Movimento Estudantil

Nesta edição do programa ABCD em Revista Movimento Estudantil: a nova cara da militância abordaremos as reivindicações, as bandeiras, as formas de organização da luta (como as redes sociais) e o perfil dos jovens que hoje fazem parte do movimento estudantil. O objetivo é fazer uma “radiografia” do movimento, revelando sua cara e as formas de atuação em pleno século XXI.

ABCD em Revista exibido em 21/09/2012
Tema: MOVIMENTO ESTUDANTIL – A nova cara da militância

Fonte: TVT

Um comentário sobre “Movimento Estudantil

  1. Olá Professor Antonio, tudo bem?

    Eu pertenci a duas juventudes de partido, a UJS (do PC do B) e a UJR (do PCR). Minha militancia no movimento estudantil engatinhava em 2003, veio de um interesse surgido em aulas sobre “socialismo utópico” e “socialismo cientifico” e algumas outras perguntas que já passavam pela cabeça. Me afastei da UJS por conta de sua postura em relação aos grêmios que “tomava” (sim, usávamos esse termo) nas escolas da cidade donde nasci, Ouro Preto.

    Durante o período do ensino médio comecei a atuar como “independente”, como passei a ser chamado pelos antigos colegas da UJS. Mas em breve, por ocasião do Encontro Internacional da Juventude Antifascista e Antiimperialista, no Rio de Janeiro, em 2008, conheci o PCR, e a União da Juventude Rebelião.

    As diferenças da UJS e da UJR, são curiosas e me deram perspectivas de experiência muito diferentes de militancia “organizada”. Ao contrário da UJS, a UJR era profundamente disciplinada, procuravamos fazer reuniões semanais para discutir o mundo a partir de Marx e Lenin, nos declarávamos “Marxistas-Leninistas”. Por muito tempo, e até hoje, admiro o folego dos militantes da UJR, embora a rigidez e um certo heroicismo em relação à figuras politicas do passado seja, para mim, bastante incomodo.

    A experiência da Unicamp, no movimento estudantil , foi marcada por essa trajetória e no ano de 2009, quando entrei no curso de história, uma greve “estava no horizonte”, em função da criação da Univesp.

    Lá a alcunha pegou e virei “independente” mesmo e dentro dessa caixinha conheci muitos outros que como eu tinham várias criticas e questionamentos, sensações ruins em relação ao “andar das carruagens”. Minhas criticas se centravam no modo como a greve era construída, como partíamos de algo que não conhecíamos (a Univesp) , com um horizonte pre-determinado: a greve como o fim final de toda a discussão.

    Não discutiamos a política a partir das nossas sensibilidades locais, a Univesp era um grande fantasma ao qual se precisava ser contra, mas sequer sabiamos bem o que era, a confusão entre EaD e a Univesp era geral e a retórica das organizações carregada de medo e urgentismo. Essa pressa parecia se incomodar cada vez mais com os questionamentos que se seguiam à maneira como caminhávamos…

    E tive, e tenho, a impressão sincera de que quanto mais o clima se tornava intenso, mais se evidenciava um moralismo esquerdista, onde, inclusive, certas perguntas não eram (nem são ainda) bem vindas.

    A greve é um recurso valido, mas tenho criticas e penso que precisa ser repensada em relação à greve estudantil, precisamos discutir, lidar com as suas particularidades e limitações, mas esse “roteiro de mobilização” e essa “moral” impede que esses questionamentos se tornem discussões e as posturas dos partidos (dos organizados em geral) é de cravar o pé-revolucionário no chão como algo “indiscutivel” e ressaltar a “heresia” que representa tal questionamento…

    Nas palavras de um colega de instituto “um absurdo a gente ter um retrocesso como esse de voltar a discutir métodos tradicionais do movimento estudantil que historicamente nos trouxeram conquistas enormes.”.

    Invoca-se a tradição para proteger o método encarquilhado, para não discutir e atribui-se o questionamento a uma vontade-reacionaria, a um avanço em direção ao “apocalipse-fascista” do mundo.

    Invoca-se a uma história na qual não me reconheço, e do que tenho visto a memória do movimento estudantil é bastante condescendente com aquilo que faz, não é uma história é uma exortação. A greve de 2009 entrou para o rol das greves canonizadas, bem como 2007 e 2011. Não digo que estas não tenham seus méritos, mas acho que suas avaliações tendem a uma “blindagem” do movimento às criticas, do que uma analise sincera sobre os passos que demos… e os tropeções que tomamos.

    Li hoje outro post de seu blog, sobre o voto. “Trabalhador vota em trabalhador?” e o final achei impressionante.

    “Ninguém deixa de ser trabalhador pelo simples fato de não embarcar na canoa da pregação revolucionária. Há quem pense que só é possível adquirir o status de revolucionário com a adesão à sua organização. Nisto, repete o stalinismo!

    A história mostra que ao vanguardismo sucede o substitucionismo, ou seja, o partido que arvora ser a vanguarda da classe termina por tomar o lugar desta. Começa por afirmar a missão da classe trabalhadora e termina por agir como seu porta-voz. O vanguardismo tende a nutrir o espírito de seita, a se imaginar arrogantemente como portador da utopia, ainda que esta se revele autoritária.”

    É o que vejo no M.E. que passei a chamar de tradicional, esses que preenchem os cargos das entidades representativas, UNE ,UEE ,ANEL , da mesma forma como representam maioria absoluta nas gestões de Centros Academicos, Diretórios de Ensino e DCEs…

    Uma tendência ao poder impressionante. Um discurso vanguardista e um modo de lidar com a política que se baseia numa hierarquia da “ilustração revolucionária” (pela experiencia de paralisações, greves, ocupações, os métodos tradicionais e a teórica, evidentemente, todas as leituras marxistas, florestanistas, althusserianas, em dia…)

    Aqui, quando os alunos não aderem a uma pauta considerada “historica e revolucionaria” do movimento estudantil, ouvimos com frequência, da “onda reacionaria” , da “grande apatia” que nos infecta a todos, o mal epidêmico se alastra e para combate-lo é necessário ter ainda mais “combatividade”, como bem gostam de dizer os organizados.

    E daí a gente se pergunta, combater quem?
    Em 2009 quando eu fui contra a greve, pelos motivos que expus acima, pouco depois estava numa chapa para o C.A. cujo objetivo não era vencer o processo eleitoral, mas questionar as posturas e a forma de atuação deste ao longo do tempo.
    E não me esquecerei do espanto que fiquei quando um colega organizado disse: “Porque o Thiago votou sistematicamente contra a greve, então a gente teve que combater o Thiago e vai continuar combatendo porque ele era contra o movimento”

    Curioso, achei que poderia votar com uma certa liberdade de consciência. Minhas criticas desapareceram e o que sobrou foi “ser contra a greve é ser contra o movimento” e que vergonha para minha honra, não?

    Se a “combatividade” é ser cada vez mais cabeça-dura em relação ao que acredita, e cada vez mais disposto a colocar o “compromisso revolucionário” acima do debate das diferenças, se essa combatividade se volta com frequência contra os estudantes que ocupam um determinado espaço político, tenho então um sério problema com ela.

    A intransigência de alguns para discutir continua calcada nas suas certezas, na sua missão revolucionaria como “porta-voz dos excluídos”. Esses militantes-de-aço do movimento estudantil são impossíveis de lidar, nunca conseguirá um estudante convencional, em sã consciência, ter o mesmo folego para reuniões, a mesma retórica, nem estará organizado em numero e em seu discurso para disputar nas reuniões e nas assembleias.

    A “reação independente”, a organização de chapas que tem um discurso que beira e as veze flerta efetivamente com o anti-partidarismo torna-se recorrente, mas ela tem varias cores. Aqui, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, ela não tem a cara que tem, por exemplo, na USP. Não somos expressão de um “reacionarismo geral” que se alastra, de fato, reivindicamos muitas pautas do que já existe, mas não acreditamos mais nos caminhos que tem sido percorridos, temos nossas diferenças, nossas criticas.

    Por dois anos estive em gestões do C.A. de Ciencias Humanas que tinham proposições nesse sentido e tenho a sensação de que a nossa dificil relação com os organizados nos mudou, a cada um desses que esteve envolvido. Muitos se cansaram da postura de critica do caminho e aderiram aos partidos, às organizações, outros se afastaram do movimento, alguns permanecem em duvidas.

    Nossas perspectivas de disputa dentro do espaço do centro acadêmico foram frustradas pela “Cruzada Revolucionária” dos combatentes organizados.

    Alguns tentam por outras vias, outros caminhos… fora de entidades “representativas”, fora da disputa direta de poder com os organizados.
    Muitos parara, se desiludiram…

    Por que todo esse discurso?

    Penso que é necessário, que não aguento mais ver só a cara de diretores de não sei o que nessas coisas referentes ao movimento. Que vejo outras vozes, que vejo outras situações e muito pouco delas se evidencia de alguma maneira…

    O movimento não tem a cara de sua representação…

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