Parabéns, Luana!

lu08 de junho de 1988! Hospital Beneficência Portuguesa, próximo à Estação Vergueiro do Metrô, capital paulistana, a enfermeira surge com um recém-nascido nos braços e anuncia: “É uma menina!”. O pai olha aquele pequeno ser que mal abre os olhos. A cena é breve, trata-se apenas de anunciar a boa nova. Nem há tempo de reagir, a mulher despede-se, fecha a porta e a leva. Imerso numa emoção imensurável, o pai abraça a sogra. Manifesta alegria que não cabe em si! Ela brinca e diz que imaginava que ele preferia um menino. É a segunda filha! Ainda bem! Nada contra filho homem, muito provavelmente ele o amaria também; mas, sem sombra de dúvidas, ele prefere a menina. Foi abençoado, e mais uma vez!

A filha do seu amigo se chama Luanda – muito provavelmente uma homenagem à capital angolana. O som do nome fixou-se em sua mente e ele propôs que ela se chamasse Luana! Então, brincava com o amigo, não foi plágio! Conta a lenda que, tempos depois, ao ser perguntado por ela sobre o nome escolhido, ele justificara referindo-se à beleza da lua naquele dia!

O tempo passou, Luana cresceu, passou a freqüentar a creche no Jardim Luso, Zona Sul da capital. Teve até formatura, com beca vermelha. Depois, os primeiros anos de estudo, o ensino médio, a universidade. Luana formou-se em arquitetura. Ela não se apaixonou por literatura como o pai, mas sempre se dedicou com esmero aos estudos. Luana é a filha que qualquer pai se orgulharia. Ela é especial, seu pai orgulha-se dela. É o tipo de aluna que os professores admiram. Tem qualidades elogiáveis e nenhum defeito. Claro, pais são corujas!

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25 anos se passaram! A Luana anunciada por aquela senhora, cuja imagem perdeu-se nas brumas do tempo, tornou-se uma linda mulher. Nem parece o pai, dizem que puxou à mãe! Sorte dela! O passar do tempo, no entanto, não apagou as memórias construídas a cada passo, dia, mês e ano. As imagens resistem, insistem, permanecem. Ele olha a Luana criança no álbum de fotografias e lhe parece que o tempo parou. Ele vê a Luana adulta e reconhece nela a foto da criança, da menina, da adolescente. Pais envelhecem, filhos não!

Seu pai observa bem as fotos que registram momentos significativos na vida dela. Eis-la ainda bebê. Olhos brilhantes, sorriso alegremente contagiante. Ela sorri para a vida, o futuro lhe é indiferente. Hoje, o que será que ela pensa ao ver estas fotos? Será que conhece o seu passado, as suas raízes? Os filhos vivem o presente, cada nascer do sol como se fosse apenas mais um dia. Só anos depois que eles reconhecerão o passado em si. Mas quando este começa? Se o passado é determinado pela consciência do viver, nossas memórias são resgatadas a partir da infância. Os filhos parecem desconhecer a história dos seus pais, este passado lhes parece muito longínquo. Se somos, porém, o que fazemos da nossa vida, somos também o que fizerem de nós. Assim, da mesma forma que o pai carrega dentro de si as emoções e sentimentos vinculados às imagens da filha em suas múltiplas faces e fases, talvez não seja ilusão imaginar que há algo dele na filha que cresceu. Ele, de alguma forma, influenciou a vida dela; ela, com certeza, determinou muito do que ele é. Deu-lhe, sobretudo, um sentido de vida, mais um motivo para viver!

Se olhamos nossos filhos com os olhos no passado, com aparente saudosismo que denuncia a consciência de que o tempo também passou para nós, é porque o passado vive em nós, em nosso presente. É feliz o pai que se reconhece na filha. Ele a olha com carinho e agradece a dádiva que a vida lhe concedeu. Indubitavelmente, ela expressa bons tempos, anos que estão entre os melhores vividos. Um brinde à vida! Só resta agradecer!

08 de junho de 2013! Eis o presente! Um dia especial, é aniversário da Luana. PARABÉNS!

7 comentários sobre “Parabéns, Luana!

  1. Parabéns ao Prof. Antônio por ter uma filha tão bela, inteligente e formada. É tudo que a gente quer, ver os filhos felizes e bem encaminhados na vida.Os olhos de Luana são um capítulo a parte. Quanta beleza e expressividade! Dizem que os olhos são o espelho da alma, logo, que alma fabulosa. Não tive filhas, somente três lindos ( e ai de quem pensar diferente) filhos. Não deram quase nada de trabalho e muita alegria. Mas, sempre desejei ter uma menina.Qual a mãe que não tem esse desejo? Como a vida é justa, com quem trata bem a si mesmo e a ela, em outubro nascerá CLARICE, a minha primeira neta.Por uma feliz coincidência, a mãe de Clarice, minha amada nora MARIANNE, tem esses olhos castanhos, lindos e brejeiros. O filho GUSTAVO tem os olhos do pai, um verde indescritível. A nora gostaria que a filha tivesse olhos azuis como são os meus e eram os da minha avó, uma imigrante polonesa muito corajosa.São apenas detalhes físicos, o mais importante é ter humanidade, ser fraternidade, ser útil a si mesma e ao mundo que nos cerca e não esquecer que a nossa maior vocação é: Ser feliz! Felicidades à bela LUANA, ao Prof. ANTÔNIO ( que continue sempre escrevendo tão bem, para o nosso deleite) e a toda a sua família.Abraço da leitora Vera Linden.

  2. O personagem Brás Cubas, do mestre Machado de Assis, fazendo as contas de sua vida chega a conclusão que tem um pequeno saldo pois: ” — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”
    Quando li isso pela primeira vez, na juventude, prometi a mim mesmo que faria o mesmo. Depois fui aprendendo com a vida que mais importante que as nossas misérias, são os sonhos e as esperanças. Aí tive sim, voltou-me a vontade da paternidade, para legar aos rebentos os legados dos sonhos e das esperanças.

  3. Nossa! Que lindo! Emocionante. Parabéns Luana e parabéns Pai de Luana. Que a vida continue bela para vocês e que a construção do presente e do passado seja de muita alegria e paz.

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