Nelson Werneck Sodré e a questão nacional no pensamento social brasileiro

Da esquerda para a direita: Prof. Carlos Alberto, Profa. Meire Mathias e Prof. Paulo Cunha

Em 20 de maio de 2011, na Universidade Estadual de Maringá (UEM), realizou-se o evento Nelson Werneck Sodré e a questão nacional no pensamento social brasileiro. Organizado pela Profª Drª Meire Mathias (DCS/UEM) e promovido pelo Departamento de Ciências Sociais e Revista Urutágua, o debate teve a participação dos professores Carlos Alberto Cordovano Vieira (Faculdade Santa Marcelina)* e Paulo Ribeiro Rodrigues da Cunha (Unesp, campus de Marília/SP)**.

Diante do público atento e numeroso, os professores convidados centraram suas exposições sobre a trajetória intelectual e política do homenageado, sobre os aspectos principais da obra e a militância do homenageado e ressaltaram sua importância e atualidade. Após a fala dos professores, foi aberto o debate com questões e comentários fetos pelos participantes.

Pessoalmente, considero que o evento foi muito positivo e só tenho elogios a fazer quanto à organização, a exposição dos professores convidados, a participação dos presentes, etc. Aprendi muito com a exposição dos debatedores, as questões e respostas e com o relato sobre a vida e obra de Nelson Werneck Sodré. Afinal, ele destoa da realidade que encontramos campus, no qual a ética, compromisso social e integridade intelectual parecem sucumbir às exigências produtivistas, status e de ganhos financeiros. Contudo, meu ponto de vista pode ser considerado “suspeito”, “interessado”, embora seja sincero. Será ótimo, portanto, que os que participaram do evento compartilhem suas impressões e avaliações com os leitores deste blog. Fica o convite!

Pessoalmente, o evento foi um alerta e estímulo em relação à necessidade de estudar, pesquisar e conhecer mais e melhor a história do Brasil e o pensamento social dos seus intérpretes. De repente, momentos como este nos fazem ver o quanto nossa formação, nossos interesses intelectuais e acadêmicos são pautados pelo eurocentrismo cultural, político e ideológico. Sem esquecermos os grandes líderes, as grandes teorias, as ideologias e os maiores acontecimentos históricos mundiais, talvez seja o caso de voltarmos o nosso olhar, de forma mais atenta e com maior dedicação, para a nossa própria história, para as coisas que nos dizem respeito diretamente e que marcaram o nosso passado e presente, e que podem comprometer o nosso futuro.

Enquanto editor da Revista Urutágua, registro o meu sincero agradecimento ao público presente (cuja maioria foi do curso de Ciências Sociais, mas que também contou com a presença dos acadêmicos de História, Geografia, Pedagogia, Psicologia, Filosofia, mestrandos em Ciências Sociais e Letras, etc.), aos professores convidados, às secretárias do DCS (Denise e Flora), à Chefia do DCS (Professores Geovânio Rossato e Walter Praxedes), à Profª Meire Mathias e demais membros do corpo editorial da Revista Urutágua que contribuíram diretamente para a realização do evento. Muito obrigado.

Abaixo, imagens do evento:

Alex William Leite e Lorene Camargo, do Conselho Editorial da Revista Urutágua
Porf. Paulo Cunha
Prof. Carlos Alberto
Profa. Meire Mathias

* CARLOS ALBERTO CORDOVANO VIEIRA é graduado em Economia pela Universidade de São Paulo, Mestre em Desenvolvimento Econômico e História Econômica pela Universidade Estadual de Campinas e doutorando em Desenvolvimento Econômico e História Econômica pela Universidade Estadual de Campinas. É professor do curso de Relações Internacionais da Faculdade Santa Marcelina.

** PAULO RIBEIRO RODRIGUES DA CUNHA é graduado em Ciências Sociais na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Mestre em Ciências Sociais pela mesma instituição, com concentração na área de Ciência Política, e Doutor em Ciências Sociais pela Unicamp – Universidade Estadual de Campinas. É Professor Assistente Doutor da FFC/Unesp – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (campus de Marília) e autor, entre outros livros e artigo, de Um olhar à Esquerda: a utopia tenentista na construção do pensamento marxista de Nelson Werneck Sodré (Rio de Janeiro: Revan, 2011, 340 p).

6 comentários sobre “Nelson Werneck Sodré e a questão nacional no pensamento social brasileiro

  1. O sr. Santelmo disse bem a respeito dessas questões que estão empurrando o Brasil para facções, e não para um pensamento verdadeiramente nacional em termos sociológicos.
    Se houve a ausência de negros e mulatos, certamente foi porque não quiseram ir.
    Outro assunto que está mexendo com o país e sendo muito mal colocado à sua discussão é sobre o homossexualismo.
    Tenho visto e ouvido muita bobagem a respeito.
    Estamos nos encaminhando para situações muito perigosas quando os debates se transformam em ódios e diferenças não aceitas, justamente pelo resgate que se quer fazer de injustiças e atrocidades NO PASSADO, cujo pensamento atual repudia aquele comportamento.
    Não serão através de compensações agora que vamos resolver partes de nossa história que não nos recomenda, mas com diálogo, boa vontade, conceitos modernos de convivência harmoniosa.
    O mundo nos apresenta diariamente exemplos de intolerância, recalques, diferenças sociais e culturais (nego-me a usar a palavra “racismo”, pelo simples fato que negro, mulato, judeu, índio, asiático, TODOS nós pertencemos à raça humana! O movimento ou a pessoa ou os responsáveis por esta expressão “preconceito racial”, foram infelizes – quem sabe propositadamente -, haja vista que de fato assim entenderam que uma cor da pele fosse superior às demais. Na verdade que existam leis que punam a segregação, mas essas leis não poderiam e não deveriam DEFINIR como racial, pois estão afirmando a existência do querem combater, contraditoriamente. O ser humano não é subclassificado por “raças”, um absurdo.
    Nem entre os cachorros e suas inúmeras variações, eles são definidos por raças, mas por espécies: Pastor Alemão, Pointer, Pequinês, Dálmata, e assim por diante. Por que o ser humano se deixou levar por essas diferenças que nos rotulam disso ou daquilo?).
    A partir do momento que estabelecemos proibições e que sejam calcadas na existência de raças (!) entre os humanos, definitivamente temos muito que avançar nesta área, pois jamais iremos de fato exterminar com este conceito errôneo e ofensivo. Admira-me aquele que se diz discriminado aceitar que pertença a uma raça diferente! Ora, é simplesmente aceitar que é inferior!
    Brancos, negros, pardos, mamelucos, índios, mulatos, esta miscigenação de cores de peles entre os seres humanos é que deve ser discutida de igual para igual. O negro foi ofendido?
    Foi segregado? Puna-se o ofensor, simples. Igualmente o mulato, branco, pardo.Mas não embasando a cadeia ou a punição como “racial”! Uma afronta para o próprio ofendido!
    Ou seja, “eu vou levar a vida inteira comigo o rótulo de ser inferior, que se não fossem leis para me proteger eu estaria em piores situações que estou agora”, trata-se de uma incoerência abismal, pois é resignar-se justamente pelo preconceito, que deve ser extirpado em definitivo, e não lembrado permanentemente!
    Na verdade eu vejo a questão do pensamento social brasileiro uma utopia, apenas um assunto para debates.
    O problema reside na falta de consciência que a outra pessoa que tem a pele diferente não é um ser humano diferente, este é o nó górdio da questão. Se definimos como “racial”, algo está errado. Estamos alimentando desta forma o monstro da estupidez, da ignorância, da selvageria; estamos de fato concordando e lutando para que ele seja cada vez mais insaciável e, assim, jamais será vencido.
    Como se falar em pensamento social nacional, professor, se as leis admitem que, entre os humanos, existam “raças” diferentes?

  2. Não havia negros, né professor! Acho que precisamos (re)pensar Werneck e a questão do pensamento social nacional…

    • Também não haviam louros. Há que se entender que somos um país miscigenado.
      Se olhar mais atentamente, verá que existem grupos de variada etnias e colorações,
      Temos que acabar com esta obsessão em dicotomizar o país em negros e branços (importada dos EUA). Somos negros mais brancos mais indígenas+amarelos etc..
      Se há uma discriminação é social.
      abraços.

  3. Caro mestre, foi com enorme saudosismo no coração que lí sua matéria sobre o evento do saudoso Sodré…há tempos não tinha uma nota sequer do grande amigo mestre Paulo Cunha…só uma dúvida: a obra Um olhar a esquerda foi reeditado?? A edição que tenho é de 2002. É só uma observação…parabéns aos realizadores do evento e também aos que tiveram a grata oportunidade de estar com esse também grande mestre Paulo Cunha…Abraços

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