Reflexões sobre a religião

1. As minhas leituras levaram-me a concordar com o argumento de que o monoteísmo tende à intolerância, na medida em que exige fidelidade a um ÚNICO DEUS que não admite concorrentes – aliás, o Antigo Testamento é a sua maior prova. O politeísmo é mais democrático.

2. O proselitismo religioso é intrínseco à religião, na medida em que é preciso manter e/ou conquistar novos fiéis. Em si, não é um problema. Mas quando acompanhado de posturas intolerantes e excludentes de outras manifestações religiosas – ou mesmo não religiosas – contribui para fortalecer o espírito de seita, o fanatismo e o ódio. Então, as consequências são graves, dificultando a convivência, o respeito e a paz.

3. A intolerância religiosa não é um conceito, mas um fato da vida real. A realidade cotidiana – e histórica – está repleta de exemplos neste sentido. Infelizmente.

4. É questionável se o Brasil é um país “multirracial” e “multicultural”. Não seriam tais conceitos uma forma de mascarar a realidade racista e culturalmente intolerante? Por outro lado, a diversidade – admitindo-se os aspectos multiculturais e raciais – não é, necessariamente, antídoto à intolerância. A dificuldade de aceitar o Outro, o diferente, é um aspecto da “diversidade”.

5. Investir em processos educacionais que fortaleçam uma cultura de respeito é o caminho mais promissor para coibir a intolerância religiosa. Também é fundamental que as autoridades religiosas atuem nesta perspectiva. Além disso, fortalecer a laicidade do Estado é fundamental para que todas as manifestações religiosas possam se manifestar livremente.

5 comentários sobre “Reflexões sobre a religião

  1. Grande Ozaí,
    Eu me identifiquei com as tuas reflexões sobre religião.
    Na minha opinião, a intolerância religiosa está relacionada ao racismo, pois as religiões de matriz africana são as mais atingidas pela intolerância por parte de fieis às religiões cristãs e outras.
    Embora a população afro-brasileira represente uma grande parcela da população brasileira, percebe-se que as populações negras não seguem as religiões de seus ancestrais. E por que?
    Abraço
    .

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  2. Saudações, prezado Ozaí. Permita-me discordar. O Monoteísmo não necessariamente leva a intolerância. É preciso compreender os motivos da revolução monoteísta do séc. XIV a.c. O Egito, conseguiu com o monoteísmo, combater à idolatria. A cultura hebreia atribui a este Deus o caráter de Absoluto Alterativo, aquele que não podemos sequer dizer o nome, de tão Outro. Desta feita, o único Deus que pode ser adorado é o Outro. E o cristianismo põe a cereja no bolo, de que a única forma de adorar e prestar culto legítimo a este Deus é pelo amor ao outro que se vê. Assim, apesar das deturpações, o Monoteísmo é o combate idolatria, que permite que seres humanos atribuam caráter de divino às coisas terrenas, igualando toda a criação, todas as pessoas como irmãs umas das outras, impedindo o fetiche. Karl Marx compreende bem esta importância e isso faz parte da estrutura de seu pensamento. Espero ter contribuído. Abraço

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