IX Jornada de Políticas Públicas e Gestão Educacional

O Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas e Gestão Educacional (GEPPGE), do Departamento de Teoria de Prática da Educação (DTP/UEM), organizou nos dias 10 a 12 de novembro de 2011 a IX Jornada IX Jornada de Políticas Públicas e Gestão Educacional. Na quinta-feira, 10, ocorreu a abertura com a apresentação da Mística (Escola de Agroecologia Milton Santos)[1] e a palestra proferida pelo Coordenador Nacional do MST, o companheiro Gilmar Mauro. No dia 11, sexta-feira, houve a exposição de fotos, pôsteres e trabalhos temáticos.[2] À noite, após a apresentação musical dos acadêmicos do curso de Música (UEM) e da mística, houve a palestra da Profª Drª Liliam Faria Porto Borges (Unioste – Campus Cascavel-PR) e debate. A IX Jornada encerrou-se no sábado, 12, na Escola de Agroecologia Milton Santos, com atividades culturais (Mística, Teatro) e almoço coletivo.

Acadêmicos do curso de Música da UEM

A mística, a presença dos militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, professores e estudantes da Escola Milton Santos, a decoração do ambiente (bandeiras vermelhas do MST e outras de movimentos campesinos de outros países), o show musical dos companheiros do MST e dos acadêmicos do curso de Música (UEM), a declamação do poema O Operário em Construção, de Vinicius de Moraes, foram aspectos impactantes que romperam com o formalismo inerente aos eventos acadêmicos.

Maria Edi declama o poema "O Operário em Construção"

A racionalidade mescla-se à sensibilidade e propicia a experiência da emoção sem que esta perca os vínculos com a realidade e temáticas tratadas. Cada um vivencia à sua maneira. Quanto a mim, destaco dois momentos especialmente marcantes: o recitar do poema de Vinicius de Moraes pela companheira Maria Edi[3] e a fala do companheiro Gilmar Mauro. Admirei a capacidade de declamar e memorização – quem conhece o poema sabe o quanto é longo! A entonação, letra e expressões gestuais de Maria Edi emocionaram-me em especial. Ela me fez voltar ao passado. Este um dos textos essenciais em minha formação política, intelectual e humana.

Gilmar Mauro, da Coordenação Nacional do MST

A palestra do companheiro Gilmar Mauro tocou-me não apenas pela sapiência, mas também por sua integridade e carisma. Mais uma vez ficou claro que o saber não é privilégio da educação formal e titulada e que titulação não é sinônimo de consciência política. Quanta ignorância não é acobertada no campus sob a máscara dos títulos acadêmicos? Quantos graduandos, pós-graduandos e pós-graduados são capazes de compreender a realidade sócio-política brasileira para além do senso comum midiático? Quantos dos que estamos no templo do saber temos a aprender com aqueles que não tiveram acesso à universidade?

A fala do companheiro Gilmar Mauro foi uma aula sobre a realidade sócio-política brasileira. Palavras politizadas e politizantes comprometidas com os excluídos, mas nem por isso panfletária ou reduzida à repetição de slogans. Chamou-me a atenção a sua postura diante das questões colocadas, das críticas e elogios rasgados feitos em público. Sereno, íntegro e, sobretudo, capaz de reconhecer a falibilidade de movimentos sociais como o MST, mas sem descuidar de destacar os aspectos positivos e a contribuição à sociedade e à construção da utopia no tempo presente. Gostei da postura politicamente comprometida, mas tolerante e aberta ao diálogo. Foi uma lição, uma aula de Ciência Política!

A iniciativa do GEPPGE é louvável. O elogio é sincero e merecido. O campus precisa se aproximar do campo; e vice-versa. Ainda bem que, também na universidade, existem pessoas comprometidas e íntegras que propiciam a ponte, como diria Lenine, entre a academia e os movimentos sociais. Parabéns aos que organizaram e participaram da IX Jornada!


[1] Sugiro a leitura de “Educação do campo: a mística como pedagogia dos gestos no MST”, por Maria Edi da Silva Comilo e Elias Canuto Brandão, disponível em http://www.unifil.br/portal/arquivos/publicacoes/paginas/2011/8/371_469_publipg.pdf

[3] Maria Edi da Silva Comilo é professora e diretora da Escola Camponesa Municipal Chico Mendes, do Assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte-PR.

5 comentários sobre “IX Jornada de Políticas Públicas e Gestão Educacional

  1. infelizmente mais uma visao distorcida da realidade brasileira. algo pontual . Porque voces nunca chegarão a lugar nenhum, pois vivem na utopia de terra para todos, e isso o PT sabe muito controlar , tal como os montes de escandalos e mais escandalos desta politica podre que voces fazem parte……sao ideologos de causa sem futuro…porque nao explicam os casos de corrupçao dentro do mst??? pq os chefes de voces nunca pegaram em uma enxada? somente sao ponto de massa de manobra dos coitados dos agricultores brasileiros??? porque os chefinhos do mst estao quietinhos na podridao do deste governo do PT????? pq vces tem a vida ganha….em detrimento dos milhres acampados na beira das estradas ……..

  2. como é bom ver uma companheira nossa de luta, mostrando a nossa realidade dentro de uma universidade

  3. Me da um aconchego no peito, rápido mas dá, saber que uma atividade como essa acontece na UEM. Essa proposta da mística que o mst coloca no inicio dos eventos cria um ambiente fantástico, abre os sentidos pras falas que tem por vir, e esse seu texto me lembrou bem o que é isso.

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