Dona Margarida vota Dilma 13!

Margarida da Silva (1940-)

Dona Margarida, septuagenária, nem precisa comparecer à seção eleitoral, mas votou no 1º turno e está decidida a repetir o gesto neste final de semana. Ela acompanha a campanha eleitoral, assiste aos programas, debates e procura se manter bem-informada.

Fui visitá-la e, claro, ela logo puxou o assunto da eleição. Se depender dela, o Serra não se elege. Ela considera-o mentiroso e cínico. Minha mãe não se referia à escola filosófica de Diógenes Sínope (413-323 a. C.). Para esticar a conversa, brinquei: “A senhora quer dizer que ele tem mil caras?!” Ela reafirmou que o demo-tucano mente, se faz por bonzinho e é um sem-vergonha, além de arrogante. Já a Dilma… Bem, ela se desmanchou em elogios.

A opinião da minha mãe espelha bem o que os eleitores convictos da Dilma Rousseff pensam. Não há marqueteiro que consiga demovê-los da decisão de votar nela. Quanto mais a atacam, mas lhes parecem que são mentiras. E não adianta o Serra fazer cara de bom moço e de “presidente do bem”. A pecha de cinismo o acompanha!

Minha mãe não navega na internet. Imagino o quanto ela ficaria aborrecida com a boataria contra a Dilma! A rede reproduz e potencializa as fofocas da vida real. A Dona Margarida comentou que no grupo da terceira idade alguém disse que a Dilma era “sapatão”. Ela ficou irritadíssima com a boataria. E resumiu tudo na frase: “É preconceito!” Tive orgulho dela.

Não tentei demovê-la da decisão de votar na Dilma. Até porque também voto contra o Serra. Poderia, porém, argumentar que há a alternativa de votar nulo ou em branco; poderia listar uma série de razões políticas e ideológicas. Bem, estávamos apenas conversando e respeito as opiniões dela. De qualquer forma, ela me fez pensar.

Ao contrário da Dona Margarida, o meu amigo Walterego diz que vai anular o voto. Ele não milita no PSTU nem nos grupos de esquerda, organizados ou não em partidos, que defendem o voto nulo. Ele não faz campanha pelo voto nulo! Walterego também é esclarecido e tem título de doutor. Já a Dona Margarida não teve oportunidades de estudo e aprendeu a ler e fazer contas por esforço próprio, na escola da vida. Isto não desqualifica suas opiniões. Na verdade, ambos têm argumentos fortes para defender as posições políticas que consideram melhores.

O que os exemplos de Dona Margarida e Walterego mostram é que posição política nada tem a ver com educação formal e titulação acadêmica. O título universitário não indica, necessariamente, inteligência e capacidade política. Não obstante, há muito preconceito contra os pobres e pessoas humildes no que diz respeito à opção política. O preconceito é social e regional (contra os nordestinos). Ora, a atitude política não é determinada por um canudo universitário e o fato de tê-lo não torna ninguém politicamente melhor nem pior. Não é critério de avaliação política. Há muitos analfabetos políticos titulados por aí!

O meu amigo Walterego pode até votar nulo, mas duvido que ele se considere superior à Dona Margarida, aos pobres e nordestinos. Não é porque ele é doutor que sua posição política é qualitativamente melhor. Afinal, há muitos pobres e nordestinos que também votam no Serra. Os preconceituosos esquecem que ninguém se elege apenas com o voto da classe média e dos ricos. O governo Lula, aliás, foi um dos melhores para os ricos. Não estranho que muitos figurões o apóiem.

Por outro lado, boa parte da classe média divide-se entre a postura de tutela dos pobres e o preconceito social, racial e regional. A tutela também é uma forma invertida de preconceito, pois indica a desconfiança na capacidade política dos pobres. Dona Margarida, que vota em Dilma, diria: “É preconceito!” Decididamente, ela não é analfabeta política!

31 comentários sobre “Dona Margarida vota Dilma 13!

  1. Olá!

    Faltam menos de 12 horas pra votação começar e ainda nao sei o que vou fazer qdo chegar em frente á urna eletronica .tenho uma certeza e varias duvidas. a certeza é que nao voto no Serra . apesar da pressão pra votar na Dilma ,ainda nao resolvi .
    Essa coisa de votar no menos pior tem que acabar junto com a obrigatoriedade do voto .Eu procuro votar em quem apresenta propostas reais ,ainda nao vi nenhum fazer isso ,repetem frases soltas .Se houvesse fidelidade partidaria ,poderia votar no partido ,como não há …
    Poderia ainda votar na pessoa ,mas o presidente nao governa sozinho ,no maximo mostra uma direção ,vejo muita gente votando na Dilma por causa do Lula ,acreditam que ela seguirá o que ele começou ,será ?
    Criaturas(e d. Dilma é uma criatura) não costumam obedecer ao criador , se assim fosse ,Adão nao teria feito o que fez, imagine alguem cercado de “conselheiros “por todos os lados .
    Se nao acredito em nenhum dos dois,o mais coerente seria votar nulo .
    Pensando bem ,é tanta gente fazendo sacrificio pela naçao que vou me dar ao prazer de votar como quero ,duro vai ser declarar meu voto, pq vou faze -lo ,tomara nao seja apedrejada !
    não conheço nada mais reacionario que petista contrariado, ainda mais onde moro e trabalho .
    saudações!
    Boa sorte pra todos !

  2. Sinceramente, eu esperava coisa melhor do que sentimentalismo subhetivista. Se o blog é de um acadêmico, escrito para outros acadêmicos, existe um patamar mínimo de argumentação racional que deve primar, acima das emoções e da simples expressão de crenças beatas em algo ou alguém, crenças que valem tanto quanto o exato oposto.
    Argumentos embasados deveriam ser o café com leite de acadêmicos, do contrário vira crônica de costumes, ou literatura para revista de cabelereiro.
    Quando eu abro um texto para ler, espero encontrar algo que enriqueça meu conhecimento sobre a realidade e me faça refletir, se possível com base em demonstrações dotadas de certo sentido lógico e empiricamente fundamentadas.
    Sinceramente, me senti logrado por esta crônica, e isso não tem nada a ver com posições políticas ou escolhas eleitorais: estou falando num plano estritamente acadêmico.
    Acho que temos o direito de ler material acadêmico…
    Paulo Roberto de Almeida

  3. Salve.

    Acessando a internet novamente agora há pouco, antes de pegar no batente daqui a pouco, lembrei-me das Mães de Maio. Vocês conhecem a história, esse senhor que se diz “do bem” é o responsável ao mesmo tempo indireto, por incompetente, e direto, apenas por ser quem é, do massacre de algumas centenas de jovens nas periferias da capital paulista, em maio de 2006, durante a represália enlouquecida, brutal, louca mesmo, da Polícia Militar contra o PCC (?!), após o “partido” haver realizado aquela tremenda balbúrdia na capital e no interior. Pois a PM matou a tiros 600 jovens, entregadores de pizza, ofice-boys trabalhando na periferia, desempregados, alunos do Ensino Médio, esses caras, muitos deles pelas costas. Então surgiram as Mães de Maio, que congrega homens também, exigindo a investigação do massacre e a consequente punição aos assassinos. O advogados das Mães, Dr. Luís Carlos Santos, está, segundo consta, numa espécie de clandestinidade, sofrendo ameaças de morte.
    Isso da parte do PSDB-DEM. Da parte do PT-PCdoB, nem Dilma, nem Mercadante, nem Netinho de Paula, nem Marta Suplicy disseram, dizem ou dirão nem uma única palavra, durante isso que muitos consideram uma campanha “antifascista”, sobre o massacre de maio de 2006 em São Paulo, por que será?

  4. Meu caro COMPANHEIRO Ozaí, como você mesmo disse: VOTO contra o Serra. Como conheço D. Margarida, sei que ela tem um pouco de suas “posições”, de um passado não muito distante, daquele período do Parque São Lucas, São Bernardo e Diadema; daquele período em que você vivia LÁ E CÁ, lembra? (da farinha do Eric).
    INFELIZMENTE todas as mudanças não foram as que gostaríamos, portanto, neste momento o que devemos fazer é: O QUE É MENOS NOCIVO À POPULAÇÃO BRASILEIRA, o que é menos nocivo ao PAÍS. Eu continuo votando contra o PSDB, contra o Serra, continuo não VOTANDO em DILMA mas CONTINUO votando no 13. Portanto, reveja sua posição, não vote em Dilma mas, vote contra o Serra, VOTE no 13. Abraços.

  5. E VIVA Dona Margarida!
    Ela é daquelas que pode “se dizer grata à sua vida inteira”. Eis a mulher!
    Um beijo pra ela.
    Viviane

  6. Como sempre um ótimo texto que nos levam a diversas reflexões. Só tenho a agradecer, obrigado Ozaí.

  7. Caro Ozaí!

    Claro que Da. não é uma analfabeta política. Aliás, como é de se esperar ela está dando lição no filho. Pare e pense, sempre foi assim. Da. Margarida quem lhe deu as condições morais pra ser o grande homem que você é hoje. Mas tem uma coisa hein? aprendi nessa vida que mãe sempre tem razão. Se ela disser que vai chover, leve o guarda chuva. Se disser que vai fazer frio, esqueça a previsão do tempo e leve o agasalho. Se ela fala que votar contra o Serra é votar na Dilma, o que você está esperando? hehhehe
    Abraços em você e na queridíssima Da. Margarida.

  8. Ozaí,
    peço minha exclusão de sua lista de e-mails; onde navega um desqualificado como esse Jeferson definitivamente não é o meu lugar.
    Bom artigo.

    • Caro Fred,

      meu sincero muito obrigado.
      Também não concordo com as intervenções do Jefferson (pelo menos, na maioria das vezes). Porém, penso que a liberdade é a liberdade de quem pensa diferente. Este espaço é democrático – e é difícil mantê-lo democraticamente. Portanto, ainda que discorde respeito as opiniões que divergem das minhas, como também respeito o seu desejo de não mais receber este emails. O espaço continuará aberto à sua contribuição, críticas e sugestões. Volte quando desejar!

      Abraços e tudo de bom,

    • Bom quem ofendeu não foi eu foi você…

      Eu falei contra a Dilma, o Lula, o Fidel louco Castro.
      Me diga a qualidade dessas pessoas?
      Que bem eles estão dando ou deram ao povo, que contribuições?
      Me de referências disso, que concordarei com esses comunistas!

      E caro Professor, deixo essa história de Além do bem e do mal para o pobre do Nietzche.
      Não gostei do que você disse caro Professor, pois todas as vezes que ofendi alguem do blog, pedi perdão. Não vi ninguém tendo esse comportamento em relação a ofensas, só o caríssimo Eduardo.

      A não ser que vocês se sintam ofendidos pelo Lula, Dilma, etc.

      Só isso.

      Saudações

      • Caro Jefferson,

        também não tive intenção de ofender… desculpe…
        Também não me senti ofendido (escrevi, em tom de ironia, que a Dona Margarida se sentiria ofendida; e é verdade, pois ela admirava demais o Lula; claro, ela não lê este blog nem os comentários e, de qualquer forma, eu a pouparia devido à idade).

        No mais, não estou aqui para convencer ninguém… Vc tem as suas respostas para as perguntas que faz e sabe que não concordamos. Cada um segue seu próprio caminho e faz suas próprias escolhas. Apenas acho que devemos tentar manter o diálogo dentro de limites aceitáveis para todos.

        Abraços e tudo de bom,

      • Caro Professor,

        O responder aqui do blog não está saindo de acordo, eu cliquei no responder abaixo do senhor Fred, ele me ofendeu me chamando de desqualificado.
        Me dirigi a ele.

        A segunda parte apenas, me dirigi ao senhor pelo fato de eu sempre ter me desculpado quando o senhor inclusive me chamou a atenção.
        O senhor não me deve desculpas, só tenho aprendido com o senhor independente das diferenças de pensamento, pois sei que o socialismo que o senhor acredita nada tem a ver com o praticado pelos governantes que utilizam o termo.

        Abraços!

      • Caro Jefferson,

        obrigado pelo esclarecimento e desculpe pela confusão. Você tem razão, foi um erro meu não ter observado que o comentário era uma resposta ao Fred.

        Concordo que o Fred não deveria ter usado o termo. É pena que as pessoas abusem de adjetivos para desqualificar o argumento que divergem. É isto que tenho procurado evitar neste espaço. Aliás, vc me chamou a atenção para os comentários ao texto do Lucas (no blog da REA). Você está certo – até porque foi solicitado a você para se conter e não fiz o mesmo com os demais. Esclareço que neste caso fiz questão de publicar os comentários para tornar público certos pensamentos e opiniões.

        Abraços e tudo de bom,

  9. Quanta sensibilidade em relação as contradições humanas!!! Me orgulho em dizer que já fui sua aluna…
    Dilma? Serra? Branco/Nulo? É uma pena, mas parece que as motivações para escolher um voto esteja cada vez mais relacionada aos conflitos pessoais do que um projeto coletivo. Estou confortável, vou justificar o voto…
    Um abraço.

  10. Alô, Antonio! Rapaz, que trouxa eu fui no comentário que fiz antes, não entendi nada do que você quis dizer, fiquei me sentindo um bobão.

    Mas menino, Dona Margarida é parecida em todos os aspectos com uma certa Dona Maria Elísia, essas mães nordestinas têm tudo a mesma cara, são meio mães judias — a minha viu a luz em Boquira, Bahia, no ano de 1938. Mesmo caso, mermão: muito trabalho, muita dificuldade, tudo conquistado a unha, e tudo na vida dessas mulheres é conquista! Fora outras preocupações aí que minha mamãe teve, a vida foi atribulada às vezes, como quando meu pai, operário metalúrgico, acabou dando aquela saidinha básica do país, em 1972, para voltar em 73, sacou? Minha mãe também vota em Dilma, e como vota, não por achar muita graça nela, mas por ter verdadeira adoração por Lula, e verdadeiro asco a tudo que é PSDB-DEM. Mamãe também tem muito pouca escolaridade, e é de uma inteligência vivíssima. Quanto ao caráter, é um Rui Barbosa de saias.

    Shalom (nossas mães são judias).

  11. Pois e assim que conheco a Dona Margarida.
    Eu votaria tambem na Dilma, mas sou contra do Voto Obrigatorio. Deveria ser como na Alemanha, quando cada um decide se vai votar ou nao.
    Eu por exemplo teria que ir ate Frankfurt … sao quase 200 quilometros. Quem paga a gasolina?? Ou, nao e todo mundo que tem disposicao de um carro. Quem paga os bilhetes de trem, que sao carissimos??
    Ninguem!
    Sou contra.

  12. Querido Ozaí:

    Dona Margarida, ainda mora na Zona Leste de SP?
    Essa região segue vermelha como a bandeira do PT… apesar da direção do PT.
    É fato meu estimado, como disse um aluno, quem bate cartão, sabe a diferença.
    Quem anda de ônibus sabe a diferença.
    A vitória da Dilma é vitória de gente como a D. Margarida.
    É uma vitória de uma geração… Daqueles que sofreram torturas, que tiveram medo quando os que apoiam o Serra hoje, governavam…
    Ela sabe também que como aqueles trabalhadores da Conferraz, que abandoados pelos patrões golpistas, ficaram a mingua.
    Sabe disso.
    Sabe que a vitória do PT, mesmo o PT sendo o que é, é algo que dá confiança a classe.
    Que deixa o peão de cabeça ereta.
    O PM de Ilhéus que atacou os trabalhadores rurais gritando “Chama o Lula!”, “Chama o Lula!”, “Chama o Wagner!” mostra o ódio das elites de quando os trabalhadores levantam a voz através das suas representações (mesmo essas deformadas, adaptadas, as vezes até corrompidas…), o povo oprimido, os trabalhadores… se agarram naquilo que construiram para fazer valer sua força.
    É contra o preconceito contra o povo que o PT, deformado, decomposto e tudo mais, segue sendo um partido que a maioria reivindica como seu.
    É a sina do SPD alemão, tão bem estudado pelo Dr. Walterego numa obra masgistral sobre o PT e a Social Democracia.
    O que fazer?
    Prefero o partido bolchevique ao SPD.
    Se houvesse mais bolcheviques na Alemanha talvez a historia mundial fosse outra.
    Mas não existe “Se” na história. Existe na ficção.
    “Os homens fazem a história”, já dizia nosso amigo de grande barba… “Mas não fazem como querem” completava.
    O PT não é revolucionário, faz mais de duas décadas inclusive que perdeu seus referênciais programáticos de independência classe… Mas isso não importa para a Dona Margarida, não é? O que ela quer é usar a ferramenta que ela sabe que foi construida por gente como ela. Por gente como os filhos dela.
    Ela vota pq não quer se defender e sabe que a pureza não resolve nessa hora.
    Ela faz a história. Não é?

  13. Caro Prof.

    Com certeza títulos ou educação formal nada tem a ver com posição política, como nada tem a ver ser inteligente com ser corintiano ou palmeirense.
    Essa posição é subjetiva nesse caso.
    Agora a partir de um momento que a pessoas adquire informação, absorve maior conhecimento sobre determinado assunto, ela tem ferramentas para criticar e mudar de opinião.
    O pior do povo brasileiro não é sua má educação formal e sim seu mal acesso a informação verdadeira e idônea!
    Isso em nosso país é raro, informação idônea!
    A mídia só faz o povo enlouquecer.

    Com certeza a Dona Margarida só tem tal opinião pela Dilma, porque ela é da época que as pessoas tinham a palavra como verdade, bem o contrário de hoje em dia.
    Se a dona Margarida olhasse os vídeos em que a pobrezinha da Dilma aparece mentindo deslavadamente, ela iria com certeza chorar de decepção!!

    Saudações!

  14. Ela é do mesmo estrato de Lula, formada pela escola da vida, resoluta e decidida e não se guia pelo que os “competentes” tentam lhe impor.
    D. Margarida, de um professor doutor quase septuagenário, continue sempre agindo e pensando por sí, meus parabéns. E o resto “é preconceito”.

    • Não faça essa injustiça…Comparar a Dona Margarida com o Lula?
      Pobre Dona Margarida, não a ofenda por favor!

      O Lula é formado pela escola da vida bandida e mentirosa!
      Comunista a la Fidel Castro!

      Esse tipo de “comunismo” a humanidade ja está de saco cheio…

      • Caro Jefferson,

        vc está enganado… o Prof. William não ofendeu a Dona Margarida. Muito pelo contrário.
        Mas, a poupei dos seus comentários, embora respeite sua posição… aí sim, ela se sentiria ofendida.
        Também acho interessante você falar pela “humanidade”. Aliás, sempre leio todos os comentários (inclusive os seus) e a impressão que fica é que vc se coloca acima do bem e do mal. Outro dia até pensei: “O Jefferson deveria ser o candidato a presidente!”. Mas, desculpe… foi um devaneio.

        Abraços e tudo de bom,

  15. Oi, Ozaí.
    Gostei muito desse seu texto. Essa época de eleição tem me deixado mais pensativa que de costume. Mas o que me motivou a escrever foi outro fato: minha mãe nonagenária, tal como Dona Margarida, também fez questão de votar no primeiro turno, debaixo da maior chuva. Infelizmente votou no Serra. Mas, para mim, o que valeu foi seu desejo de cumprir seu ‘dever de cidadã’, conforme suas próprias palavras.
    Motivada por essa ‘escola’, via de regra, nas eleições passadas, sempre procurei ‘tomar partido’, fazer uma escolha num candidato, mesmo que não estivesse muito convicta ou que tivesse algumas discordâncias com as posições e escolhas daqueles em quem votava.
    Nas duas últimas eleições, entretanto, achei que já era tempo de rever minhas posições e não votar apenas no ‘menos pior’.
    Hoje penso que votar nulo, como seu amigo Walterego pode fazer, é também uma tomada de posição, ainda que a mídia e o próprio processo eleitoral teimem em desqualificar o que os votos brancos e nulos indicam.
    Não creio que cabe falar mal de um ou outro candidato, até porque o que vale não é apenas a pessoa em si, mas as forças políticas que ele(a) representa. Infelizmente, para mim, não é possível perceber grandes discordâncias entre os dois.
    A nós, eu, Walterego e outros que conheço, cabe insisitir em dizer que meu voto nulo também é válido; não faço apologia do voto nulo e nem procuro convencer ninguém a tomar essa decisão.

  16. Xiii, Ozaí.

    Desculpe, meu velho, entendi errado mesmo, que burro!
    O meu amigo Walterego andou por esses dias tendo umas experiências meio ridículas do ponto de vista “espiritual”, quis até levantar a voz e etc., mas dei-lhe umas porradas e ele quietou. Perigo é ele vir me dizer que gostou de levar umas bifas…

    Abraços.

  17. Alô, Ozaí.

    Mas viu, que papo é esse de Walterego? Quando eu era moleque e conheci a esquerda, por influência do meu pai, só havia pobres do PT jovem de guerra, entre pobres mesmo e remediados. Havia uns raros caras mais ricos também, alguns muito bons. A esquerda servia exatamente para mobilizar o povo pobre, sem muita onda. Se a esquerda não serve para mobilizar a população e esclarecê-la (não tutelá-la, esclarecê-la), para que pode servir? E esse negócio de analfabeto político, ó, vou te contar. Tenho a impressão de que a confusão é tão grande, o ruído é tão estridente, que você encontra analfabetos políticos em tudo que é canto, em todas as classes sociais, graduados ou não graduados. E o que grassa hoje pelo mundo não é só o analfabetismo político; estamos vendo também o obscurantismo mais tradicional deitando e rolando, com explicações pseudocientíficas sobre todas as coisas, um espiritualismo fuleiríssimo, enfim, a época em que vivemos é toda esquisitona. Está tudo ao contrário, mermão.
    Mas e essa do Walterego? Você também vai tirar uma chinfra com a cara de quem anula o voto ou deixa de votar, ou entendi errado? Temos o dever de ir contra tudo que é confusão: a Dilma não é sapatão, nem terrorista, nem aloprada, nem louca, e o Serra não é fascista, nem foi feita nenhuma reuinião entre FH e capitalistas estrangeiros para vender o Brasil, etc. Serra é nojento de embrulhar o estômago, mas não é preciso ser fascista pra ser nojento, e é claro que Dilma e Serra são diretamente sustentados pela roubalheira, porque tudo na política atual é roubalheira. Se girtar “pega ladrão”, não fica um — a corrupção cristalizada no governo do PT é um fato, mas não devemos denunciá-la, apontando-a como aquilo que realmente significa, senão seremos iguais aos burguesezinhos fedorentos que queimam índios ou agridem empregadas domésticas.
    E então, quem não quer saber de nenhum dos dois equivale àquele tontinho criado pelo Angeli? Vai se desdizer mesmo, ó meu bom?

    Lembrando Teotônio: Ora, ora, ora, ora.

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