Revolução, inquisição e revolucionários profissionais

As revoluções promoveram novas inquisições de caráter político. Quantos crimes foram cometidos em nome de Deus e/ou dos mais belos ideais que motivaram homens e mulheres a lutar contra as tiranias, a miséria e injustiça humanas?! Por que as lutas pela justiça, liberdade e igualdade geram novas injustiças, novas formas de tirania e desigualdade, ainda que a retórica dos novos donos do poder preguem o contrário e os governados acreditem piamente que estão a construir o paraíso na terra?!

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O questionamento da política institucional partidária não é novidade: os índices de votos nulos, brancos e dos que se abstém de votar, indicam-no; a exígua votação que os partidos de esquerda de filiação marxista e socialista também precisa ser levado em conta. A verdade, porém, é que, em geral, as vanguardas não se preocupam com isto, pois as eleições são concebidas apenas como um dos momentos privilegiados para a propaganda ideológica. Eles se preparam para a revolução, para dirigi-la. Veem-se como revolucionários profissionais, sinceros profissionais da revolução em suas casamatas burocráticas. Quem ousa duvidar da sinceridade revolucionária, ainda que alguns se percam no pragmatismo e a sua práxis política negue o discurso e teoria professados?

2 comentários sobre “Revolução, inquisição e revolucionários profissionais

  1. Bom dia, Antônio Ozaí! Gostei muito da questão proposta. Essa inquietação é presente em minha leitura dos referidos fatos também.

    Gilberto Gil expressou em verso: “Que contradição, só a a guerra faz nosso amor em paz”.
    Temos alguns intelectuais que não se filiaram devido ao impulso “guerrilheiro” dos esquerdistas. Quem quer um mundo igual, às vezes, é uma personalidade que não concorda que os fins justificam os meios. Talvez um centro de se pensar uma conduta ideal na política seja, por exemplo, Mandela (sso, na minha opinião de leitora eventual de sociologia). Na literatura, todos aqueles que fazem do leitor uns novos olhos, melhores, após a vivência estética (implicitamente humana) com a obra.

    Abraço e bom domingo!

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