Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago

*I

“Estou cego”, afirma desesperadamente o motorista paralisado em frente ao semáforo (p. 12).* Mas o que ele “vê”, se assim se pode afirmar, não é a treva, mas uma brancura infinita. “Sim, entrou-me um mar de leite”, diz o cego (p. 14). É uma cegueira incompreensível, repentina e sem explicações. Os que vêem não podem acreditar que o cego assim se encontra. Mesmo o médico, especialista nas coisas da visão humana, não descobre a causa da doença. “Os olhos do homem parece sãos, a íris apresenta-se nítida, luminosa, a esclerótica branca, compacta como porcelana” (p. 12).

A cegueira branca é uma alegoria sobre a falta de visão social e política diante da realidade que nos circunda. Os indivíduos, alienados, encontram-se apartados do mundo, imersos na ideologia individualista e consumista. Eles vivem fora da realidade, ainda que tenham olhos não a reparam. Tudo lhes parece natural. Se a satisfação hedonista alimenta a “cegueira”, é o medo da perda e da impossibilidade de saciar-se e manter-se em “segurança” que os tornam cegos. Diante da insegurança e das incertezas, cegam-se. Talvez nos encontremos no estado de cegueira, ainda que nossos olhos vejam. “O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegamos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos” (p. 131).

Se o medo caminha de par com a insegurança, ele também é irmão da necessidade. Os homens e mulheres estão dispostos a ceder devido ao medo, mas também porque precisam de segurança. O domínio não se explica apenas pela capacidade de coerção, mas também pela inculcação do medo. E é sob o medo e a necessidade que os cegos internados se submetem ao grupo que passa a controlar a comida. Este funciona como o governo que impõe a ordem. Os homens e mulheres parecem incapazes, por seu egoísmo e instinto de sobrevivência, de governarem-se. Eles precisam passar pelo aprendizado da solidariedade e autonomia. Mas a situação miserável em que se encontram, sob todos os aspectos, dificulta o autogoverno e parece mais fácil, e mais prudente, submeter-se. Isto ocorre devido ao estado deplorável dos cegos. Na vida real, mesmo em situações de normalidade democrática o medo é utilizado como instrumento de persuasão.

Os que conseguem manter uma certa civilidade também se mostram apegados ao governo hierárquico, buscam a autoridade que possa ordenar o caótico em que vivem. E esta se vincula ao prestígio alcançado na sociedade. É irônico que os cegos tenham no médico de olhos a possível autoridade. “O melhor seria que o senhor doutor ficasse de responsável, sempre é médico, Um médico para que serve, sem olhos nem remédio. A mulher do médico sorriu, Acho que deves aceitar, se os mais estiverem de acordo, claro está” (p. 53).

Esta mulher é a única que vê, e isto a fará sofrer com ainda maior intensidade. Só ela verá a que ponto chegamos quando nos faltam as condições para a segurança. É como se, diante dela, estivessem nus, em todos os sentidos, e a ela fosse possível ver a essência, o que realmente somos. A mulher é a que sofre porque tem a sabedoria. O conhecimento, a consciência do real, gera sofrimento. Os que sabem estão condenados a sofrer.

Será possível a autoridade numa situação de desespero, quando a existência humana está sob xeque e a espécie é reduzida à luta pela sobrevivência? Não seria o reino da necessidade o salve-se quem puder, a guerra de todos contra todos, o homem lobo do homem?

II

No início são apenas seis cegos internados; serão dezenas em alguns dias e não se entendem. Os homens submetem as mulheres à violência animalesca dos que controlam a comida e aceitam tudo para se manterem vivos. Elas se dispõem a se sacrificar e enfrentam o moralismo inútil dos homens. No entanto, é possível vislumbrar a esperança de que os homens e mulheres cooperem, se solidarizem e, inclusive, sejam capazes de combater o medo e resistir à opressão.

Mesmo quando são isolados, os cegos parecem preferir a prisão à liberdade – desde que tenham a “segurança” de que continuarão a viver. “Bem vistas as coisas, nem se está mal de todo. Desde que a comida não venha a faltar, sem ela é que não se pode viver, é como estar num hotel. Ao contrário, que calvário seria o de um cego lá fora, na cidade, sim, que calvário” (p. 109). Nesta altura ainda há a perspectiva de que a cegueira não se generalizará, ou seja, há a ilusão de que o governo cuida deles. E se os governantes e todos os que sustentam o aparato administrativo burocrático cegarem? Metaforicamente temos aqui a expressão da dependência dos governados, sem que lhes passe pela cabeça de que eles podem governar-se. E terão que o fazer quando a situação exigir.

Mas primeiro terão que enfrentar o medo. E não é mero acaso que a única que vê, a mulher do médico, será a primeira a mostrar o caminho. A força se enfrenta com a força, só esta é capaz de derrubar o despotismo. Os que dominam pelo medo precisam experimentar do próprio veneno. É preciso que não se sintam tão seguros de que seus meios permanecem eficazes para manter o domínio. É necessário que tenham dúvidas, insegurança e medo. A violência não se aplaca com belas palavras e com a moral da paz dos cemitérios e dos conformistas. A mulher do médico mata o cego ditador com a sua tesoura. Ela sabe que era necessário e que alguém precisava fazê-lo. Eis o preço da liberdade!

É interessante o discurso governamental para justificar o enclausuramento:

“O Governo lamenta ter sido forçado a exercer energicamente o que considera ser seu direito e dever, proteger por todos os meios as populações na crise que estamos a atravessar, quando parece verificar-se algo de semelhante a um surto epidémico de cegueira, provisoriamente designado por mal-branco, e desejaria poder contar com o civismo e a colaboração de todos os cidadãos para estancar a propagação do contágio, supondo que de contágio se trata, supondo que não estamos perante uma série de coincidências por enquanto inexplicáveis. A decisão de reunir num mesmo local as pessoas afetadas, e, em local próximo, mas separado, as que com ela tiveram algum tipo de contacto, não foi tomada sem séria ponderação. O Governo está perfeitamente consciente das suas responsabilidades e espera que aqueles a quem esta mensagem se dirige assumam, como cumpridores cidadãos que devem de ser, as responsabilidades que lhes competem, pensando também que o isolamento em que agora se encontram representará, acima de quaisquer outras considerações, um ato de solidariedade para com o resto da comunidade nacional” (p. 194).

A mensagem do governo é repetida cotidianamente pelo alto-falante. Os cegos logo perceberão que foram abandonados à própria sorte. As promessas se revelam falsas. A comida se torna escassa e, por fim, não será mais entregue. Há mesmo, entre as autoridades, quem considere a perspectiva de que os cegos matem uns aos outros. Não seria esta uma cura eficaz?! Suposições e pedidos de obediência em nome da segurança geral e da nação! E os governados consentem. Eles precisam crer que há alguém que cuida deles, que existe uma “autoridade” capaz de impor a ordem ao caos.

III

Em meio ao desespero a mulher do médico representa a esperança. Ela conclui “que não tinha qualquer sentido, se o havia tido alguma vez, continuar com o fingimento de ser cega, está visto que aqui já ninguém se pode salvar, a cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança” (p. 204). Ela reconhece que é preciso resistir. A visão também tem o sentido de acreditar que a realidade pode ser transformada. Os que vêem têm a responsabilidade de contribuir para, no mínimo, acalentar os que não vêem e tentar mostrar o caminho e lhes abrir os olhos. “A responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam” (p. 241) pode ser motivo de maior sofrimento, mas também expressa a possibilidade de que este cesse.

O fato de ver o grau de miserabilidade humana também nos torna capazes de reconhecer as fraquezas humanas e a sermos modestos. Os próprios cegos, ao vivenciarem as agruras decorrentes da cegueira, de terem que se virar, até do ponto de vista da higiene pessoal, passam a se conceber e aos demais de maneira mais humana, pois “quando a aflição aperta, quando o corpo se nos demanda de dor e angústia, então é que se vê o animalzinho que somos” (p. 243). É curioso como algumas mentes elitistas esquecem destas fraquezas animais, de como nosso organismo biológico não nos torna diferentes das espécies que se alimentam e defecam.

A mulher do médico representa a luz dos que não vêem. Não se trata do sonho vanguardista que alimenta o pesadelo de que precisamos de uma autoridade que nos ordene e a quem devamos obedecer, mas que cuidará da nossa segurança. Os cegos libertam-se do manicômio, após o incêndio deste e, como o restante da população, precisam aprender a sobreviver. O grupo que está com a mulher que vê se mantém unido. Sabe que isto ampliará as suas chances. Mas será preciso que alguém mande? Quem será o líder. Ora, pelas circunstâncias está claro que o mérito acadêmico não é o melhor critério. A mulher do médico, e não ele, é quem ancora o grupo. Isto não significa que ela se impõe como mais capaz. “Tu não estás cega, disse a rapariga dos óculos escuros, por isso tens sido a que manda e organiza, Não mando, organizo o que posso, sou, unicamente, os olhos que vocês deixaram de ter, Uma espécie de chefe natural, um rei com olhos numa terra de cegos, disse o velho da venda preta. Se assim é, então deixem-se guiar pelos meus olhos enquanto eles durarem”, disse ela (p. 245). São olhos que servem. Muito diferente dos que mandam ou que acreditam que, por ter olhos, devem ter seguidores. Estes pressupõem que a luz sempre estará apenas com eles e que, ainda que alcance os demais, será mais intensa neles.

Como compreende a mulher do médico, o ver não a torna essencialmente melhor do que os demais. Apenas amplia a sua responsabilidade e o sofrer diante do horror que vê. “É que vocês não sabem, não o podem saber, o que é ter olhos num mundo de cegos, não sou rainha, não, sou simplesmente a que nasceu para ver o horror, vocês sentem-no, eu sinto-o e vejo-o”, disse (p. 262). A visão e o sentimento do horror pode nos fazer ver quem somos. Como fala a personagem dos óculos escuros: “Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos” (Idem).

A leitura deste livro ajuda a compreender melhor o que somos e o animalzinho que se esconde em nosso devaneio, egoísmo e vaidade. “É uma grande verdade a que diz que o pior cego foi aquele que não quis ver” (p. 283). Poucos vêem e muitos dos que vêem fecham os olhos e tentam apaziguar a sua consciência. Como escreve Saramago: “Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos. Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem” (p. 310) E quando verem terão atingido a lucidez. Então, a cegueira mostrará a sua verdadeira face.


* SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. Texto publicado em Literatura Política & Sociedade, 13.08.2007.

17 comentários sobre “Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago

  1. Saramago não fez mais que mostrar a cegueira em que vivemos, onde poucos enxergam, e é justamente essa cegueira que possibilita tantas mazelas ao nosso redor, pois não há crítica, sensatez, inteligência, tudo é regido pela violência do mais forte, ou mais cego…

  2. Será que estaríamos vivendo em um país de cegos, onde quem tem um olho é rei?
    Não posso deixar de transpor esse texto que o senhor tão bem resumiu, professor, à situação política atual.
    Por que esta cegueira generalizada para tantos desmandos?
    Corrupção desenfreada, política e políticos amorais, enfim, a grande maioria sofrendo de uma cegueira exasperante com relação ao momento que hoje se vive.
    Especificamente sobre educação, acredito que jamais ele esteve tão deficiente, fraca, sem conteúdo, em comparação às anteriores, reporto-me de décadas passadas.
    Lembro-me perfeitamente do meu 5º ano primário, 1.960, e tínhamos aulas de francês e inglês; a matéria Português trazia horas específicas de Redação!
    Havia caderno de caligrafia e éramos obrigados a usar PENA DE PATO, aquelas canetas que se molhava a ponta em tinteiros.
    Quando na 1ª série do Ginásio, além dos idiomas citados, o acréscimo do Latim!
    Sim, eu me recordo dos casos Ablativo, Vocativo, as declinações…
    Por que esta visão a respeito da educação foi diminuindo?
    Por que sofremos de miopia e não procuramos recursos?
    As gestões dos presidentes desse país têm deixado a desejar em todas as áreas sociais, indiscutivelmente.
    O problema é que não temos um guia que nos conduza à claridade, que nos oriente a enxergar de novo, ao contrário, temos um bando de falsos condutores que, gradativamente, nos colocam mais fundo nas cavernas, no breu quase absoluto.
    Eu ousaria a dizer que estamos vivendo à base do ouvido, do que se ouviu dizer, do que se comentou,pouco interessando a veracidade do boato ou comentáriio e de quem foi o autor.
    Os que enxergam alguma coisa ainda miram nas suas necessidades, de modo a não perdê-las de vista e, assim, que cada um adivinhe o caminho a ser trilhado.
    Quando não ouvimos, vamos tateando à procura de uma referência qualquer para não cair, pelos menos imaginar onde se está pisando.
    Lamentavelmente eu lhe digo que nem o estudo mais abre os nossos olhos, tomados de remela pela falta de higiene mental, de erguer os olhos para novas miragens, de conhecer e saber que existem formas diferentes, cores jamais vistas, pessoas bonitas, animais estranhos, que o mundo não é o que se vê ou se imagina tão somente e conforme o nosso limitado alcance.
    Ao meu ver estamos murchando, perdendo a força, o tônus muscular, a curiosidade, o desejo de buscar e ampliar limites.
    A vida é automática, assim como o cãmbio de carros que não se precisa usar a embreagem para mudar de marcha, basta acelerar e frear.
    Pois uma vez que a estrada está apontada para ser seguida, para que correr riscos à procura de atalhos ou caminhos melhores?
    Para que saber se se está preparado para enfrentar a viagem mesmo que a estrada já esteja definida?
    A falta de visão determina que nascemos para obedecer e outorgar poderes.
    Se a política nos amordaça, se a nossa formação inexiste, se prevalecem nossas carências, ainda somos bitolados pelos medos de punições divinas, que mais ainda nos fazem ver pouco e somente com olhos abaixados, em sinal de respeito, claro, às autoridades e a Deus, fazendo-nos sentir inferiores, pequenos, ínfimos!
    Ver para quê?
    Ver o quê?
    Shakespeare, na sua obra extraordinária sobre o confronto da nossa mente, da nossa consciência com a ação, com nossas atitudes, nossos comportamentos e à compreensão de nós mesmos, dizia em Hamlet:
    “Ser ou não ser eis a questão.
    Será mais nobre sofrer na alma
    Pedradas e flechadas do destino feroz
    Ou pegar em armas contra o mar de angústias – E,
    Combatendo-o, dar-lhe fim? Morrer; dormir;
    Só isso. E com o sono – dizem – extinguir
    Dores do coração e as mil mazelas naturais”.
    Estamos fechando os olhos à vida?
    Ela se torna mais fácil e menos responsável?
    Será esse o preço cobrado pela tecnologia?
    Ou, na verdade, temos medo é de ver com nossos próprios olhos o que efetivamente somos e, a decepção, nos deixar cegos de vez?

    • “… nos deixar cegos de vez ?.”

      Eu tenho esperanças. Não pretendo ficar cego de vez.
      Acredito que até esses questões abordadas sobre a cegueira branca, nos ajuda a compreender melhor o mundo em que vivemos.

  3. Cegueira branca.

    É não perceber dezenas de pessoas sem oportunidade de emprego, o sub-emprego, a prostituição infantil, o alto índice de criminalidade, altas taxas de juros cobrado pelo mercado, a buracracia sem limites, um parlamento que mais parece uma extensão do poder executivo, mães gerando filhos aos doze anos de idade. Outras questões como por exemplo: a falta de moradia, falta de saneamento básico, falta de investimento em educação, o descaso na saúde pública, a falta de incentivos a micro, pequena e média empresa. Fazer que não percebemos tais fatos a isso eu considero “cegueira por opção”.
    Obrigado Áurea pelo comentário.

  4. Ozaí,

    Não li o livro mas lembro-me de que, no final do filme, o grupo liderado pela mulher do médico voltava, pouco a pouco, a enxergar.
    A neurociência já comprovou que nós enxergamos apenas o que nosso cérebro esta preparado para ver.
    Assim, penso que ao se esforçarem para compreender (ver) melhor a realidade que os cercava, o grupo liderado pela mulher do médico, criou as condições necessárias para enxergar e, assim, interagir melhor com a realidade.
    Uma visão menos obstruída pelo egoísmo, como nos lembrou o Evandro.
    Conclusão: continue firme! Educação é a solução!

    Áurea

  5. Parabéns pela síntese.
    Cegueira branca, eu geralmente chamo de “cegueira por opção.”
    A “ceguueira por opção” muitas vezes é reflexo do medo, da intolerância e etc. Quando vejo em cidades, por exemplo como a cidade de Manaus, dezenas de jóvens e adolescêntes que tinham como ídolos elementos conhecidos como: Magneto, Satanás, Galo e Fala-fino. Galerosos de grande periculosidade capaz de atormentar um bairro inteiro.
    A “cegueira por opção” traz certos “pontos positivos”. Que é a capacidade conter no olhar, “filtros visuais”; ou seja, a capacidade de ver aquilo que nos agrada. Esse é o retrato de uma sociedade construída de forma egoísta.

  6. Muito bom mesmo… Nos faz refletir sobre a realidade em que vivemos, onde muitos se encontram alienados e submissos…

    Adoro seu blog!!!!

  7. Caro Professor
    A obra de Saramago nos remete a refletir sobre o comportamento do ser humano diante do mundo e suas mazelas e nos deixa em estado de perplexidade pela dura verdade a que todos estamos submersos.Em certa ocasião, com uma turma de CIÊNCIAS contábeis da UPF solicitei a leitura da obra e posteriormente assistimos ao filme, foi muito interessante mas o que está implícito poucos percebem. Obrigada pela bela reflexão.Enquanto existirem pessoas como tu nós nos fortaleceremos um abraço beatriz

    • Cara Maria,

      boa noite.
      Meu sincero muito obrigado por ler e comentar. E parabéns pela iniciativa com os alunos de Contábeis (nos anos 1990, trabalhei com acadêmicos deste curso e sei o quanto é importante estimular a reflexão crítica).

      Estou aberto às sugestões e críticas.
      Abraços e tudo de bom,

  8. Ozaí,

    ” São olhos que servem. Muito diferente dos que mandam ou que acreditam que, por ter olhos, devem ter seguidores”
    Fiquei me perguntando se “olhos que servem” realmente enxergam a realidade…
    Explico-me: a realidade, em si, me parece ser inapreensível.
    Portanto, uma Zilda Arns, por exemplo, se viu algo não foi a realidade, talvez, no máximo, um potencial de menos dor e maior solidariedade.
    De certa forma, ela partejou uma “realidade” menos animalesca.
    No entanto, foi a disposição e a generosidade dela que interferiram daquela forma naquela “realidade” e que predispuseram as pessoas a se deixarem guiar por ela.
    Assim, não foi propriamente a visão, mas, antes, a vontade de servir da Zilda que a capacitou para a grande diferença que fez.
    Hahaha…fez algum sentido?
    Obrigada! Valeu! Adorei a reflexão que você nos proporcionou.

    Áurea

    • Foi um dos melhores posts que li do professor Ozaí. Esse texto ampliou a minha compreensão sobre a obra de Saramago, e provocou inquietações que irei compartilhar com meus alunos. Se me permite, vou usar o texto em sala de aula. Vou passar o filme aos alunos, e em seguida usar o seu texto para reflexão, e como atividade de avaliação, professor Ozaí. Obrigada pela excelente leitura.

      • Cara Profa. Keila,

        boa noite.
        Meu sincero muito obrigado por ler, comentar e compartilhar com seus alunos. Fico contente em poder oferecer esta modesta contribuição. Estou abertos às críticas e sugestões. Por favor, estimule seus alunos a comentarem.

        Abraços e tudo de bom,

  9. obrigada Prof Azai

    Este romance de josé Saramago ,para mim ,é um dos mais fortes sobre a sociedade em que se vive-

    Faz estremecer e arrepiar …….mas que mundo o de hoje -Maria do outro lado do Mar

  10. Prezado Ozai, seu comentario e resumo deste livro me remeteu a uma outra situaçao de doença, internaçao, sapiência médica, enfim todo um universo da saude usado como metafora de uma situaçao politica.
    Refiro-me à Itajai’ de Machado de Assis e a seu lucido e implacavel Dr. Simao Bacamarte(na novela O Alienista), e à loucura constatada, que vai de todos a nenhum, sempre justificado por um raciocinio cientifico impecavel, enquanto a populaçao joga o jogo do poder e submissao, revolta, acomodamentos, revelando suas faces contraditorias: medo, hipocrisia, compromissos….
    O que me fascina em Machado e que parece ter desaparecido atualmente é a ironia, a risada sa’bia e discreta no fundo do olhar, que nos denuncia a nos mesmos sem se separar de nos.
    Um bom domingo. Retomarei o Saramago para ler um dia destes.

  11. Constatar a cegueira, fato. Alcançar a lucidez de ver e, vendo, discernir a realidade do que se vê, como ser e o que fazer diante do que se vê e sente, esta é a inquietação que esta síntese me provoca.
    Sendo que as coisas são desta forma, como ser diante delas, o que fazer objetivamente? Se diante da necessidade real da existência temos a possibilidade de tornamo-nos no que de fato somos, a verdade que nossas máscaras e a consciência tentam negar irremediavelmente com a indiferença, procrastinação ou ativismo sem causa, ou seja, como lidar com esta antítese em nós mesmos sem preferir o alívio que a “cegueira” pode nos proporcionar neste estado de coisas?
    Esta reflexão me faz pensar sob novos prismas em personagens como Gandhi, Martin Luther King, Madre Tereza de Calcutá, mesmo em Dostoiévsk ou Tolstoi…
    Obrigado pelas inquietações…. pensar é preciso, em olhar, vêr e discernir, se faz necessário!

  12. Adorei a síntese. Nós ajuda a refletir sobre a sociedade da cegueira na qual vivemos e o quanto é árduo enxergar em meio a essa ralidade.

    Abraços.

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