O critério de classe!

duvida2Na minha juventude, eu tinha muitas certezas. Agora, cinquentenário,  sou repleto de dúvidas. O tempo passou, muros caíram, minhas ilusões se perderam e deram lugar ao ceticismo. Naquela época, tudo era mais fácil e simples. O mundo era dividido entre opressores e oprimidos, capitalismo e socialismo, burgueses e proletários, conscientes e alienados. A história estava ao alcance e nos cobria de razões. Não podíamos estar errados, pois estávamos do lado certo. Agíamos como demiurgos, anunciávamos a boa nova da utopia: a sociedade justa e igualitária, sem opressores nem oprimidos. Em nossa cruzada, tendíamos ao sectarismo, à simplificação da realidade, ao pensar dicotômico e maniqueísta.

Não obstante, tínhamos a verdade da história em nossas mãos. Pautávamos-nos pelo critério de classe. Não havia meio termo! Ainda hoje, divirto-me com a reação das crianças e dos jovens e adultos cândidos diante da pergunta: “Você é a favor ou contra o proletariado?!” Invariavelmente, mostram-se surpreendidos e reagem de maneira engraçada. Desde a mais tenra idade assumi a resposta considerada correta. Primeiro, enquanto manifestação de rebeldia e, como diria Marx, consciência de classe em si; depois, como consciência de classe para si.

Foi o critério de classe social, o assumir um dos lados, que definiu os caminhos e descaminhos da minha vida. A opção consciente e militante orientou e determinou o meu ser e viver. Como um crente que não abandona o símbolo que dá sentido à sua vida, permaneci fiel. Mesmo hoje, minha práxis como docente se orienta por esta escolha. O critério de classe é a lente pela qual vejo o mundo e a realidade na qual estou inserido. Não há como ser axiologicamente neutro. A visão de mundo, ideias e valores sobre o estar-no-mundo e ser-no-mundo influenciam nossas opções e ações. A docência, a pesquisa, as relações sociais, enfim, a vida pública e privada são demarcadas socialmente.

Contudo, o passar do tempo, a experiência prática e teórica me ensinaram que é insuficiente balizar a vida pelo critério de classe. Este não abrange todos os aspectos da vida! Nada me diz sobre os sentimentos humanos, sobre o amar, a amizade, o sofrimento, as dores que atormentam a alma, etc. Pouco me ajuda a compreender a natureza humana com profundidade. Ouso pensar que, para além dos contextos históricos e condições sociais e temporais diferentes, há algo de comum no humano que não pode ser apreendido unicamente pelo raciocínio classista.

O critério de classe estruturou a minha visão de mundo, mas aprendi que os trabalhadores não constituem uma classe homogênea. Um dia, há anos, assisti ao documentário “Além de trabalhador, negro” e percebi que a minha concepção de classe trabalhadora era restrita, branca e européia. Conclui que questões como a dominação masculina, a homoafetividade, raça e gênero não encontram respostas satisfatórias no critério de classe. De fato, permeiam os antagonismos de classe. Não me convence mais a ideia de que tudo será superado com a derrocada da sociedade burguesa.

O tempo é o melhor mestre! A vida me ensinou que os oprimidos também se revelam opressores. Aprendi que o discurso de classe dissimula práticas nada éticas e, sob as aparências altruístas, almeja interesses egoístas; vi que os sonhos utópicos, embora generosos, podem gerar monstros. Percebi que a vida real está para além das abstrações conceituais e que a sua complexidade não cabe em escaninhos ideológicos. O passar dos anos me fez ver que o melhor critério para pautar o viver não é as certezas que temos, mas as dúvidas. Como afirma certa peça publicitária, não são as respostas que movem o mundo, mas as perguntas. Duvidar sempre, até mesmo das minhas certezas. Eis o que a vida me ensinou! Tudo deve se submeter à reflexão crítica. Certezas absolutas geram sectários e fanáticos! Prefiro a insegurança e a angústia da dúvida!

45 comentários sobre “O critério de classe!

  1. Marxismo é determinismo, tentar colocar o mundo real numa caixa de tamanho muito escasso – ou duas caixas. Como se a realidade devesse se adequar à teoria e não o contrário. A vida real tem nuances. Não é apenas isto ou apenas aquilo. Acho que M. de Assis disse algo como “debaixo de toda bandeira pública, escondida à sombra, há uma bandeira particular”. Ótimo texto, agradeço a leitura.

  2. Nossa Ozaí! Que coisa ótima é ler o que vc escreve, como consegue captar os sentimentos e medos e dúvidas mais profundos! Obrigada por compartilhar conosco tanta sensibilidade.

  3. Ozaí, como doutorando e futuro professor universitário, se assim conseguir, venho pensando no quanto questões que tratam diretamente da VIDA, da DÚVIDA, da MUDANÇA e EFEMERIDADE não são levadas às salas de aula: nem no Ensino Básico nem no Ensino Superior. Daí que vejo alunos de graduação, mestrado, doutorado etc., assim como doutores e pós-doutores em congressos e simpósios, entediados… Essa formação especialista e tecnicista não atinge os corações, é desprovida de poesia. Um texto como o seu é água para sedentos como eu. Obrigado.

  4. Caro professor Ozai, esse texto vai de encontro as provocacoes sobre as nossas duvidas e acertos, atenua uma certa racionalidade dentro da duvida e nos coloca a refletir sobre a sociedade que queremos dentro de uma multiplicidade que respeita o subjetivo e coloca em pratica o discurso das classes.
    Obrigado por mais esta colaboracao provocativa.

  5. Quanta dúvida e quanta certeza! Nunca um comentário seu gerou tantos comentários! Mesmo os que te dão razão, quanto à certeza do valor da dúvida estão cheios de certeza. Aprendi com minha prática religiosa que não devemos pender para os extremos, tive que apender na religião o que Confúcio ensinara mesmo antes do advento do cristianismo, que devemos buscar o caminho do meio. Motivos de desencanto com o rumo que as coisas tomaram todos nós temos, mas, talvez seja bom, numa possível retomada de posição, não sairmos de um extremo a outro. As classes não deixarão de existir. É possível que tenhamos esquecido de um fato, as classes são partes de um todo, e que como tal, deveriam ter-se dado as mãos. A tempo, você está certo, quanto à dúvida.

  6. Ozaí, sempre me surpreendo com sua coragem de expressar o que pensa e de escrever de forma até mesmo pética sobre o que parece ser seus sentimentos sobre a vida, admiro realmente sua postura. Essa atitude é para poucos, assim como é para os poucos ler seus textos, são somente para os que se arriscam a fazer uma reflexão sincera sobre si mesmo e sobre o mundo. E porque me fazer pensar será sempre meu professor. Obrigada!

  7. Professor Ozaí,

    de maneira alguma sua dúvida é sinal de descomprometimento com a realidade que o circunda, é exatamente o contrário. Sua dúvida provém do seu tempo de reflexão, da sua sensibilidade intelectual e de seu amor pelos homens e mulheres desta época, que são invisíveis para aqueles de discursos fáceis e acomodados, que não ousam ir além da zona de conforto. Tudo seria melhor se o sinônimo de humano fosse coerência.

    Um grande abraço,
    Jonas

    • Caro amigo Jonas,

      boa noite.
      Meu sincero muito obrigado.
      Fico grato por sentir-me compreendido por vc.
      Concordo plenamente: a coerência é um dos maiores desafios do humano.
      Grande abraço e tudo de bom,

  8. Prezado Ozaí: acompanho seus textos silenciosamente, mas hoje preciso expressar minha gratidão por tê-lo lido. Compartilho profundamente esse ponto de vista!! Obrigada por compartilhar o seu! É bom descobrir que outras pessoas têm um sentimento parecido em relação ao ser e estar no mundo!

  9. O critério de classe sempre foi intrinsecamente equivocado, falso, simplesmente errado. NENHUMA classe pensa, ou escreve, individuos o fazem, alguns até pensam que o fazem em nome de uma classe, e geralmente não pertencem a essa classe. O peso do marxismo (não só, pois o conceito de classe precede o marxismo) inculcou de tal maneira a teoria social, que os indivíduos pensam estar falando em nome de uma classe quando na verdade refletem sua experiência indivisível e única.
    Mas tem gente que pretende viver na ideologia, claro, e aí é como religião. Não existe raciocínio lógico que os demova.
    Ainda bem que o Ozaí fez o percurso para a racionalidade, estrito sendo.
    Paulo Roberto de Almeida

    • Paulo,

      boa noite.
      Obrigado por ler e comentar o texto.
      Não abri mão do critério de classe, apenas não considero que seja o único válido e estruturante da sociedade. Contudo, concordo que o conceito de classe foi transformado por muitos numa espécie de metafísica transcendental e que, à maneira dos profetas, há os que se arvoram no direito de falar pela classe e vivem a ideologia á maneira religiosa.

      Permaneço aberto às críticas e sugestões.
      Abraços e tudo de bom,

  10. ‘Os sonhos utópicos, embora generosos, podem gerar monstros’. Bela paráfrase de Goya. Me permite outra de Popper diz: “Aqueles que tentaram trazer o céu para a terra transformaram-na em inferno”.
    Ozai, fico alegre pelo seu texto amadurecido e esclarecido. Também fico triste porque algumas respostas, ACIMA, se revelam surdas, cegas, até protofascistas de esquerda (conforme analiso no meu ensaio publicado neste mes/fev-2013, na revista Espaço Acadêmico.com.br: “Existe fascismo de esquerda?”). É proprio do fascista de esquerda rotular alguém que vence o debate com xingamentos de seu texto parecer do “Jabor”, “neoliberal”, “doutor em educação” etc. Ou é cinismo ou patologia psicopolítica não processar as ideias conforme escritas no original. OU distorcê-las. Sobra ainda ser “infantilismo de esquerda” como alertava Lenin. É esta esquerda incapaz de fazer autocrítica, intolerante para com um bloqueira cubana, covarde para debater as contradições do regime cubano ou reconhecer seu fanatismo infantil???? É vergonhoso uma esquerda que trai o procedimento dialético, que delira, e expõe sua certeza fanática, cega, surda, que faz qualquer negócio para CALAR a liberdade democrática “burguesa”, sim. Existe outra? Alguns destes ACIMA, dariam bons censores e torturadores. É triste, é muito triste. Raymundo Lima

    • Raymundo,

      boa noite.
      Sim, concordo que o fanatismo é triste, muito triste. Mas parece que sempre esteve presente na história humana. Ou seja, a intolerância é tão humana quanto a tolerância. E a história está repleta de exemplos. O nosso desafio é tentar compreender. Os intolerantes, cegos e fanáticos, religiosos e ideológicos, continuarão a povoar a terra. Outro dia, assisti a um documentário cujo título é: “Deus me livre dos seus seguidores”. Parafraseando, diria: “Marx nos livre dos seus seguidores sectários e fanáticos”, pois que nem todos marxistas são assim. Marx percebeu o problema ainda em vida ao declarar: “Tudo que sei é que não sou marxista”.

      Abraços e tudo de bom,

  11. Oza, gostaria de fazer um comentário sobre essa sua postura, partindo de uma afirmação escrita por você mesmo:

    “O passar dos anos me fez ver que o melhor critério para pautar o viver não é as certezas que temos, mas as dúvidas. Como afirma certa peça publicitária, não são as respostas que movem o mundo, mas as perguntas.”

    Bom, esse excerto aponta pra um fenômeno que vai muito além da sua própria condição individual. Parece se tratar, na verdade, de um movimento que existe dentro da esquerda desde os anos 70, a princípio na Europa, que se expande para todo o mundo na década seguinte que é a tal da crise da esquerda, ou da crise do marxismo. Se é certo que a postura da esquerda apresentou inúmeras discrepâncias com relação a realidade, de uma leitura bastante ruim sobre ela, que gerou, por sua vez, uma prática bastante nefasta, também é certo que ela não foi e é a única existente. E não me refero a uma postura que se pretende de esquerda negando, absolutamente, qualquer leitura que se faça da realidade, permanecendo na eterna dúvida. Ao contrário do que diz o trecho que enfatizei de seu texto, não são as perguntas que movem o mundo, simplesmente, mas sim as respostas à essas questões! E aqui, pelo menos num primeiro momento, não importam suas características, sua proximidade com a realidade através da efetivação daquilo que se pretendia originalmente na tal resposta. Independente do que se responde, isto surte um efeito importantíssimo na realidade. A dúvida é um momento de impotência, que só pode ser superado com uma resposta, seja ela de qual tipo for.

    A partir desse ponto, acredito que podemos pensar a realidade, para nós seres sociais, como uma constante prática. A cada momento nos são postos problemas que geram perguntas que apenas do exercício da resposta podem (e que fique enfatizado o caráter probabilístico da situação). Só entendendo a vida desse modo podemos tomar pé da qualidade das respostas, e começar a perceber que a variância nas respostas representa muito nos desdobramentos da realidade, para além de nossas vontades. Nesse sentido, caberia pensar como a resposta que se atém a dúvida como elemento fundamental da prática é extremamente problemática. Pois que descarta a perspectiva da superação. Parece que se adota um posicionamento que ao mesmo tempo que critica a realidade, até que de maneira aproximada daquilo que de fato acontece, não é capaz de apresentar uma proposição que possa viabilizar a transformação dessa realidade, embora acredite que é justamente a falta de ação que promoverá tal mudança. Há um teórico britânico, o Terry Eagleton, que chama isso de “pessimismo libertário”, e eu tendo a concordar com ele. Nesse termo, o Eagleton ressalta algo importante: que a própria superlativização da dúvida já é uma certeza, mas que por não se por de maneira clara para todos, ou seja, por não se por como uma certeza, acaba se livrando das críticas que recebe., Reafirma-se cada vez mais, assim, num em-si-mesmamento que apaga qualquer caráter crítico, já que se perde qualquer critério de comparação entre aquilo que se pensa sobre a realidade e a própria realidade que é pensada. Isso é extremamente perigoso, já que tende a afastar cada vez mais quem pensa desse modo da realidade ao seu redor! Não acha? E se não acha, por qual motivo? Dessa vez, só me satisfarei com argumentos muito bem calcados, hein!?

    • Rodrigo,

      boa noite.
      Nos conhecemos bem e vc sabe que não tenho o costume de responder aos comentários e polemizar. Escrevi sobre isto em: https://antoniozai.wordpress.com/2011/10/15/vale-a-pena-polemizar/ Contudo, devo admitir que tenho sorte em tê-lo como interlocutor. Seus comentários sempre são inteligentes e instigantes. Agradeço por ler e utilizar o seu precioso tempo para comentar. Peço desculpas por não me colocar à altura do seu esforço e, em geral, silenciar. Mas vc sabe o apreço que lhe tenho e, além dos argumentos no link acima, já conversei pessoalmente e tentei me justificar.

      Coerente com este posicionamento, não pretendo responder ás questões que vc levantar. Tenho dúvidas, angústias e talvez sofra do mal identificado por Terry Eagleton: “pessimismo libertário”. Deve ser uma espécie de doença intelectual, mas acho preferível às certezas dos que se arrogam porta-vozes dos mortos ressuscitados pela autoridade do “eu sacerdotal”.

      Também não tenho a intenção de satisfazê-lo, nem a qualquer um dos leitores. Desculpe, mas não escrevo para agradar ou satisfazer, nem para convencer. Simplesmente, publicizo minhas humildes reflexões. Apenas expresso as minhas opiniões. Considero-me um indivíduo de sorte, pois, apesar de tudo, encontro leitores como vc e outros. Agradeço por ler e comentar. Tenha certeza de que suas palavras são importantes e contribuem para a minha reflexão.

      Grande abraço e tudo de bom,

  12. Tudo o que não serve como resposta às dúvidas, aquilo que alimenta a dúvida num movimento circular é marca do conservadorismo.

    Pior. Aquilo que não colabora com a boa vontade de alguns é nada mais que uma reação da ideologia dominante. Aquilo que repercute o mais do mesmo, que exalta o conformismo, que põe em dúvida o caráter social da formação dos indivíduos, alimentando uma fala sobre a “natureza humana”, é nada mais do que se ouve todos os dias, no programa do Datena, no discurso do mais titulado professor universitário.

    Só me assusta ver os enormes esforços de uma juventude incomodada ser posta em dúvida pelo experiência pessoal fracassada de alguns, seja o Jabor, seja o Ozaí, como se os bravos da resistência dessa geração não tivessem o direito de acreditar que as coisas podem ser melhores. Como se o resultado da vida social tivesse só uma resposta. Nesse ponto não há dúvidas. A “natureza humana” é a responsável ulterior da vida social. Também li alguma coisa na página de internet do instituto Mises parecida com isso.

    Mas, ao contrário, ainda sonhamos que o conjunto de indivíduos que formam a sociedade ainda colocará a vida humana em primeiro lugar. Ainda sonhamos com outro mundo, muito melhor que esse, para além do pessimismo e do conservadorismo.

    Como na ciência, a Revolução é uma sucessão de experiências, que quando dão errado ensinam outros caminhos: caminhos melhores. As Revoluções de orientação Marxista podem não ter triunfado num primeiro momento. O que não significa que a sociedade burguesa tenha mudado seu caráter depois do fracasso das primeiras experiências.

    Hoje, com a crise econômica atual, os trabalhadores se organizam novamente. Ainda estão reaprendendo a lutar – graças à hegemonia da ‘verdade’ burguesa – e com a prática das reivindicações passam a compreender como funciona a sociedade. Podem ser eles os porta-bandeiras de uma Revolução próxima. Como podem fracassar. Mas não é por isso que se deve desistir dos sonhos, e assistir passivamente a exploração e o produto das nefastas relações de produção do mundo burguês.

    • Carlos, respeito sua opinião, mas há que se tomar certos cuidados para que não passemos de certos limites e, assim o fazendo, deixemos de ser contestadores e cheios de vitalidade e passemos a ser deselegantes. Espero que vc entenda e não tome isso como ataque ou ofensa.

      Quanto à sua última sentença, contra-argumento: não se trata de desistir, mas de cansar, perder certo fôlego, e perceber elementos e nuances que sequer estão ao alcance da zona de desenvolvimento proximal (Vigotski) da quase totalidade de pessoas mais jovens. E essa habilidade para perceber e se cansar, a que me refiro, só virá com a idade e com a experiência.

      • Yuri,

        boa noite.
        Concordo plenamente que devemos tomar cuidado. Sabe, a internet facilita a verborragia e o descontrole. Afinal, aparentemente “dialogamos” com o monitor e nem sempre conhecemos quem está do outro lado. As vezes esquecemos que é um ser humano que se comunica e o tratamos como uma máquina. As palavras são como facas. Alguém escreveu que são como balas, depois de proferidas não há como impedi-las de atingir o alvo e causar ferimentos. Por isso, devemos ser cuidadosos. Eu sempre tento!

        Obrigado.
        Abraços e tudo de bom,

    • Caro Carlos,

      boa noite.
      Obrigado por comentar.
      Obrigado também por me considerar um fracassado, por me rotular de conservador, eleger companhias do quilate do Jabor, Instituto Mises, e por me dar lições sobre a revolução. Mas, sinceramente, ou vc leu o texto errado ou não entendeu. De qualquer forma, fico agradecido pois sempre é melhor saber o que pensam sobre nós – embora, sendo sincero, me surpreenda, pois vc me conhece pessoalmente e, por mais que tenhamos divergências – e ainda bem – imaginei que estávamos no mesmo campo, mas me enganei.

      Tenha certeza de que suas palavras me fizeram refletir bastante. Espero que também reflita!

      Abraços e tudo de bom,

  13. o Academicismo está há mais de dois séculos sustentando ideologicamente e politicamente o Capitalismo…com Antonio Ozaí da Silva não é nada diferente dos outros 90% dos doutores da UEM…prova real disto foi o papel nefasto e nojento que os docentes da UEM cumpriram durante a Greve dos Técnicos, mesmo sabendo que o plano de carreira dos servidores estava sendo atacado brutalmente por Beto Richa…agora é engraçado né, os pós modernos ou aqueles que se beneficiam da dúvida!!! não apontam nenhum caminho, mas não recusam dinheiro das fundações de pesquisa privadas, dos empresários, das ONGs e OSCIPs, neh?!!

    • Grosseria pouca é bobagem. Espero mesmo que o sr, Robson, não venha, uma dia, a se tornar parte do corpo docente “academicista”, para então ter de comer com farinha e uísque cada palavra que escreveu aqui. A propósito, o seu trabalho não leva a servir justamente àqueles contra os quais você vocifera? São as contradições.

      • Yuri,

        boa noite.
        Não se incomode com os comentários “grosseiros”, talvez seja apenas desconhecimento e a ausência do mais leve esforço de tentar compreender os argumentos do outro.

        Abraços e tudo de bom,

  14. Nada mais pós-modernos. Quase um Arnaldo Jabor, né. Com a diferença da dúvida que orienta, sic, da verdade maniqueísta, já ouvi de muita gente as mesmas palavras.

    (…)” Certezas absolutas geram sectários e fanáticos! Prefiro a insegurança e a angústia da dúvida!”. Pra mim seria muito mais fácil também. Aliás, “a insegurança e a angústia da dúvida!” é nada mais que a segurança e a certeza homogeneizada de que tudo está bem como está.

    Engraçado que desde que conheci o Ozaí não vi-o empenhado na denúncia do mundo. Mesmo sendo ele um doutor em educação, poderia ser pelo menos uma Celene ou uma Ana Lúcia. Muito ingênuo, achei que o pessoal das Sociais tiravam mais o rabo da cadeira.

    Mas não, tem gente que prefere o “conforto” da dúvida, né. Pra mim que é só mais uma amostra da força ideológica da sociedade burguesa. Além dos conformados, os infelizes da base, adestrados pela TV e pelo passeio no shopping, há hoje muitos outros que entendem muito bem o que se passa, mas preferem o “conforto” da dúvida.

    Pois bem. Acho que não precisamos de gente assim mesmo. O discurso de que a dúvida nos levará a algum lugar já é o dominante. A dúvida é muito bem vinda, mas não em tempos de mazela e miséria, de violência e intolerância.

  15. Ozaí
    Tomo a liberdade de fazer de seu texto, meu.
    Não quero cometer plágio, mas comunhão de sentimentos.
    Parabéns pelo texto, acho que toda uma geração se identifica com ele.
    Abraços

    Fernando

  16. A “certeza” pode levar ao sectarismo. Pode, mas esse não é o único desfecho, não é o desfecho necessário para uma verdade que se revela a você. O viés classista pode nos orientar a muita coisa, pode nos levar a muitas dúvidas também. O ser humano é histórico, a “natureza humana” é histórica. Claro, é enriquecida com a prática, com a experiência séculos após séculos. Não algumas décadas de vida de um ser humano o suficiente para colocar em dúvida séculos de construção racional. Inclusive da razão afetiva. Não é o abandono de nossos pressupostos classistas que irão nos deixar melhor diante das dúvidas que desenvolvemos. As dúvidas devem fazer parte da vida assim como as certezas, é a dialética.

  17. Ozai, os critérios classificatórios que podem objetivos ou subjetivos, p. ex, dois objetos,. uma laranja pera e uma laranja baiana :
    1-genericamente são laranjas, são frutas cítricas;
    2-subjetivamente, qual delas é mais bonitas, qual tem suco mais gostoso, qual delas tem a casca mais perfumada.ETC
    3-objetivamente, pelos os atributos mensuráveis :peso, volume,tonalidade da cor, espessura das casca, número de gomos
    volume de suco, número de células, de moléculas, de átomos, e vai por aí.
    Do ponto de vista mítico e religioso a primeira classificação veio com Adão e Eva, homem/mulher e bem/mal.
    Depois de algum tempo grupos seres humanos começaram usar critérios classificatórios, a partir de crenças,
    manipuladas e impostas pelos líderes (principalmente pelos líderes carrismáticos) e a partir daí os seres humanos
    começaram a se matar por diferenças nos critérios classificatórios

  18. O tempo é realmente capaz de fazer alguns milagres….. para os sensíveis é claro…. Parabéns pela reflexão. Assino em baixo.

  19. Antonio

    Bom Dia

    Observo respeitosamente que hoje “retornastes ao pântano”. O texto do outro fim de semana requeria leitura prévia, a qual não dispunha e por obvio refletindo gostos pessoais, necessidades, vida acadêmica, etc., por isso o silêncio honesto dos que ignoram. O texto de hoje espelha também imodestamente parte de minha vida pessoal, por isso a soberba e a desacautela em comentá-lo. A educação doméstica associada ao gosto pela leitura, este herança de papai, me marcaram profundamente, levando-me sempre para o caminho das dúvidas e incertezas tanto no fazer quanto no pensar. Essa conduta serviu somente para ficar marcado, amargando o desprezo nas salas de aula, pois atrevidamente questionava e o constante desemprego, pois desrespeitava a autoridade e disciplinas estabelecidas no seio dos empreendimentos. Ao enveredar na luta pela construção concreta e objetiva de uma sociedade humanitária e socialista (incluso aqui o processo de anistia, o fim das cassações, da tortura, da liberdade de expressão e de reunião e a volta da vigência do Estado democrático e de direito), também me defrontei com o mundo das certezas ideológicas, o qual de pronto me rejeitou. Enquanto os utopistas, igrejeiros, bolchevistas, socialdemocratas de plantão estavam ainda (suponho) longe do poder e suas benesses fui relativamente útil e até necessário em alguns casos. Amargurado confesso hoje minha estupidez e estultice em não perceber o engodo dos prestidigitadores. Mesmo assim não perdi minha fé no direito de errar, no direito de desistir, na possibilidade de fracassar (se é que isso existe), na de ter de recomeçar, todos contraídos e sempre em fase de constante aquisição. No que tange as ideologias, mantenho o senso prático do fazer (ou não e aí o fracasso diante do objetivo) no concreto do dia a dia, sabedor que novas contradições sociais nos acercam, como o largo uso de estupefacientes, o narco-crime, o tráfico de crianças, órgãos, pessoas, a fome, a destruição colossal das florestas e rios, a figura crescente dos sem: moradia, terra, quilombo, reservas, etc. o abandono dos idosos, a falta de saúde pública e escola para milhões. A vigilância eletrônica das multidões, o endinheiramento virtual entre outras “pragas” desse tempo de angustia e desassossego.

    Saúde

    Pedro
    Caxias do Sul, 24 de fevereiro de 2013.

  20. Quem sofre… tb pode reproduzir esse sofrimento em outrem… Por trás de uma “aparência altruísta” realmente pode existir uma alma opressora e dissimulada em discursos fervorosos de liberdade. Marxistas, marxianos e derivados…. que durante o dia, adotam uma postura conceitual louvável, à noite, calculam seus percentuais de comissão sobre as indicações ou participações em alguma produção bibliográfica. Maquinam a formação de sua “equipe” de trabalho que, gratuitamente (é claro), dão conta de suas demandas. Nesse meio tempo, tratam de ganhar mais dinheiro. Monstros mesmo…..

  21. Parabéns, comungo exatamente de tudo o que escreveu, mas ainda crítico, com bem acentuou…

  22. Caro Ozai, se os dirigentes que manipulam o mundo pudessem amadurecer nesse sentido de sabedoria, quanta tragédia seria evitada!
    Mas o que me faz lhe escrever hoje é uma lembrança difusa que a sua formulaçao inicial acordou em mim. Nao sei se tera a ver, mas acabei localizando em velhas anotaçoes o eco que ressoava. Talvez haja, sim, alguma afinidade entre as oposiçoes que você faz de velhas e duras certezas e as ondulaçao cambiante das duvidas que enriquecem hoje a sua atuaçao, e a formulaçao de um artista complexo. Veja o que encontrei nas minhas notas:
    De Arthur Bispo do Rosario, que na época era vivo e estava internado na colônia Juliano Moreira. Visto como um “artista louco”, numa reportagem na Isto É (provavelmente em 1986)
    – “Eu já fui transparente. Às vezes, quando deixo de trabalhar, fico transparente de novo. Mas normalmente sou cheio de cores.”
    Continuando o caminho que as palavras vao abrindo e ecoando, lembrei também que a biografia de Arthur Bispo do Rosario por Luciana Hidalgo tem como subtitulo “O senhor do labirinto”. Por definiçao, labirinto é um caminho de busca sem traçado prévio – caminho das duvidas, portanto.
    Bom domingo!

  23. Prezado prof. Ozaí!
    Seu texto é um ato de coragem! Belo! Apresenta formas de saídas às frustrações, às quedas de ideais, sem ressentimentos ou depressividades, mas, exigindo reformulações de pensamentos e de vida. Entretanto, creio que a passagem para um plano da dúvida, não represente, necessariamente, um estado de angústia ou insegurança. Acaso, não existe outra possibilidade de vivermos com a dúvida?
    Abraço, e grata pelas suas palavras.

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