Usos e abusos do e-mail

Vivemos numa época em que muito se fala e pouco se entende; em que muito se escreve e pouco se comunica. É um tempo onde o excesso de informação satura os espíritos mais pacientes; uma época em que a dificuldade maior é separar o joio do trigo e aproveitar minimamente os gigabytes de dados que enchem nossas caixas postais e outras coisas mais que a boa educação não permite nomear.

“Quem não se comunica se trumbica”, já dizia o Chacrinha. Em nossos dias ampliou-se de forma gigantesca os meios de comunicação. Proporcionalmente, aumentou a possibilidade de se trumbicar. Comunicar, nos ensina o Aurélio, tem origem no latim communicare, que significa, entre outros termos, fazer saber; tornar comum; participar; estabelecer relação. Ora, só posso tornar comum o que diz respeito ao outro e é legível e inteligível.

É interessante que comunicar também tenha o sentido de dar, conceder, doar. O ato comunicativo tanto pode ser impositivo quanto partilha. Compartilhar é usar em comum, é participar de, tomar parte em. Uma informação compartilhada é aquela que estabelece uma relação comum entre o transmissor e o receptor; significa que tem significado para ambos; é uma mensagem que acrescenta e tem um sentido positivo.

Boa parte do que recebemos via e-mail não é partilha, mas imposição. É simples: o remetente adota o pressuposto de que sua mensagem é de fundamental importância e não se pergunta se é do interesse do destinatário.

Há os que são militantes internautas profissionais cuja função é simplesmente nos encher de mensagens, congestionar o tráfego eletrônico. Como messiânicos e idealistas, imaginam transformar o mundo na proporção das mensagens enviadas.

Há os que se arrogam o direito de determinar que sejamos suas correias de transmissão. Crentes de que expressam a redenção humanidade, elegem-nos como potenciais divulgadores das suas mensagens. Esquecem de pedir “por favor”; parece-lhes que temos obrigação de passar adiante o que nos enviam. Não questiono a mensagem em si, mas o procedimento.

Há os que pecam por ingenuidade, por desconhecerem os mecanismos para o bom uso do correio eletrônico ou por simplesmente não pensarem sobre os próprios atos.

Para alguns casos não há solução possível senão o bom senso para evitar os excessos. Se você é uma pessoa que se identifica com ideais à esquerda, precisará de mais paciência e sensatez, pois não será tão fácil bloquear remetentes que são seus companheiros, ainda que você os conheça só por e-mail. Mas, cuidado: se você protesta contra o excesso de mensagens, de anexos etc., poderá ser ganhar algum rótulo nada agradável e até gerar inimizades virtuais.

Seja ainda mais paciente com o terceiro tipo: eles não sabem o que fazem! Mas, não saia por aí ensinando lições que não são solicitadas. Podem achar que você é muito pretensioso. Use simplesmente o bom e velho procedimento de deletar ou os filtros anti-spam.

Se você é íntimo do seu interlocutor e tem certeza de que ele não ficará magoado, faça algumas sugestões. Peça que controle a compulsão de usar o recurso forward (encaminhar). Explique que a possibilidade de outras pessoas terem a mesma idéia é muito grande. O circuito das pessoas com áreas de interesses comuns que se comunicam via internet é enorme e isto gera uma situação nada agradável: receber várias vezes a mesma mensagem e de endereços diferentes. E se ele insiste em usar o “encaminhar com cópia”, peça que envie “com cópia oculta” (CCO): é uma forma de dificultar o proteger os emails, além de evitar aquelas mensagens com listas imensas de nomes e e-mails. Em suma, precisamos aprender a utilizar melhor a tecnologia e evitar transtornos para todos.

4 comentários sobre “Usos e abusos do e-mail

  1. Concordo com o Leandro… a Internet nos toma o tempo que deveríamos dedicar a atividades mais “produtivas”!!!O que faço para evitar os spams??? Filtro e procuro não julgar os remetentes… afinal… tenho a convicção de que são bem intencionados!!! Sõ não gosto mesmo daqueles e-mail com arquivos de slide e mensaginhas bonitinhas!!! rsrsE claro… tbém uso da ferramenta dos e-mails para divulgação… afinal… “quem não se comunica… ” rsrs

  2. Oi Ozaí!Li os seus textos sobre os ossos do oficio na vida do editor, mas fazer um curso de creative writing no exterior me despertou pra essa profissão. Com todo o perdão da ignorancia, o que é preciso (academicamente) para virar um editor?Obrigada, Eda

  3. Eu tenho três contas de e-mail e dois perfis no Orkut, fora a minha conta do hotmail que criei para usar o MSN Messenger com todos os seus recursos. Fora a conta do Skype. Além disso participo de inúmeras listas de discussão, algumas pela minha conta do Yahoo, outras pela minha conta do GMAIL. Geralmente para os serviços do YahooGrupos uso minha conta do Yahoo, para os serviços do Google Groups uso minha conta do GMail. A política que adoto é a seguinte: o espaço ocupado por qualquer uma dessas mensagens no meu computador é irrisória, então não me importo de receber inúmeras mensagens. Acredito que muitas pessoas sofrem transtornos no uso desses meios de informação por pura falta de familiaridade mesmo. Muitas pessoas cedem suas contas do Hotmail para participar de listas de discussão e não se esqueça que o Hotmail é um serviço de Webmail dos mais limitados. Por que ele não só limita o espaço disponível como não permite o uso de outros serviços, como o POP que permite à pessoa descarregar as mensagens do servidor usando um cliente de e-mail. Eu uso um programa específico para administrar cada uma das minhas três contas de e-mail, que me permite criar filtros que encaminhem as mensagens recebidas através de listas para caixas postais específicas, criadas para cada uma dessas listas. E eu leio só o que me interessa. Então eu não me importo de receber informação que não seja do meu interesse, o espaço que ela ocupa é irrisório, e ela não atrapalha o meu usufruto do serviço. Aceito que ela faz parte do grande mar de informações que eu posso receber todos os dias, e acho preferível ter que me virar para classificar e selecionar o que me interessa do que não poder ter o que selecionar.

  4. Caro Ozaí, Compartilho da sua preocupação, precisei, recentemente, mudar meu endereço eletrônico, dada a quantidade de spans e de listas de discussão em que estava inserido. Estou tentando policiar meu acesso a rede,pois penso que como meio de comunicação e disseminação de informações ela é excelente, mas o tempo que pode nos tomar atrapalha, no meu caso esta atrapalhando, pois a quantidade de informação que temos acesso acaba não sendo sistematizada, dada a sua fragmentação. AbsLeandro

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