Encontros e desencontros

“A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
(Vinicius de Moraes)

Praia do Jacaré (Cabedelo-PB). Foto do autor, em 04 de janeiro de 2018.

Há encontros que são decisivos, transformam vidas e deixam marcas indeléveis – como tatuagens gravadas na alma e inscritas no corpo. Desencontros também! Há encontros intensamente desejados que desencadeiam ondas de ansiedade. Se realizados, a alegria transborda para o estado de êxtase. Porém, quando frustrados produzem feridas que teimam em não cicatrizar e permanecem abertas por longo tempo. Há desencontros inexplicáveis que se alimentam de aparentes encontros na mesmice do cotidiano.

Desencontros decepcionam e nutrem a saudade que não cabe no vazio do ser; sofrimento que não se esvai e persiste. Desencontros podem ser felizes acasos que não nos desvia do rumo e nos mantém a salvo das ventanias e tormentas. “Eu estava em paz quando você chegou” (Nando Reis). Sim, há encontros que nos rouba a paz, nos lança na desrazão e no mundo de ilusões. Encontros que nos cegam, mas, paradoxalmente, nos lança no mar agitado da paixão, num turbilhão de sensações que nos faz sentir vivos e viver a vida plenamente. Há encontros que anunciam desencontros, despedidas não pronunciadas, adeus que paira no ar, mas que reconhecemos nos gestos e no olhar. A paz cede lugar ao desassossego, à guerra que atormenta e adoece a alma. Melhor seria o desencontro!

A vida é repleta de encontros e desencontros. Planejados ou frutos do acaso, são eles que definem os nossos caminhos. O que somos, quem somos, tem muito a ver com quem nos relacionamos nas veredas da vida. Vínculos afetivos que reforçamos, rupturas dos laços que nos aprisionam, rompimentos que causam sofrer mútuo. Encontros e desencontros que nos forjam e nos determinam. Acasos que nos desviam da rota e nos desafiam.

Novos encontros nos fortalecem. Viagens propiciam encontros com o desconhecido, experiências que enriquecem, geram identificações e, nas diferenças e semelhanças, reforçam a consciência da condição humana. Novas amizades, novas formas de ser que interagem e questionam nossos hábitos e certezas. Aprendemos na convivência com os outros, desvendam-se nossos limites. Nos reconhecemos na reciprocidade. Quando retornamos, sabemos que não somos mais os mesmos. Em nós carregamos os que nos dedicaram afeto e atenção. A lembrança é a forma de gratidão e reconhecimento do quanto fomos transformados. A despedida sela o encontro, a distância não separa. O adeus anuncia a saudade que nos ata. O encontro permanece como possibilidade do reencontro!

Há encontros que anunciam novos encontros; há desencontros que consolidam separações e outros que alimentam a ansiedade de novos encontros. Nada sabemos, o importante é se manter aberto aos encontros, apesar dos desencontros. Sabemos apenas que nos dirigimos para o encontro final. Todos os trajetos nos levam ao mesmo destino. Neste caminhar, independente dos caminhos diferentes que percorremos, provavelmente o encontro mais importante seja o encontro de si. Retornar às raízes é uma forma de encontrar a si mesmo diante dos tantos desencontros que a vida proporciona!