Angústia do ser

Nós somos como o personagem Raskólhnikov da obra dostoievskiana.* Somos seres cindidos, atormentados pelas necessidades do presente e a consciência da utopia. Desejamos o que está além das nossas forças e nos atormentamos pela certeza do inalcançável. Fazemos exigências à vida, aos outros e à própria humanidade, mas somos incapazes de realizá-las. Raskol significa cisão e Raskólhnikov é um homem dividido entre a moral que imagina nobre e o sofrimento pelo ato cometido. Como Raskólhnikov, somos seres cindidos entre o presente e o futuro, entre o laborar necessário para reproduzir as condições do viver e a incerteza do resultado. Invariavelmente nos perguntamos: Prá que?! Por que?!, se nada do que faço me acompanhará? Somos seres atormentados entre a angústia de viver plenamente o presente, com todas as nossas energias, e a certeza da finitude que pode nos alcançar no próximo segundo, sem aviso prévio.


* DOSTOIÉVSKI, F. Crime e castigo. São Paulo: Editora Nova Cultural, 2003.

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