Vale nota, professor?!

*“… viva a certeza de que faz parte de sua tarefa docente não apenas ensinar conteúdos mas também ensinar a pensar certo. Daí a impossibilidade vir a tornar-se um professor crítico se, mecanicamente memorizador, é muito mais um repetidor cadenciado de frases e de idéias inertes do que um desafiador”. (Paulo Freire, 1997: 29)

“Se se respeita a natureza do ser humano, o ensino de conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando. Educar é substantivamente formar”. (Id.: 37)

Paulo Freire (1921-1997)


Educadores críticos como Paulo Freire nos ajudam a refletir sobre a prática docente. Mas, toda reflexão embute um certo sofrer; e este sofrimento é ainda maior quando identificamos que a teoria pedagógica, isto é, os fundamentos e modelos que incorporamos, contribuem para aumentar as dificuldades presentes no processo de ensino-aprendizagem. Entre a teoria e a prática há uma distância nem sempre fácil de percorrer. Assim, ainda que nossas certezas teóricas nos levem a assumir uma determinada postura como educadores, somos desafiados cotidianamente pela realidade da sala de aula.

A título de analisarmos os desafios e angústias da prática docente, adotemos alguns exemplos hipotéticos:

  1. O (a) professor (a) “X” ministra aulas para duas turmas, em horários seguidos. Ele (a) aplica a prova para primeira turma e esta, no intervalo, passa as questões (e respostas) para a segunda turma. Posteriormente, o (a) professor (a) fica sabendo do ocorrido, e irado (a), afirma que a prova será anulada para ambas as turmas. Os alunos, é claro, não aceitam. O que fazer?
  2. Numa certa manhã gélida o (a) professor (a) dirige-se à escola para ministrar aula e, lá chegando, se vê diante do seguinte fato: seus alunos mataram a aula para estudar a matéria do (a) outro (a) professor (a), que aplicou a prova na aula seguinte. O que fazer?
  3. A aula do (a) professor (a) “Y” é interrompida pelo (a) professor (a) “Z” para informar aos alunos sobre a disponibilidade de monitoria em sua disciplina. Os alunos escutam-no atenciosamente, mas não esboçam reação nem fazem perguntas. Não contente em apenas “dar o recado”, o (a) professor (a) “Z” adota um tom de ameaça velada e sugere aos alunos que procurem a monitoria e façam um “estoque de notas”.

Nestas hipóteses, o fator fundamental que salta aos olhos é o objetivo e/ou a necessidade da nota. O (a) aluno (a) precisa estudar não para aprender, não para se formar e se educar – no sentido freireano – mas para tirar a nota, fazer um estoque de notas e obter o diploma. A avaliação torna-se o fim e não um meio, entre outros, da prática pedagógica. Os alunos sabem que não podem se esquivar de fazer o “estoque de notas”, reconhecem que determinados (as) professores (as) serão mais exigentes, isto é, dificultarão ao máximo (quanto maior o número de reprovados em sua disciplina, mais terão a fama de rigorosos); os alunos sabem-no e, por isso, adotam estratégias de sobrevivência (a cola, o “matar a aula” para estudar a prova da outra disciplina, a compra de trabalhos, via internet ou de algum conhecido (a) que vive dessa prestação de serviço, etc.). O (a) aluno precisa “fazer o estoque de notas”, passar de ano, pegar seu diploma.

A exigência da nota determina o agir dos alunos e professores, angustiando uns e outros – sem contar os sádicos e masoquistas. A nota não prova inteligência – acaso o saber pode ser quantificado?! – mas a capacidade de memorização ou de enganar o (a) professor e a si mesmo. A prova nada prova, mas é instrumento de poder e, em certos casos, de autoritarismo; em outros, simples recurso que encobre a insegurança do (a) professor e sua incapacidade de garantir a ordem na sala de aula. Que seria dos (as) professores (as) sem as notas? Que seria dos alunos sem a auto-ilusão de que suas notas expressam conhecimento? Que seria do sistema de ensino se todos perdessem o medo à liberdade, se todos se responsabilizassem pelo próprio processo de aprendizagem, se valorizassem a autonomia e a solidariedade, em lugar da tutela, submissão e da competição?[1]

É preciso que o sistema se alimente de uns e outros e aparente que os meios são os fins. É preciso que o sistema apareça a todos como racional e natural; que o (a) professor (a) diferente e questionador seja isolado e anulado. Seus alunos e colegas se encarregam desta função. Eles nem sempre o farão de maneira consciente ou por maldade, mas sim através de atitudes amparadas em regras e procedimentos pedagógicos burocráticos que dificultam e tornam ilusória a liberdade de cátedra. Isto ocorre porque alunos e professores internalizam a pedagogia burocrática e pautam sua ação e objetivos por seus princípios.

Portanto, o (a) professor que não se adapta ou questiona o sistema de notas será tratado como algo desimportante e exótico. Ele (a) até terá a simpatia de uns e outros, mas muitos tenderão a não levá-lo a sério, a tratá-lo com desdém e até mesmo a desrespeita-lo, ora abusando da sua boa vontade, ora confundindo liberdade com licenciosidade. Seus alunos, numa perspectiva utilitária e viciada no sistema de “estocar notas”, o abandonarão a seus próprios sonhos – ele (a) lhes parecerá um idealista. Presos mentalmente ao sistema de notas, eles usarão a sua disciplina como tempo disponível para outras disciplinas que consideram mais importantes ou de professores que lhes parecem mais “rigorosos”; lerão outros textos e outros livros, dos professores mais exigentes: seus corpos podem até se fazer presentes, mas suas mentes estarão noutro lugar. Eles não percebem a própria indolência, pois que se encontram subjugados à lógica da cega obediência, da memorização de conteúdos, do “tirar a nota”. O discurso do (a) professor (a) lhes parecerá vazio, sem fundamento: não corresponde às suas expectativas. E, se o (a) professor (a), inquirí-los, eles silenciarão. O que fazer?

O professor crítico se vê, então, diante do dilema de se render à “tirania da maioria”, aos vícios incorporados por seus alunos e institucionalizados pelo sistema de ensino – desde a infância – ou insistir em suas certezas, sob o risco de parecer que padece de ingenuidade crônica ou que o considerem bobo ou frouxo. Em suma, não é fácil ser um (a) professor (a) que respeita seus alunos, trata-os como sujeitos e não como objetos e acredita em sua capacidade autônoma de aprender e de ensinar.

Todos estamos, simultaneamente, aprendendo e ensinando. Esta é a nota mais difícil de conseguir, a nota determinada não por procedimentos burocráticos, mas pela experiência do educar-se, do ensinar aprendendo e aprender ensinando. Vale nota, sim! Mas esta nota o (a) professor (a) não pode dar-lhe, meu caro (a) aluno (a). Não depende dele (a), mas apenas do seu interesse pelo conhecer. Não é fácil! Exige que você aprenda a pensar certo e que alcance a maturidade necessária a um indivíduo livre e autônomo, capaz de diferenciar meios e fins e de exercer a crítica – mesmo que tenha que enfrentar os seus próprios receios e insegurança.

O (a) educador (a) educa-se ao educar; os alunos, em geral, não compreendem essa simples verdade. Imaginam que seja “papo furado”, pensam que é “enrolação”, uma forma de “não dar aulas”, ironizam. Mas o (a) educador (a), insiste. Ele (a) sabe que há os que reagem afirmativamente, que não apenas simpatizam, mas que se assumem enquanto sujeitos autônomos e também responsáveis por seu próprio aprendizado. Há os que respondem positivamente e se educam no sentido freireano; os que percebem que memorizar conteúdos não é tudo, e talvez nem seja o principal. Então, terá valido a pena insistir neste caminho! O (a) professor (a) crítico deve agradecer a estes e também àqueles que desafiam suas certezas e teorias pedagógicas!

Referência

FREIRE, Paulo. (1997) Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra.


* ANTONIO OZAÍ DA SILVA é professor de Ciência Política e Sociologia do Departamento de Ciências Sociais, Universidade Estadual  de Maringá; Doutor em Educação (USP) e editor da Revista Espaço Acadêmico, Revista Urutágua e Acta Scientiarum. Human and Social Sciences . Email: aosilva@uem.br. Publicado originalmente na REA, nº 38, julho de 2004, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/038/38pol.htm

20 comentários sobre “Vale nota, professor?!

  1. Um professor DE FILOSOFÍA sempre dizia:
    ASSIM COMO O PONTO DESAPARECE NO PLANO , A NOTA O FAZ NA EXPERIENCIA.

  2. Paulo Freire na verdade nao foi um educador, mas nao é necessario ser um professor ou educador para se estar certo. A nota prova muitas coisas , mas precisamos saber que o nosso conhecimento é mais importante do que um estoque de notas que provavelmente no ano seguinte já teremos esquecido.Paulo Freire é apenas o desencadeador de um pensamento certo, aliás é isso que ele quer de nós.

  3. Sou leitora fiel desse blog e da revista acadêmica e sempre encontro textos instigantes que nos fazem repensar nossa prática ou nossas atitudes frente determinadas situações. Sou professora, quase me aposentando, e na minha experiência concordo com algumas colocações sobre Paulo Freire, penso que sua teoria nos traz grandes contribuições. Se educar se constitui num constante aprender, educar parte do príncipio do respeito a individualidade e identidade dos alunos, independente do nível de ensino. Para ser professor você precisa ter prazer com o trabalho que realiza e amor aos indivíduos com quem interage, acreditar no crescimento de cada um e oferecer a cada um o necessário para que possa crescer em seu aperfeiçoamento interior e tenha capacidade própria de escolhas. Não creio ser essa uma tarefa das mais facéis, da mesma forma que não é fácil ser pais !
    Vale nota, professor ?! Nos leva a pensar até que ponto estou matando a criatividade e o gosto de aprender algo por curiosidade ou pelo simples prazer de aprender em meus alunos??!! Serão eles profissionais cuja produtividade terá valor (nota) ou perceberão que seu trabalho contribui para uma sociedade melhor. Vale a reflexão.

  4. Paulo Freire educador???
    Onde???
    Qual o método aplicado por ele que deu resultado???
    “Paulo Freire é um sujeito oco, o tipo acabado do pseudo-intelectual militante. Sua fama baseia-se inteiramente no lucro político que os comunistas obtêm do seu método. Esse método, aliás, não passa de uma coleção de truques para reduzir a educação à doutrinação sectária. Um dia teremos vergonha de ter dado atenção a essa porc…” Olavo de Carvalho
    http://www.olavodecarvalho.org/textos/educacao.htm

    Esse sim é um educador:
    http://www.cdcp.com.br/reuven_feuerstein.php

    Se querem um educador brasileiro, em Maringá tem um de verdade, Luiz Carlos Faria da Silva.
    http://www.luizdecarvalho.com.br/arquivos/luiz_carlos_farias.htm

    • Se esse Sr. Oh…lavo, é considerado um “educador” eu prefiro ficar longe desse “conteúdo”. Considera-se incapaz de ensinar crianças… nem adultos, meu caro, com esse vocabulário arrogante e com requintes de inveja alheia, precisa é lavar a boca… Bem ao contrário da reflexão muito bem proposta aqui neste blog, sobre o que diz Paulo Freire, ao que parece, digno de respeito. Texto enriquecedor e educativo para compartilharmos na escola, com o coordenador, com o professor. Uma vez mais parabéns professor Ozaí pelo post. E obrigado.

      • Conheces a obra do filósofo Olavo de Carvalho?
        Leu algum livro dele?
        Conhece seu curso de filosofia, único no Brasil?
        Conhece o instituto Olavo de Carvalho e o trabalho realizado por ele?

        Com certeza não!
        Então não de palpites, seu palpiteiro, sobre quem e o que você não sabe!!

    • Não é necessário ser um educador para pensar certo, pois todos nós temos a capacidade de mostrar que somos seres capazes de mudar o mundo através de um bom sistema educacional. Definitivamente não concordo com o que disse. Precisa saber que cada um de nós temos opiniões e que espearamos que elas sejam respeitadas.

    • Meu caro, não é necessário conhecer o todo se a amostragem já é muito ruim. Vejo que contrariou ao seu sofisma, pois acabou revelando o sectarismo de si mesmo.

      • Ficou sem resposta e partiu para ofensa, quem é sofista aqui?

        Você nem sabe o que é sofisma, tanto que acredita em Paulo Freire.

        Sugiro a você ler um pouco de “Como vencer um debate sem ter razão” do grande Schopenhauer para aprender o que é sofisma.

    • Ao citar crença aqui, fica parecendo seguidor de igreja fundamentalista, cujo pastor, você confunde com educador. Gaba-se com recomendações faroleiras. É uma pena porque, isso lhe distancia na busca da compreensão da frase, se não for a maior, é uma das mais célebres e elementares da humanidade… “Conheça-te a ti mesmo e conhecerás o mundo…” Está fazendo o inverso, está confinando-se num mundo pequeno, diga-se de passagem. Meu Caro, a vida é muito fugaz, para continuar a entreter-me com suas respostas improdutivas. Bem ao contrário da maioria que cedem neste prezado espaço, preciosas contribuições.

      • Meu caro, isso é crença:
        Se esse Sr. Oh…lavo, é considerado um “educador” eu prefiro ficar longe desse “conteúdo”. Considera-se incapaz de ensinar crianças… nem adultos, meu caro, com esse vocabulário arrogante e com requintes de inveja alheia, precisa é lavar a boca…

        Tente achar um filósofo melhor que ele no Brasil, com publicações originais, aliás, sem ter um diplominha fajuto como muitos tem nesse país de palpiteiros como você!

  5. Também não concordo com algumas das colocações do Paulo.
    Gostei muito do comentário e da maneira descrita. Interessante.

    Parabéns pelo blog. Gostei muito do conteúdo!
    Se tiver interesse por leitura… também dê uma passadinha no meu blog: http://dicadelivro.com.br/

    Abraços e até mais!

  6. Caro Ozaí, seu texto me fez lembrar de um livro do Rubem alves com o Gilberto Dimenstein, no qual eles alegam que o sistema de notas mata o prazer da incógnita. Ou seja, o aluno só estudo para tirar a nota, não porque enxerga alguma utilidade naquele conhecimento.

    abraços!

  7. Li atentamente este artigo.Estou plenamente de acordo com Paulo Freire .Não basta ensinar para o aluno memorizar e “caçar “a nota .
    É como o Professor Ozai afirma que o professor ensina aprendendo a ensinar ,tarefa nada
    fácil.Pertenço a uma geração em que o importante era aculterar africanos forçadamente.Retornando ao País dono do ex ultramar num momento em que a aculteração fez um percurso cheio de altos e baixos .Hoje ,a aculteração passou a Literacia completamente ausente do mundo estudantil .Opta-se ou pela internet ou professores/explicadores e o sistema não reage .Compete a qualquer sistema proporcionar metas a atingir em que o aluno deverá ser uma obra acabada do ministério ensino aprendizagem,não como uma plataforma para a entrada universitária que vai permitir o acesso a um grau académico e o carácter como pessoa perder-se ao longo de um tempo feito de um saber equivalente a “caça á bruxa da nota”Maria do outro lado do Mar com os melhores cumprimentos .

  8. Senhor Antonio eu discordo em relação as notas, pois existe as chamadas imposições dos gestores, secretárias de educação e estaduais sobre notas. Em outras partes textuais eu concordo, mas em relação nota nem aqui e nem na China. É fácil falar em educação e usar teorias, mas o grande desafio é saber como lidar com tantas diferenças, descaso dos departamentos educacioanais, ausência dos pais nas escolas(estou farto de escutar eu trabalho o dia inteiro), eu enquanto educador também trabalho o dia inteiro e mais nos fins de semana elaborando materiais, filmes, documentários etc… Creio que vossa pessoa deva refletir sobre o texto postado em relação notas e faça uma pesquisa mais detalhadas de como funcionam nas escolas.

  9. Prezado Ozaí, afinal, “Vale nota, professor? é mais um dos instigantes textos postados por você. Por coincidência ainda nesta semana conversava sobre o assunto que, aliás, você abordou dialeticamente. Mesmo assim, gostaria de expor de forma breve algumas considerações. Por diversos anos fui professor da educação básica e de faculdades particulares, agora sou docente da UFF. Em todas as circunstâncias pude observar que a minha teoria – baseada em Freire, Vigotsky e outros – se chocava com a prática docente. Essa questão era clara no ensino básico pela exigência burocrática do Estado, nas instituições particulares pela coordenação e, por incrível que pareça, na UFF ese círculo vicioso se reproduz. Nenhuma tarefa pode prescindir de nota. Qualquer atividade proposta ´seguida da pergunta: vale nota, professor? face ao exposto, me pergunto o que fazer? Ficar em sala com os aluno(a)s que não desejam somente decorar? Ser um professor “exigente” na cobrança de notas? Afinal, como vamos conferir a nota exigida pela instituição? As respostas não são simples, posto que- como assinalado por você-, se não cobramos nota somos idealistas, não queremos nada etc. Por outro lado, se utilizamos a nota como mecanismo de coerção somos “respeitados” tanto por discentes quanto pelos demais docentes. Outrossim, nesta sociedade em que diz prevalecer o mérito a todos são cobrados notas. Como docentes não escapamos disso. Para progressão de nossas carreiras somos avaliados por um sistema brutal de produtividade. Sistema esse que, contraditoriamente, pouco valor da ao ensino,mas a produção, participação em eventos – em especial aquele internacional, temos que publicar em revistas qualis A ou B etc.
    Por tudo isso e pela convicção que as instituições de ensino não são ilhas, entendo que vivemos numa sociedade cuja emancipação política não nos permite sairmos desse impasse. Não há como negar que existe uma hegemonia da meritocracia – ao menos discursivamente – que cabe as instituições de ensino criticar e questionar, sem dúvidas. O problema é que a racionalidade burocrática tomou conta, por exemplo, das Universidades que não se cansam de reproduzir tal sistema, enquadrando inclusive os profissionais que se declaram contrário a produção fordista intelectual e a multifunção dos professores e funcionários.
    Então, repetindo a conhecida frase de Lênin: o que fazer?
    Abraços,
    Organista
    Professor Ciência Política – UFF

    • Primeira vez que visito este blog, por indicação de uma colega da UFT.
      Me sinto solidário aos argumentos que colocou, mesmo sendo um recém-docente universitário e por não desfrutar de uma boa formação pedagógica.
      Em apenas 8 meses de atividade, pude notar semelhantes constatações com muitos questionamentos e pouquíssimas respostas.
      Parabenizo-o pelo comentário, escreveu o que muitos de nós professores pensamos e não sabemos expor.
      Att.
      Max

  10. Precisamos endeusar. Paulo Freire fala duas bárbaridades em “sua” área, e ficamos calados. A primeira é quando diz: ” pensar certo”. Que é pensar certo? Como ter domínio sobre o pensamento, que para sê-lo, essencialmente, precisa liberdade. É o pensamento que vai mostrar aquilo que podemos ou não achar “certo”. Não há como domesticar o pensamento e o ter saudável. Por que em vez de “certeza” não se busca o verdadeiro? O verdadeiro sobre o verdadeiro, sobretudo
    A outra é quando diz que ” educar é formar”, Ou seja: educar é alienar. Fugir da forma, do sentido, isto é fundante da criatividade de si mesmo. Principalmente, de viver a vida ” à la dérive” para conhecer os limites, próprios e os que a audácia pessoal possibilita.
    Não vou ler o artigo todo. Vou educar meu cachorro para não incomodar harmonia da casa, não sujá-la com dejectos, que é o que produzimos com a educação científica e pedagógica. Basta ver Fukuchima(?) e as “brilhantes” discussões dos mandatários a respeito da energia aprisionada no núcleo celular. Queremos gente tranquila, como Wellington de Realengo na infância já doente, o velho Camilo, o burrinho pedrês. Disciplina. Ordem. Progresso. Animalidade( Não há fera que não experimente um laivo de compaixão. Eu não experimento nenhuma. Fera eu não sou – Ricardo lll). Prepare o homem para viver em si, seja, fora da praça pública, fora do mercado que sumariza o viver, vilipendiando-o.

    • FALO COMO MAE , ACHO QUE CDO FREIRE DIZ, PENSAR CERTO, QUER DIZER : PENSAR APRENDENDO A SE DESFAZER DAS AMARRAS DA DOMESTICAÇAO EM QUE TODOS VIVEMOS E NOS EDUCAMOS..
      .O VERDADEIRO EDUCADOR , NAO É UM EDUCADOR COMÚM…..
      .PENSAR CERTO É CHEGAR A PENSAR LIBREMENTE , SEM MEDO DE PENSAR DIFERENTE OU IGUAL MAS TENDO ANALIZADO AS IDEIAS E CONSEGUIR TER UM POSICIONAMENTO PROPRIO,
      INCLUSO , MUITO MÁIS DO QUE VERDADES PRONTAS E ACABADAS ,PODER REALIZAR PERGUNTAS E QUESTIONAMENTOS VERDADEIRAMENTE MOTIVANTES ….

      E QUANDO DIZ QUE EDUCAR É FORMAR , NAO CREIO QUE SE REFIRA À IDEIA DE FORMATAR AS PESSOAS, SE NAO DE AJUDAR A CADA UM A ACHAR SUA FORMA PROPRIA, SUA MORAL , SUA VERDADE, EM SUMA SUA LIBERDADE E SABER QUE DEBERÁ SER SEMPRE O CUSTODIO DELA POR QUE SEMPRE PODEREMOS CAIR EM ARAPUCAS CONTRA A LIBERDADE…..
      SABE ? COMO CUANDO VC FAZ CERÁMICA …EXISTE AQUELA ARTESANAL E ÚNICA E AQUELA EM SERIE…ACHO QUE ELE FALA DE FORMAR PESSOAS EM FORMA ARTESANAL…O QUE NA ESPANHA DEU EM SER CHAMADO DE EDUCAÇAO PERSONALIZADA.

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