O Pasquim – A Subversão do Humor

Em 1969, ano particularmente duro no regime militar, surgiu no Rio de Janeiro “O Pasquim”, tablóide que, com sua irreverência, humor e anarquia, daria uma nova roupagem e linguagem ao jornalismo brasileiro, uma forma mais coloquial à publicidade e causaria um forte abalo nos níveis da hipocrisia nacional. A TV Câmara conta no documentário “O Pasquim – a Subversão do Humor”, através dos principais personagens desta história, como ele invadiu o Brasil, enfrentando a censura e a cadeia com o riso aberto, como se fosse mais uma das farras da turma de Ipanema.
Em O Pasquim, Jaguar, Ziraldo, Sérgio Cabral, Luiz Carlos Maciel, Marta Alencar, Miguel Paiva, Claudius, Sérgio Augusto, Reinaldo, Hubert lembram como se escreveu esta página da nossa história e Angeli, Chico Caruso, Washington Olivetto e Zélio como ela foi determinante para as páginas seguintes.

Ninguém ficou rico com a publicação, embora ela tenha vendido nos seus melhores tempos, entre 1969 e 1973, até 250 mil exemplares. Um volume acima do razoável, se lembrarmos que os jornais de tiragem nacional rodam hoje, mais de 30 anos depois, com toda a informatização, a facilidade de distribuição e as fortes campanhas de assinantes, cerca de 300 mil exemplares.
A verdade é que o comportamento da chamada Patota do Pasquim era tão anárquico quanto o conteúdo do jornal. E o que ganharam gastaram entre prisão, brigas, festas e altas dosagens etílicas. Bem que os militares e a elite brasileira tentaram sufocá-lo diversas vezes e de formas variadas mas, quando conseguiram, ele já havia disseminado uma nova forma de comportamento nos meios de comunicação. Como diz Jaguar, a imprensa tirou o paletó e a gravata, ou, como diz Olivetto, passamos a escrever e nos comunicar com língua de gente, do povo.

TV Câmara
Download do vídeo na íntegra (44′) em: http://www2.camara.gov.br/tv/chamadaE…

6 comentários sobre “O Pasquim – A Subversão do Humor

  1. Eu queria saber se foi verdade, na entrevista com Flávio Cavalcanti (Argh…) o Tarso de Castro chegou atrasado e o Ziraldo com ares ditatoriais chamo-o a atençâo, no que o Tarso deu-lhe uma porrada. A partir daí -já que tinha falado uma porrada de merda-, Flávio pediu as fitas para editar, senão contaria a merda toda. É vero, esse imbroglio?

  2. Existiu o “Binomio” em Minas Gerais, antes do Paquim, jornal independente que não aceitava propaganda, anuncios do governo, e que começou com a coragem de dois universitários, humor e linguagem livre. Tornou-se um grande jornal e que, até os dias de hoje, é motivo para teses em universidades. Seu criador foi Euro Luis Arantes que trabalhava, ainda universitário, em jornais de Belo Horizonte.

  3. Maravilhoso…Já vivi algo semelhante com o BINôMIO, BH, MG, Euro Arantes e muitos outros da mesma raça…

  4. Grande contribuiçao ao nosso conhecimento ou relembramento da historia recente. Pessoalmente, o que mais me chamou a atençao foi a revelaçao do Jaguar de que a primeira ediçao do Pasquim saiu sem copidesque (ou ainda se escreve copy desk?) por falta de tempo para dar à entrevista do Ibrahim Sued uma “forma jornalistica”. Dai resultou uma revoluçao na linguagem jornalistica no Brasil, que nunca mais foi a mesma.
    E a historinha do Sergio Cabral, do sargento que abriu a porta da cadeia para eles poderem conversar à vontade, sentaram na escada e pediram cerveja, depois um violao, e quem acabou tocando foi o soldado que estava de guarda e que teve que passar a metralhadora ao Sergio, é uma delicia.
    Vi as cinco partes e acho que valeu.
    Obrigada, Ozai, e um abraço.

  5. Hoje, vivemos a concordância morna o que resulta na ausência de novas lideranças.
    A subversão da ordem e do progresso é que possibilitam o surgimento de cabeças pensantes que não sejam afogadas nos cargos políticos com que muitos foram e são cooptados.
    Nossos antigos “militantes” estão hoje encastelados nos cargos do governo e aqueles que “ameaçam” a democracia das velhas oligarquias que caem de podre sem deixar herdeiros, procuram substitutos que possa velar sobre seus cadáveres insepultos.

  6. Alguém já dissera que: “A arte é uma confissão de que a vida não basta”! E saber fazer bom humor é uma arte e são poucos os que sabem!…

    Como viver e con-viver sem ver também o lado fantástico das coisas? Quando se muda a forma de ver as coisas, as coisas mudam de forma !…

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