É apenas um filme?!

Certa feita, minha filha assistia a um filme na TV. Embora não suporto filmes dublados, por alguns instantes fiz-lhe companhia. Esqueci que ela detesta interrupções quando está diante do templo midiático e, imprudentemente, disse: “Este filme é um atentado à inteligência”. Continuei a argumentar. Ela interrompeu e, sem disfarçar a irritabilidade, sentenciou: “Pai, é apenas um filme!” Parei e pensei: “Ela tem razão. É só um filme!” Tempos depois, ao conversar com um amigo sobre cinema, mas sem lembrar este ocorrido, comentei enfaticamente: “É apenas um filme!”. E, novamente, irritei outro interlocutor. Foi preciso contemporizar para a conversa continuar.

Sou dos que adoram assistir a filmes. Em minha adolescência, em São Paulo (capital), costumava ir ao matinê, aos domingos,  no cinema do bairro Sapopemba, Zona Leste. Assistia a filmes de bang-bang (Django, Trinity, etc.), western spaghetti (bang-bang a italiana), Tarzã e outros. Devo ter assistido a Dio come te amo várias vezes. Recordo que, no início da década de 1980, os amigos e companheiros do Parque São Lucas improvisavam uma tela em praça para passar filmes como “O homem que virou suco”. Era uma ação militante. Naqueles anos, aprendi a manusear o projetor 16 mm, com o qual passava filmes com conteúdo político e social em salas da Igreja e na subsede do Sindicato dos Metalúrgicos em Diadema. A chegada do videocassete facilitou e ofereceu mais opções de filmes. Houve uma fase que tinha programação constante de filmes. Era proposta uma lista de filmes e assistíamos o mais votado. Depois, já como professor no ensino fundamental e médio, em Diadema e no Guacuri (Zona Sul), utilizava o recurso fílmico. Essa prática foi mantida no ensino superior.

Portanto, posso ser criticado por muitas coisas, menos pela falta de gosto pela chamada Sétima Arte. Não obstante, não sou crítico de cinema e pouco sei sobre as questões teóricas e técnicas. Vejo os filmes como meios de conscientização política e recurso pedagógico. Devido à minha formação como sociólogo e cientista político, dificilmente os filmes serão mero entretenimento. Eles contribuem para a reflexão, enriquecem o conhecimento histórico, estimulam e subsidiam temas políticos, sociais e sociológicos.

Neste ano, assisti a vários filmes relacionados ao conteúdo e temas que trabalharei com meus alunos no semestre letivo. Os filmes não substituem os livros, textos e a exposição e análise teórica e conceitual, mas colaboram para a compreensão do contexto histórico, político e social vinculados aos autores e obras que estudaremos. São, portanto, recursos didático-pedagógicos importantes. A questão é saber usá-los.

Dessa forma, devo admitir que o filme não é apenas um filme. Ainda que a minha filha assim imagine, mesmo o filme mais ingênuo passa uma mensagem ideológica e é produto das relações sociais, políticas, econômicas e culturais. São os fatores que envolvem a produção do filme, e o contexto sócio-político, que fazem dele algo muito mais significativo do que parece ser.

Em 2010, assisti cerca de 125 filmes (incluindo documentários e musicais)*; neste ano, até o momento, foram 38.** Aprendi muito, mas também vivenciei muitas emoções – como diz aquele cantor aclamado rei! Foram imagens, palavras e histórias que me fizeram refletir, rir, e, admito, até mesmo chorar. Algumas vezes, ainda que momentaneamente, até criaram a ilusão de que eram reais e me fizeram esquecer que são criações artificiais; noutras, me irritaram a ponto de me perguntar por que insistia em assistir. Mas, sobretudo, fortaleceram em mim a noção do humano demasiado humano que somos. Decididamente, o filme não é apenas um filme!

24 comentários sobre “É apenas um filme?!

  1. olá, descobrir seu blog e fiquei muito satisfeita pela dica do filme, e tenho algumas sugestões, espero que você goste, Céu de Outubro, Além da Sala de Aula, Nenhum à Menos, O triunfo, Professor por Excelência.

  2. Ozai. Na hora que li “É apenas um filme”, acima, como resposta ao Oleanna, não tinha percebido a provocação, aliás você é mestre nesta arte. Agradeço-lhe tb me fazer lembrar de seu ensaio sobre este assunto e nossa discussão. RECOMENDO AOS LEITORES A LEITURA DESTEs ENSAIOs E DOS COMENTÁRIOS. Do primeiro, grifei o que você escreveu: “[…]Vejo os filmes como meios de conscientização política e recurso pedagógico. […]Dessa forma, devo admitir que o filme não é apenas um filme. […] Decididamente, o filme não é apenas um filme!” (Antonio Ozai).
    EM TEMPO, existe um recente filme-doc do iraniano Jafar Panahi, que além de preso domiciliar por 6 anos, tb está proibido de filmar, dar entrevistas, viajar, escrever roteiros. Seu último filme “Isto Não É um Filme”, de 2011, saiu do país em um pendrive escondido dentro de um bolo. Além de Panahi, o cineasta Mohammad Rasoulof também recebeu a mesma pena. Ambas aconteceram no governo de Mahmoud Ahmadinejad, que a ala esquerdopata adorava.

  3. Professor:
    Fiz várias anotações da sua lista, gosto muito de filmes.
    Então, atrevo-me a sugerir alguns títulos, talvez o senhor os tenha visto, mas…
    Gente que me conhece diz que gosto de “filme esquisito”, fazer o quê?
    Sugestões:
    Tartarugas podem voar
    A língua das mariposas
    O jarro
    A cor do paraíso
    A voz do coração

    • Ana,

      meu sincero muito obrigado por ler, comentar e sugerir.
      Das suas sugestões, ainda não assisti “A cor do paraíso” e “A voz do coração”. Vou procurar.

      Permaneço aberto às críticas, sugestões e contribuições.
      Abraços e bom final de semana,

  4. Identifico-me muito com sua postura perante os filmes. As reações de sua filha e dos doutos são os extremos da matriz: alguns querem o filme para diversão sem compromisso, como distensão, lazer, sem apelativos a maiores responsabilidades; no outro extremo, está o suposto entendido da arte que, com suas regras de distinção sobre gosto, pretende definir, unidimensionalmente, pertinência para determinadas produções. No meio do caminho, estão pessoas como nós, que podem buscar desde filmes que são deliberadamente produzidos para o nicho de “consciência social” até o mais clássico besteirol norte-americano, mas que sabem transformar tais extremos em questões para debate em ciências sociais, pois, afinal, não são pedras que produzem filme, mas seres humanos que vivem em sociedade.
    Todo filme é instrutivo de alguma forma, dependendo da questão que se lance sobre o mesmo por identificarmos o tipo de valor que veicula através de determinados padrões de emoção e catarse. Um filme produzido para ser de “consciência social” na década de 1970, por exemplo, tinha agendas próprias de questões que não exercem o mesmo apelativo emocional sobre a geração que vive os resultados das conquistas daquilo que, no momento de produção do filme, eram direitos a serem conquistados. Então, quando escolhemos um filme que mexeu emocionalmente conosco em função das questões deliberadas de consciência social de sua época de produção, isso pode não servir como motivador temático para alunos mais novos que não viveram as mesmas questões, se sua expectativa é que os alunos tenham a mesma reação e interesse emocionais (e políticos) que você.
    Tenho visto o quanto que questões de direitos das décadas de 1950 e 1960 nos EUA têm sido reconfiguradas no cinema da primeira década do século XXI para novas gerações, numa linguagem que tem o sentido de instruir sobre diferenças geracionais e provocar o não esquecimento sobre como “as coisas eram” para se valorizar o que se vive como resultado de conquistas que não podem ser esquecidas e, portanto, que devem ser valorizadas e aperfeiçoadas. Este tipo de filme sobre uma época não terá a mesma linguagem “engajada” de filmes sobre direitos civis produzidos na época.
    Do ponto de vista do interesse emocional, por exemplo, os filmes dramáticos de hoje que têm como pano de fundo, ou motivação, o tema dos direitos civis nos EUA – tratados através de dramas de indivíduos com os quais o telespectador possa sentir empatia pessoal –, teriam muito mais “apelativo didático” (se a intenção for usá-lo como recurso de motivação temática para um debate em sala de aula) do que um filme com a “linguagem engajada” produzido na época dos direitos civis que apelasse para personagens coletivos abstratos: o partido, o movimento, a revolução, etc.
    Atualmente, não há filmes dramáticos que consigam, ao modo de Eisenstein nas décadas de 1920 e 1930, produzir a atenção no “grande público” sobre temas politicamente e sociologicamente complexos através de personagens coletivos. O recurso é, invariavelmente, o mesmo: condensação de temas complexos através de dramas individuais. Ou seja, a geração atual massiva de cinéfilos, mesmo inconscientemente, tem uma “expectativa emocional já canônica” sobre a fórmula básica dos filmes: eles devem apelar para a velha fórmula literária romântica do “drama burguês”. Nesse sentido, só para usarmos extremos exemplares, poderíamos dizer que somos mais habitualmente “burgueses” do que “eisensteinianos” em relação à experiência e ao horizonte de expectativa da linguagem dramática do cinema.
    Então, escolher o filme como motivador didático não é simples, dependendo de seus propósitos, pois o que emocionou a sua geração de “engajados” pode não mais mobilizar a sua filha, porque faz parte de vivências intransferíveis, geracionalmente distintas, de conquistas de direitos. Um filme norte-americano com a linguagem engajada e as agendas das décadas de 1960 e 1970, por exemplo, não tem mais sentido, até mesmo em sua linguagem e motivos provocadores, para a geração que vive, mal ou bem, as conquistas de determinados direitos e as transformações de padrão de autoridade e pudor nas famílias.
    Assim, caro Ozaí, a indiferença de sua filha sobre uma “determinada postura perante um filme” pode ser o resultado paradoxal de suas lutas e conquistas. Por isso, como recurso de motivação didática para debates, devemos ter atenção em relação ao tipo de emoção e posição provocada pela linguagem de um filme e se consegue efetivamente provocar o tipo de emoção/interesse para determinada discussão. O contexto de recepção sempre conta e é histórica, psicológica, sociológica e antropologicamente determinado…
    Obviamente, não devemos confundir filme como recurso didático, ou motivador didático para debates, com o uso do filme como fonte. Neste caso, a linguagem, os valores e os apelos emocionais que um jovem pode não perceber num filme deverá ser explicado pelo professor, principalmente quando lidamos com filmes mais antigos ou de culturas distantes e, portanto, distantes do habitus do aluno. Neste caso, o aluno está sendo estimulado a analisar a forma e sentido da mídia em função de sua época de produção, o que significa que o aluno será instruído no sentido de buscar, ao modo histórico-antropológico, encontrar o “Outro” em seus sistemas próprios de valores, signos e referências morais, entendendo que tal “sistema” está aberto e que o filme é um evento que se inscreve e se posiciona não passivamente em tal “sistema”. Enquanto evento, um filme pode ser ratificante de, ou causar transformações e conquistas em, um “sistema”.
    Em tal situação, o trabalho deve ser bem arqueológico com o aluno, mostrando conjuntura de produção, tipo de linguagem, a temática do filme, os motivos acionados, a escolha de abordagens sobre determinada temática em função de valores, interesses e agendas de determinada produção fílmica, as técnicas disponíveis para efeitos sonoros e visuais, assim como, o plano referencial de uma obra em função de um campo de debate já consolidado, em processo de consolidação ou em processo de desagregação.
    Uma boa forma didática de estimular no aluno tal percepção do filme como evento referido a um habitus (no sentido de Bourdieu e Elias) é trabalhar com obras com linguagens contrastantes, por exemplo: o sujeito coletivo em Eisenstein versus o heroico self made man western norte-americano, pois a forma de produzir emoção e motivos para catarse sobre determinados valores não será igual. Outra forma de estimular esta percepção é trabalhar com “remakes”, por exemplo: Guerra dos Mundos (1954 e 2004), O dia em que a Terra Parou (1951 e 2008), etc. Em todo caso, é nossa pergunta e a capacidade de um filme respondê-la que transforma um filme em fonte/evento referido a um habitus.
    Sendo assim, não precisamos ser críticos de cinema (i.e., aderirmos a um princípio de “gosto” de nichos sociais e culturais específicos) para analisar um filme como evento, mas os regimes de gostos dos críticos não podem ser ignorados se percebemos que são ou foram compartilhados por aquelas pessoas que criaram um “resultado fílmico” em determinada época e lugar. Também devemos ser sensíveis com algo que, com linguagens e regras próprias, propõe teses morais e valores através da emoção dramática. Se você, como expectador, se deixa levar pela emoção proposta para determinados temas, seguindo o pathos proposto para determinado ação dramática, um bom exercício de autoanálise pode emergir disso: se choro ou rio nos momentos e situações em que o filme propõe tal pathos, devo estar atento para o tipo de valor/identificação que, consciente ou inconscientemente, compartilho com o filme.
    Pense, por exemplo, naquele formato de filmes norte-americanos que, a partir de “Flash Dance”, veiculam para jovens urbanos da geração Yuppie a idéia da superação heroica individual das adversidades, em que estas são apresentadas mais como um “desafio moral middle class” – vinculado à tópica protestante da rendenção individual – do que um “problema social”. Observe como isso é explorado em “Em busca da Felicidade”, em filmes (pós-) apocalípticos ou em “filmes catástrofes” centrados nos “resgate da família”, em que os heróis são “homens comuns” (middle class).
    Ora, tais filmes são característicos da geração emocional e política pós-engajamento ou – termo infeliz – pós-“ideologia”. Pense em filmes norte-americanos da década de 1980 (época de recessão) que, através da figura de vingadores urbanos e uma estética “dark punk”, trataram problemas de violência vinculados à exclusão social (segundo a nossa visão de cientistas sociais) como “doença moral” (paradigmaticamente, vêm-me à mente “Stallone Cobra”), ou que localizam a decadência moral (“a América – WASP – está se perdendo”) em determinados nichos sociais ou culturais: o imigrante, o japonês, o árabe, o latino, o chinês, etc.
    As teses morais vinculadas ao tipo de emoção acionado podem tonar qualquer filme – independentemente das regras de gosto dos críticos de arte – um evento/fonte a ser analisado pelo cientista social. Como evento, o filme tem o seu próprio regime de tempo vinculado a técnicas específicas de condensação e metonímias (variáveis conforme a tradição de linguagem e recursos disponíveis) que constroem emoção e plausibilidade para determinadas teses morais devido ao modo como propõe sequências imagético-sonoras, ao modo como propõe elenco e sugere performances para os atores. Nesse sentido, se o filme é analisado como evento, devemos considerar que as técnicas e visões sobre edição, sobre a performance dos atores (ou como determinados papéis foram propostos para atores convidados já consagrados) e sobre o uso da música, que criam uma temporalidade própria de emoção para teses morais, não podem ser ignoradas pelo cientista social. Para este, uma vez atento para a singularidade das fontes, um “filme nunca é um filme”… E daí?!…
    No entanto, devemos ter senso de ocasião: não tornar toda audiência excessivamente séria quando nossos familiares querem apenas uma “diversão”. Toda “diversão” se inscreve inevitavelmente em valores e, portanto, não é possível ser “crítico-analítico” o tempo todo, pois correríamos o risco, inclusive, de ser “policialescos” e obliteradores da “poética das piadas”, que renova o repertório de motivos numa cultura.
    Aliás, para sermos analíticos em relação a filme, devemos nos deixar levar pela emoção proposta por este e, em outro contexto, analisar porque nos deixamos levar por tal emoção. Fiz isso certa vez com meus alunos (na verdade, alunas, tal como sua filha), ao pedir, sem questão prévia, que assistissem a “Uma Linda Mulher”. Depois que foram levadas pela emoção, analisar o tipo de catarse e causalidade proposto no filme (e vivido por elas ao assistir-lhe) tornou muito mais eficaz a discussão sobre “ideologia protestante, motivos morais middle class da literatura anglo-saxônica e modo de produção flexível”.
    Se eu tivesse feito a discussão temática previamente e pedisse para assistirem ao filme, eu perderia o que mais me interessava nesta experiência: que elas vivenciassem a emoção do “conto de fadas” e, depois, de dentro desta emoção, emergissem para a autoanálise ideológica e, ainda depois, para a análise do tipo de causalidade proposto no filme. Com isso, puderam perceber o “fieri” do filme e seu modo de propor teses morais – assim como, o seu modo deliberado de explorar estereótipos e esvaziar questões sociais sobre droga e prostituição, visando a manter o mainstream mercadológico de um “conto de fadas” para os estúdios Walt Disney – através de emoções que valorizavam como clímax o resgate moral middle class (um motivo recorrente da literatura romântica anglo-saxônica) da prostituta e do empresário como soluções para a recessão econômica e desemprego nos EUA de finais da década de 1980. Portanto, o filme propunha um tipo distinto de causalidade e solução para tais problemas quando comparado com as hipóteses causais de críticos sociais e culturais da mesma época, tais como F. Jameson e D. Harvey, para os quais os problemas sociais e econômicos nos EUA decorriam do “modo capitalista de produção flexível” e da consequente “desregulamentação do Estado de Bem-Estar social”.
    Assim, as alunas tiveram a ocasião para viver o filme como entretenimento e a ocasião de analisar o filme como cientistas sociais. Momentos distintos para emoções, mas que podem ser complementares quando o interesse for transformar um artefato cultural de entretenimento (que, por excelência, apela para emoção) em fonte para as “análises sérias” do cientista social. Portanto, o ponto de partida para a análise de um filme como fonte/evento deve ser encará-lo necessariamente como resultado dramático, ou seja, não devemos fragmentá-lo em questões analíticas antes de vivenciá-lo em sua completude teleológico-pática.
    Então, Ozaí, não interrompa a sua filha se ela estiver vendo um filme pela primeira vez, ou revendo-o depois de muito tempo. Deixa o filme acabar, pô!… Então, converse sobre o filme depois, talvez durante uma segunda audiência – se ela quiser… (rsrsrsrs…)

    • Caro Alexander,

      muito obrigado por ler e comentar o texto.
      Seu comentário é instigante e nos ajuda a pensar várias questões sobre o filme. Proponho que tome-o como base para um possível texto a ser publicado no BLOG da REA. Será uma contribuição importante aos leitores. Se vc quiser fazer algo mais aprofundado, pense num texto para a revista.

      Muito obrigado.

      Abraços e tudo de bom,

  5. Que maravilha! É muito gratificante quando encontramos alguém que partilha de nossa opinião, mesmo que seja apenas para falar de filme. Apenas? Não. Assim como você, penso que sempre se pode refletir diante da tela. Rir, chorar, indignar-se, entre outras emoções…e são muitas.

  6. Olá Ozaí,

    gostei muito do seu texto. O cinema é, de fato, um valioso instrumento reflexivo. Uma cena carrega sempre uma ampla gama de significados, como você disse, pode mexer com os nossos sentimentos mais reprimidos, mais humanos. É impressionante como os trejeitos de um ator ao interpretar um personagem ou o movimento da camera em uma determinada sequência podem nos desestabilizar. O cinema é realmente necessário.

    Abraços,
    Vinícius

  7. Ozaí,

    O post contextualiza e esclarece o uso de filmes como recurso pedagógico. Eu também já usei e, ainda, vez ou outra, uso filmes com esse sentido. Contextualização, análise, definição de relações, significado aparente, implícito, etc. Tudo isso, porém, não obscurece o fato de que a chamada Sétima Arte seja, antes de qualquer coisa, um produto. Apenas um produto. Um produto feito para consumo dentro da indústria do entretenimento. Sua filha está certa!

    Um abraço,

    Vieira

  8. Sábia conclusão!
    “O filme não é apenas um filme”. Sou um cinéfilo por excelência. Aos 61 anos, eu posso dizer que assisti as melhores películas de todos os tempos e na época que foram lançadas! Dos desenhos de Disney aos grandes dramas; dos farwest aos musicais; dos espetáculos de guerra aos documentários. Não me esqueço de dois desses últimos:
    O Drama no Deserto (década de 50) e Corações e Mentes. Espetaculares.
    Mas assistir um filme é sonhar, projetar a sua existência, viver um herói, ser um “mocinho”, encontrar um grande amor, ser idolatrado. Esta verdadeira arte nos possibilita gostar de pessoas que nunca vamos nos relacionar, mas é como se fossem da nossa família; os atores e atrizes que nos identificamos e que vamos ver o filme que estejam atuando e basta. Na minha época os atores americanos dominavam. No fim dos anos 50 surgiu uma atriz francesa que botou o mundo de cabeça para baixo: Brigitte Bardot! Os USA não ficaram para trás. Na década de sessenta, aparece nas telas uma mulher tão bela e sensual que a francesa: Jane Fonda, em Barbarella.
    No cenário brasileiro, Oscarito e Grande Otelo eram os nossos expoentes. Renata Fronzi era a atriz opulenta, um sonho para nós, adolescentes, de um idílio amoroso impossível!
    Eu vi filmes extraordinários: de aventuras, suspense, intimistas (Gritos e Sussurros, de Bergman, um soco na boca do estômago, e o fantástico Império dos Sentidos, que revolucionou o mundo por conter sexo explícito).
    Meus sentimentos foram exaltados em filmes; meu coração bateu mais forte em cenas de filmes; a mulher sonhada em sua beleza e meiguice foi em filmes; as grandes vitórias de uma vida foram em filmes.
    Eu precisava, no entanto, fazer da minha vida se não um filme, que tivesse um roteiro, um script a seguir e, na medida do possível, que eu fosse o ator principal. Vá lá que eu me tornasse um canastrão em representar para mim mesmo, mas eu teria de ser o nome maior, aquele que encabeçava o cast, que daria significado à existência. Ora, como os filmes de “amor” sempre foram nostálgicos (o melhor título para mim de todos os tempos, que felicito o tradutor pelo momento de genialidade foi, “Suplício de uma Saudade”. A música toca até hoje, e a maioria dos cantores do mundo – incluindo brasileiros – a tinham em seus repertórios) e de modo a não sentir o coração palpitar em vão, casei-me aos 20 anos. O meu grande amor está comigo há quatro décadas, sentada ao meu lado, enquanto escrevo as minhas recordações que os filmes tão agradavelmente me trazem.
    Pois estas imagens inesquecíveis me ajudaram muito durante a minha vida a separar ilusão da realidade, a ponto de afirmar que a minha história de vida poderia ser filmada e daria um filme muito bonito, pois houve a paixão avassaladora, o grande amor que venceu o tempo e as dificuldades, filhos bem encaminhados e todos formados (três), e duas netas, amadas e adoradas pelos avós.
    Que lindo filme!
    Parabéns, sr. Ozaí, pelo assunto proposto. Que momentos bons eu passei assistindo filmes os mais variados, que contribuíram para enriquecer a minha mente dando aos meus pensamentos um formato de Cinemascope e Technicollor (filmes em tela grande e coloridos), que me projetaram na arte de viver e saber conduzir e unir uma família em prol de de objetivos comuns, com base no caráter, personalidade, honra e decência. Um roteiro muito parecido com um seriado na televisão da década de sessenta, que se chamava “Papai Sabe Tudo”. Uma certa pretensão o título, mas trazia consigo uma importância significativa, haja vista que se esperava de um pai que ele soubesse resolver os problemas e as agruras rotineiras de uma família. O final de cada capítulo sempre trazia uma mensagem positiva e de criatividade daquele homem que, juntamente com a sua mulher, encontravam as soluções para os problemas.
    Sem dúvida nenhuma, “o filme não é apenas um filme!”

    • Caro Francisco,

      muito obrigado.
      Seu comentário instiga a reflexão. Seria ótimo se vc aprofundasse as questões que levanta a partir da sua experiência. Acho que dará um belo texto.

      Permaneço aberto à crítica, sugestões e contribuições.
      abraços e tudo de bom,

  9. Caro Ozaí,

    De pleno acordo. Como colega de profissão e formação, também uso os filmes como recursos didáticos, sabendo que nenhum filme é ‘apenas um filme’. Nada é assim tão inocente!

    Paulo/Minas

  10. oi, Ozai, eu também fico arrepiada quando alguém procura conversar comigo enquanto estou vendo um filme. No cinema nem se fala, mas em casa fica ainda mais irritante, tanto mais que as outras pessoas teem o direito de circular e falar – mas nao comigo…
    O que a sua filha quis dizer é que era hora de cinema e nao de conferencia, imagino.
    Isso dito, concordo com você – um filme é algo mais do que imagens em movimento e som aliciante ou instigante.
    E também gosto muito quando você recapitula fatos de sua adolescência militante, das sessoes no sindicato… – quem sabe ja da um filme, professor?
    Um abraço,
    Regina

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