Do horror humano

“Travesti sem-teto tem 40% do corpo queimado e braço amputado após ataque no Recife” (FSP, 28/06/2021).*

Segundo a reportagem, assinada por Dhiego Maia:

“Um rapaz de 17 anos jogou álcool em seu corpo com o propósito de queimá-la e matá-la, segundo apurou a Polícia Civil. As chamas se alastraram rapidamente pelo corpo da vítima, causando queimaduras graves no abdômen, no tórax, nos braços e em uma das pernas. Roberta teve 40% de seu corpo queimado.”

Por que? Por que o jovem agiu dessa forma? Quem é ele? Nada justifica o seu ato, mas precisamos compreender. A idealização do ser humano, de uma suposta bondade natural, revela-se uma ilusão. Sim, o ser humano é capaz de ser solidário e até mesmo de gestos sublimes como se sacrificar por um sentimento altruísta. Mas também é capaz de praticar atrocidades e horrores que escapam à nossa compreensão.

Por que este tipo de violência persiste? Na mesma reportagem, reafirma-se números estatísticos de uma realidade que, infelizmente, nos coloca entre os primeiros países em termos de violência de gênero:

“O Brasil é considerado o país que mais mata pessoas transgênero entre as grandes nações, de acordo com rankings internacionais. Em 2020, foram contabilizados 175 casos de assassinatos entre pessoas trans e travestis no país –alta de 41% em relação ao ano anterior. Nos quatro primeiros meses deste ano, outras 56 mortes violentas foram registradas, de acordo com mapeamento da Antra.”

A versão digital desta triste notícia contém imagens, igualmente tristes, de seres humanos como Gisele Carvalho de Lima, 20 anos, que chora de saudades da família que a expulsou de casa. Infelizmente, muitas vezes a incompreensão e a violência tem início justamente onde deveria haver apoio, compreensão e amor.


* Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/06/travesti-sem-teto-tem-40-do-corpo-queimado-e-braco-amputado-apos-ataque-no-recife.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsfolha

6 comentários sobre “Do horror humano

  1. Querido Toninho,

    como vai? Como está a família? De que maneira estão atravessando a pandemia? Espero que com saúde.

    O tema da postagem é terrível e urgente. Enquanto vc publicava já ocorreram novos casos. O ser humano tem essa enigmática (?) dualidade. Solidário e empático; cruel e intolerante. Vivemos com essa permanente (indissociável?) dupla face ou uma mesma face de duas possibilidades. No mundo atual ganham mais destaque as notícias do nosso lado cruel (através de políticos tiranos, genocidas, carregados de espírito belicoso, ou de ações individuais e grupais chocantes como a que vc menciona). Estarão prevalecendo?

    Um grande abraço, cuide-se muito. Lembranças à Dôra.

    Didice

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    • Bom dia! Estamos bem, na medida das possibilidades. Espero que você também esteja bem. Sim, concordo com suas palavras. O ser humano é complexo e contraditório. Mas me parece que no mundo atual prevalece o lado cruel, intolerante e propenso aos horrores. Especialmente em países como o Brasil. Claro, existe a contraposição a tudo isto. Nos piores contextos de opressão e intolerância, houve indivíduos que expressaram solidariedade e empatia, mesmo sob o risco do própria vida. Por outro lado, no que diz respeito à questão em pauta, infelizmente é recorrente. E no Brasil pós-2018 a violência de gênero, incluindo o feminicídio, tem sido mais frequente. Vivemos tempos sombrios. Obrigado por ler e comentar. Beijos e tudo de bom

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  2. Ozai, ainda bem que você tem a força e a competência para compartilhar essa noticia tao pesada. E se houver mais dados que ajudem a entender a monstruosidade de que somos”humanamente” capazes, espero que você continua a tentar nos ajudar a entender.

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