas. Diziam os Proceres do Partido que lutavamos por um salário minímo compatível inclusive com os ditames constitucionais, portanto, suficiente para quatro pessoas viverem. A teoria logo pode ser posta a prova, o sucesso começou ainda em 1982 quando prefeituras e vereanças foram conquistadas em vários Municípios do Brasil, mas a agregação dos valores teoricos com a prática foram se afastando, isso se não foram só vãs discursos.
    Retirei minha filiação em 1995 e ainda votei e fiz campanha a nível municipal para uma auto denominada “Frente Popular” em 1996. A paga que tive dispensa comentários. Meu voto, desde 1997, em cujo processo “democratico” sou obrigado a comparecer é “Voto Nulo” e mantenho o compromisso de continuar a lutar pelo direito de não comparecer as urnas.

    Cordialmente

    Pedro
    Caxias do Sul – RS

  15. Amigo Ozaí, me permita chamá-lo assim, embora não nos conheçamos. Li atentamente o “quase” desabafo. Concordo com muito do que escreveu, especialmente da parte que falas que temos que ter certo cuidado com eleições, como se ela fosse a única alternativa da classe trabalhadora para transformações sociais. Igualmente acompanhei atentamente os debates e programas eleitorais, não para decidir meu voto, pois tenho convicções sólidas em quem votar. Mas confesso que dos que tiveram autorização para a aparecer nos debates (não podemos esquecer aqueles que ficaram de fora), o Plínio foi o que melhor se apresentou enquanto discurso. Decidido de qual política apresentar à classe trabalhadora, Plínio foi muito bem no que diz respeito a luta de classes, capitalismo, reforma agrária etc. Embora acredite que isso tem sido muito mais retórica na esquerda revolucinária brasileira do que possibilidade real, ele teve o melhor papel nos debates. Relamente gostaria de ver uma frente para valer com PCO, PCB, PSOL e PSTU nas eleições. E minha simpatia pelo Plinio e por muitos companheiros do Psol ultrapassa as eleições, vai além. Isso não significa apoio irrestrito as suas candidaturas. Eu tinha clareza que nestas eleições eu iria de cabo a rabo pelo voto nulo. Isso seria o coroamento de meu sentimento em razão a esse processo, que não altera em nada a vida do trabalhador, mantém os velhos e antigos acordos políticos, e em troca de um mandato, vale tudo. Porém me convenci durante o próprio processo eleitoral. Tenho muito amigos que são candidatos pelo PC do B e realmente até me veio a cabeça votar em um companheiro a deputado federal. Mas ao ver que o partidão tem candidatos como Netinho, Protógenes, e por aí a fora, fica difícil levar a sério.
    No Psol ainda não há essas distorções, mas há algo já apontado. Heloisa Helena é um desses. Não participou absolutamente de nada, não gravou apoio, não esteve em eventos e não botou o pé no barro para defender o seu partido nas eleições para presidente. Ficou evidente o racha, o beiço torcido por conta da derrota dela no congresso do PSOL. Boicota o que ela mesma criou. Aqui no RS, o PSOL tem um discurso anti-Lula, Serra e Marina. Questionava firmemente a postura dos deputados petistas em Brasília. Então, lançaram duas candidaturas, uma professora, ao senado federal. Semana passada, em seu programa, o Psol gaúcho convidou o Paim/PT para participar do programa e apoiou abertamente que o segundo voto do Psol deveria ser para o Paim, abrindo mão inclusive, do seu candidato.
    É claro que a crise piorou. Luciana Genro, Pedro Ruas e cia deram mais um golpe na militância de base, que se sentindo traída, declarou voto na candidata do PSTU, Vera Guasso. Fica difícil levar a sério um partido assim, mesmo tendo uma pessoa que merece todo o respeito, pela trajetória, idade e coragem, como é o caso do Plínio. Vou do início ao fim com o PSTU.
    Ficou claro

  16. Caro amigo Ozaí!

    Li seu post e concordo com quase tudo o que disse.
    Quando vi no início o Plínio fiquei todo empolgado e imaginando que teríamos uma crítica radical da sociedade capitalista a partir do apontamento das mazelas que constituem esse modelo de sociedade.
    Mais ainda, imaginei um projeto de governo que mesmo, que assustasse uma maioria, pudesse encantar e trazer esperanças a uma parte da população. Mas qual o quê.
    Plínio teve oportunidades interessantíssimas nos debates, no entanto não conseguiu ser mais que uma figura que deixou os debates menos chatos.
    Enfim, fico com a sua crítica e acrescento mais essas.
    Abraços!

  17. Muito legal o seu texto Antonio. Da mesma forma, sempre procurei militar, embora sem me filiar a partido, pelo socialismo. Minha principal referência é Marx e Luxemburgo. Li muito também o Trotsky e Lenin. Todas essas leituras foram e continuam sendo muito importantes. O PT foi um grande partido surgido a partir dos movimentos sociais populares. Apesar de nunca acreditar em Lula, votava nele, principalmente quando o Brizola formou a chapa como vice. Brizola é uma das grandes referências que temos aqui noRJ de integridade e honestidade. Nunca divulgaram nos grandes meios que nos seus últimos anos de vida o Oscar Niemeier bancava a maioria dos custos para o Brizola viajar para participar de eventos políticos e sociais. Todas as despesas de hospital também foram pagas por Oscar. Tres vezes governador e poderia estar rico, mas jamais tirou um tostão dos cofres públicos. Nesta eleição os votos em Plínio será uma grande e justa homenagem a sua trajetória. Boa parte da minha família votará nele. Da minha parte, acho justo votar no Rui Pimenta do PCO e os outros votos serão distribuídos no PSTU, PCB e PSOL. Aqui no RJ a burocracia absurda interditou candidaturas do PCO ao governo do Estado, ao Senado, ao Congresso e à Assembléia legislativa. Creio que será importante contabilizar os votos que serão dados a esses partidos para incrementar a possibilidade da formação de uma consistente frente anticapitalista.
    Sou Flamenguista de coração e ateu, embora participe com todo prazer e respeito nos trabalhos das comunidades eclesiais de base. Todos os meus amigos cristãos sabem do meu ateísmo e me respeitam muito. Somos todos grandes amigos, inclusive o meu grande amigo de infância é evangélico. Todos nos ajudamos repletos de amorosidade.

    • Cássio,

      obrigado.
      É ninguém é perfeito… por exemplo, conheço quem tenha a coragem de torcer para o São Paulo…
      Como diria Nietzsche, é humano, demasiadamente humano.

      Abraços e ótimo final de semana,

  18. O que eu queria saber é por que um cristão acredita em teoria da libertação se o papa Pio XII em 1949 excomungou qualquer cristão católico que se diga comunista/ socialista.
    Com certeza esses cristãos não se quer, conhecem a verdadeira doutrina católica e nem o que é mentalidade revolucionária.
    Em relação as eleições, estava entre votar em branco e votar no Serra, mas votarei no Serra, tomarei alguns calmantes e alguns engovs. Votarei no Serra não porque acredito nele, votarei no Serra para que o pior não aconteça e a Dilma vença.
    Pois como cristão, não tenho um representante que defenda os ensinamentos cristãos e não se deixa contaminar pelo joguinho baixo eleitoral brasileiro.
    Votar no Serra seria apagar incêndio e em Branco planejar, mas como voto branco não vale nada. Meu planejamento iria pro saco, então apagarei o incêndio votando no Serra.
    É difícil para um profissional na área química como eu, saneamento especificamente, ver a porcaria que é o saneamento brasileiro e saber que isso vai demorar muito, mas muito para mudar. Graças aos governantes brasileiros, claro!
    É difícil para um estudante como eu, ver a lastimável condição da educação brasileira e saber que ela não contribui quase em nada para a melhoria do pensamento do povo e principalmente dos jovens. Graças aos governantes, claro!
    É difícil para um cristão como eu, ver 50 mil brasileiros sendo assassinados por ano vítimas do tráfico de entorpecentes, mas temos um superávit na balança comercial, isso é o que importa (sic). Graça aos governantes, claro!

    Que país é esse? Que governantes são esses? Que opção temos?

    • Caro Jeferson,
      Espero que tomes mniha crítica como um elemento construtivo.
      Sem aprofundar acerca da questão da alegada excomunhão perpetrada pelo Pontífice Pio XII, ou mesmo acerca da “legitimidade” qualquer excomunhão, gostaria de manifestar que considero falacioso o amálgama entre a Teologia da Libertação e o Socialismo/Comunismo. Em verdade, são categorias críticas diferentes, embora,eventualmente, se entrelassem em algumas trajetórias pessoais.

      Fraternalmente, vejo com alegria tuas preocupações e me uno a elas, entretanto, quando lamentas a inexistência de um candidato que professe os ensinamentos cristãos, penso que estabeleças uma confusão de esferas de “institucionalidades”.

      Na Idade Antiga, quando a própria expressão territorial do Estado se confundia com a da própria Igreja, ou na Idade Média, em que Estado, Reis e Príncipes tinham na Igreja seu suserano, a autoridade Papal alcançava a dimensão dos respectivos habitantes e da cidadania como um todo. Com a separação definitiva entre Estado e Igreja – nos Estados não Teocráticos -, separaram-se os valores morais da religião de outros valores da cidadania, ou seja, os assumidamente cristãos podem e têm visões de mundo e práticas políticas diferentes, sem que sua profissão de fé, enquanto expressão de sua individualidade, seja maculada.

      A mim é claro que o cristianismo deve ser entendido em uma perspectiva histórica, mas, em minha opinião, não se deve pautar a escolha de um candidato pelo fato de ser, ou não, cristão, mas impulsonada pelos valores de cidadania impressos na ideologia e prática política. Do contrário, estar-se-ia fomentando a ideia de Verdade única, que, a meu ver, não contribui para a caminhada que temos pela frente.
      Um abraço afetuoso.

      • Olá Gilberto,

        Fique tranquilo, agradeço seus comentários. é trocando idéias que evoluimos também!
        Em relação a ligação entre teoria da libertação e o comunismo, faço esse entrelaço baseado na idéia da mentalidade revolucionária. Estudo esse em que nosso querido filósofo Olavo de Carvalho vem contribuindo a décadas.
        A mentalidade revolucionária é o maior mal que já assolou a humanidade, pois por ela os fins justificam os meios.
        Acredito que os princípios vem em primeiro lugar, um ser humano sem princípios é um ser humano sem alma.
        E por princípios, os cristãos os quais eu sigo, é que faço um paralelo entra as atitudes e as posições tomadas pelos nossos políticos e por qualquer pessoa que eu me relacione.
        Acredito que existam pessoas de caráter e honestidade sem serem cristãs, eu já fui uma delas, mas para min uma pessoa que não tenha princípios cai facilmente no erro de começar a formar uma mentalidade revolucionária, ou seja, achar que tem solução para todos os problemas.
        É essa idéia que todos os tiranos que já passaram pela terra e os que existem têm.
        Quando digo que não há representação cristã verdadeira, estou me referindo também a essa corja de candidatos que se dizem cristãos, evangélicos de meia tigela, pois não avalio se são apenas religiosos ou de alguma igreja, analiso sim suas posições, projetos e decisões.
        Avalio se realmente essas pessoas possuem algum princípio norteado de valores éticos e humanos para o bem sem distinção da sociedade.

        Saudações!

    • Concordo com você na íntegra, e digo mais, os que votarem na Dilma, (Celeste, Vanda , etc. ou seja lá o nome que vier a usar), talvez um dia se arrependa e, siceramente, espero que o povo brasileiro os perdoe por este ato impensado.

  19. Belo texto, novamente, Ozaí!
    Só que desta vez me sinto disposto a dar uma cutucada em uma de suas ideias expostas no texto. Aquela de que você prefere sua “militância solitária à doutrina do discípulo convertido”.
    Concordo contigo que os intelectuais de esquerda hoje – e ao que parece, os de ontem também – sofrem desse princípio de dogmatismo, derivado da necessidade de se colocar de maneira categórica no debate acadêmico e na prática política. Mas confesso que a postura que você adota me deixa bastante intrigado. Não acredito, por ser seu aluno, que a tolerância que você dispõe a outras correntes distintas daquelas as quais você se vincula derive na aceitação tácita de qualquer argumento ou prática (como se isso fosse deliberadamente uma falta de posicionamento, coisa que, aliás, não existe!). Mas, entretanto, porém, todavia, quando você adota a postura de seguir solitário, você acaba, sem querer, de um jeito completamente distinto, esse ponto.
    Ora, Ozaí. Você pode querer adotar uma postura solitária nesse embate, mas isso não acontece de fato! Como você mesmo falou, você é síntese de uma porção de determinações; você está vinculado diretamente, em maior ou menor grau, a uma série de relações que de forma alguma te mantém isolado desse movimento. Basta ver que uma quantidade enorme de seus alunos te admira e que busca, mesmo sem você querer, adotar uma postura semelhante à sua. Sem querer, você também forma seus “discípulos”, certo que de uma maneira menos rigída e controlada, mas mesmo assim, forma. Existe um vínculo que dá certa unidade entre aqueles que pensam de maneira parecida com a sua, isso é inevitável!
    Pensando desse jeito, fica em mim uma dúvida da qual a resposta segue incipientemente formulada, desde que minha argumentação esteja correta: se, independentemente da vontade de permanecer solitário, você consegue agregar várias pessoas em torno de seu pensamento, porque não tratar de fortificar esses laços, enfatizando os seus fundamentos através de uma prática articulada coletivamente? Afinal, o dogmatismo, creio eu, não decorre simplesmente do ajuntamento de pessoas em torno de um ideal, mas sim dessa reunião em torno de um ideal fundamentado de maneira unilateral e anistórica.
    E então? O que me dizes?
    Abraço

    • Rodrigo,

      muito obrigado por suas palavras.
      Concordo com a sua linha de argumentação – em especial sobre o dogmatismo. Porém, não está ao nosso alcance evitar que nos odeiem ou nos amem, ou seja, a reação e sentimentos do ‘outro’ está fora do nosso controle. Quanto a mim, penso que só me resta tentar evitar o ódio e, agradecer às manifestações de carinho e apreço – e agir no sentido de não frustrá-las.

      Abraços e tudo de bom,

  20. Prof. Ozaí,

    Li na íntegra o seu post e tenho a dizer-lhe que nossas trajetórias políticas e ideológicas foram idênticas. Chorei muito também quando Lula foi eleito presidente. Lágrimas de total ilusão. Já quando ele declarou que havia comprado um avião, bem no início de sua gestão, dirigi-me à sede do PT, aqui em Porto Alegre, e tive o prazer de pedir uma tesoura e picotar a minha carteirinha. Saí de lá desfiliada, depois de uma militância longa no partido, desde 1981, até mesmo anterior à sua existência, e de um grande bate-boca, por me sentir traída na largada. Hoje abro meu voto também pelo Plínio, pela Luciana Genro (DF), pelo Tarso Genro (G) e Roberto Robaina (DE). Os demais cargos não terão o meu voto. Isso conta como uma exceção, pois sou partidária do voto nulo, uma vez que luto pela autogestão. Um grande abraço. Tânia

  21. Caro Prof. Antonio, são 2h e 48 min do dia 02/10 quando escrevo. Estava tuitando quando entra seu post com a declaração de voto. Confesso que voei para o blog, pois este questionamento já me havia tomado o pensamento em algumas oportunidades. Conheci seus textos (Revista Acadêmica) por estas últimas semanas e passei a admirá-lo (quem sabe em outra oportunidade eu possa fazer alguma referência sobre eles?). Ato contínuo, passei a segui-lo no twitter e a ótima impressão continuou e aumentou, pois o distanciamento, no todo, diminui. Só para constar, já fui militante do PT no movimento estudantil, entre a Pastoral Universtária e o marxismo (então trotskista da Peleia/DS), temperado pela contracultura no início dos anos 80, etc. Larguei o PT, definitivamente, quando a Direção Nacionla interveio no Diretório Regional do RJ, mas nunca deixei estar atento, embora bastante à distância, à movimentação políticainterna e externa. Igualmente, tal como acontece com senhor, há um lado igrejeiro que não me larga, aliás, nenhum dos aspectos formativos do meu Ser político. Também havia me decidido a votar no Plínio, bem como em suas candidaturas proporcionais (Luciana e, especialmente, Roberto Robaina), de forma a garantir o estardalhaço quando necessário, ou até quando não o seja..eheheh. Prá governador, vou de Tarso pelas pecliaridades regionais. Por fim, me permita passar o link de um texto qeu li agora à noite e que achei bastante instigador: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=36016. Se estendi-me em demasia, ou se a natureza dos comentarios usuais restou fraudada pelas pessoalidades, peço desculpas, mas tinha vontade de estabelecer contato e não vi melhor oportunidade. Por fim, não costuma postar muito no twiiter – aproveito mais para ler -, mas, por vezes , coloco coisas interessantes. Se quiser me seguir, me daria bastante alegria (@gil1104). Meu nome é Gilberto, tenho 49 anos, sou de Porto Alegre, e colorado!

    • Bom dia Prof. Ozai!!!
      Em suas palavras me senti representada. Lamento não ter ido para minha cidade votar, pois o Plínio fazia parte dos meus planos de voto.
      Obrigada por compartilhar conosco a sua experiência de vida.
      Abraços…

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