Existe um guia de leitura para a esquerda?

Essa pergunta me faz lembrar uma cena do filme Rosa Luxemburgo.* Na prisão, a revolucionária conversa com a sua carcereira, que a admira, e indica um livro de um dos maiores escritores russos, autor de Ana Karenina: Tolstoi. A sua interlocutora, mulher simples, inteligente e interessada em literatura, questiona a indicação, afinal a Alemanha estava em guerra com a Rússia. Rosa Luxemburgo, prisioneira do governo alemão, demove-a de tais pensamentos. Um grande escritor está acima das nacionalidades e das opções políticas do leitor.


* Rosa Luxemburgo (Alemanha, 1986, Direção: Margarethe von Trotta).

4 comentários sobre “Existe um guia de leitura para a esquerda?

  1. Caro Professor Ozai, Concordo com você. Mas o que noto é exatamente o contrario. E a frase de Rosa Luxemburgo nao vai além de uma afirmaçao peremptoria, à qual falta uma justificaçao. Um grande escritor é alguém que realiza o milagre da arte, que é estar profundamente fincada numa realidade precisa, local, detalhada e, sobretudo, viva. Ao mesmo tempo, ela abriga as mais longinquas formas da vida humana, permitindo a pessoas de culturas as mais diversas, se reconhecerem nos personagens criados pelo autor e viverem com ele seus dramas e alegrias. E, finalmente, um grande escritor é alguém que aspira o leitor para esse outro lado do espelho que abre para o infinito da ficçao. Um abraço,

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  2. Essa pergunta é fantástica, pois também leva ao questionamento do que é ser de esquerda. Alguns acham que ser de esquerda é decorar alguns livros “sagrados” da tradição marxista. Gostaria de saber quais livros Marx indicaria para esses leitores. E também resta saber em que medida um guia de leitura pode fortalecer a adesão política às bandeiras da esquerda.

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    • Jonas, muito obrigado por ler e comentar. Concordo plenamente com as suas palavras. Conheci pessoas que resistem a ler e estudar outros autores para além dos “livros sagrados”. Se dizem marxistas, mas fazem o contrário. Marx lia os autores que divergia, inclusive para refutá-los. Sobre a segunda questão, penso que a leitura pode influenciar a favorecer a adesão à militância no campo da esquerda, mas não é um imperativo. Por outro lado, as leituras podem se restringir meramente ao academicismo, sem qualquer consequência prática que se traduza em adesão política á esquerda. Grande abraço e tudo de bom

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