Música para viver melhor!

para Karyni, Karolyni e Eduardo


Sou do tempo do disco de vinil – Long Play (LP). Uma época na qual a aquisição de um disco exigia aperto no orçamento. Recordo que aos sábados íamos à São Caetano, ABC paulista, em lojas tipo saldão que vendiam LPs a preços módicos. Às vezes, o gosto musical induzia ao sacrifício orçamentário para comprar o vinil novo. Forço a memória, mas não consigo lembrar o primeiro disco comprado. Também pudera! Estou nas raias do cinqüentenário e lá se foram os anos. Contudo, recordo do presente que ganhei: o LP duplo Bee Gees Greatest. Inesquecível! Foi a fase do sucesso, quase que uma febre, do Saturday Night Fever (Os embalos de sábado à noite) e Grease – nos tempos da brilhantina.

Já naquela época o meu gosto musical era democrático – ou, como se diz, eclético. Ouvia samba, música caipira, trilhas sonoras de novela, músicas românticas, rock nacional e internacional e o que tocava nas discotecas. Mas havia limites! Não gostava, por exemplo, de música clássica. Era quase que um preconceito. Quando, anos depois, ouvi Vivaldi, Beethoven, etc., me rendi. Já era o tempo do CD e, entre os primeiros que adquiri, um era a música de Antonio Vivaldi. Fiquei maravilhado com o som do CD.

Hoje, dezenas e centenas de CDs cabem num HD, no formato MP3. Fico admirado com as possibilidades do acesso a qualquer estilo musical. Gosto de experimentar, de ouvir o que não conheço! Nada se compara, porém, à experiência de ouvir música ao vivo. Fui a poucos shows. Certa vez, quando ainda cursava o secundário na Escola Estadual Mário Casassanta, bairro da Vila Alpina, zona leste de São Paulo, teve a apresentação de bandas de rock. Gostei daquela barulheira! Doutra feita, fui ao show do Chico Buarque; também assisti à apresentação do Língua de Trapo, Zé Geraldo, Geraldo Azevedo, etc.

Das minhas vivências musicais há três experiências marcantes: a apresentação da orquestra na Fundação Santo André (quando graduava em Ciências Sociais); da Karyni Da Vila e a irmã Karolyni Da Vila; e o show da Orquestra de Sopros de Paranavaí (PR), da qual participa o Eduardo Amaral.

Como é envolvente o som da orquestra! Fico admirado com a harmonia entre os diversos instrumentos, os músicos e as musicistas. É simplesmente maravilhoso ver e ouvir o som harmônico produzido por tamanha diversidade. Não é menos impactante o solo ou, como na apresentação da Karyni e Karolyni, a harmonia musical de dois instrumentos, a viola de arco e o violoncelo (o primeiro tocado pela Karyni; o segundo pela Karolyni). Elas se apresentaram aos calouros do curso de Ciências Sociais (DCS/UEM), no início deste semestre. Nada sei do que se passava nos corações e mentes dos futuros cientistas sociais presentes naquele dia, mas foi uma experiência de vida inesquecível. Agradeço a elas por aceitarem o convite.*

O passar do tempo contribui para o aprendizado e também para o refinamento do gosto musical – embora, diz o senso comum, gosto não se discute. Conheci o Blues, a história do Blues e, por este caminho cheguei ao Jazz e à História do Jazz. Hoje, adoro Blues e Jazz. Ouvir a Orquestra de Sopros de Paranavaí (PR)** foi a oportunidade de vivenciar ao vivo o som que aprendi a gostar apenas ouvindo CDs, MP3 e/ou assistindo documentários que encontrei na internet.

Nada se compara ao ver e ouvir in loco. O olhar se perde no admirar, a alma se enleva, o corpo reage à variação do tom e a música comanda os sentidos. Sentir a música, se envolver no ritmo dos instrumentos e se deixar levar pela atmosfera harmoniosamente criada. Viver a experiência como única e intransferível. Momentos como estes deixam marcas indeléveis na alma e fazem a vida valer a pena ser vivida! A música estimula a imaginação, revivifica as lembranças, mas também faz esquecer. Seja como for, faz bem ouvir música – especialmente, ao vivo!


* A Karyni estuda música na UEM; a Karolyni é graduanda em Filosofia. Elas participam da Orquestra Filarmônica do Cesumar. O vídeo tem a participação delas.

** O vídeo  foi gravado com câmara digital. É apenas uma mostra parcial do trabalho da Orquestra de Sopros de Paranavaí, para que o leitor conheça.

8 comentários sobre “Música para viver melhor!

  1. Muito obrigada pelos vídeos e por compartilhar sua história musical. Minha alma ficou enlevada duplamente: primeiro porque as orquestras são maravilhosas.
    Depois porque nós, aqui das Minas Gerais, amamos ouvir (ou ler, não importa) os que abrem o coração.

  2. querido amigo,

    Como eh bom começar uma segunda compatilhando um sentimento. Vinha (para o trabalho) nesse trânsito paulista infernal que sei conheces bem. Ouvindo Ná Ozzeti e Maria Gadu pensando exatamente como era difícil tempos atrás adquirir um LP, como era caro o acesso musical. Ouviamos rádio. Gravavamos (em fita K7) direto da progamação da radio, lembra? E hj. com as facilidade disponíevis pela tecnologia a música ficou mais democrática…
    Como sou um pouco mais nova na casa dos quarenta, lembro do meu primeiro LP que ganhei aos 6 anos: Roberto Carlos, não lembro o nome, mas minha música preferida era: Eu quero ter 1milhão de amigos pra bem mais forte eu poder catar…

  3. A história do LP duplo do Bee Gees me lembrou outra: o LP duplo do Grease, super cobiçado, presente do meu tio querido kkkkk Música clássica também caiu no meu gosto mais tarde: ouvindo ensaios de orquestra, que foi uma experiência ótima. Jazz, sinceramente, ainda é difícil que entusiasme, tem cara de música que é para curtição de quem toca, não de quem ouve, fico pensando se algum dia esse gosto muda… Agradecimentos pelo post que trouxe essas lembranças, abraço!

  4. Adorei… Agora mesmo estou me deleitando ao ouvir uma música que marcou muito a minha vida! Música é isso. É sentimento…

  5. Muito lhe agradeço ter dialogado sobre suas experiências com a música. Gostei demais de ouvir a orquestra de Paranavaí. Você tem um jeito de compartilhar com as pessoas que me fazem sentir que a vida, as pessoas, os filmes, as músicas em vinil , em CDS , ao vivos ( e etc ) tem significados que ultrapassam o pesado do cotidiano.

  6. Adorei a publicação!!! A música realmente é belo calmante para alma, a harmonia que nos passa é fantástica!

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