É biológico ou cultural?

NENHUMA A MENOS – Ato de repúdio ao feminicídio, 01/02/2020 (Foto do autor)

Outro dia confundi “André” com “Andréia” e enviei um e-mail com uma imagem anexa: uma rosa. Homens não recebem rosas, está socialmente convencionado! Mas será que isto tornou “André” menos homem, considerando-se que seja heterossexual?! Será que anula a minha intenção de desejar os parabéns e feliz aniversário? Devemos sempre seguir as imposições sociais?

Por coincidência, no dia anterior participei de um debate sobre a “questão de gênero”. A palestrante defendeu enfaticamente que o sexo é cultural. Para ela, somos homens ou mulheres devido aos valores que a sociedade nos impõe desde o momento em que estamos no ventre das nossas mães. Um dos presentes, com muito cuidado, ousou argumentar que somos biologicamente diferentes. A discussão esquentou e parte das mulheres presentes reagiu com veemência. O homem foi tratado como um machista empedernido, mas escapou ileso!

De outra feita, envolvi-me numa discussão acirrada sobre a tendência “natural” da mulher ser mãe. Em vez de ficar quieto, apoiei o argumento de que ser mãe é uma questão cultural e social. Desde crianças as mulheres são ensinadas a valorizar os valores maternos e a se comportarem como “mães”. E a religião contribui muito para isso. Mas será que ser mãe é uma questão genética, quer dizer, está inscrito no corpo desde o nascimento?

É cultural ou biológico? Talvez seja ambos. Ou seja, ainda que as determinações sociais e culturais sejam fundamentais, devemos também considerar os aspectos biológicos. Ou não?!

4 comentários sobre “É biológico ou cultural?

  1. Piaget define que a representação dos objetos e dos eventos que ocoŕrem a nossa volta, a partir de 18meses, praticamente define o nosso estar no mundo. O acúmulo cultural que nos é apresentado desde então é a fonte dessa dinamica. O ser humano , diferente dos animais, pode rever em dado momento de sua vida o que recebeu. As vezes nos rendemos porque bancar o contrario exige muito investimento emocional.

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  2. Acredito que existe uma pressão sobre a sexualidade. Aliás, tenho certeza. Há, realmente, a condução do menino a gostar de carrinhos, muitas vezes não chorar etc. Acho até que, muitas vezes, essa pressão tem efeito adverso, conflitos terríveis e perda de equilíbrio do sujeito. Mas sou totalmente contra essa ideia de que ninguém nasce homem ou mulher, mas torna-se homem ou mulher. Acredito em algumas ponderações sobre essa apologia da “determinação” adquirida culturalmente. Muitas questões, acredito eu, tornam-se frágeis com a observação empírica, sem necessidade de aprofundamento. Por exemplo, tenho cá com meus botões que há, de fato, o instinto materno. Vemos entre os animais isso. Com exceções, é claro, mas a maioria dos animais recebem a proteção da mãe de modo instintivo. Isso, pra mim, já é um ponto de polêmica com a ideia de que o papel e o sentimento da mãe são condicionados culturalmente.

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    • Boa noite. Muito obrigado por ler e comentar. O tema é polêmico. De qualquer forma, penso que os determinismo biológicos e/ou culturais são extremos. Uma sugestão de leitura sobre o tema é: HRDY, Sarah Blaffer. Mãe Natureza: uma visão da evolução: maternidade, filhos e seleção natural. Rio de Janeiro: Campus, 2001. Claro, além da Simone de Beauvoir (“O segundo sexo”). Abraços e tudo de bom

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