Lições da semana!

banner_xiseminarioAconteceu mais uma Semana de Ciências Sociais na UEM, denominada XI Seminário de Ciências Sociais. Realizada de 21 a 25 de outubro, esta edição teve como tema “Ciências Sociais em Foco: Faces do Brasil no Mundo Contemporâneo”. A Conferência de Abertura “Adentrando o século XXI: as manifestações populares no Brasil hoje”, foi pronunciada pelo Prof. Dr. Lúcio Flávio de Almeida (PUC/SP). As mesas-redondas tiveram como expositores o Prof. Dr. Alexandro Dantas Trindade (UFPR) e Profa. Dra. Simone Meucci (UFPR), com o tema “Duas interpretações do Brasil: Freyre e Florestan”; a Profa. Dra. Catarina Morawska Vianna (UFSCar) e o Prof. Dr. João Rickli (UFPR), com a temática “Antropologia do Desenvolvimento e Globalização – Diálogos entre o local e o global”; e, a Profa. Dra. Virginia Fontes (UFF e Fiocruz-RJ), que expôs o tema “Brasil e América Latina – A questão do desenvolvimento e a crise do Capital”. Além destas atividades, foram realizados vários Minicursos, Grupos de Trabalho e a apresentação e debate do vídeo Campus Restrito, realizado por estudantes da UEM.

Organizar um evento dessa amplitude não é tarefa fácil. Sua realização só foi possível pelo esforço conjunto da coordenação, estudantes e o suporte técnico da secretaria do Departamento de Ciências Sociais. Parabéns, portanto, à Denise Montanher, à Profa. Eide Sandra Azevedo Abreu, ao Prof. Fagner Carniel, André de Oliveira Gerônimo, Camila Galetti, Eduardo Oliveira de Almeida, Francieli Martins Batista, Rafael Adílio Silveira dos Santos, Samanta Elisa Martinelli e Stefany Ferreira Feniman. O apoio dos órgãos internos e de instituições externas, especialmente no que diz respeito ao financiamento, também foi fundamental.

Eventos desta natureza exigem muita dedicação e dispêndio de energia física e mental. São desgastantes e estressantes para quem tem a responsabilidade de cuidar dos mínimos detalhes, mas são importantes para o diálogo entre as diversas áreas do saber no campo das Ciências Sociais e fundamentais no processo de formação intelectual, tanto dos estudantes quanto dos docentes. Esta opinião, porém, parece não ser compartilhada por muitos. É visível a ausência da maioria dos professores e boa parcela dos alunos. Por que isto acontece?!

Nestes anos, tenho observado que a presença está vinculada ao tema em questão e ao fato de quem é o(a) expositor(a), além de aspectos ideológicos e concernentes às áreas. Claro, os interesses são diversos e parece natural que as pessoas apareçam apenas quando se interessam. Contudo, considerando-se o fato de que a semana é promovida pelo departamento, que as aulas são suspensas no período, etc., parece não ser exagero esperar maior participação do corpo docente e discente. Maior comparecimento também expressaria mais reconhecimento ao esforço gigantesco da comissão organizadora e da instituição para realizar o evento.

Não pretendo dar lições a ninguém nem muito menos julgar ou ditar regras, mas pessoalmente considero que a participação é uma obrigação moral e, mais do que isto, uma possibilidade impar para aprender e aperfeiçoar a autoformação, a qual concebo como um processo permanente. Nesta semana, em especial, percebi uma das lacunas da minha formação e fui instigado a refletir sobre as relações, sempre tensas, entre ciência e ideologia. Por outro lado, mais uma vez ficou patente o risco do nosso discurso sociologuês, político-ideológico tender ao isolamento, à pregação no deserto e/ou à minoria dos convertidos. De qualquer forma, a avaliação geral é positiva. Agradeço aos convidados, aos organizadores e aos que compareceram e se permitiram compartilhar esta experiência. Sim, valeu a pena!

3 comentários sobre “Lições da semana!

  1. Antônio
    Boa noite

    Lições da Semana

    Participei enquanto aluno da Universidade local – Caxias do Sul – pretérita e modestamente de algumas semanas acadêmicas, bem como de seminários, colóquios, encontros, etc. os quais entendo a nível pessoal tenham sido proveitosos. Não saberia informar qual teria sido o grau de participação, mas atrevo-me afirmar que a maioria do corpo docente e discente em regra se fizeram presentes em tais eventos.
    Pode que muitos lá estivessem com interesse calcado somente no “certificado” o qual ainda contava pontos em todo e qualquer concurso público. Imagino que essa amplitude atualmente esteja reduzida ao magistério o que pode ter inflectido nesse interesse específico, reduzindo-se em conseqüência nas participações.
    Nos anos 80 – ingressei em 1980 na Graduação, mas a estratégia é anterior – a realização de muitos encontros também tinha em conta a questão da redemocratização do país, não raro sabíamos que esse era um dos preciosos momentos que o encontro de alunos de todo o curso seria possível, por isso o esforço conjugado de muitos professores e alunos para que o evento lograsse conseguir o aval da Reitoria, da Direção do Centro, da Chefia do Departamento para sua realização. Em 2000 quando retornei para minha última graduação encontrei outra novidade a interdisciplinaridade, ao menos presente nas Licenciaturas, onde havia também a cada semestre um Seminário aberto a todos os interessados para se discutir temas pertinentes a todos os cursos de Licenciatura, além obviamente da tradicional semana acadêmica, entre outros simpósios.
    No que tange a organização depreendo de tuas considerações que algumas pessoas se envolvem ao extremo, sobremodo nessa, situação que deve ser comum a todo evento. O que frustra realmente os que organizam e mesmo os que participam é por vezes a baixa presença e talvez desinteresse da maioria.
    Penso que por vezes projetamos nos outros nossas expectativas e depois no curso da atividade e ao final ficamos magoados, frustrados, revoltados com o “descaso” da maioria. Entendo pois que é hora – quanta pretensão – de revermos isso. Nossas expectativas são nossas e não dos outros. Ao assumirmos o risco temos que ter em conta as diversas possibilidades e uma delas é o direito dos outros a não participação. Outra questão refere-se a objetividade de tais encontros, de que adianta discutir certos temas e assuntos se nós mesmos a posteriore os ignoramos. Vejo nos debatedores um esforço hercúleo em apresentar suas conclusões, quando a alguns de nós interessa somente conhecer os fatos e diante deles nos posicionarmos. Exemplo concreto é a leitura – conclusões – que os bolchevistas fazem do Movimento Operário Brasileiro, para os libertários (onde me incluo) essas conclusões são totalmente dispensáveis, porém as fontes documentais são de imprescindível conhecimento para todo e qualquer pesquisador que se interesse pelo tema.
    Paradoxalmente nesse momento ao contrário de minha vida acadêmica evito ao máximo participar de encontros, pois vejo carência de coerência, ou seja, se prega muitos valores, objetivos, metas e logo percebemos que os que estão ai a falar não praticam tais atos. Nosso Sindicato promove em todas reuniões do Conselho – reunião dos Delegados Sindicais – um momento de formação, geralmente com a presença de preclaros pós Doutores – confesso que não encontramos ainda a fórmula para a factibilidade dos discursos proferidos, tanto dos que falam, quanto dos que houvem.
    Em suma acho particularmente que temos que nos preocupar menos com o eventualismo e mais com o lado objetivo dos encontros.

  2. Tenho visto o tipo de esvaziamento que vc aponta em minha universidade. Isso parece estrutural e, em si mesmo, deveria ser objeto de reflexão. E, sim, concordo que a maioria de nossos pares só fala para os pares e só espera reconhecimento dos pares. A própria ideia de relevância de área e suas conexões com a sociedade deveria ser objeto de questionamento. Afinal, a universidade pública é paga por impostos da maioria que na frequenta. A torre de marfim, particularmente em Humanidades, é um contrassenso. Abs, Alexander

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