Lições da greve dos trabalhadores da UEM

O caráter antidemocrático da universidade sustenta-se na separação entre os servidores, na pretensa superioridade da minoria titulada e no domínio docente amparado na regra dos 70%, 15% e 15% quanto ao peso do voto nos órgãos decisórios. Não se trata de uma questão matemática, mas de uma forma de pensar as relações no campus e se traduz, no cotidiano, em atitudes arrogantes quanto aos demais trabalhadores não-docentes.

Muitos esquecem que as condições necessárias para o desempenho da atividade docente dependem do trabalhador que desempenha a função mais simples e dos que regem os destinos da carreira acadêmica nos meandros da burocracia. Em situação normal, zeladoras, vigilantes, bibliotecárias, trabalhadores do RU, secretárias e demais funcionários dos departamentos e centros, etc., parecem seres invisíveis. A greve deu-lhes visibilidade. De repente, muitos docentes perceberam que eles existem e que são fundamentais para a prática da docência. Infelizmente, essa percepção não se traduz necessariamente em reconhecimento e valorização destes profissionais, mas na pressão para que os grevistas continuem a trabalhar como se não estivessem em greve! Ora, greve é greve! É tão difícil compreender?!

Acostumados a mandar, os docentes tem dificuldade de assimilar um fato simples: a greve significa paralisação das atividades! As chaves não abrem blocos e salas de aula sem a ação humana, os ambientes não ficam limpos sem o trabalho humano, o acesso ao conhecimento sedimentado nos livros da BCE não é possível sem a intermediação dos que abrem as portas, dos que fazem a higienização, das bibliotecárias e demais trabalhadores. Exigir que atendam às demandas dos docentes é pedir para que não façam greve, é enfraquecer o movimento. Desculpem a redundância, mas se as coisas funcionassem com a normalidade de antes, então não estaríamos diante de uma greve.

Os trabalhadores em greve mostram o quanto são importantes para nós e a sociedade. Se os docentes não haviam percebido isto, ainda é tempo. Fazer o discurso da solidariedade e do reconhecimento do direito de greve e reclamar do óbvio, ou imaginar que merecemos um tratamento diferenciado porque somos docentes, é, na prática, negar a solidariedade. Apegar-se aos interesses corporativistas é continuar insistindo na divisão. A rigor, somos todos servidores, trabalhadores que desempenham funções diferentes. Nossos salários expressam diferenças profissionais e sociais, mas não determinam qualidades humanas diferenciadas nem desqualificam outras atividades que não seja a docência.

Não somos seres humanos melhores pelo fato de passarmos mais anos na escolarização formal e termos títulos acadêmicos. Nós precisamos dos demais para desempenhar as nossas funções. Este reconhecimento indica a necessidade de descermos do Olimpo, de nutrir a humildade e valorizar os que contribuem para a atividade docente. Afinal, apesar das disputas entre os que se arrogam o direito de nos representar, somos todos servidores!

Se os docentes param, o efeito direto é sentido quase que exclusivamente pelos alunos. A paralisação dos demais trabalhadores, no entanto, afeta os docentes, os alunos e a comunidade externa que depende de determinados serviços oferecidos pela universidade. Precisamos refletir sobre esta questão, a qual é mais ampla e importante do que o corporativismo de uns e outros.

Professores ensinam, mas chegou o tempo de aprender! Aprendam que não são superiores; que são dependentes do trabalho dos demais; aprendam a valorizá-los e que greve é greve; aprendam a serem solidários em atos e a respeitaram, de fato, o direito de greve; aprendam a não olhar apenas para o próprio umbigo – o mundo é grande! – e a irem além dos interesses mesquinhos e corporativos; aprendam que a postura de confronto com o movimento grevista acirra ainda mais a divisão entre nós. Claro, sempre há quem tenha interesse e se beneficie. Aprendam que a vida continua e amanhã, quando tudo voltar à normalidade do cotidiano, continuaremos a precisar deles e delas!

80 comentários sobre “Lições da greve dos trabalhadores da UEM

  1. É verdade Áurea, o Blog funciona como uma espécie de catarse.
    Naquele momento era assim que eu me sentia, “trucidado”. Os afetos tem essa especificidade de produzir dramas e tragédias. As universidades não são um ESTADO, dentro do próprio ESTADO, ainda que muitos pensem assim, confundindo autonomia com declaração de independencia. Não estamos a merce de uma ditadura da docência rsrsrs, isso são exageros proferidos no calor das assembléias. Vivemos num Estado democrático e de direito.
    Na liminar proferida pelo juiz, uma das justificativas para determinar a volta imediata de 70% do efetivo ao trabalho, era de que a greve estava trazendo graves prejuízos a população.
    Uma maneira de analisar, é ver nisso uma forma de reconhecimento da classe junto a população interna e externa, tanto que o próprio governador interviu, com a promessa de garantir muito das nossas reivindicações.
    Acho que dá para dizer que voltamos de cabeça erguida.

    Grato

  2. Esse cenário deveria gerar, no mínimo, constrangimento por parte da diretoria da ADUFMS, que tem se escondido de uma luta que é nacional, contribuindo para a construção de uma imagem ridicularizante da UFMS no país – a de que somos parasitas: os outros brigam, nós levaremos o bônus. Mesmo sindicatos ligados ao PROIFES-Federação estão aderindo à greve sem que, na UFMS, tivesse sido aberto debate sério sobre essa questão. (O que estamos fazendo no Câmpus do Pantanal partiu dos docentes e não do sindicato). Vejam-se os exemplos da UFC, da UNILAB, da UFBA e, mais recentemente, da UFSCar. O próprio vice-presidente da ADUFMS-Pantanal perguntou em assembleia: pra que entrar em greve?

  3. (DELIBERAÇÕES DA CHEFIA SOBRE O RETORNO ÀS AULAS)
    O que chamam de autonomia da reitoria para continuar o pleno funcionamento da Universidade,fazer mutirão de limpeza com alunos e professores.Faça-me o favor sou aluno e não funcionário público.Desculpem-me mas os professores estão dando tanto valor a EDUCAÇÃO quanto o governo.

  4. Minhas lições da grece.

    Pois é, a greve dos funcionarios das universidades agoniza, e em breve, muito em breve voltaremos a normalidade. Londrina e Ponta grossa já suspenderam a greve e nós e Cascavel iremos em seguida.
    Então professor Ozaí, de minha parte aprendi que quem está acostumado a mandar…..vai continuar mandando. Por parte do ESTADO uma liminar judicial nos obriga a manter a universidade em condições adequadas para as atividades academicas, com no mínimo 60% do funcionários em atividade mais os FGs CCs, que deve abarcar uns 70%, sobram 30% para continuar em greve….melhor suspender.
    Por parte da UEM, o seu conselho universitário (COU) deu carta branca ao reitor para não medir esforços para acabar com essas “bobagens”, “abusos”, etc dessa greve dos funcionários.
    Por fim, até é reconhecido o direito de greve, desde que ela não atrapalhe o funcionamento da universidade. É como uma colega disse na assembleia: é permitido comprar cigarros, mas é proibido sair de casa.
    Mas num balanço geral, houve avanços nas negociações, e a categoria acabou com um saldo, digamos positivo.
    No confronto, e já não sabia mais com quem, fomos trucidados.
    Da minha parte resta obedecer.
    Enfim….CUMPRA-SE.

    • Caro Ocimar,

      boa tarde.
      Obrigado por ler e comentar o post.
      Muito importante as suas reflexões. O ideal é que a “comunidade universitária” – se isto existe! – também fizesse uma avaliação sobre as greves e a conjuntura na UEM.

      Max Weber, um autor clássico da sociologia, faz uma distinção importante em PODER e DOMINAÇÃO. O poder pode ser traduzido como simplesmente a possibilidade de mandar, sem qualquer preocupação com a legitimidade do mando; exige a obediência, e ponto. “Dominação”, para Weber, pressupõe a legitimação (o consentimento) por quem obedece, isto é, reconhecimento da autoridade. Por mais que o poder seja impositivo, sempre há a possibilidade da resistência. A luta social não é realizada sem enfrentamentos, conflitos. O Estado faz o papel dele, as instituições idem, e nós, como indivíduos devemos refletir sobre as nossas ações.

      Obrigado.
      Abraços e ótimo final de semana

    • Ocimar,

      Obedeça com o seu corpo, após avaliar cada ordem com sua ética.
      Ninguém nunca foi, nem será, senhor do seu espirito.
      Portanto, a palavra “trucidados” foi escrita no calor do momento, não foi?
      Continue firme com o que acredita.

      Boa sorte!

      Áurea

  5. Acho estranhos alguns comentários proferidos pela professora Marta.
    Primeiramente, já no inicio das assembléias, o comando de greve se posicionava no sentido de favorecer o acesso dos professores à UEM, pois era de entendimento que uma universidade esvaziada em nada ajudaria no nosso movimento. Porém a proposta encaminhada sofreu derrota, pois é de entendimento de muitos, docentes e funcionários, que basta os portões estarem abertos para que a universidade funcione.
    Segundo, posteriormente, visto que a abertura das portas das salas de aula estava se tornando um cavalo de batalha, foi entregue a reitoria todas as chaves da universidade (acho que menos as dos portões). Ficando por conta da reitoria a administracão da entrega das chaves (parece que não funcionou muito bem).
    Por outro lado quero aqui me juntar a dita ingenuidade do professor Ozaí. Confesso que me senti burro com toda a análise da professora Marta, pois quando era abordado sobre o andamento da greve por alguns amigos professores, pareciam estar mais preocupados com a reposicão das aulas no fim do ano. Preocupacão legítima, que confesso, compartilho com eles.
    Por fim, relendo a resposta da professora Marta. pareceu-me claro claro que a indignacão da professora não é contra o professor Ozaí e nem contra os funcionários (ainda que possamos ser os depossitários), mas de uma mágoa historicamente construida nos bastidores da política institucional e sindical. Privilegio daqueles que tem uma história, que no caso da professora Marta se confunde com a própria história da UEM.

    Grato

    • Caro Ocimar,

      boa tarde.
      Obrigado por seus comentários, os quais contribuem para a compreensão do que li e ouvi por estes dias.

      Quanto à professora Marta, concordo que é um patrimônio histórico da nossa universidade, no sentido que vc escreveu: “se confunde com a própria história da UEM”. Portanto, fico lisonjeado por merecer um longo texto dela como resposta – embora a minha humilde opinião neste BLOG não tenha sido direcionada a ela pessoalmente nem à instituição que representa. Mas, o blog é público e, portanto, está sujeito a “respostas” e interpretações.

      Abraços e ótimo final de semana,

    • Com todo o conhecimento e poder de articulação demonstrados pela professora Marta Bellini, se, a exemplo de como o professor Raymundo me tratou, ela pudesse tratar o professor Ozaí de forma mais respeitosa e cordial (não entendo, por exemplo, porque insulta-lo hipotetizando má fé em seus escritos)…
      Continuando, se a professora não tivesse tanta necessidade de desmerecer um colega somente porque pensa e sente de forma diferente da dela, tudo o que ela tem para nos ensinar, (e pressinto que seria precioso e importante os vários alertas que ela poderia vir a nos dar, além dos que acabou de dar, é claro) eu diria que o solo para construção de uma UNA metamorfoseada nos moldes descritos por Morin, esta sendo, democrática e lindamente, preparado.
      No entanto, sou obrigada a conter, pelo menos por enquanto, o meu entusiasmo.
      Peço lhes, no entanto, que não se esqueçam: “A desintegração é provável. O improvável, mas possível é a metamorfose.”
      Não estou apenas dividindo com vocês as minhas crenças mais caras, meus amigos.
      Afinal, será apostando todas as minhas fichas na possibilidade da metamorfose que eu, Áurea, uma técnica de nível superior da área da saúde (médica patologista clinica) da UFMG, atuarei até minha aposentadoria.
      abraços a todos e obrigada por terem me acolhido tão bem nesta discussão tão de vocês, que, na verdade, tem o que ensinar para todo o País.

      Em tempo: o nome do artigo do Morin é “Elogio a metamorfose”

      • Por favor, leiam: o solo para a construção de uma UEM e não para a construção de uma UNA.

      • Cara Áurea,

        boa tarde.
        Meu sincero muito obrigado por seus comentários sempre instigantes e esclarecedores – neste e em outros textos publicados aqui.

        Agradeço também por sua solidariedade e que casa um pense bem sobre as palavras que proferem, pois palavras não são apenas palavras.

        Abraços e ótimo final de semana,

    • Grande Ozaí! Não é sempre que encontramos alguém que seja capaz de sugerir aos demais a leitura de um texto que contém críticas àquilo que escreveu! Eis aqui outro espírito livre!
      Eu já havia lido o texto da Profª Marta. Em alguns momentos ela atinge pontos que são o centro do problema maior da universidade (por exemplo, falando dos que vivem de cargos e trocas de favores dentro da instituição). Mas, por outro, perde-se em considerações que são, como se diz, mais do mesmo.

      • Fábio,

        boa tarde.
        Meu sincero muito obrigado.
        Ninguém está isento de cometer erros e penso que devemos superar uma certa cultura autoritária que se fundamenta em verdades indiscutíveis, na rotulação do outro e com o espírito de seita. Que o leitor possa ter acesso a todas as opiniões, versões, interpretações e tire suas próprias conclusões.

        Abraços e bom final de semana,

  6. Volto por dois motivos:

    1- Dizer para o Raymundo que a reciproca é verdadeira, ou seja, também senti vontade de conhecê-lo porque um psicanalista que escreve corajosa e livremente, para que todos os seus alunos, pares e possíveis desafetos possam ler à vontade: “Devo sofrer do Transtorno de Asperger, porque não estou conseguindo compreeder algumas pessoas e a comlexidade do nosso mundo.” só pode ser alguém que, acima de qualquer convenção humana, preza sua autenticidade e integridade.
    Raro, raríssimo e, se me permitem, delicioso! hahahaha…

    2- Voltei também para oferecer a todos um artigo de Edgar Morin, mestre, cuja lucidez pode-lhes ser de grande ajuda neste momento.

    Segue o artigo.

    Quando um sistema é incapaz de tratar os seus problemas vitais, se degrada ou se desintegra ou então é capaz de suscitar um meta-sistema capaz de lidar com seus problemas: ele se metamorfoseia. O sistema Terra é incapaz de se organizar para resolver seus problemas críticos: perigos nucleares que se agravam com a expansão e, talvez, a privatização das armas atômicas; degradação da biosfera; economia mundial sem verdadeira regulação; retorno da fome; conflitos étnico-político-religiosos que tendem a se desenvolver em guerras de civilização.

    O aumento e a aceleração destes processos podem ser considerados como o desencadeamento de um poderoso feedback negativo, um processo pelo qual um sistema se desintegra irremediavelmente.

    A desintegração é provável. O improvável, mas possível é a metamorfose. O que é uma metamorfose? Nós vemos inúmeros exemplos no reino animal. A lagarta que se fecha num casulo começa um processo ao mesmo tempo de destruição e de autoreconstrução, como uma organização e uma forma de borboleta, diferente da lagarta, permanecendo a mesma. O nascimento da vida pode ser concebido como a metamorfose de uma organização físico-química, que, tendo chegado a um ponto de saturação, cria a meta-organização viva que, embora tendo os mesmos aspectos físico-químicos, produz novas qualidades.

    A formação das sociedades históricas – no Oriente Médio, na Índia, na China, no México, no Peru – constitui uma metamorfose a partir de um conjunto de antigas sociedades de caçadores-coletores, que produziu as cidades, o Estado, as classes sociais, a especialização do trabalho, as grandes religiões, a arquitetura, as artes, a literatura e a filosofia. E também as piores coisas: a guerra e a escravidão. A partir do século XXI se coloca o problema da metamorfose das sociedades históricas em uma sociedade-mundo de um novo tipo, que englobará a ONU, sem suprimi-la. Porque a continuação da história, isto é, das guerras, por parte dos Estados com armas de destruição em massa, leva à destruição da humanidade. Ainda que, para Fukuyama, sejam as capacidades criativas da evolução humana que se esgotaram com a democracia representativa e a economia liberal, devemos pensar que, ao contrário, é a história que se esgota e não as habilidades criativas da humanidade.

    A ideia de metamorfose, mais rica do que a ideia de revolução, guarda a radicalidade transformadora, mas a liga à conservação (da vida, do patrimônio cultural). Para ir rumo à metamorfose, como mudar de caminho? Mas se parece possível corrigir alguns males, é impossível romper a lógica técnico-científico-econômico-civilizacional que leva o planeta ao desastre. No entanto, a História humana mudou muitas vezes de caminho. Tudo recomeça por uma inovação, uma nova mensagem desviante, marginal, pequena, muitas vezes invisível para os contemporâneos. Assim começaram as grandes religiões: budismo, cristianismo, islamismo. O capitalismo se desenvolveu parasitando as sociedades feudais para finalmente decolar e, com a ajuda de monarquias, desintegrá-las.

    A ciência moderna formou-se a partir de algumas mentes desviantes dispersas, Galileu, Bacon, Descartes, e então criou suas redes e associações, se introduziu nas universidades no século XIX, e depois, no século XX nas economias e nos Estados para se tornar um dos quatro poderosos motores da nave espacial Terra. O socialismo nasceu de algumas mentes autodidatas e marginalizadas no século XIX para se tornar uma formidável força histórica no século XX. Hoje, tudo tem que ser repensado. Tudo deve recomeçar.

    Com efeito, tudo começou, mas sem que se soubesse. Estamos no estágio de começos, modestos, invisíveis, marginais, dispersos. Porque já existe, em todos os continentes, uma efervescência criativa, uma multiplicidade de iniciativas locais, em conformidade com a revitalização econômica, ou social, ou política, ou cognitiva, ou educacional ou ética, ou da reforma da vida.

    Estas iniciativas estão isoladas, nenhuma administração as leva em conta, nenhum partido toma conhecimento delas. Mas elas são o viveiro do futuro. Trata-se de reconhecê-las, inventariá-las, cotejá-las, catalogá-las, combiná-los e de conjugá-las em uma pluralidade de caminhos reformadores. São estes caminhos múltiplos que podem, através de um desenvolvimento conjunto, se combinar para formar o novo caminho que nos levaria em direção à metamorfose ainda invisível e inconcebível. Para desenvolver formas que vão desembocar no Caminho, é preciso identificar alternativas limitadas, que limitam o mundo do conhecimento e do pensamento hegemônicos. Assim, é preciso ao mesmo tempo globalizar e desmundializar, crescer e diminuir, desenvolver e envolver.

    A orientação mundialização/desmundialização significa que, se é preciso multiplicar os processos de comunicação e de planetarização culturais, é preciso que se constitua uma consciência da Terra-Pátria, mas também é preciso promover, de maneira desmundializante, a alimentação de proximidade, os artesanatos locais, as lojas locais, a jardinagem suburbana, as comunidades locais e regionais.

    A orientação “crescimento/decrescimento” significa que precisamos aumentar os serviços, as energias verdes, os transportes públicos, a economia plural capaz de incluir a economia social e solidária, o desenvolvimento da humanização das megacidades, a pecuária orgânica, mas diminuir as intoxicações consumistas, a alimentação industrializada, a produção de objetos descartáveis e não consertáveis, o tráfego de automóvel, o tráfego de caminhões (em benefício do transporte ferroviário).

    A orientação desenvolvimento/envolvimento significa que o objetivo não é mais fundamentalmente o desenvolvimento de bens materiais, da eficiência, da rentabilidade, do cálculo; é também o retorno de cada um às necessidades interiores, o grande retorno à vida interior e ao primado da compreensão do outro, do amor e da amizade.

    Já não basta mais apenas denunciar. Precisamos propor. Não basta apelar à urgência. É preciso saber também começar a definir os caminhos que levarão ao Caminho. É para isso que estamos tentando contribuir. Quais são as razões para ter esperança? Podemos formular cinco princípios de esperança.

    1. O surgimento do improvável. Assim, por duas vezes a vitoriosa resistência da pequena Atenas à formidável força dos persas, cinco séculos antes da nossa era, foi altamente improvável e permitiu o nascimento da democracia e da filosofia. Igualmente inesperado foi o congelamento da ofensiva alemã diante de Moscou, no outono de 1941, e depois a contra-ofensiva vitoriosa de Jukov que começou em 5 de dezembro e, depois, no dia 8 de dezembro com o ataque a Pearl Harbor, que marcou a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.

    2. As virtudes geradoras/criadoras inerentes à humanidade. Assim como existem em qualquer organismo humano adulto células-tronco dotadas de habilidades polivalentes (totipotentes) próprias às células embrionárias, mas inativas, existem em cada ser humano, em cada sociedade humana, virtudes regeneradoras, geradoras e criativas em estado dormente ou inibidas.

    3. As virtudes da crise. Ao mesmo tempo que forças regressivas e desintegradoras, as forças criadoras despertam na crise planetária da humanidade.

    4. Com o que se combinam as virtudes do perigo: “Aí onde cresce o perigo cresce também o que salva”. A chance suprema é inseparável do risco supremo.

    5. A aspiração multimilenar da humanidade à harmonia (paraíso, depois utopias, depois ideologias libertárias/socialistas/comunistas, depois aspirações e revoltas juvenis dos anos 1960). Esta aspiração renasce no formigueiro de iniciativas múltiplas e dispersas que alimentarão o caminho da reforma, consagradas a se unirem ao novo caminho.

    A esperança estava morta. As gerações mais velhas estão decepcionadas com falsas esperanças. As gerações mais jovens se desconsolam com o fato de que não haja mais causas como a nossa resistência durante a Segunda Guerra Mundial. Mas a nossa causa trazia em si o seu contrário. Como disse Vasily Grossman de Stalingrado, a maior vitória da humanidade foi ao mesmo tempo a sua maior derrota, desde que o totalitarismo stalinista saiu vitorioso. A vitória das democracias restabeleceu no mesmo ato seu colonialismo. Hoje, a causa é inequivocamente sublime: trata-se de salvar a humanidade.

    A verdadeira esperança sabe que não tem certeza. É a esperança não no melhor dos mundos, mas em um mundo melhor. A origem está diante de nós, disse Heidegger. A metamorfose seria efetivamente uma nova origem.

      • Ozaí,

        “O Inferno dos vivos não é algo que virá a ser: se houver um, ele já está aqui, o inferno onde vivemos todos os dias, que criamos por estarmos juntos. Há dois modos de deixar de sofrer com ele. O primeiro é fácil para muitos: aceite o inferno e torne-se parte dele de tal forma que não o veja mais. O segundo é arriscado e exige constante vigilância e cuidado: procure e aprenda a reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não são inferno, e então faça-os resistir, dê-lhes espaço.”

        Foi assim que Ítalo Calvino terminou o seu livro “Cidades invisíveis”.
        É por reconhecer este seu espaço como “não inferno” que procuro apoia-lo.

        Áurea

      • Aurea,

        bom dia.
        Palavras instigantes! Estimulam a ler a obra.
        Meu sincero muito obrigado por tudo e fique à vontade para sugerir, criticar, etc.
        Abraços e ótima semana,

  7. Olá!
    O comentário de Ozaí não é uma afronta a ninguém, é uma verdade que nem todos conseguem enxergar. Diferenças existem. Que Pena! Estamos todos aqui pelo mesmo motivo, ter salário para viver, alimentar e manter nossa família. Ou não? Eu sempre digo; se escrevemos nem sempre conseguimos relatar o que pretendemos alguém pode interpretar mal, falar pessoalmente é melhor porque podemos explicar de novo. Respeito vem de berço faz parte da boa educação e é bom para todos e em qualquer circunstância e lugar.
    Aos meus filhos eu sempre falei; “Respeite o professor, ele está passando conhecimento, você precisa dele, não ele de você”.
    Eu faço o mesmo, respeito a todos e também sou respeitada.
    Obrigada Ozaí pela colaboração. Se alguém se sentiu ofendido é porque já está tendo algum tipo de problema e não por culpa de suas palavras.
    Eva (UNIOESTE)

    • Eva,

      boa tarde.
      Meu sincero muito obrigado por ler e comentar.
      Não tive a intenção de afrontar nem ofender ninguém, nem de estimular divisões entre nós. Mas, não podemos nos fazer de cegos, temos olhos para ver – desculpe se sou redundante, mas a expressão é inspirada na leitura de “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago.

      Também concordo contigo que o essencial é o respeito. Não podemos esperar que os outros nos respeitem se não os respeitamos como seres humanos, independentemente das funções que desempenham.

      Obrigado.
      Abraços e ótimo final de semana,

  8. Ozaí

    Creio que seus comentários são pertinentes. A divisão entre funcionários e professores só interessa a quem está no poder. Nossa divisão mostra a fraqueza nossa em ver o movimento paredista. Nossa miopia política. Quanto mais estivermos divididos, mais fácil o poder resolve as questões da forma com eles bem entendem. Creio que nossos órgãos representativos estãos mais preocupados com “política” (entre aspas) do que com representatividade da categoria de servidores, pois afinal, somos todos servidores.
    João Mura – DFI/UEM

    • Caro João,

      boa tarde.
      Obrigado por ler e comentar.
      Suas palavras expressão lucidez e me contenta lê-las. Não foi minha intenção incentivar a divisão, mas apenas constatar, compreender e alertar para a necessidade de repensarmos nossas atitudes perante os demais trabalhadores da universidade.

      Abraços e tudo de bom,

  9. Latet anguis in herba.

    Muito bom os comentários, expressão em sua maioria o real achismo de alguns e juntamente com o senso critico destes a racionalização dos fatos ocorridos e em curso, eu acho, pois isso é o máximo a ser feito no meio dessa bagunça, que a greve é a mais justa de todas no meu período acadêmico, mas como todo funcionalismo publico tende ao socialismo, que não chega nem a beirar a perfeição e nem todos cumprem o real dever como funcionários, esta deveria ser mais democrática e menos falastrona, como diria minha mãe, os salários estão defasados, mas já ouvi comentários de que os grevistas receberam aumento juntamente com os funcionários, não sei se isso é verídico mas pelo que me consta nem os professores receberam este ainda de fato, o plano de careira é valido e muito para o funcionalismo publico, mas deve vir com a certeza de que as obrigações estão sendo cumpridas também, já presenciei fatos absurdos de quatro funcionários juntos para realizar a poda de uma arvore e um só estava realmente realizando esta, como também vivenciei aulas com professores que nem sabiam o que estavam ensinando muito menos tinham preparado aula.
    Justa essa greve é, mas não sigo na onda, primeiro, pois os salários estavam definidos ao prestarem o concurso, baixos mais estavam, segundo as funções exercidas por muitos deixam a desejar, não somente por culpa deste mais também por falha do processo administrativo governamental, terceiro não me alio a quem diz que lutará por melhorias no ensino paralisando este, isto é legitimo para causas desta magnitude? Fatos são necessários nestas conclusões e não somente especulação, os professores se julgam superiores? Conversa superior mesmo é quem vive na multidão sem se alienar, superior são os poucos que não sustentam o Brasil, mas sim seus filhos e criam cidadãos de bem, quem erra e consegue admitir o erro é superior, me mostre um ser superior a outro que vos direi que ele pode pensar, mas suas ações mesmo que mais eloquentes e pomposas o dirão ao contrario, todo somos iguais, nossas funções são meramente ilusórias assim como o status.
    Lutem pelos seus direitos e se e somente se, existir alguém que prefira aprender algo a mais de conhecimento neste vosso momento mesmo que isso não vos ajude deixei-o ele fez a escolha dele. Minha escolha é continuar em aula mesmo nas citações precárias, não por desrespeito, mas sim por escolha, nunca foi o melhor aluno, contudo nunca deixei de pensar, todos têm esse direito e se algum dia precisarem deste para uma causa descentralizada, por que nobres todas são, não hesitem, mas não queiram me usar para joguetes políticos e brigas familiares, isto jamais aceitarei!
    Facit indignatio versum.

    • Temos aqui um espírito livre; ex-leitor ou futuro leitor de “Walden ou a vida nos bosques”. Não entendi algumas observações, não concordei com algumas e concordei com outras. Mas adorei o texto, escrito por um espírito livre.

  10. Voce vê como é interessante Áurea, como o Pathos vai se apropriando da situação ?
    Fique tranquila somos todos humanos

    • KKKK…estou tranquila e digo mais: apesar d’eu ser servidora da UFMG, fiquei com vontade de fazer uma pós aí com vocês…
      abraço e muita luz para saírem fortalecidos desta greve com uma UEM melhorada!

    • Ocimar,

      boa tarde.
      Sim, somos todos humanos. Portanto, me parece fora de propósito separar razão e emoção, razão e sensibilidade, razão e paixão.

      “Quando escrevo, procuro não esquecer jamais de de me entusiasmar pelo que está sendo escrito e de refletir sobre o assunto” (Rosa Luxemburgo).

      Rosa criticava a maneira formal, empolada, fria e convencional dos escritores sociais-democratas da época. Ela escrevia com sentimento, com paixão. E, no entanto, com a racionalidade que a situação exigia.

      Também não deixa de ser interessante observar que, muitas vezes, a pretensa crítica racional ao “pathos” do outro não obscurece o “pathos” de quem critica. Eu me divirto, afinal também é do humano tentar parecer o que não é.

      Obrigado por estimular a observar estas questões.
      Abraços e ótimo final de semana,

  11. Opinião é opinião….Práxis política é outra coisa.O que senti foi muitas opiniões e pouco alcance da prática politica expressa pelo texto de Ozai

  12. Caro Ozai. O seu blog é um espaço muito interessante para a gente trocar ideias, apresentar posições, enfim, instiga ao debate. Mas, como todo blog e etc, tende a fundar dois sintomas: catarses e anonimato. O primeiro, não há como evitar. As vezes, o calor da hora produz palavras até ofensivas. Mas o segundo, o anonimato não faz bem ao blog e não eleva o nível do debate. O dono do blog tem como impedir. O dono do blog pode saber o nome do respondente, mas e nós? E quando recebemos insulto, invertade, visando difamar aquele que fornece seu nome completo? ENTÃO, TOMO A LIBERDADE DE LHE PROPOR SOMENTE ACEITAR PUBLICAR RESPOSTAS COM OS NOMES DOS AUTORES. Tome como uma “sugestão”, só isso. Porque alguém se esconde com pseudônimo? Enfim, penso que este espaço é muito imprtante para abrigar pervertidos, covardes, cínicos e maldosos. Sinceramente. Abraço. Raymundo.

    • Raymundo, achei belo você ter voltado se reposicionando.
      Peço-lhe desculpas pela minha catarse encima da sua escrita…você deve ter sentido que sou 99,99% phatos…hahahaha
      Desejo que esta forma delicada, difícil, extremamente desafiadora que vocês estão buscando fortalecer nesta discussão, forma que, a bem dizer, é a única que consigo dar créditos, pois é a única que não abre mão da democracia que apesar de todos os seus percalços ainda é imprescindível…continuando: desejo que vocês construam uma belissima e vigorosa Universidade.
      Percebo que a maioria dentre vocês, independentemente da posição que defende, procura manter o coração aberto e a mente focada num bem coletivo.
      Portanto, sucesso para todos!

      • DOMINGO, 16/09/2012
        Gostaria de primeiramente me dirigia a Áurea. Demais, aos participantes do blog.

        Sempre que me tenho sorte de me encontrar com pessoas equilibradas e com sabedoria, desejo conhecer, para aprender um pouco desta vida tão complexa. Devo sofrer do Transtorno de Asperger, porque não estou conseguindo compreeder algumas pessoas e a comlexidade do nosso mundo. Sinceramente, por isso, gostaria de conhecê-la, pq seus breves escritos me ajuda a esclarecer algo. Digo-lhe que também sou muito “phatos”, mas nestas horas de greve, crise política, aprendi a não me deixar levar pelo calor da hora. ((Confesso que parei de ir a assembléias pq o meu “pathos” vira “patologia” depressiva, fóbia, histeria, confusão mental…etc.)) Lembro-me de algumas vezes que me deixei levar pelo calor da hora da política, depois sofri muito com meu erro ou auto-engano. No campo político e universitário as pessoas são “personas” (usam várias máscaras sociais). Vi também tantos ingênuos entrarem por este caminho da causa passando por cima dos seus próximos, com as costas voltadas para a razão. Dái, uns piraram, outros se tornaram niilistas, chatos, nojentos, romperam amizades pela causa, etc.
        Daí, também, Áurea, minha opção e esforço pela razão/ lógica. É apenas um esfoço pessoal, até pq sou da área de Metep. Por exemplo, TEMO QUE PANFLETOS COMO ESTE DO MEU AMIGO OZAI, escrito com boa intenção, possa acirrar RUPTURAS, ou desencadear um FALSO CONFLITO entre FUNCIONÁRIOS e PROFESSORES DA UEM. Aliás, pelo pouco que vi, fiquei triste. Sinalizo 3 observações:
        (1) O texto dele pareceu jogar os professores como quase-culpados, ou alienados, arrogantes, prepotentes, etc. Nenhum parágrafo reconhece professores (como eu) que apoiam a greve dos funcionários, mas não apoiam atos de vandalismo e truculência que beira ao protofascismo. (Tenho horror aos protofascismo de esquerda (fascimo do bem) ou de direita). “Greve é greve”, não vamos delirar que “greve é guerra”..TAMBÉM, o “inimigo” da negociação é o governo neoliberal Beto Richa (parece que não foi mencionado no texto) e NÃO OS PROFESSORES. Se a raiva é pq parte dos professores queriam dar aulas, é um direito, convenhamos. Como tb na greve dos professores os funcionários foram trabalhar, e os professores respeitaram seu direito.

        (2) O autor começa com um ponto que, no fundo, é objeto de ressentimento e talvez vingança tardia dos funcionários para os professores: professores tem um poder de 70%, funcionário de 15% e alunos de 15%. Quem inventou este desequilíbrio realmente pensou somente no “próprio umbigo”, mas não teve sabedoria para pensar sobre os efeitos da exclusão dos restantes. Principalmente sobre a exclusão dos funcionários: 15% é ridiculo e prejudicial a categoria. Quem inventou e votou neste troço? Onde estavam os funcionários NA HORA, QUE DEIXARAM APROVAR 15%? ONDE ESTAVAM OS PROFESSORES (sobretudo os professores que agora defendem os funcionários, que não argumentaram, promoveram protestos???). Contradião ou falta de coerência?
        Para isso é preciso ter discernimento racional, minha cara Área; nesse momento é imperioso baixar o “pathos” voltado para a cegueira política de fundo narscísico. Enquanto não mudarmos essa percentagem, o ressentimento e conflitos tendem a agudização.
        Nesse sentido RACIONALMENTE concordo com o autor, mas também discordo PORQUE SOMENTE COM GREVE, OCUPAÇÃO, PASSEATA, SLOGANS, MUSIQUINHAS, não são suficientes para mudança. FALTA ENGAJAMENTO DO AUTOR do texto E DOS DEMAIS NOS ORGÃO REPRESENTATIVOS-DEMOCRÁTICO DA UEM: COU, CAD, CEP. A atitude de maturidade é se engajar neles, gostanto ou não, e cheira infantilidade reagir de modo birrento. (É próprio do adulto suportar frustrações, dizia um antigo filósofo). Pode ser pertinente o protesto na Primavera Árabe para derrubar ditadores, ou antes na nossa América Latina, para a mesma finalidade. Mas em regime democrático, é preciso AMADURESCER A ATITUDES E OS MOVIMENTOS POLÍTICOS DE GRUPOS. Amadurescer…para agir com coerência e consistência.

        (3) Suspeito que no fundo, também seja uma FALSA CONTRADIÇÃO: dois sindicatos. Sou filiado ao Sintemar, mas sinto-me pressionado para ser filiado ao Sesduem (dos professores). Porque enquanto houver competição entre dois sindicatos, ganha o governo Richa e outros. Resumindo: Penso ser BURRICE TÁTICA da greve na UEM: a) é burrice tática reforçar em textos e falas que os professores são uma espécie da “patrão” e os “funcionários” os proletários, únicas vítimas. (Ainda não foi superado o pensamento binário?) b) burrice tática é reforçar divisão entre os dois sindicatos, que DEVEM UNIR FORÇAS PELA CAUSA DOS PROFESSORES E DOS FUNCIONÁRIOS DA UEM. Bom senso para todos. Raymundo de Lima.

    • Raymundo,

      boa tarde.
      Muito obrigado por suas observações e sugestão sobre o blog.
      Na verdade, a política do blog é, como informado no mesmo (veja lateral esquerda, abaixo), não aceitar comentários anônimos, racistas, sexistas, com ofensas pessoais, etc. Peço desculpas, foi uma falha do moderador.

      Abraços e ótimo final de semana,

  13. Parabéns professor,fico muito feliz em saber que existe pessoas com este caráter e coragem ,de demonstrar a opinião contraria a muitos companheiros.
    Que Deus te abençoe e te conserve assim: Um ser humano capaz de se expor e lutar pelo seu próximo..
    Um abraço…

  14. Apenas uma consideração acho necessária. Salvo engano, na última greve dos docentes, os portões eram abertos, assim como as salas. A biblioteca funcionava e as demais atividades da UEM também. Até concordo com sua posição, mas penso que é uma via de duas mãos.

    • Leandro, voce está se esquecendo que docente não abre portões da UEM e nem salas de aula, assim como o pessoal da biblioteca não é docente. Essa função são dos técnicos e se estão paralisados automaticamente não estão sendo feitos os serviços que são função deles., Se é greve dos técnicos e se estão paralisados não tem como abrir mesmo e nem como atender os usuários da biblioteca. A não ser que os docentes assumam a responsabilidade de abrir e fechar. Então, a sua consideração não procede em afirmar que na greve dos professores tudo funcionava. Cada um a sua função.

    • Se as atividades funcionavam na greve dos professores, inclusive as aulas, é obvio que então não houve greve… rsrsrs

  15. Ozaí, é muito pertinente seu comentário. Somos todos parte de um todo. Gostaria de saber se Todos os funcionários da Uem parassem (como os do pagamento, das compras e do vestibular) parassem o que aconteceria. É fácil criticar quem luta quando o meu salário está garantido.

  16. Esse é o típico problema onde as opiniões se manifestam entre as alternativas “totalmente a favor” ou “totalmente contra”. Desconfio muito de opiniões que se inclinam dessa forma, atribuindo apenas virtudes à uma causa. Se somos incapazes de perceber numa determinada bandeira política qualquer “defeito”, dos dois um: ou estamos cegos para o que essa causa ou ideologia significa “na vida real” ou estamos agindo de má fé.
    Como já disse, não sou filiado nem ao Sinteemar nem ao Sesduem. E apoiei explicitamente o movimento dos estudantes na ocupação da reitoria (um dos poucos professores que escreveu um texto de apoio e que deve constar até hoje no blog da ocupação da reitoria). E como também também já escrevi aqui, não concordei de modo algum com a reivindicação absurda de meus colegas na última greve – a tal ideia de “equiparação” salarial.
    Além do que consta em meu primeiro comentário, e que são coisas que acredito que devam ser, sim, consideradas na atual greve, duas ou três outras, que me ocorrem depois de ler o que vi depois.
    Primeiro: no caso da ocupação da reitoria pelos estudantes, e apenas lá, havia um propósito efetivo de melhorar a qualidade do ensino. Na recente greve dos professores, é preciso muita imaginação e boa vontade para acreditar que o mesmo estivesse acontecendo. Idem no caso da greve dos funcionários. Indiretamente, pode ser. Mas muito indiretamente… E não a opnto de confundirmos a ficção com a realidade…
    Segundo, a parte dos professores que se sentiu incomodada com as portas de suas salas e das salas de aula trancadas, são os que se importam com a qualidade da educação… E, posso garantir, são minoria. A maioria não está nem aí. A possibilidade de não darem aulas durante algumas semanas, lhes é altamente agradável. Principalmente por permitir-lhes cuidarem de seus projetos pessoais que, frequentemente, encontram nas aulas um grande e aborrecido estorvo.
    Terceiro, boa parte do incômodo causado pelo fechamento dos blocos e salas teria sido resolvido com um simples convite, da parte do movimento, para que os professores aderissem ou apoiassem a greve. Provavelmente, se isso tivesse sido feito, teriam ganhado um apoio muito maior.

    Mas, como disse no início, e apesar de não ser agradável pensar num problema em sentidos que confirmam e ao mesmo tempo contrariam nossa opinião, muitas coisas devem ser colocadas na avaliação do que está acontecendo. Acho completamente bizarro, por exemplo, que a reitoria continue se esforçando por não ficar mal nem com os funcionários, nem com os professores, nem com os estudantes, nem com o governo do estado. E que não diga em público, ou no próprio site da UEM, o que de fato pensa sobre o assunto e o que de fato pensa fazer. Esse tipo de postura pode até levar seus autores a não ficarem mal com ninguém e manterem seus costumeiros acordos; de minha parte, simplesmente me desobriga de respeitá-los como autoriadades acadêmicas.

  17. O que aconteceu com alguns docentes dessa instituição? Me lembro que no início desse ano, eles nem estavam mobilizados para lutarem por seus próprios direitos. Muitos nem eram filiados no seu sindicato (Sesduem). Em 2011, muitos deles, não apoiaram o Movimento Estudantil dessa Universidade. Me lembro das críticas professadas pelo fato dos estudantes ocuparem a reitoria. Agora, eles criticam a situação ocasionada com a greve dos técnicos-administrativos dessa mesma Instituição. Não consigo entender? Chega a ser ridículo esse ego ferido de alguns. Só porque o direito em DAR as suas aulas, nesse período de greve dos técnicos-administrativos, foi-lhes negado? Deve ter algo a mais nisso tudo.
    Não posso crer que em apenas três dias de greve, essa lamúria, que chega a ser desrespeitosa, aconteceu nessa Universidade. Veja bem, não tem sentido uma greve nessa Instituição e as aulas continuarem normais. É DIFÍCIL ENTENDER ISSO? Por mais que a greve não seja dos professores, as aulas serão abaladas sim! O movimento dos servidores técnicos-administrativos enfraquece se tudo transcorresse na normalidade. Essa greve não é dos professores. Certo! Mas a causa de luta é a EDUCAÇÃO. Está em pauta uma questão salarial, porém é preciso entender que essa questão implica na qualidade de vida dos trabalhadores da EDUCAÇÃO, numa carreira condigna. Todos ganham com essa conquista. É a luta por um plano de carreira para aqueles que também são PROFISSIONAIS DA E NA EDUCAÇÃO. Portanto, os professores devem entender esse momento.
    Aqueles que se sentem incomodados, violados e desrespeitados, devem colocar suas “barbas de molho”. Talvez silenciar, já que é difícil lutar junto, seja a melhor opção, pois o momento agora é de cautela e apoio. Uma forma de apoiar, queira ou não queira, será mesmo ausentar-se de suas aulas e repor depois. Por que não? A luta é a favor da Educação! Não é a sua carreira docente que está em discussão agora, mas é a do outro que trabalha ao seu lado e da qual o seu trabalho depende do trabalho dele.
    É preciso enxergar com a razão, mas também SENTIR junto! Não é Prof. Raymundo?E viva o “Pathos”! É fundamental também ter paixão nessa hora! A melhor prudência é quando saímos de nós mesmos e enxergamos a causa do Outro como a NOSSA causa também, independente se sofreremos as consequências.

    Ps. Ah… é sempre bom não generalizar. Não são todos os docentes desta Instituição que se sentem incomodados com as consequêncisa da greve. Tem muitos que apóiam e estão juntos com os servidores técnicos-administrativos nessa luta!

  18. Prezado Prof. José Carlos,
    Eu sou da UEL, trabalho na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação e com satisfação que agradeço suas palavras. Foi gratificante ler a expressão de nossos sentimentos e o fez com perfeição.
    Grande abraço e saiba que conquistou meu respeito e admiração.

    Édilamar dos Anjos

  19. Ozaí, eu me sinto profundamente honrado por ter sido seu aluno e hoje ser seu amigo.

    Sábias palavras, como sempre.

    Acho que toda greve é um aprendizado. Mas é um aprendizado que transcende qualquer individualismo. Não há greve individual, e infelizmente, como nós docentes temos dificuldade em lidar com tudo o que é coletivo. Que força estranha possuem nossos livros de chamada e calendários, além das avaliações que avaliam tão racionalmente nossos alunos? Por que são elas mais importantes que qualquer outro ser humano, inclusive nós?

    Obrigado pelo texto.

  20. Lembrando aos professores que a atividade que exercem é atividade fim, logo não precisam impedir ninguem de trabalhar para atingir o objetivo. Já os funcionarios desempenham atividade meio, e atingem diretamente aqueles que estão na cadeia, até atingir o aluno, produto final.
    Não estamos impedindo ninguem de trabalhar, somente que nossas funções se traduzem nos meios para que os senhores desempenhem a atividade academica. Se os funcionários só servem para abrir e fechar portas e portões acredito que sejamos de pouca valia para a instituição. Eu acho que realizar a atividade docente é bem mais do que ter a sala de aula aberta.

    Grato

  21. Muito Bom seu post, parabéns. Percebi várias pessoas criticando, principalmente as citações sobre a divisão de classes dentro da própria UEM, e achei muito feliz quando você cita “o caráter antidemocrático” pois a própria decisão de “greve de servidores e técnicos” e “greve de docentes” representa esta divisão. Se houvesse algum tipo de preocupação os servidores em sua totalidade andariam juntos e suas decisões seriam tomadas em benefício de toda a categoria.
    “Greve é greve” e a democracia permite que todos tenham igual direito de decisão, todos tem o direito de concordar ou discordar, porém, também tem o dever de acatar a decisão da maioria, isto é respeito!
    Existem muitos, ou melhor, em sua grande maioria, os Doutores da UEM tem respeito e consideração, não só pelos demais servidores, mas também com a comunidade, uma minoria, infelizmente, esquece que, se hoje ele é doutor, provavelmente foi às custas dos impostos dos contribuintes que financiaram suas viagens e estadias, muitas vezes no exterior.
    Grande abraço.

  22. Parabéns Ozai! Peço-lhe permissão para ler o seu texto na sessão da Assembléia amanhã de manhã. Sempre acreditei na Unidade dos trabalhadores da Uem e continuo acreditando, as vezes é preciso ações um pouco mais radicais para sairmos da invisibilidade a que fomos jogados, pelo descaso do governo estadual assim como também, da nossa administração central, que age como verdadeiro gerente desse governo néo liberal.
    Um abraço!

  23. Mandou bem professor !!!!!!!!!!!!
    Até pensei em escrever algo com prudência e responsabilidade,
    Mas sinto tanta vergonha de estudar em uma universidade que podemos declarar quase que em guerra, que nem me darei ao trabalho.
    Só digo que graça a professores como você que ainda resta esperança.
    Do resto, como os aqui presente que ”argumentaram” seu post, mas na verdade só estão pensando em completar o calendario acadêmico para botar sua sunga e ir para a praia no final do ano, pouco se importando com a qualidade do ensino oferecida (que diga-se de passagem, está horrivel), só tenho a declarar que :
    TENHO VERGONHA DE VOCÊS.

  24. Certo, sem o técnico a universidade não funciona.
    Porém não é o técnico que é o responsável pela formação de centenas, milhares de alunos que passam pelas turmas de um professor durante suas carreiras, com certeza uma responsabilidade muito maior. Já imaginou de um professor de engenharia não tem a formação necessária? se um professor de medicina não ensinar corretamente os futuros médicos que cuidarão de nossa saúde? Se o professor está lá e ganhando melhor, é porque ele merece.
    Sem contar que já ganham acima da média, tem estabilidade e plano de saúde, entre outras vantagens, coisa que na iniciativa privada não existe.
    Na minha humilde opinião este tipo de greve é CORRUPÇÃO. Se aproveitam de vantagens como a estabilidade para aumentar seus já altos salários, e nós, contribuintes que pagamos este mesmo salário somos os maiores prejudicados (principalmente os acadêmicos que terão sua formação atrasada e até mesmo afetada por falta de conteúdos de aulas não dadas).

    Pra mim essa atitude é a mesma do garotinha que não sabe jogar futebol, mas como é o dono da bola, se ele não jogar, ninguém joga.

  25. Estranho o Sr. Fábio falar alguma coisa do Sinteemar representar as escolas particulares. Ele se esquece que há o sindicato patronal (SINEPE) e quando fui da diretoria, era feito sim trabalho de sindicalização daqueles trabalhadores, porém, o assédio era e é grande, difícil de ser rompido.

    Mais estranho ainda é um sindicato cuja sede funciona ou funcionava durante muito tempo dentro da biblioteca da UEM, usando da estrutura do Estado (Requião, Richa…) para fazer sindicalismo….

    Aí é fácil não companheirada… e ainda se dizem de luta… da senlutas!

    • Não, não são estranhas, minhas observações, Sr. Erivelto.
      Primeiro, não sou filiado nem ao Sinteemar nem ao Sesduem. Como pode perceber ao final do meu texto, tenho eu também críticas ao Sesduem.
      Quanto ao Sinteemar ser representante dos trabalhadores dos estabelecimentos de ensino particulares, sinto muito, mas o argumento de que as coisas lá são difíceis não me convence. Ou melhor, só confirma meus argumentos: como lá existe possibilidade de demissão, existe enfrentamento, etc, é melhor ficarmos por aqui mesmo na Ilha da Fantasia…

      • Caro Fábio.

        Eu já fui funcionário de estabelecimento de ensino particular. Aliás, não só de um, mas de dois. Na época, o dono de um dos estabelecimentos onde eu trabalhava era presidente do SINEPE. E sim, existem dificuldades de acesso do SINTEEMAR à esses estabelecimentos! Me lembro bem de uma vez, representantes do sindicato serem barrados na entrada do estabelecimento pelos seguranças, à mando dos diretores. Mesmo assim, eles deram um jeito, entraram no estabelecimento e deixaram alguns panfletos sobre uma reunião naqueles dias e esses panfletos foram jogados fora, também a mando da diretoria. No caso de estabelecimentos de ensino particular, o que impera não é medo de demissão, mas sim falta de conhecimento e acesso, tendo assim o SINTEEMAR pouca força para lutar por esta categoria.

        Me desculpe, mas creio que você não conheça bem a realidade nesse caso.

      • Caro André,

        Compreendo. Mas isso não muda em nada meus argumentos. Você afirma que as coisas nos estabelecimentos de ensino particulares não são apenas difíceis, para o Sinteemar; mais que isso, que seriam muito difíceis. Isso eu sei. Inclusive pelos colegas que estão na UEM como colaboradores e antes trabalhavam nas particulares.
        Por outro lado, ainda que existam variações entre uma gestão e outra, a comodidade em fazer o Sinteemar funcionar apenas na UEM é sempre uma tentação irresistível. Se perguntar para a média dos professores e servidores da UEM, muitos lhe responderão que o Sinteemar é um sindicato da UEM. Eu mesmo, só depois de alguns anos na universidade vim a descobrir que não era bem assim. Ou não deveria ser bem assim. E descobri também a lógica da coisa (e que, como disse, ultrapassa a atual gestão; não são apenas eles…): por aqui não há risco de demissão, não existe pressão, fecha-se os portões da universidade e das salas por quase duas semanas sem problema algum, o patrão existe na cabeça das pessoas quase como uma entidade metafísica (“o governo do estado”), etc.
        Sinto muito, mas continuo com meus argumentos.

  26. Parabéns Ozaí… excelente texto que reflete boa parte da minha opinião sobre os últimos dias em nossa universidade… Docentes não são superiores a ninguém, não serão arrebatados ou levados ao Olimpo…

    E sobre o sr. Raimundo… não esperava nada diferente de um cara que se diz educador e refuta Paulo Freire…

    Abraços!!

    • A resposta do “El Verdugo” me insulta quando declara que “Raimundo (faltou y) refuta Paulo Freire”. Ora, meu caro anômino “verdugo”, não preciso provar que eu jamais “refutei” a obra do grande pensador Paulo Freire. Recomendo ao senhor “verdugo” (carrasco?) um exelente texto do próprio Paulo Freire que eu e meus colegas de Metep tomamos como ponto de partida para “trabalhar” os alunos do primeiro ano dos cursos de Pedagogia, Psicologia: “Considerações sobre o ato de estudar”. Usando a “criticidade” e a “autonomia” de pensar durante a aula, propostos pelo próprio Paulo Freire, costumo apontar o equívoco do grande mestre – e tb Rubem Alves -, que tentaram promover o “professor” em “educador”. Ora, no Brasil, o “educador” fracassa pq ainda insiste ser “educador”. Eis o equívoco. Se nosso professor cumprisse tão somente com a função “professor” (levar os alunos aprender o currículo, como acontece em Cuba, Finlândia, Coreia do Sul…) seria SUFICIENTE. Mas o auto-engano de ser “educador” (ser um jequitibá, diria Rubem Alves), o aluno não aprende os conteúdos e nem a cidadania. Todavia, em “Pedagogia da Autonomia”, Freire recomenda ao professor ser “eminentemente ensinante”. Novamente recomendo ao senhor “verdugo” mais que ler, ESTUDAR este livro, para aproximar da SABEDORIA mínima necessária. Pelo menos, para evitar insultar, difamar ou caluniar alguém que dedica a mais de trinta anos ao ensino, pesquisa e a extensão. P/ favor OLHE O CAMINHO PROPOSTO pelo próprio PAULO FREIRE: a) sustentar um rigor metódico; b) orientar-se pela pesquisa ( e não pelo achismo, preconceito, raiva, ideologicismo); c) respeitar o saber básico dos alunos, durante uma aula; d) aprender a estabelecer “dialogia” entre autores (e não escolher um autor a priori para vencer o debate); e) criticidade, ética e uma certa estética p/ ensinar e escrever (inclusive num blog; começe por dar seu nome verdadeiro); f) bom senso (dificil hoje em dia); g) humildadade socrática, curiosidade, comprometimento com o trabalho (parei de revisar TCC, para responder este insulto…); h) LIBERDADE e AUTONOMIA no modo de pensar, agir, sentir, etc. Obs ao sr. “verdugo”: não preciso de sua resposta, aqui no blog. Mas se quiser, aceito debater “ao vivo”. Apareça com seu nome próprio. Lamento muiiiito!. Raymundo.

  27. Caro Ozaí,

    Creio que seja o caso de aprendermos TAMBÉM com as observações do grande Raymundo. O problema é bem mais complexo do que parece e os interesses envolvidos não podem ser deixados de lado simplesmente na base do “claro que há outros interesses”…
    Entre outras coisas, além das que foram mencionadas pelo Raymundo:

    – até onde sei, o Sinteemar representa todos os trabalhadores na área de educação de Maringá. E, curiosamente, nunca vi qualquer ação da parte deles em defesa dos que trabalham, como funcionários ou professores nos estabalecimentos de ensino privados. Imagino eu que lutar por eles seja bem mais complicado e bem menos recompensador que lutar pelos funcionários da UEM (onde é possível, com dinheiro à vontade, fazer greves com custo zero – sem demissões, mantendo acordos com a reitoria, etc);
    – de minha parte, prefiro escolher livremente apoiar ou não o movimento, e não, como está acontecendo, ser obrigado a apoiá-lo, não dando aulas.
    – na greve anterior, dos professores, achei simplesmente ridícula, e profundamente elitista, a ideia de “equiparação salarial”; nesse ponto concordo com você! mas disso não resulta que concorde com a ideia de “apoio compulsório”.
    – já que “greve é greve”, por que o Sinteemar não pensou em fechar as pró-reitorias, a reitoria, a CVU, a rádio e outros lugares? possivelmente por ser mais fácil fechar as salas de aula, penso eu.
    – ah, sem o pessoal da vigilância ninguém poderia assumir responsabilidade sobre o patrimônio? está bem. teria sido ótimo que eles, o pessoal da vigilância, tivessem demonstrado tamanho zelo por ocasião do roubo de várias dezenas de computadores, ainda na caixa, de vários departamentos da UEM.
    – em resumo, eu apoiaria o movimento dos funcionários, que é em maior medida o movimento do Sinteemar, caso tivessem uma postura mais coerente e não dessem demonstrações tão claras do quanto calculam suas ações. fazer greve com o chapéu alheio é moleza…

    Grande abraço! E, sinceramente, parabéns pela abertura que permite, com este blog e outros espaços, para opiniões diversas e discordantes como a minha. A Sesduem, por exemplo, não publicou meu comentário à nota que consta no site deles (pelo menos até o momento, 15 horas depois de o ter enviado).

    Fábio.

  28. Ozai. Prudência meu caro. Sugiro não fazer do nosso escrito um panfleto, mas sim uma análise racional. Nesses momentos de greve, eleição, muita gente se entrega ao “pathos” (paixão) e vira a costas para a razão.
    1) “Acostumados a mandar…” Ora, eu nunca mandei em funcionários da UEM, nem do meu departamento. Aliás, não tenho vocação e interesse político para chefiar nada da universidade. Observo que muitos funcionários (técnicos) tem MAIS-PODER do que os professores, com seus títulos… Equívoco pensar que professores estão na “torre de marfim”, só pq são doutores. Ora, vivemos o declínio da autoridade docente. E da autoridade dos pais c/ filhos. Qualquer garoto/a desqualifica o professor; criancinha de 3 anos desrespeita as professoras e cuidadoras…
    2) Não é só o governo Beto Richa que desrespeita o funcionalismo das IES. (Tem gente que votou no Richa pra curtir uma greve; tem gente que votou nulo pq é suicida político). Infelizmente qualquer cidadão hoje desrespeita o professor. Então, não faz sentido estar na “torre de marfim”, arrogantes, “olhando para o próprio umbigo”.
    Reflexo do declínio da autoridade em geral, foi-se para o lixo a autoridade docente. Sintoma na UEM: desrespeito dos funcionários ao professor no dia-a-dia. Então, não podemos vitimizá-los como “coitadinhos”….
    Portanto, VAMOS ATUALIZAR ESTE DISCURSO?
    3) Eu pretendia ir até minha sala e fui impedido. É certo? Exercício de autoridade ou de autoritarismo? Eu pretendia dar aula, pq tinha alunos que estavam esperando, ATÉ PORQUE OS PROFESSORES NÃO ESTAVAM EM GREVE, e temos que cumprir um calendário letivo. QUANDO NÓS PROFESSORES ESTÁVAMOS EM GREVE, NÃO IMPEDIMOS OS FUNCIONÁRIOS TRABALHAR. Solidariedade com a greve justa deles, sim, mas DIÁLOGO E ACORDO ENTRE AS CATEGORIAS.
    Prudencia, bom senso e caldo de galinha é bom sempre. Também devemos evitar fazer crítica com um olho só. Lamento. Abraço. Raymundo.

    • OPS!!! Parece que pus a mão em cumbuca alheia…coisa de macaca ingênua…já que não posso dizer que sou macaca nova…hahaha.

      Raymundo, taí uma coisa que não gosto em muitos dos professores universitários que conheço: eles sofrem de pathos (paixão) como qualquer reles mortal.
      Mas, acreditam que utilizando a sua razão, supostamente privilegiada, conseguirão esconder o que se passa nos seus comuns e mortais corações…
      Gosto dos que perdem a razão, parecem-me mais verdadeiros.
      Atenção: não estou me referindo a nenhuma greve.
      Inclusive peço desculpas por ter me metido e estar me metendo novamente neste post que não me diz respeito, mas ativou alguma “pathos” que há em mim.
      Deve ser a indignação por ter sentido que, nem no seu próprio blog, um professor pode se expor com mais liberdade, pois é patrulhado pelos seus próprios pares, assepticamente racionais…
      Deve ser por estas e outras que, muitos, para bancarem o que eram saíram deste academia morninha que não perde a compostura.

      • Parabens Aurea…. excelente colocação…. nao sou professora, nem tecnica e nem sou mais aluna da UEM…. mas acho q greve como direito de professores tambem tem q ser de tecnicos e todos os servidores…. respeito cabe em todo lugar… mesmo pra quem se julga superior (……….) E se os tecnicos nao tivessem valor nenhum…. ninguem estaria sentindo a falta deles……

    • O professor se você não conseguiu ir até a sua sala e não conseguia por estar fechada e isso é devido aos técnicos estarem em greve lhe digo o mesmo.
      “Professor eu gostaria de assistir aula e não consegui por que os senhores estavam em greve” é Exercício de autoridade ou de autoritarismo? é legal vocês professores criticarem quando o de vocês ja’ esta’ ganho, isso aqui é uma comunidade se um falha todos falham e é assim que funciona, o Sr. deveria pensar mais no coletivo Sr. Lyma vocês necessitam dos técnicos para trabalharem assim como no’s precisamos de professores para assistirmos aula se ha greve dos professores os técnicos trabalham porém os alunos não tem aula, interessante isso não?
      E vocês deveriam apoiar os técnicos, vocês estão sendo agora massa de manobra do governo que simplesmente não ta nem ai para o que esta’ acontecendo por que sabe que os professores tem de dar aula e para isso os técnicos tem que trabalhar então é simples, o governo ta deixando vocês se matarem aqui e tenho certeza que o Mauricinho do Richa ta dando risada de tudo isso e falando “olha la os pro’prios professores acabando com a greve, nem vou meter a mão na massa”
      Legal isso né?
      Ja’ disse algumas vezes e digo novamente, os alunos, professores e até mesmo técnicos tem que parar de pensar no pro’prio umbigo e começar a pensar no coletivo! Ninguém ai vai conseguir nada sozinho!

      Rhayonne Lopes

  29. Sempre incríveis as suas palavras, professor! Disse tudo o que precisava ser dito sobre greve! Já fui servidora técnica, e senti na pele a desvalorização do trabalho por parte de alguns. Todo apoio à greve o/

  30. É isso aí.
    Que eles ganhem o máximo possível.
    Ano que vem será nossa vez de correr atrás.
    Sala fechada = aula dada.
    Reposição = pgmto de hora extra.
    Que o gov. saiba disso.

    • Nós, técnicos, também queremos TIDE e 75% de gratificação por titulação de doutorado.

      Apenas os técnicos de nível superior têm gratificação por doutorado, e são apenas 15%. E tínhamos (não sei se ainda temos) na Universidade vários casos de professores que recebiam TIDE, mas davam aulas em outras instituições privadas… enquanto isso, os técnicos não têm TIDE.

  31. Os docentes sabem que sem os funcionários a universidade não anda e que não superiores a ninguém. Esta observação é ridícula e pode acirra a divisão entre nós nas mentes mais fracas.

    “…aprendam a serem solidários em atos e a respeitaram, de fato, o direito de greve; aprendam a não olhar apenas para o próprio umbigo…”

    Falou em respeito e a não olhar para o próprio umbigo. Que irônico. Hoje pela manha eu precisava ir até a minha sala de permanecia é fui impedido de entrar. “As chaves não abrem blocos e salas de aula sem a ação humana”, mas eu não requeri nenhuma ação humana, no meu departamento nos temos as chaves.

    Perante algumas atitudes é necessária uma postura de confronto com o movimento grevista sim. Exercer o direito a greve é uma coisa, agredir e ameaçar é outra.

    Quando os professores entraram em greve não me lembro de ninguém na porta da biblioteca impedido os funcionários de entrar. Ou, algum professor indo na garagem é roubando as chaves dos carros.

    • Mimimimimimi! pegue os seus milhares de reais de salario e aproveite a greve 🙂 e para um professor, os erros de concordância estão grotescos!!! HAHA

      • Cara Luma,

        muito obrigado por ler e comentar o texto.
        Por favor, indique os erros no texto, assim poderei corrigi-los.
        Já antecipo meu agradecimento pela oportunidade de aprender com você e permaneço aberto às críticas.
        Abraços e tudo de bom,

      • Caro Professor Ozaí!
        Acredito que a Luma estava se referindo ao “Mimimi” e erros de concordância do Professor João Batista e não do Senhor.
        No mais só tenho a agradecer por existir professores iguais ao Senhor. Parabéns pelo excelente texto!
        Abraço,

      • Cara Luma,

        boa tarde.
        Peço desculpas pela resposta anterior, pois não observei que seu comentário se dirigia a outra pessoa. De qualquer forma, reafirmo que estou aberto às críticas, sugestões, contribuições, e, inclusive, correções. A escrita sempre apresenta o risco do erro. Obrigado e, mais uma vez, desculpe a falha – o que não invalida o que foi escrito na mensagem, apenas confundi o destinatário.

        Abraços e ótimo final de semana,

  32. ” A rigor, somos todos servidores, trabalhadores que desempenham funções diferentes. Nossos salários expressam diferenças profissionais e sociais, mas não determina qualidades humanas diferenciadas nem desqualificam outras atividades que não seja a docência.”
    Não importa quanto de conhecimento erudito, qualquer professor venha a deter. Um professor universitário, assim como qualquer outro servidor, não é ninguém por si só.
    O mundo, já dizia o grande mestre Charles Chaplin, que nunca foi propriamente um professor, precisa muito mais de generosidade do que de inteligencia.
    Os pensadores mais vigorosos deste e do século passado não se deixaram iludir, nem muito menos se aprisionar pelas babaquices acadêmicas. Aliás, muitos abdicaram da academia para, realmente, poderem pensar.
    Agora, aqui entre nós, quando a generosidade se alia a inteligencia como não se sentir arrastada e encantada pelo ser humano que se dispõe a ensinar?
    Lembrei-me de Paulo Freire , de Darci Ribeiro…
    Você, não por ser um professor universitário, mas por buscar e cultivar com coragem uma autonomia de pensamento e uma lucidez em relação o que representa no mundo, é alguém a quem respeito.

  33. POR UM PLANO DE CARREIRAN NACIONAL E CONSTITUCIONAL, ONDE TODOS ESTEJAM SEMPRE JUNTOS E DE FORMA RACIONALMENTE ACEITA POR TODOS.SHALOM

  34. Muito feliz nas suas palavras. Ainda mais de um docente. Assim, podemos acreditar que ainda existem pessoas como voce que pode mudar o mundo. Esperança de um dia melhor é assim que se constrói. Parabéns!

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