O voto nulo!

No 1º turno da eleição presidencial deste ano, 6.124.254 (5,51%) dos eleitores anularam o voto. Os mais de seis milhões que se recusaram a sufragar qualquer um dos candidatos exposto no mercado da democracia foram mais do que o suficiente para eleger Dilma Rousseff e abortar o segundo turno.[1] Por que anularam? Desconheço pesquisas sobre as motivações dos cidadãos. Resta, então, cogitar. Até que ponto parte destes votos expressam o protesto consciente contra o sistema político e as limitações da democracia? Será que parcela dos que anularam os votos agiram motivados pelo moralismo dos que não querem sujar as mãos e se imaginam acima da política, santos num mundo de pecadores? Ou serão, meramente, analfabetos políticos, no sentido de Bertold Brecht? É lícito supor que muitos dos votos nulos representam posturas individualistas, passivas e de indiferença? São indivíduos apolíticos e, quem sabe, ideologicamente elitistas e propensos a soluções autoritárias? Imagino que podemos assinalar todas as alternativas como corretas!

Os motivos que levam o cidadão-eleitor a anular o voto são diversos. Observe-se, porém, que ainda assim eles compareceram à seção eleitoral. Também é o caso dos que votaram em branco. Foram mais de três milhões – exatamente, 3.479.340 (3,13%). Quantidade mais do que suficiente para impedir a realização do segundo turno (claro, se votassem na candidata da coligação PT / PMDB / PRB / PDT / PTN / PSC / PR / PTC / PSB / PC do B). Mas o que pensar dos mais de 24 milhões de eleitores que se abstiveram?[2] Será protesto, apatia política, apoliticismo? Não esqueçamos que o voto é obrigatório! De qualquer forma, somando-se votos nulos e brancos mais as abstenções, temos 34.213.890, ou seja, 26,76% dos eleitores se recusaram a referendar qualquer um dos nove postulantes ao emprego público nº 1 do país.

No 1º turno o número de eleitores que decidiram anular voto foi mais de cinco vezes maior do que os votos conquistados pela oposição de esquerda (PSTU, PSOL, PCB e PSOL). Considerados em conjunto, estes partidos tiveram 1.022.767, ou seja, 1% dos votos (insuficiente, portanto, para evitar o 2º turno, se fossem transferidos para a candidata do PT).[3]

Agora, porém, com a consolidação da polarização entre duas candidaturas, a pressão aumenta – como também a tendência a nomear possíveis “culpados” pela derrota ou vitória, a depender de que lado o “juiz” se encontra. Querem nos fazer crer que o mundo divide-se entre o “bem” e o “mal” absolutizados. Para muitos, há apenas dois lados e quem ousar votar nulo ou em branco estará, objetivamente, apoiando o candidato do “mal”. Esta foi a mensagem que recebi por vários emails e comentários. Claro, há os bem-intencionados que, sinceramente, almejam convencer e vão além da lógica maniqueísta. Mas, há os que não admitem outra posição a não ser o voto na candidata da “esquerda”. A cultura autoritária é como a fênix, e assume várias formas.

O voto nulo (ou em branco) deixou de ser opção política legítima, direito democrático, seja qual for o seu caráter, e passou a ser caracterizado com adjetivos políticos e morais. Como se a vitória ou derrota do lado do “bem” dependesse impreterivelmente dos que decidirem votar em branco ou anular o voto. Para alguns, tal opção tornou-se imoral, caracterizada como uma atitude de quem só pensa em si, de quem não está do lado dos pobres, coisa de classe média, etc. Assim, quem é contra a direita deve, necessariamente, ser contra o voto nulo! A julgar por argumentos deste naipe, votar nulo, em branco ou abster-se é uma espécie de “pecado civil”. No 1º turno foram quase 35 milhões de “pecadores”, e agora? É uma lógica perversa, despolitizante e antidemocrática.


[1] Foram 101.590.153 votos válidos. Portanto, faltaram apenas 3.143.642 (arredondados) para eleger Dilma Rousseff no primeiro turno. Fonte: http://noticias.terra.com.br/eleicoes/resultados/presidente/

[2] O número exato é 24.610.296 (18,12%). Fonte: http://noticias.terra.com.br/eleicoes/resultados/presidente/

[3] O PSOL obteve 886.816 votos (0,87%); PSTU, 84.609 (0,08%); PCB, 39.136 (0,04%); e, PCO com 12.206 votos (0,01%). Fonte: http://noticias.terra.com.br/eleicoes/resultados/presidente/

22 comentários sobre “O voto nulo!

  1. Às vésperas da eleição, gostaria apenas de lembrar a importãncia de votar na candidata Dilma pois, apesar de que para alguns ela não tenha o perfil de candidato que desejassem ou que não acreditem no esquema de representação (eleição), o caso é que alguém ganhará a eleição e se tornará presidente do Brasil.

    A questão é: quem queremos eleger? É uma responsabilidade da qual não podemos fugir.

    Se votarmos em Dilma, ela terá ainda mais chances de ganhar, se não votarmos, estaremos dando maior chance ao outro candidato.

    Volto a dizer, a responsabilidade, quer se queira ou não, de eleger um dos dois candidatos, é nossa, dela não podemos fugir.

    Um abraço, Lucila

  2. Olá, Hugo.
    Isso aí que você escreveu, mais que uma posição política, é uma tendência do século. Vai aparecer e já está aparecendo como uma corrente de opinião de importância mundial, espontaneamente no mundo inteiro, embora até o momento não exista um centro. Eventualmente, uma experiência regional será feita dentro daquilo que Milton Santos exergou como pós-globalização, ou período popular da História. Esse tipo de posição me parece a única coisa realmente alternativa a tudo o que temos visto e vivdo, pois o sistema da autogestão social e da democracia direta, ou democracia pura, sugerirá até mesmo uma transformação de ordem moral sem precedentes, ao sustentar que a responsabilidade sobre os rumos da própria vida cabe igualmente a todos, ainda que ninguém seja constrangido a participar se não estiver com vontade de participar. Não é extraordinário que tenhamos, como espécie humana, sofrido tanto e nos envilecido tanto, até chegar este momento?

  3. O voto nulo ou em branco é tão legítimo quanto qualquer outro. Aliás, ele representa que há uma forte demanda não atendida e que pode materializar-se em uma outra candidatura em 2014. Seria o tão propalado encontro do PT com o PSDB por meio de Aécio?

  4. Votei no LULA e no PT de 1982 quando o Lula foi candidato ao Governo de São Paulo até 2002 quando o LULA foi eleito presidente do Brasil, tinha uma esperança que foi surrupiada pela gangue do PT.
    Após a posse do LULA na presidencia, frustado conheci o MELA Movimento dosEleitores de Lula Arrependidos, passei a ser mantenedor deste Movimento, porem sem nenhuma explicação, este movimento foi extinto, acho que a Gangue do PT deve ter pago uma boa grana para os lideres deste movimento.
    No Primeiro turno votei Marina 43, agora não resta outra alternativa a não ser digitar novamente 43 e confirmar, com isto meu voto será NULO.

  5. Concordo com a Tania. É preciso ter uma fundamentação maior para começarmos a nos aproximar dos eleitores que votaram nulo.

    Acho importante votar na candidata Dilma, considero importante a melhoria de vida no país: desde os milhões que sairam da faixa de pobreza até o país todo que saiu do FMI. E nós que achavamos que nunca iriamos sair de lá e até que foi razoavelmente rápida a saída.
    Creio ser importante também uma real organização da sociedade, pelo menos, em orçamentos participativos, e atualmente, o voto nulo poderá nos conduzir a um governo marcadamente neoliberal e com todos os sofrimentos que sabemos que vem a reboque (econômicos, sociais, politicos, etc). O voto nulo apenas, sem que hajam outros caminhos reais para nossa organização cotidiana (essa no sentido do dia-a-dia mesmo, que vamos viver mais 4 anos), pode nos levar agora, como vemos nos números postados pelo Ozai acima, a fazer uma diferença significativa, e nos levar a mais 4 anos com melhorias econômicas, sociais, culturais, etc, ou a sofrimentos neoliberais na carne de todos, incluindo os que saíram recentemente da faixa de pobreza e que podem para lá retornar. Eu os respeito muito e não gostaria de ver isso acontecer. Temos uma vida razoável, com comida, casa e cultura, mas há os que não tem ou pouco tem. E o dia-a-dia é duro.

    Por isso acho importante votar agora em Dilma.

    Apenas para nos lembrarmos, envio um link com as capas da revista Veja no governo FHC para vermos que fisiologismo, corrupção, esquema de partido junto à máquina do governo, estiveram presentes junto ao PSDB (sabemos também que fizeram parte dos governos anteriores): http://www.sejaditaverdade.net/blog2/?p=2706

    O link da filósofa e professora Marilena Chauí sobre democracia – http://www.youtube.com/watch?v=0j6jgDs7gMQ

    Link do apoio do PV francês à candidatura Dilma – http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-apoio-do-pv-frances-a-dilma

    Se atualmente no processo eleitoral no Brasil não temos, por parte de muitas pessoas, respeito à pessoas, aos objetos, ao mundo, enfim, à tudo que diz respeito à relacionamento e atuação humana no mundo, espero poder ver uma mudança também nesse sentido, que todos se preocupem também com isto.
    Ver a realização de debates e reflexões com mais fundamentação entre as pessoas, sobre tudo que diz respeito ao processo eleitoral pois essa via, distancia a venalidade e virulência que se apresentam nessas ocasiões, que pretendem ser legitimas e aceitáveis, arrastando ou arrebanhando, muitas pessoas.

    Um abraço, Lucila Tragtenberg

    • Prezada Lucia:
      Como a minha réplica não será publicada, será só para você, deixe-me fazer algumas considerações sobre o seu próprio texto:
      1. Acho importante votar na candidata Dilma, considero importante a melhoria de vida no país: desde os milhões que sairam da faixa de pobreza até o país todo que saiu do FMI. Pagamos nossa divida ao FMI mas não nossa dívidas externa e interna, que cresceu imensamente (estupidamente poderia ter uma interpretação mais forte). Vale ressaltar apenas que a taxa de juros cobrada pelo FMI é, de longe, a menor que temos aceito. Se esse comentário vale alguma coisa, ótimo. Se não, mostra que a politica deliberada da desinformação está cada vez mais competente.
      Creio ser importante também uma real organização da sociedade, pelo menos, em orçamentos participativos, e atualmente, o voto nulo poderá nos conduzir a um governo marcadamente neoliberal e com todos os sofrimentos que sabemos que vem a reboque (econômicos, sociais, politicos, etc). O voto nulo apenas, sem que hajam outros caminhos reais para nossa organização cotidiana (essa no sentido do dia-a-dia mesmo, que vamos viver mais 4 anos), pode nos levar agora, como vemos nos números postados pelo Ozai acima, a fazer uma diferença significativa, e nos levar a mais 4 anos com melhorias econômicas, sociais, culturais, etc, ou a sofrimentos neoliberais na carne de todos, incluindo os que saíram recentemente da faixa de pobreza e que podem para lá retornar. Eu os respeito muito e não gostaria de ver isso acontecer. Temos uma vida razoável, com comida, casa e cultura, mas há os que não tem ou pouco tem. E o dia-a-dia é duro.

      Por isso acho importante votar agora em Dilma.

      Apenas para nos lembrarmos, envio um link com as capas da revista Veja no governo FHC para vermos que fisiologismo, corrupção, esquema de partido junto à máquina do governo, estiveram presentes junto ao PSDB (sabemos também que fizeram parte dos governos anteriores): http://www.sejaditaverdade.net/blog2/?p=2706

      O link da filósofa e professora Marilena Chauí sobre democracia – http://www.youtube.com/watch?v=0j6jgDs7gMQ

      Link do apoio do PV francês à candidatura Dilma – http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-apoio-do-pv-frances-a-dilma

      Se atualmente no processo eleitoral no Brasil não temos, por parte de muitas pessoas, respeito à pessoas, aos objetos, ao mundo, enfim, à tudo que diz respeito à relacionamento e atuação humana no mundo, espero poder ver uma mudança também nesse sentido, que todos se preocupem também com isto.
      Ver a realização de debates e reflexões com mais fundamentação entre as pessoas, sobre tudo que diz respeito ao processo eleitoral pois essa via, distancia a venalidade e virulência que se apresentam nessas ocasiões, que pretendem ser legitimas e aceitáveis, arrastando ou arrebanhando, muitas pessoas.

    • Prezada Lucia:
      Para o seu conhecimento:
      1. A dívida externa não foi paga, exceto a parcela que devíamos ao FMI. Diga-se de passagem, que cobrava as taxas de juros mais camaradas.
      2. A divida externa aumentou
      3. A divida governamental explodiu.
      Analise esses fatos e depois poderemos ir além. Por ora, parece-me que vc não dispõe dos dados mais relevantes.

    • Acho importante votar na candidata Dilma, considero importante a melhoria de vida no país: desde os milhões que sairam da faixa de pobreza até o país todo que saiu do FMI…

      Caríssima Lucila,

      Onde você tem lido isso?
      O Brasil não liquidou a dívida externa! Uma que não é interessante em termos econômicos e outra que não teria dinheiro para isso, se pagasse ninguém mais comia nesse país, nem mesmo os nossos governantes.

      Outra coisa, nunca na história desse país um governo deu tanto retorno aos banqueiros e especuladores externos!

      Saudações

  6. Considerando que há pessoas no PT que respeito e a candidata Dilma não é uma delas, considerando ainda que prefiro Serra a ela, é claro que fiquei satisfeito com o 2o turno.
    Considerando apenas a questão maior, do voto nulo, creio que votar em qualquer candidato, votar em branco ou anular fazem parte do jogo democrático.
    Talvez eu não tenha entendido bem a questão, mas não me parece democrático questionar o direito de alguém anular o seu voto.
    Mesmo que a Dilma vença – espero que não – só o fato de ela ter que repensar, que seu mentor ter dito ‘ter faltado humildade no 1o. turno’, já é um avanço nessa candidatura que tem como êmulos figuras que agem de forma completamente diferente das idéias que a candidata diz abraçar: os Castro, Chávez, Ahmadinejad, Evo Morales, Mugabe entre outros que têm em comum a truculência, a intolerância com idéias contrarias e o anti-americanismo.
    Cordialmente,

    MLC

  7. Eu apelo ao dilema do prisioneiro para exemplificar a minha escolha pelo voto em branco.
    No dilema existe duas maneiras de agir, uma de acordo com os princípios independente do resultado ser bom ou ruim e a outra de acordo com o resultado, nesse caso a escolha é feita pelo resultado menos ruim. Pensei muito e ainda estou em dúvidas, rs.
    Caso eu siga meus princípios, devo anular.
    Mas, posso estar causando um mal a sociedade. Se eu escolher um, também posso causar um mal a sociedade, rs. Qual dos males pode ser o menor?

    Creio que nem pesquisas possam responder essas questão de anulação dos votos.
    Ao menos se o voto não fosse obrigatório, talvez fosse mais fácil chegar a uma conclusão a respeito da motivação das pessoas.
    Talvez seja por isso que o voto é obrigatório, ficará bem claro quem está preocupado com a política e isso gera discussão, pesquisas e reais tentativas de conscientização!

  8. Professor,

    entendo toda esta polarização entre as duas candidaturas como resultado do calor do momento eleitoral. Eu compreendo muito bem que todos os argumentos, tenham ou não teor maniqueísta, fazem parte de uma disputa natural pelo voto. Não haveria nada de errado se todos estes que anularam o voto começassem uma campanha na consquista de mais adpetos, seria até interessante. Bom, não vou levar a ferro e fogo o que entendo como apenas a tensão de um momento eleitoral. A partir do resultado das eleições a rotina voltará ao normal. Cada um seguirá lutando individualmente pela sua sobrevivência. Sejam eleitores do Serra, da Dilma ou os milhares que possam optar pelo voto nulo.

    Um abraço,
    Jonas

  9. O Sr. Délcio usa para medir os outros a mesma régua que utiliza prá medir a si próprio.
    No tocante a quadrilhas acho que a turma serrista é imbatível. Passadas as eleições muita coisa virá ao conhecimento público. Me revolta o fato da campanha de Dilma não denunciar o funcionamento dessa megaquadrilha golpista.
    É Dilma, pela verdade, pela democracia e por um futuro ainda melhor!

    • Prezado Fred:
      Façamos uma aposta?
      Como apenas haverá um vencedor fica difícil estabelecer parametros.
      Façamos o seguinte:
      Caso vença a Dilma, minha dívida contigo seria de (Corrupção Serrista comprovada)/1.000.000
      e vice versa.
      Você topa?

  10. Antonio

    Bom dia

    Faltou constar na tua análise os milhões que não votaram também para os candidatos aos governos estaduais. Os dois grupos que hoje se batem nas urnas já estiveram no poder e diga-se tb em todas as esferas dele e o que tivemos foi uma violenta retração da participação da sociedade civil na vida social do país , nem que isso se limitasse em sair as ruas à protestar. A política não esta só nos Partidos mas em toda a sociedade, seja por ação ou omissão. Durante a “Redentora” milhões ousaram desafiar o poder, resisitiu-se onde deu e como deu. Não é diferente na “Democracia Representativa”, onde temos (?) liberdade de expressão, sem liberdade economica. O Voto Nulo, o Voto em branco e a abstenção apenas e somente sinalizam que o “caminho” precisa ser social e participativo, com mais direitos sociais e com o abandono imediato da sociedade do medo a qual estamos presos. A ascenção economica dos brasileiros e não dos Bancos e das Transnacionais, por certo em muito diminuiria os desajustes e em consequência a violência que assola sobretudo os grandes aglomerados urbanos. Se um dos dois conseguir atender tão somente as demandas do SUS já teremos uma significativa melhora para todos os brasileiros e veja isso dentro do PIB é muito pouco.

    Um abraço

    Pedro

    • Pois Pedro, o pessoal se esquece de que tanto o PT como o PSDB exerceram e exercem poder político por aqui, em todas as instâncias, e nem por isso tivemos uma mudança de rumos no Brasil, real, estrutural, desde o governo Collor, se o assunto for o modo como o Brasil organiza a sua economia, ou, de modo mais genérico, se o assunto for o traço ideológico do governo em relação ao Estado, embora alguns governos sejam mais competentes que outros do ponto de vista meramente administrativo. Collor é o homem do Consenso de Washington, seguido por Itamar, FH e Lula, e cada um desses caras vai atendendo a fases mais recentes do Consenso, até chegar ao momento presente, quando a privatização “social” da previdência pública, promovida por Lula, é muito mais importante para o capital internacional do que a privatização, por exemplo, dos Correios. O que me enche o saco neste momento é todo o aspecto folclórico estusiasticamente fomentado por tanta gente boa, com esse papo de “PIG”, “fascismo”, essas bobagens, pelo lado de “esquerda”. Pelo lado de direita, tem a Dilma “terrorista”, “aloprada”, etc. E nem o tal Partido da Imprensa Golpista é uma realidade, apenas porque não existe nenhum golpe de estado à vista no horizonte (e por que raio haveria, se as oligarquias nunca lucraram tanto?), nem o Serra é um nazi-fascista, nem a Dilma é terrorista, nem louca, e nem temos dois modelos diferentes de desenvolvimento em questão. Ontem, domingo, tentei assistir, na Band, um debate entre um bonitão do PT e um bonitão do PSDB sobre o Brasil atual, as eleições, etc. Nesse tipo de encontro, o “bem” e o “mal” só faltam sentar no colo um do outro e tascar uns beijos de língua, é realmente asqueroso.

      Abraços.

  11. O que está em questão são projetos de governo que irão nortear nossas vidas em 4 anos.
    O voto nulo não é gostar ou deixar de gostar nesse momento. A representatividade disso é que muitas pessoas inclusive do meio que frequento, a situação ficou tão boa e pervisível com o governo LULA que até agora acham que a situação é consequência da evolução cronológica do tempo e que o que se conquistou é difícil de perder. Daí concordo com Heitor Cony sobre a teoria do otimista. Ledo engano, o que mais ouvi, inclusive porque queria saber, é prefiro não colocar minhas mãos nisso, política é ruim. Mas esse “senso comum” de alguns foi trabalhado pelos anos de ferro e pós anos de ferro que fomos maipulados e direcionados para sermos anti políticos. Viramos massas de modelar pois pelos veículos de comunicação só veiculavam alienação e um grupo se distanciou disso e continuou alerta. A leitura que deveríamos ter é qual a faixa etária dos que votaram nulo, qual a posição social, nível de instrução, renda familiar mensal, enfim uma base substancial de dados a ponto de fazermos inferências. Estamos precisando de estatísticas confiáveis para podermos saber a origem do problema e de maneira democrática levar a público as questões. O voto é a melhor manifestação democrática o que temos que agir é contra o PIG, a boataria, as inverdades, munir o povo de fatos reais e deixá-los construir sua opinião. Precisamos ser mais críticos, nossa liberdade não pode ser cerceada nem tampouco descaracterizada.
    Sou a favor do voto e lamento pela nulidade, gostaria realmente da leitura estatística do resultado para poder aprender mais sobre a imensa complexidade dessa maravilha chamada “ser humano”. Saudações fraternas

  12. Desde a reeleição de Lula, tenho decidido pelo voto nulo. Sempre sonhei com uma mudança na legislação: se a grande maioria votasse nulo, seriam anuladas as eleições e os candidatos não poderiam se apresentar na próxima. Na linha do que Saramago pregou no seu ensaio sobre a lucides. Mas interesses escusos jamais permitirão essa mudança na lei eleitoral. Desta vez, neste 2º turno, resolvi votar em Serra, ou melhor contra Lula. Por um motivo aparentemente simples: desobrigação de consciência diante do que significa a continuação do maior impostor da história do Brasil. Espero, caso Serra vença que ele terá condições de romper o processo de partidarização do estado e que Lula e sua quadrilha petista sejam alijados. Sei que é quase impossível, uma esperança que se situa na linha divisória entre a frustração e a esperança. Mas vale sonhar!

  13. Pois é Prof. Ozaí, ao me manifestar favorável ao voto nulo recebi também centenas de manifestações contrárias e favoráveis, contudo – desconsiderando as ofensivas, que aliás não foram tantas mas as que vieram foram pesadas – há uma “informação” importante nos que optam pelo voto crítico em Dilma, eles não querem de forma alguma assumir compromissos com as atitudes de uma possível vitória da candadata do PT, é como se estivessem dizendo que ” …voto em Dilma, proponho que votem (crítico) em Dilma …” mas não me cobrem por um possível governo de direita e neoliberal como foi o de Lula pois o objetivo maior é vencer o fascista do Serra, basta que não batam em professores em greve, basta que não recriminem os moviementos sociais .. sic … que tudo está perfeito.

    Uma outra questão interessante é o uso da palavra “avanço”, frase muito comum nas respostas é ” … você não reconhece o avanço … ” e não reconheço mesmo, o que reconheço é a “melhora” que é muito diferente de avanço, pois avançar significa ganhar terreno no campo do adversário e isso efetivamente não houve pois ambos FHC (Psdb e aliados) e Lula (PT e aliados) tocaram seus governos no restrito campo do modelo neoliberal, estado mínimo, serviços públicos precarizados, banco central independente (tanto que Meirelles foi o único que entrou e saiu com Lula), privatizações (apesar que aqui FHC fez muito mais), lei de responsabilidade fiscal para garantir o superavit primário, manutenção da desigualdade social, etc. A vantagem de Lula talvez tenha sido tocar seu governo numa conjuntura internacional um pouco mais favorável que FHC, o que de fato possibilitou a ascenção de milhares de trabalhadores de classe, mas ascenderam também os do topo da pirâmide, os lucros dos banqueiros e das multinacionais, os ganhos nas bolsas de valores, os grandes conglomerados nacionais, as empreiteiras, etc.

    Enfim Prof. Ozaí, seu texto joga um pouco de luz sobre a obscura discussão que permeia entre a esquerda sobre o segundo turno das eleições presidenciais de 2010.

    Sds,
    Nelson Breanza

    • A recente campanha Ficha Limpa pode ser um exemplo a ser seguido quando se trata de voto nulo. Considero necessário uma pressão ao STF para que todos os votos sejam considerados válidos e seja cumprida a vontade da sociedade civil. Os partidos não são a sociedade civil e devem continuar tendo o direito de indicar os seus nomes para serem referendados. Entretanto, eu que optei por votar nulo e entrar na campanha pelo voto nulo, tenho também o direito de que minha opinião seja respeitada e considerada. Entretanto, o medo da burocracia estatal de que o reconhecimento do voto nulo seja motivador para que a população proteste é enorme. Imagine mais 30% de eleitores votando na opção nulo e os 26% que não votaram ou votaram em branco ou nulo optarem pela mesma opção. Seria um grande não aos candidatos atuais e às propostas atuais. E poderia ser um grande não ao estado. Há uma parcela desses votos nulos, não posso dizer ao certo quanto, que o fizeram por acreditar que essas propostas não são relevantes ou satisfatórias; há outro grupo que acredita na negação dessa sociedade em que o estado gravitando em torno dos interesses do empresariado nos massacra e controla; e há quem crê na construção de uma sociedade autogerida, sem a presença de um mediador. Uma sociedade livre, uma associação livre entre produtoras/es.
      É evidente que o projeto encabeçado por Dilma e Lula representa a entrada do país no clube dos maiores capitalistas do mundo de cabeça erguida. E que o projeto Serra e FHC é uma entrada triunfalmente vergonhosa que beneficia apenas o alto empreseriado/burguesia brasileira. Estamos entre sermos metrópole e mantermo-nos como colônia do novo imperialismo capitalista mundial. Mas temos outra opção: anular esse estado e seus dublês de ceifeiros e constituir uma sociedade sem mediadores, sem políticos profissionais, sem donos, ou chefes; uma sociedade em que cada indivíduo possa acessar aquilo de que necessite e que ninguém fique como que não precisa.
      Vamos lutar pelo belo e pelo justo… vamos lutar pela autogestão social.

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