Para que professor explicador?!

mestre_ignorante-z“É preciso que eu lhes ensine que nada tenho a ensinar-lhes”
Joseph Jacotot*[1]

Por que o aluno precisa do professor para compreender o livro? Ele o tem, está à sua disposição, pode manuseá-lo, ler, reler, refletir sobre a leitura e buscar as respostas para as dúvidas. Entender o que está escrito depende do seu esforço e vontade. Argumenta-se que ele não compreende por si próprio. Por que compreenderia melhor pela explicação de outro? Por que substituir o livro pelo explicador?

Por que quem explica se torna tão necessário, quase que imprescindível? Suponhamos que um aluno tenha interesse pelo pensamento político filosófico de um determinado autor. Os livros estão ao seu alcance – especialmente na atualidade com a internet. Ele poderá se debruçar diretamente sobre os argumentos do autor. Não depende apenas do seu interesse e esforço intelectual?

Aceitemos a hipótese de que o professor pode atuar como um facilitador, mas sua explicação é um recorte, expressa uma determinada visão sobre o explicado. Nenhum professor é neutro. Seu enfoque é permeado por crenças e valores, posturas e concepção sobre o mundo. Por outro lado, sua explicação, como a dos comentadores, não substitui a leitura. A experiência confirma! Tive excelentes professores, mas o aprendizado foi fragmentado. Para aprender e compreender a teoria e o pensamento político dos autores em sua integralidade precisei ler as obras na íntegra. Só assim tornei-me capaz de explicar! O tempo todo os livros estavam ali, mas, como qualquer aluno, era-me suficiente os textos indicados pelos professores e a explicação deles. Não quero ser injusto com os meus professores, mas o que eles mais me ensinaram foram os caminhos; só aprendemos para valer na própria caminhada. Antes, temos a ilusão de que sabemos. Professores são importantes, mestres são fundamentais!

Hoje, tenho consciência dos limites. Ninguém é capaz de dominar o saber em toda a sua dimensão. Ainda que dominemos ao máximo um determinado conteúdo, há as limitações do tempo disponível, organização e exposição. Há o limite do receptor, ou seja, precisamos considerar o interesse, fadiga, estado de espírito, condições físicas, além dos ruídos comuns na transmissão/recepção – um dos dilemas do professor é que sua mensagem é interpretada individualmente e nada garante que foi compreendida corretamente; muitas vezes, o entendido não corresponde ao dito. Sempre há o risco de a mensagem ser distorcida. Em geral não é possível estudar a obra do autor na íntegra e adotamos o método do corte – esquartejamos e reduzimos ao que consideramos essencial; em vez do corpo por inteiro, damos aos alunos pedaços recortados. Os limites dos meus professores são também os meus.

De fato, agimos como juízes que decretam o que é e o que não é importante explicar. Temos diante dos nossos olhos uma obra na íntegra e decidimos o que e como estudá-la. Tanto nós quanto nossos alunos estamos convencidos de que não há alternativa. Avaliamo-nos mutuamente, o professor examina o aluno para verificar se ele compreendeu o conteúdo. Por sua vez, por procedimentos formais ou informais, o discente avalia o docente. O aluno tem a sua concepção sobre o “bom professor”, pode elogiá-lo em uns aspectos e criticá-lo em outros. O professor é disperso, não tem didática para explicar, não domina a oratória, etc. Não obstante, discentes e docentes não questionam a “ordem explicadora”.[2] Qual é o fundamento dessa “ordem”? Ela repousa sobre a hierarquia das inteligências. A palavra, porém, está ao alcance de todos. Por que o aluno precisa do professor para compreendê-la? Será o aluno menos inteligente, incapaz de compreender o que está escrito, o livro que tem em suas mãos, sem a inteligência do explicador?!

Eis o mistério do método explicador revelado:

“A explicação não é necessária para socorrer uma incapacidade de compreender. É, ao contrário, essa incapacidade, a ficção estruturante da concepção explicadora do mundo. É o explicador que tem necessidade do incapaz, e não o contrário, é ele que constitui o incapaz como tal. Explicar alguma coisa a alguém é, antes de mais nada, demonstrar-lhe que não pode compreendê-la por si só. Antes de ser o ato do pedagogo, a explicação é o mito da pedagogia, a parábola de um mundo dividido em espíritos sábios e espíritos ignorantes, espíritos maduros e imaturos, capazes e incapazes, inteligentes e bobos.”[3]


* Inspirado na leitura de O mestre ignorante: cinco lições sobre a emancipação intelectual, obra de Jacques Rancière ((Belo Horizonte: Autêntica, 2011).

[1] Citado em idem, p. 33.

[2] A expressão é de Jacques Rancière, ver idem p.20-26.

[3] Idem, p. 23-24.

15 comentários sobre “Para que professor explicador?!

  1. O professor discutidor
    Acho que o professor explicador uma deformação da função de mestre. Mas Paulo Freire estava certo. Aprendemos em comunhão uns com os outros. Aprender é mais que entender. É sobretudo ter a capacidade de filosofar (principalmente eticamente) sobre o valor daquilo que aprendemos. É apreender. É dar juízo de valor para aquilo que aprendemos. Acho que precisamos de professores discutidores, problematizadores, que nos levem a pensar sobre aquilo que entendemos. Porque entendemos do nosso jeito, mas isso pode mudar quando nos dispomos a falar sobre o que sabemos com outras pessoas. O homem é um animal político. Precisamos falar sobre o que aprendemos e pensamos. Quem já fez uma roda de discussão com crianças sabe do que estou falando. Porque paramos de fazer rodas de discussão com quem cresce de tamanho? Porque a filosofia (enquanto processo reflexivo) morreu? Acho que não. O sucesso dos blogs mostra isso. Queremos falar, explicitar o que pensamos e discutir as idéias dos nossos pares (e dos nossos ímpares também rs). É salutar fazer isso. Mas filosofar é mais do que falar, dirão alguns. Concordo! Daí a importância do professor discutidor. Ele não precisa explicar. Mas precisamos nos explicar uns aos outros. É próprio da nossa natureza humana. Acredito que melhor que explicar é saber fazer boas perguntas sobre as coisas. Viva o professor maiêutico kkk. Viva o Sócrates (o corintiano também, mas tô falando do grego). Viva a maiêutica e o professor discutidor 🙂
    Um abraço,
    S.

  2. “Nenhum professor é neutro. Seu enfoque é permeado por crenças e valores, posturas e concepção sobre o mundo”
    Para mim, isso é extremamente poético.
    Acredito que este texto tenha me tocado diferente dos outros leitores, já que sou professora de Educação Infantil, trabalho com crianças de 5 anos.
    Aprendemos é na troca, com os pares e como falar com essas crianças sobre o que acontece no país atualmente, sobre oportunidades, respeito e não tomar um lado?

  3. É preciso anular a distância que separa professores e alunos, mas é possível? Não se pode ser simultaneamente professor e aluno. Também não se deve perder de vista que “as estratégias igualitárias têm um aspecto hipócrita, demagógico, e podem na verdade reforçar as posições de poder” (Id.). E os limites entre o democrático e demagógico são tênues. Porém, se o ser professor indicar uma atitude fundada em algo mais forte do que a relação de poder. Ou seja, se há ética na relação social e a compreensão de que professor e aluno constituem uma comunidade, então é possível diminuir a distância que os separa e fortalecer a relação fundada no sentimento de amizade. Este sentimento não indica harmonia, mas pertencimento à mesma comunidade. Ao pautarmos a relação por esta ética e sentimento, a amizade nos transforma. Assim, se o professor demonstra amor pelo que faz e respeito aos seus alunos, maior será a possibilidade destes se verem numa relação social formadora de uma comunidade cimentada por laços de solidariedade.

  4. O professor é a alma da escola. Jacques Ranciére concordará comigo.
    Não há como se olvidar do apoio do mestre ao acompanhar o iniciante.
    É isto amigos
    Geraldo Martins.
    Professor.

  5. Caro Ozai. Primeiro, fiquei em dúvida com a palavra “explicador” no seu ensaio. Você está se referindo ao PROFESSOR PROFISSIONAL DA ESCOLA, que é responsável para transmitir conteúdos convencionado em currículo? Ou você está se referindo ao “explicador”, PROFESSOR ou LEIGO no assunto, contratado ad hoc pela escola ou pelos pais, portanto, fora da escola, para re-explicar alguns conteúdos que determinados alunos não conseguiram entender durante a aula formal?

    1) A pesquisa do Prof. Martin Carnoy (Universidade de Stanford; VER fragmento de conferência em: http://www.youtube.com/watch?v=L6nAwqkh2M0/// ou seu livro “O sucesso escolar cubano”, que comentei em um artigo na revista Espaço Acadêmico). Sua pesquisa toma com mostra alguns países latino-americanos revela algo preocupante nas escolas do Brasil: OS CURSOS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES NÃO ENSINAM “COMO ENSINAR MATEMÁTIC, GEOGRAFIA, LINGUAS, ETC”, e, no Brasil, na sala de aula não existe nenhum acompanhamento ou monitoramento para saber se o professor aprendeu a ensinar “bem”, ou mesmo “aplicar um determinado método de ensino”. Como alertou G. Ryle: dizer que segue um método de ensino não garante se o professor realmente aplica este método de ensino na prática. Uma professora diz que é construtivista ou que segue os postulados de Vigotsky, mas na prática será que segue mesmo tais autores? Parece-me ainda vigorar o velho princípio comeniano, do séc. 17, que visa “ensinar de uma única maneira tudo à todos”. Ou seja, o que era moderno naquela época será que ainda serve para nossa época, considerando a diversidade cultural e de estilos, avanços tecnológicos, etc?
    Outra grande falha do nosso sistema de ensino [que parece que ninguém liga] é sobre a RELAÇÃO ENTRE LEITURA E ENSINO-APRENDIZAGEM EM SALA DE AULA. Nossas escolas hoje já não reclamam sobre a falta de livros, mas FALTA-LHES UM PROGRAMA E PREPARO DO CORPO DOCENTE PARA PROPORCIONAR UM DIÁLOGO EFETIVO ENTRE SALA DE AULA E BIBLIOTECA; ENTRE A FALA DO PROFESSOR E A LEITURA SISTEMÁTICA. AINA A MAIORIA DAS CRIANÇAS VEM DE FAMÍLIA COM BAIXO CAPITAL CULTURAL (Bourdieu), porto, a salvação é ter na escola professores BONS LEITORES, QUE SABEM COMO CONDUZIR O ALUNO PARA SER LEITOR COM AUTONOMIA. Os indicadores vem sistematicamente denunciando que até os professores lêem pouco ou quase nada [Ver matéria da PUC: ou Prof. Edmir Perotti: <http://www.youtube.com/watch?v=tt6wAIPWkJw ]
    2) Infelizmente esta observação amarga também vale para nossos professores universitários: a maioria se habitua ler apenas livros sobre sua área, disciplina, mas não ampliam o leque de leitura, ignoram a importância da literatura nacional e universal. Se o governo realizar uma prova avaliativa (algo como esta prova anunciada para os formados de medicina) a maioria dos professores das nossas faculdades seria reprovada em “cultura literária”. Os professores universitários melhoram um pouco sua cultura quando fazem mestrado e doutorado. Mesmo assim, correm risco de ficarem bitolados numa única linha de leitura, daí somente falar aos alunos sobre sua tese. É triste e chato ver marxistas incultos, diferente do próprio Karl Marx, que conhecida literatura, dominada os clássicos da filosofia, etc. Freud, também…
    3) EVA BUENO, comentando o seu ensaio, sinaliza que “muitas vezes os alunos se transformam em uma comunidade que resiste a leitura do professor”. Ultimamente escuto professores de países do 1º mundo revelando RESISTÊNCIA DOS ALUNOS PARA A LEITURA, INCLUSIVE A LEITURA SUGERIDA PELO CURRICULO. Cito alguns colegas: minha amiga, Eva Bueno (EUA), Licinio C. Lima (Portugal), Jorge Larrosa Bondia (Espanha), Dominique Maingueneau (França; ver entrevista, legendada: http://www.youtube.com/watch?v=5fz0WzY9wiU), entre outros, colocam um novo desafio para a nova geração professores: como lidar-e-seduzir alunos para a leitura formal e informal??? Já não podemos – e não funciona – “impor” ler um texto ou livro, exceto via programa curricular, então, QUAL É A FUNÇÃO NA NOVA GERAÇÃO DE DOCENTES PARA ‘TRABALHAR’ ALUNOS SATURADOS DE LEITURAS DESCARTÁVEIS DA INTERNET OU COM PREGUIÇA INTELECTUAL? Ou deixar os alunos entregues a própria sorte, a ignorância, que me parece [Tb. para a profa. Leny Mrech, FEUSP) a autorização para o alunos sustentar sua “paixão pela ignorância”.
    4) Portanto, concordo coma REGINA, comentando o seu texto, quando argumenta: “Por minha vez, tenho a impressão que um PROFESSOR DEVE SER, ELE PRÓPRIO, UM BOM LEITOR, para escolher trechos que retomam e ilustram o desenrolar de argumentos estruturantes da obra e, corolário indispensável, [também ser] UM BOM ATOR, aquele ator que lança centelhas de entendimento emocional, que dão vontade de ir além, de aceder diretamente ao conhecimento de um precedente “explicador” do mundo, que explicou por escrito o que nos cabe reexplicar oralmente e “no palco”.
    Então, QUE FAZER??? Ou como alerta Barack Obama: “Estamos fazendo o suficiente” como professores????

  6. Ao contrário do mestre Ozaí, tive excelentes professores e a aprendizagem não foi fragmentada. Não dá para aliar “excelência” com fragmentação. Estudei em escola pública e a maior parte dos meus estudos ocorreu entre 1964 e 1979. Separo o que aprendi na escola e na vida, mas depois é necessário misturar para que o bolo fique bom. Eram muitas informações e leituras de lá, completando com formação de cá, em família de 11 pessoas – um amontoamento em barracão de 4 cômodos além da rua de terra batida ao nosso dispor. Nem sempre foi assim! Nasci filha de fazendeiros e até os cinco anos minha vida foi regada a leite de peito e cabra na fazenda que um dia meu pai venderia para mudarmos para a capital. O dinheiro foi sendo carregado pelas águas das chuvas e pela fome arretada, até sumir por completo.
    Precisei de explicações, inúmeras vezes, sobre o que lia . O linguajar do Vale do Jequitinhonha não era o mesmo da cidade grande. Na 5ª série, hoje 6º ano, os olhos de Capitu, para mim, eram bêbados, eu a via uma pinguça de primeira; os de Bentinho eram míopes. Custei a entender a tal “ressaca”. Um professor de Arte auxiliou a professora de Português e, ao entrar na sala um dia, deparamos com um mar enorme no quadro negro “pintado” com giz de cor. Descobrimos ali os olhos da bela dama, e mais! O esposo nunca fora míope! Um Dom… Um dó!
    No tocante às ideologias não precisamos mesmo de explicadores, tampouco de escola. De resto, muitas são as vezes em que até professores precisam de explicadores. Lembremo-nos de que a maioria lê pouco por falta de tempo! Talvez tenhamos que passar para a fase do mini-gravador com fone de ouvido para assuntar a avalanche de informações que podem contribuir com a formação. Todo cuidado com o estresse é pouco!!!

  7. Eu tive um professor que na primeira aula dava uma visão da disciplina,a sua importância no contexto do curso,
    ainterligação outras. Após dava a litertura da disciplina e indicava os livros que ele seguia e sugeria entrar com a
    editora e fazer um compra conjunta com desconto..
    Na segunda aula ele fazia uma discussão repondia sobre a disciplina,como eram as provas e os trabalhos e os
    critérios das notas.e já indicava os capítulos deviam ser lidos para a aula seguinte quando ele fazia uma discussão
    em sala sobre os conceitos
    E assim sucessivamente.
    Nós adorávamos esse professor. No fim do ano fizemos um festa para ele.

    Mauro Ostronoff

  8. não consegui achar o livro em pdf (dos milagres da internet). se tiver disponível, disponibilize, por favor.

  9. Ola’, colegas,

    Na teoria da “reader response”–“resposta do leitor”–que esteve em voga ha’ uns 25 anos, se dizia que por muitos anos o foco do estudo era o livro, depois que era o professor (ou a teoria). Naquele momento, a atencao tinha se voltado ao leitor como aquele/a que faz o livro ter sentido. Nao o leitor individual, mas o leitor dentro de uma comunidade de leitores. Esta comunidade de leitores possibilita que o leitor invidual a “forme” a sua leitura de um texto, como parte de um bem cultural que afeta a todos, e que pode ser entendido e modificado pelo entendimento de todos.

    De todas as teorias com que trabalho, eu acho esta muito produtiva, e acho que ajuda tambem a pensar na nossa situacao como professores. Sim, estou de acordo que ao preparar um curso, organizar como vamos apresentar um livro, uma teoria, temos a autoridade e a obrigacao de organizar esta leitura para admitir o aluno neste “universo” intelectual. Mas o aluno nao recebe a nossa leitura passivamente. Muito pelo contrario. Cada aluno vem ate’ nos de uma comunidade de leitura que tem seus proprios meandros, tecnicas e estilo. E, dentro da propria sala de aula, muitas vezes os alunos se transformam em uma comunidade que resiste a leitura do professor. E’ neste momento que a experiencia da sala de aula se torna extremamente enriquecedora, tanto para os alunos como para o professor, desde que as regras do respeito mutuo estejam estabelecidas a priori. Uma discussao em sala de aula jamais deve cair na violencia e na falta de respeito. A resistencia as ideias que eu trago a sala de aula e’, no meu endender, a melhor coisa de ser professora.

    Mas logicamente, esta resistencia so’ pode ter valor se os alunos –os leitores–ja’ tiverem adquirido certas habilidades, certos conhecimentos, tecnicas, ferramentas, que lhes permitam ver o livro sob estudo de uma forma mais completa, mais sofisticada. Deixar alunos sem preparacao, sem conhecimento, ditar como se pode estudar um livro/teoria, seria como dar a uma crianca as chaves do carro e manda-lo/la ir ao mercado fazer compras.

  10. Ozaí que prazer essa discussão me dá! Estou há tanto tempo no xogunato, sem mestre, sem professor, sem vassalagem política ou amorosa que os professores estranham às vezes, quando me veem autônoma. Por que preciso deles? Só para o protocolo da titulação…talvez, mas o recorte deles que tb. é uma imposição, é importante, às vezes. Triste é observar órgãos como a CAPES exigindo que somete doutores possam publicar, como se eles detivessem o recorte ideal, a linha de pesquisa única para uma pesquisa. Há sempre uma pederastia intelectual, depois insistem na crítica autônoma do sujeito, da ação política, mas nunca da anarquia….Ser facilitador é respeitar o desejo do outro, mas infelizmente o aluno tem de se encaixar no alinhavo da instituição, da organização, da bandeira política, pois senão, ele não é ideologicamente “isso ou aquilo”, como afirma Octavio Paz.. A caminhada é sempre nossa é que os Xoguns afirmam, não se pode caminhar pelo outro: é enfrentar o próprio caminho.

  11. Antonio
    Bom dia
    Presumo que estejamos falando de alunos e professores da graduação. Em geral os alunos do fundamental necessitam em sua maioria a nosso ver amplo acompanhamento, quase que uma tutela permanente; No médio, já existem Escolas e Professores, possibilitando que o aluno se aproprie dos saberes, mesmo porque esses (os alunos) começam a ter seus interesses e objetivos próprios. Concordo plenamente que isso ainda é exceção, mas pressinto que vem aumentando com as possibilidades de acesso a cursos técnicos complementares e graduações. Não conheci professores/as que inibissem o ato de aprofundar e ampliar os conhecimentos, ao contrário todos/as insistiam veementemente que o apresentado em sala de aula precisava ser seguido de leituras complementares. O problema nos parece que continua ainda de acesso a essas informações complementares. Poucos alunos dispõem de recursos para se levar adiante as leituras e fundamentalmente as pesquisas. O livro no Brasil continua distante do leitor. Seus custos são proibitivos e na esteira os salários miseráveis. Observei em minha última graduação alunos que não dominavam ainda as ferramentas da WEB, não sabiam sequer digitar, entregando trabalhos manuscritos (não sei se existe base legal para se solicitar trabalhos digitalizados, online ou impressos a laser?), mas observo que a distância não esta na possibilidade, mas na falta de condições em se manter. Tem (como sempre teve) alunos/as obtendo classificação inclusive para Medicina em instituições públicas e na seqüência desistem, pois não tem sequer para a passagem de ônibus. Quanto à necessidade ou não do professore estar em sala de aula, isso pode variar com a capacidade ou condições de cada aluno. Vários caminhos se abrem. Ficaremos no exemplo de algumas Universidades Americanas, cuja proporção hoje já é de 5 alunos, para um Professor e decrescendo conforme o Curso, chegando de 1 x 1. Esse aluno além de só estudar de imediato já está inserido em pesquisa, trabalhos de campo, envolvido e desenvolvendo projetos e também a certa altura do curso já trabalhando no que ele esta estudando/pesquisando.
    Na conclusão da graduação esses alunos/as já se encontram engajados em programas internacionais onde vão colaborar e trabalhar em outros países, com vistas a adquirir novas experiências. Outro aspecto que merece ser reportado é que nessas Universidades é o aluno que começa a definir o objeto (ou objetos) de seus estudos, rompendo com a nossa tradição academicista de currículo fechado, defindo anacronicamente por Brasília. Vejo, particularmente, o Professor como um orientador, um apoio, podendo se utilizar sistemas de aprendizado mistos. Aulas expositivas só para os interessados, reuniões, encontros, seminários, provas para todos. Possivelmente já existam no Brasil, também esse tipo de estudos, somente que desconheço aonde e em que nível?

    Abraços
    Pedro
    Caxias do Sul, 14 de julho de 2013.

  12. “Mestre não é quem ensina, mas quem de repente aprende.”
    João Guimarães Rosa
    De tanto se esforçarem para explicar (compreender), alguns de repente aprendem!
    Acho que os caminhos mais belos e consistentes ocorrem nestas veredas, onde mestre e discípulo se dissolvem em um único aprendedor.
    Áurea

  13. Mais um demiurgo do hemisfério norte a nos explicar o que ja sabemos, a pôr em ordem nossas ideias… Acredito mais na sua experiência pedagogica, Professor! E sua propria analise da situaçao me parece mais esclarecedora:

    “Hoje, tenho consciência dos limites. Ninguém é capaz de dominar o saber em toda a sua dimensão. Ainda que dominemos ao máximo um determinado conteúdo, há as limitações do tempo disponível, organização e exposição. Há o limite do receptor, ou seja, precisamos considerar o interesse, fadiga, estado de espírito, condições físicas, além dos ruídos comuns na transmissão/recepção – um dos dilemas do professor é que sua mensagem é interpretada individualmente e nada garante que foi compreendida corretamente; muitas vezes, o entendido não corresponde ao dito. Sempre há o risco de a mensagem ser distorcida. Em geral não é possível estudar a obra do autor na íntegra e adotamos o método do corte – esquartejamos e reduzimos ao que consideramos essencial; em vez do corpo por inteiro, damos aos alunos pedaços recortados. Os limites dos meus professores são também os meus.”
    Por minha vez, tenho a impressao que um professor deve ser, ele proprio, um bom leitor, para escolher trechos que retomam e ilustram o desenrolar de argumentos estruturantes da obra e, corolario indispensavel, um bom ator, aquele ator que lança centelhas de entendimento emocional, que dao vontade de ir além, de aceder diretamente ao conhecimento de um precedente “explicador” do mundo, que explicou por escrito o que nos cabe reexplicar oralmente e “no palco”.
    Um abraço,

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