Da experiência musical!

Orquestra de Sopros de Paranavaí (PR) e Banda londrinense Beatles For Sale
Orquestra de Sopros de Paranavaí (PR) e Banda londrinense Beatles For Sale

Não sou músico e nada sei de teoria musical. O máximo que aprendi sobre música foram as notas. Foi na 5ª série do ginasial, como era chamado à época. O aprendizado reduzia-se a saber os nomes e desenhá-las em papel apropriado. Na juventude tentei aprender a tocar violão. O meu professor foi o saudoso amigo Paulo Meksenas. Até consegui tocar Yesterday (Beatles). Mas, a despeito dos esforços pedagógicos do querido professor, logo percebi que não era a minha praia. Desisti! Contudo, mantive minha admiração pela música. Ainda hoje, fico boquiaberto ao ver alguém tocando um violão ou qualquer outro instrumento musical. Não esqueço da primeira vez que presenciei uma orquestra. Foi simplesmente maravilhoso. Dias atrás o pensamento me levou ao passado ao presenciar a apresentação da Orquestra de Sopros de Paranavaí (PR) e da Banda londrinense Beatles For Sale. Foi uma excelente mistura musical, bela de se ver e melodiosa!

Em música sou eclético! Isto não significa gostar de tudo, mas sim estar aberto a ouvir e conhecer estilos musicais diferentes. Não gosto de pagode nem de sertanojo, digo, sertanejo universitário e seus assemelhados. Aprendi a gostar de MPB, música clássica, rock – mas não do tipo gritaria – e tornei-me um apaixonado por Blues e Jazz.

Como todos, tenho os meus preferidos, entre eles, claro, Chico Buarque, Milton Nascimento, Lenine, Ana Carolina e Seu Jorge, Marisa Monte, Zeca Baleiro, Raul Seixas, as bandas de rock brasileiro – especialmente Legião Urbana, Biquini Cavadão, Titãs e Engenheiros do Hawaii – e etc… pois a lista é enorme. Essa diversidade inclui o samba, o forró de Luiz Gonzaga, a música de Adoniran Barbosa, Bezerra da Silva e outros. Tamanho ecletismo explica-se pelas influências – por exemplo, em alguns casos o gosto musical foi influenciado por minhas filhas (Zeca Baleiro, Ana Carolina e Seu Jorge). Mas devo um agradecimento especial ao meu cunhado que me presenteou com um HD repleto de Gigabytes musicais. É tanta música que ainda não consegui ouvir tudo! Aliás, fico admirado com as possibilidades abertas pela tecnologia. Sou do tempo do rádio e TV com válvulas, dos Long Play de vinil. Imagino se tudo o que eu tenho em música fosse materializado em discos de vinil! Não teria como armazenar, além do custo ser exorbitante.

Adoro, sobretudo, música romântica, ainda que sob o risco de parecer brega. A propósito, diverte-me e chama a atenção quando vejo os jovens gostarem de hits musicais de cantores como Roberto Carlos cantados por artistas como J. Quest, Marisa Monte, Ana Carolina, etc. Será preconceito?! De qualquer forma, toca o coração. Como não se emocionar ao ouvir a melodia e a nitidez dos instrumentos musicais reproduzidos por um pequenino player MP3? A voz e o som que chega ao ouvido amplifica a emoção.

A música sensibiliza, faz o pensamento voltar no tempo, o sentimento fica à flor da pele e trás à tona a memória registrada em cada poro, no olhar, no sorriso, no toque das mãos, nas palavras ditas e no silêncio dos olhares que se encontram. As notas musicais vibram pelo corpo, o canto irradia pela mente e a emoção percorre trilhas conhecidas, mas impossível de segui-las. Ana Carolina, com a sua voz grave e envolvente, canta:

Como vai você ?
Eu preciso saber da sua vida
Peça a alguém pra me contar sobre o seu dia
Anoiteceu e eu preciso só saber
Como vai você?
Que já modificou a minha vida
Razão de minha paz já esquecida
Nem sei se gosto mais de mim ou de você

Muda a música, continua Ana Carolina, e a emoção aumenta:

Se eu disser
Que já nem sinto nada
Que a estrada sem você
É mais segura
Eu sei você vai rir da minha cara
Eu já conheço o teu sorriso
Leio o teu olhar
(…)

E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais
E te perder de vista assim é ruim demais
E é por isso que atravesso o teu futuro
E faço das lembranças um lugar seguro
Não é que eu queira reviver nenhum passado
Nem revirar um sentimento revirado
Mas toda vez que eu procuro uma saída
Acabo entrando sem querer na tua vida

E tantas são as palavras que falam aos sentimentos transbordados e/ou reprimidos. A música tem a magia de calar profundamente no ser que ama ou sofre por amar. São tantas as melodias e vozes. Daria para encher páginas e páginas com poemas musicais que falam do amor, do amar, da alegria de amar e ser amado, mas também da tristeza, saudade e desespero. Como canta Zeca Baleiro em “Flor da pele”

Às vezes me preservo
Noutras, suicído!

Entre todas as músicas românticas há, porém, uma que considero especial. O canto de amor de Pablo Milanés:

Esto no puede ser no mas que una cancion
Quisiera fuera una declaracion de amor
Romantica sin reparar en formas tales
Que ponga freno a lo que siento ahora a raudales
Te amo
Te amo
Eternamente te amo

Penso que esta música é uma verdadeira declaração de amor. E assim segue a vida! É o amor, em suas diversas formas de se expressar, que faz a vida valer a pena!

Ps.: Este é o último post de 2012. Agradeço a todos os leitores, especialmente aos que comentam. Peço desculpas por não responder a todos os comentários. Retomarei em 2013, após as férias. BOAS FESTAS e FELIZ 2013!

5 comentários sobre “Da experiência musical!

  1. Para você também meus votos de Boas Festas e obrigada por esta constante partilha de experiências e emoçoes.
    Entrando na lista dos seus preferidos, vou incluir um, apostando que você concordara: Caymmi, o grande.
    Minhas lembranças de aprendizado musical na infância têm algo a ver com o seu, so que o modelo familiar exigia que se aprendesse piano, embora eu aspirasse a aprender a desenhar. Nada a ver, mas nao se usava indagar quais eram nossas inclinaçoes.
    Quem aguentou meu desajeito musical foi o pobre Professor Renato, que deve ter suportado milhares de horas de escalas de outras crianças com a cabeça longe do teclado que os dedos maltratavam. Houve também uma senhora distintissima, que usava jabot branco com taier de seda preta e mocassins de laço de gorgorao, e que teve sua parte na minha incipiente educaçao musical.
    Viu, foi so abrir a caixinha de musica e a dançarina levantou e começou a dançar a velha valsa das lembranças. Quantas…. ficam bem para fechar o ano.
    Muita alegria, amor e harmonia para você e sua familia.

  2. Mário Quintana diz o seguinte “Eu ouço música como quem apanha chuva:
    resignado e triste de saber que existe um mundo do Outro Mundo”,
    diferente dele, eu ouço música como leio poesia
    com a resignação do reconhecimento
    não de um outro mundo
    mas do meu mundo
    dos sabores e dissabores da minha vida!

    Gosto muito de música
    por meio de letras e notas de outros me vejo traduzida em melodias
    ora tristes, ora alegres, por vezes profundas, mas também superficiais e debochadas
    acho que esse é o papel das artes de modo geral
    nos permitir uma viagem em nós por meio de outros

    Boas festas!

  3. Antonio
    Bom dia
    Aproveito o ensejo não só para cumprimentá-lo, mas para transmitir também votos de um excelente ano novo a ti e a todos que te são caros. No primário, hoje fundamental, todo ele em escola pública, 1968 a 1976 o ensino de música era obrigatório. Para mim constituiu-se verdadeiro pesadelo, pois as notas vinham em vermelho e não saiam do campo do insuficiente. Em casa não tínhamos contato com a música, existia total resistência, o rádio era somente “aceso” para se ouvir noticias, portanto com horário marcado. O mesmo se dava com a televisão (1968), somente noticias e documentários. Por pressão dos ‘televisinhos’ estavam contempladas as tais de lutas livres. Mesmo dispondo de um rádio-eletrola transistorizado, com a disciplina assimilada ouvia os espaços destinados aos esportes, leia-se futebol. Adquirir um vinil era coisa de outro mundo- o custo era estratosférico – e creio ter beirado os trinta anos quando comprei três LPs, os quais se destinaram para a namorada, hoje esposa. Nas empresas que trabalhei o permitido – tolerado – era o FM sintonizado em música exclusivamente clássica, o que com uns poucos dias se tornava maçante. Preferia desligar a caixa, visto o rádio receptor ficar no escritório. Os colegas – chão de fábrica – transavam muito a tal de fita K7, com intermináveis trocas e regravações das chamadas fitas virgens, particularmente me mantinha a distância, pois não possuía um reles “gravador” no qual pudesse ouvir as tais fitas, diga-se de passagem sempre de baixa qualidade. Felizmente a técnica revolucionou essa área, tornando-a mais acessível e popular. Atualmente em nosso setor de trabalho temos vários aparelhos eletrônicos ligados ao mesmo tempo, cada um “curtindo” o gênero que lhe apraz. Enquanto tomamos um mate, na pegada, manhã, antes do almoço e no pós-almoço ligamos até uma potente caixa de som, mesclando os gêneros e gostos musicais, tudo com equipamentos profissionais de um dos Colegas. Vários colegas de trabalho estudam música – violão – na unidade local do SESI. Em casa o progresso também vem (veio) a passos largos, meu filho estudou flauta, teclado e tem um ano dedica-se ao piano. Meu sobrinho possui guitarra, bangô e uma bateria, desnecessário dizer que para ele e os amigos, que trazem seus instrumentos preferidos, as tardes são uma festa. Mesmo com a revolução, estou menos musical que gostaria de estar. Também não sei lidar com nenhum instrumento e tenho gosto musical, mais limitado do que eclético, mas não abro mão de Raul. Minha filha, 9 anos, esta com o sertanejo universitário e com as ‘empreguetes’.
    Abraços
    Pedro
    Caxias do Sul, 23 de dezembro de 2012.

  4. Hahaha, compartilho seu desgosto por sertanejo (de pagode, às vezes até gosto). Fica uma das minhas românticas preferidas numa linda versão:

    Ótimas festas e feliz 2013 para você e família!

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