Por que choras?! É apenas um jogo de futebol!

Eles ganham milhões! E também as corporações que patrocinam e as TVs que transmitem os jogos. Ainda que eliminados, retornam aos seus clubes milionários. Recebem em euro e dólares. Cada vez mais seus contratos alcançam cifras astronômicas. Seus patrões lucram ainda mais. Eles são os ídolos das torcidas em times que mais parecem uma constelação de nações. Futebol é mercadoria. Ainda assim, torcemos por eles e depositamos em seus pés (cabeças e mãos) as nossas esperanças. A vitória deles é a nossa vitória; sentimos a derrota como se fosse nossa.

PEDRO VILELA AE AE 640

Onze homens em campo parecem sintetizar os sonhos, alegrias e tristezas de uma nação. Diluem-se as diferenças de classe, esquece-se a realidade das injustiças e desigualdades sociais entre os indivíduos e as nações. O patriotismo fala mais alto. Brasileiros, torcemos pela nossa seleção e a favor e contra outras nações, especialmente contra los hermanos argentinos. Se eles se rejubilam com a nossa derrota, nos alegramos com a eliminação deles. Alguns dizem, jocosamente, que perdemos, mas não de quatro. Eles também ironizam: “Brasil 2014!”, foi a manchete do Olé, principal jornal esportivo argentino.

A ironia foi frustrada pela adoção do discurso “Brasil 2014!” na mídia tupiniquim. Os patrocinadores “nacionalistas”, uma certa marca de refrigerante e outra de cerveja que transformou os jogadores da seleção canarinho em “guerreiros, já tinham o “Plano B”. No mesmo dia da eliminação do escrete brasileiro já veicularam os vídeos com mensagens reconfortantes e o adiamento do sonho do hexa para 2014. A farsa “nacionalista” de multinacionais que, em épocas como esta parecem mais patrióticas do que os mais ferrenhos patrícios, passa despercebida. O capital não tem nação, mas interesses. Isso não tem qualquer importância para o nacionalismo de chuteiras que se manifesta com toda a sua pujança de quatro em quatro anos.

O futebol é o ópio do povo; é alienação! O indivíduo racional afirma-o. Se pararmos para refletir, ele tem razão. Não obstante, o choro e a tristeza dos nossos “guerreiros” é comovedor! A despeito de tudo, eles parecem sinceramente sentidos pela derrota. Falam como se representassem a nação, o povo brasileiro. Choram porque falharam em dar alegria a este povo que tanto os idolatram, ainda que com algumas rusgas num ou noutro caso. Esse comportamento é o esperado – nos choca a frieza dos que não sucumbiram ao clima pós-derrota.

A catarse é compartilhada pelos torcedores. As imagens mostram adultos e crianças em lágrimas. Como permanecer insensível? A emoção vem à tona. Eis o mistério do futebol: mobiliza emoções. E emocionar-se também é próprio do ser humano. Fossemos apenas racionais não assistiríamos sequer a um único jogo da Copa do Mundo. Vejo as imagens e compreendo as reações dos que sofrem. Também sou um desses milhões que, racional e emocionalmente, vive intensamente este momento. Estou entre os alienados, como dizíamos na década de 1980! Não choro, mas entristeço-me. Desligo a TV, ligo o computador e a vida retoma a sua rotina.

Na verdade, mesmo os desesperados não podem dar-se ao luxo de alongar a purgação. O trabalho, os estudos, a vida real, etc. são imperativos. Até porque não ganham os eurodólares que os “guerreiros” recebem; nem têm qualquer participação nos lucros dos anunciantes e das redes de TV que vendem o ópio. Este, não é gratuito; pagamos por ele ao consumir os produtos anunciados.

Por fim, ainda nos resta torcer contra os inimigos imaginários, nos alegrarmos com a derrota deles e adiar o sonho que nos vendem – e compramos – para 2014. Não chore, é apenas um jogo de futebol!Afinal, somos brasileiros e não desistimos nunca!

32 comentários sobre “Por que choras?! É apenas um jogo de futebol!

  1. Se jogadores e demais profissionais do futebol dependessem da minha audiência, estariam todos desempregados.

    Acho uma coisa patética estas cenas de desespero quando perde o “time do coração”.

    Nada contra o esporte, muito pelo contrário.

  2. Oi António! Gostei imenso do seu texto.Embora eu não seja brasileiro sofri e chorei com a eliminação da Selecção Brasileira nesta Copa em Africa. De modo que este texto me ajudou a recuperar. Parabéns, Deus o abençoe muito e ao nosso Brasil rumo à Copa de 2014. TF

  3. Fugimos dos problemas que surgem no dia-a-dia, escancaramos nossas frustrações quando perdemos em um “simples jogo”. Não é tão simples assim. Se é ou não ópio do povo, como dizia Marx quando refletia sobre religiões, não importa. Precisamos desse ópio que não é injetável e nem cura dores. Assim como precisamos do circo, do teatro, de novelas empolgantes. Nossa vila é novela, cheia de suspense e violência, de marasmo também. Se se prevalecer o amor valeu a pena ter chegado aos 51, valeu a pena tanto sofrimento; seja pelas dores físicas ou abalos morais. Não coloco isso como alienação.

  4. O Brasil não muda, os brasileiros passam o ano todo cheios de problemas,dia após dia, e basta uma bola rolar… Para que todo sofrimento, seja, Aparentemente, esquecido! rsrsrsr… Uma doce ilusão, visto que, tudo não passa de fórmulas enganadoras televisivas, de se desviar a atenção, do que realmente importa!
    Enquanto isso, em uma entrevista… Onde um cidadão Alagoano ou Pernambucano, retira a lama, algo que sobrou de onde morava… Só, lama, destroços e sua dignidade!
    Um repórter imbecil, que deveria ter no minímo, um pouco de sensibilidade, pergunta: “E o jogo do Brasil, o Sr. vai assistir?”… Em meio ao desconcerto, causado pela pergunta, o humilde Sr. responde: ” Não posso assistir, estou ocupado”! Preciso, falar mais alguma coisa? ( E esta pergunta, foi repetida por uma apresentadora da mesma rede de televisão)… Fiquei indignada… Em meio a tanto caos, uma palavra de conforto, seria mais propícia,e não, perguntas imbecies e sem nexo algum. Os formadores de opniões, e que tem o poder da mídia em mãos, deveriam de envergonharem, e se não sabem o que dizer, deveriam sem receio algum, calassem… Ao invés, de nos fazerem ouvir absurdos como estes, que ouvimos em tempo de copa do mundo. (Obrigado pelo o espaço).

  5. É amigos. Além do futebol o que ou quem mais, tem o poder de diluir diferenças?
    Sonhamos com um mundo sem exclusão. um mundo mais humano.
    De certa forma o futebol, ainda que momentaneamente, “une a nação em uma só emoção” é patrocinado e patrocina diverssão.
    Daí o choro, a emoção. Mas pra que tristeza.. é apenas um jogo, que não combina com lagrimas.Não?

  6. Então…como é dfiícil ter que concordar…mas é issso.
    Entretanto, penso eu, que fazemos vista grossa aos anúncios de decepção. Desde o início os rumores de que não chegaríamos até o fim foi uma constante. Ainda assim torcemos. Coisas do ser humano. Creio que dizer que é um erro, é um pouco demais, mas cada um tem o direito de emitir sua opinião.
    O que vi, foi um grupo de jogadores com um comportamento agressivo e frio, tal e qual seu dirigente. Jogadores com um olhar de ira, e não de esportista. Posso estar errada, e provavelmente estou, pois não sou especialista no assunto, mas é o que sinto. Daí que, sem dedicação, tranqulidade e sem alegria fica difícil.

  7. Só uma coisa a comentar: Eva, falou e disse! rsrsrsrs…

    Futebol é como religião: ninguém entende, mas todo mundo precisa como uma forma de fulga de todos estes problemas citados nos comentários. É como se tudo mudasse, é a esperança de pelo menos um momento de alegria para muitas pessoas. Enfim, nenhum ser humano morre bem se ficar pensando apenas em problemas… problemas, todo mundo tem. E, infelizmente, poucos são resolvidos. Então, vamos aproveitar estes poucos momentos leves que são oferecidos!

  8. Sou uma “assídua” torcedora do Brasil que há cd 4 anos assiste a Copa. Entendo pouco das regras e, principalmente os impedimentos, que só consigo ver nos replays…
    Da seleção só conhecia o Robinho (suposto substituto do Pelé), o Kaká (beleza)e o Lucio porque estava nas outras copas…
    Por mais que seja consciente toda a industria do futebol e q este seja um dos mais eficientes ópios, não consigo deixar de me envolver, comemorando ou chorando…

  9. Muito se diz e pouco se faz! Discursos e mais discursos que levam a doce ilusão, por pouco tempo é claro, de uma vitória, lá no campo mas que fica transformada como a vitória de uma nação inteira.
    Dói mas o brasileiro está acostumado com as lambanças da vida e se recupera porque o pão nosso de cada dia tem que ir para a mesa e a barriga do filho não espera, com ou sem vitória.
    Desfeita a tristeza e seca a lágrima, a esperança se renova e fica adiada para 2014.
    Suas colocações foram excelentes.

  10. O que mais me espanta é a arrogância da mídia brasileira e a petulância de um povo que reduz os seu anseios a um jogo de futebol.Futebol por sinal,que sou apaixonado.E na paixão fica a minha torcida, mas na razão e na fé os meus valores.Mas há algo de errado aqui,o que?Porque não sabemos perder?Porque não valorizamos a luta destes proffissionais?Porque sempre tem que ter um culpado pela derrota?Porque não podem simplesmente perder porque o outro time foi melhor?Porque é tão dificil admitir que o outro foi melhor?Porque nossa mídia massacra os que não lhe são afáveis?Porque aceitamos sem questionar o vômito midiático da ressaca futebolística,que lamenta seus ganhos publicitários e não a frustração de um jogo?Viva o futebol!Viva o povo Brasileiro!Viva o Dunga!Viva a Seleção Brasileira!Troquem a CBF, que resolve a sua dor de cabeça cortando lhe a cabeça!Troquem a emissora!troquem de repórter!Mudem de canal!Os seremos eternos idiotados, manipulados pela crítica massiva,seremos fantoches das instituições e apelos mercadológicos!

    “nom sun solus, sed veritas mecum”

  11. Olá Prof. Ozaí, como vai ?

    Muito bom seu texto, tivéssemos a mesma comoção popular para os assuntos que efetivamente interessam, que mexem de fato com a vida do nosso povo e sua condição de vida seria outra, mas o poder da mídia é gigantesco, cria heróis e os destrói em poucos minutos, cria no imaginário popular que a copa do mundo de futebol é a coisa mais importante da suas vidas, faz de oponentes, inimigos … e assim vai … afinal, vivemos na sociedade do espetáculo, como vaticina Guy Debord !!

    Sds, e parabéns pelo novo visual do blog !
    Nelson Breanza

  12. Olá Antonio Ozaí e leitores,
    Certamente o tema merce uma tese prá dar conta do que existe por tras de todo este cenário. A carencia de expectativas de algo que nos represente condignamente nesse tema de brasilidade poderia ser um dos fatores relevantes…
    Suas abordagens são muito instigadoras, entre elas:
    “Inimigos imaginários”, ás vezes tão poderosos ou mais do que os reais…
    A vida continua, a rotina e o trabalho são “imperativos”…
    O importante é não cair na perene tentação da vida, confundindo o sonho com a realidade.
    Cordial abraço.

  13. olá!

    Não acho muita graça nos jogos da copa , prefiro as olimpiadas.
    concordo com todos os comentarios feitos e quero deixar o meu .
    uma vez que não é possivel fazer o brasileiro deixar de ‘se alienar ‘,chorar e pagar por isso ,a CBF e o proximo tecnico poderiam deixar os jogadores estrelados la onde jogam e investir nos desconhecidos ,quem sabe a vontade de aparecer nao faria com que jogassem com mais raça ,como fez Gana.
    Digo isso pq nao entendi uma frase do Galvão dizendo que o Dunga nao tinha um reserva pro kaká .como assim?
    Quase afogada na minha ignorancia,pensei que todos que vao defender o Brasil tivessem as mesmas condições que os incensados pela midia .Afinal eles tiveram 4 anos pra procurar e escolher os melhores …
    Enfim ,vamos aguardar a proxima!
    Essa sim vai dar pano pra manga,vai faltar espaço para comentarios !
    jogo da copa no Pacaembu?
    Saudações !

  14. Torcer por esse bando de milionários, é pedir muito! Sinto muito!
    As lágrimas são dos inocentes, ignorantes, ceguetas que adoram ver o time argentino de fora porque os pernetas do brasil não conseguiram chegar Lá!
    Uma pobreza só! Lamentável!
    Quanto ganham aqueles “craques” do brasil para darem aqueles chutões looonge do gol?
    Quanto ganha Dunga para esbravejar ao lado do campo?
    Quanto ganha Ricardo Teixeira (um dos indiciados da CPI)??
    Talvez o Juca Kfouri saiba essas respostas… e…
    Quanta ganha cada um daqueles que estão a chorar pelos párias de chuteiras?

  15. Ninguém está chorando pelos jogadores, estes têm sua vida já feita.
    Estamos chorando pelo que eles representam (ou mal representaram) o lugar, de uma mesma bandeira e língua, chamado Brasil.
    Choramos porque sabemos,( mesmo inconsciente) que poderíamos ir mais longe, e mostrado aquilo que sabemos fazer bem, não fosse a interverência, daqueles que por interesses escusos, altos contratos, privilégios vários (vide certa TV) e quetais nos impedem sempre de extravasar o que fazemos com arte e alegria.

  16. Gentes: olhai’, pelo menos podemos dizer que nao perdemos de 4 a zero!!!! Ai, que futebol e’ uma coisa interessante mesmo. Eu ja’ nao gosto de torcer pelo time brasileiro. Muito privilegio pra estes jogadores, muita postura ditatorial besta da equipe tecnica. E, nao vamos esquecer, ja’ ganhamos suficientes copas; a gente deve repartir as coisas com os outros que brincam com a gente, senao, nao tem graca. Este ano, eu teria gostado muito se Portugal ganhasse. Ou Ghana. Agora, ou torcemos pro Uruguay que e’ do nosso continente, ou pra algum time europeu. Tudo e’ festa. Deixem de lagrimas e tolices. Daqui 4 anos tem mais. Se isto nao consolar, leiam Proust sobre o tempo perdido. Quando tiverem terminado o livro, sera’ hora de outra copa! 🙂

  17. Diz, um adágio popular: Não se deve discutir, política, religião e futebol, significando que se trata de um território sacral que aceita discussões superficiais, mas não admite a problematização de seus fundamentos. Fale sobre, mas não aprofunde.
    Adágio Popular? Talvez. Ou seria mais uma “instrução” subliminar, uma prescrição impeditiva da “ordem dominante”, criada para alienar ainda mais o chamado cidadão comum? Uma coisa é real: os preconceitos subliminares reforçados, por anos, incrustam-se no subconsciente das pessoas, transformando-se em verdades indeléveis, difíceis de ser erradicadas. Políticos e governantes já perceberam isto e são hábeis em contabilizar, a seu favor, os eventuais sucessos esportivos. No caso do futebol, o nacionalismo fica exacerbado e a disputa esportiva, se converte numa luta pela soberania nacional, receita infalível para fazer emergir a catarse de impulsos reprimidos e sentimentos ufanistas descontrolados.
    Contrariando o que dizem os seus defensores, o futebol e demais esportes, não são agentes de harmonia, concórdia, tolerância e respeito ao próximo. São, sim, facilitadores do racismo, de irrupção da violência explícita, da emergência dos chamados instintos bestiais e da intolerância radical. No Brasil, serve também para o exercício da prepotência: somos os melhores do mundo e temos os maiores craques de futebol.
    Nada a favor? Talvez o bem-estar que causa aos vencedores, ainda que a custa do sofrimento do adversário; e, principalmente, do prazer obtido com a transgressão das regras previamente estabelecidas. Sendo assim, os braços do fabuloso Fabiano que controlaram a jabulani para fazer o gol no adversário foi a expressão da presença de deus. A mão do francês Henry, foi, para os franceses, a onisciente mão de deus, Maradona idem. O nome deus sempre serviu para justificar tudo: acidentes, acaso, manipulações várias e agora serve também como justificativa para a violação das regras do futebol.
    Some-se às falhas contidas na estrutura das próprias regras: falibilidade de juízes e bandeirinhas, os gols não marcados, as faltas não penalizadas tudo deve ser visto como componente da essência do futebol que, dizem os defensores, sem elas ele perderia a sua autenticidade e tiraria a possibilidade gozosa de xingar as mães do juiz e do bandeirinha por semanas. Um precedente perigoso, capaz de reforçar no imaginário das pessoas, de que o importante é “levar vantagem em tudo”, de vencer em quaisquer circunstâncias.
    Concluo que o ópio do povo não é somente a religião; é também o futebol, notadamente para o Brasil.. Valeu o artigo e o novo visual do blog. Cordialmente, José Pinto de Queiroz Filho

  18. Não vou criticar seu texto. pois o considero muito equilibrado e pertinente. Parabéns pelo blog, Ozai!! Continue nos dando o prazer de uma boa leitura!!!
    edmilsonjotaze

  19. INteressante: notamos sempre que o futebol anima, traduz uma realidade do povo, vie , vibra, èo Brasil !! no entanto o que me amedronta é que fica só nisso. é uma festa, é uma alegria. Mas não entendo como essa ‘milionária empresa futebolística’ consegue atrair milhões em torno de si e dos sistema ? Porque será que ainda repetimos a Roma Antiga e seu circo? Acho que é algo mais além da catarse. o Que será??

  20. Concordo contigo em muitos ponts.
    Entretanto gostaria de dizer duas coisinhas:
    1ª nossa torcida no RS tem muito a ver com o fato de o Dunga ser gaúcho e do grande preconceito da mídia do Rio e São Paulo com os gaúchos. Acho que o Dunga se esforçou e muito.
    2ª em um nosso jornal aqui do sul aparece o povo uruguaio na praça torcendo por sua seleção encarando o desempenho de outra forma, da importância de terem cumprido seu dever, não importando o resultado.
    Acredito que pelo fato de sermos um país continental temos esta questão de rivalidade entre os estados. O Uruguai, um pequeno país, do tamanho do RS, consegue unificar o sentimento de pertencimento.
    abraço
    gostei do blog e participar

  21. Perfeito seu texto Ozaí, é o q eu venho dizendo, nós somos alienados pelo futebol, novelas, filmes. Ninguém fala do Arruda, ficha limpa, o vazamento do petróleo da BP. É apenas férias antecipadas para os jogadores q deixaram de ganhar alguns euros a mais e os brasileiros trouxas mais pobres e mais tristes. Só pra constar: Na minha casa não tem televisão.

  22. Antonio
    Cumprimentos
    Várias são nossas alienações, cuidadosamente trabalhadas pelos detentores do grande capital. Com certeza nossa estima esta em baixa, diante de uma grande expectativa criada e frustrada. Paradoxalmente teremos duas copas mundiais em lugares de riqueza e pobreza extrema. Com o fim do aparthied, na Africa do Sul, os brancos continuam prosperos, enquanto que o desemprego e as mazelas sociais atingem o restante da população, consequentemente e infelizmente os Africanos estão mais pobres. Os Afrodescentes dos EUA e UK também. Nós estaremos a investir milhões em estádios, hotéis e serviços voltados prioritáriamente ao desporto. Enquanto isso saúde, educação, habitação e transporte publico agonizam. Fico na dúvida até quando e o quanto suportaremos inertes esse fato.
    Um abraço
    Pedro

  23. Olá Ozaí e leitores,
    Como uma estranha no ninho, encaixo-me no perfil dos “racionais” descrito no texto. Acho exageradas e um tanto alienadas da realidade as reações positivas e negativas quanto ao desempeho de jogadores, técnicos e times de futebol. Vejo, mesmo, como uma afronta à pobreza que grita todos os dias nas ruas, com suas crianças, velhos e adultos revirando lixos, comendo as sobras sentados no meio fio, enquanto o país de quem tem uma vida mais digna, está em total catarse na frente da televisão.
    Não importa se as emergências dos hospitais estão superlotadas, se ainda existe escravidão no país ou se o desemprego está nas alturas. A cada telejornal que assistimos, mesmo não sendo em época de Copa, um tempo desproporcional é reservado a notícias sobre futebol, com as devidas chamadas e vinhetas dos patrocinadores.
    Me pergunto como, um país com tantos contrastes não percebe os interesses econômicos por trás de tanta propaganda.
    Saudações a todos.
    Eliane Numair

  24. Terminada a participação do Brasil na XIX Copa do Mundo com sua eliminação nas quartas-de-final, verificamos o pesar, a decepção e comoção dos milhões de brasileiros que lotaram aquele belo ônibus que transportou nossa Seleção na África do Sul.
    Agora, surgem os radicais e fartos conceitos naturalmente propalados pela mídia que me instigam à reflexão menos emotiva e mais serena – que a bucólica Ilha de Paquetá no Rio de Janeiro me propicia – para conceber um prognóstico sobre o futuro do futebol brasileiro.
    Entendo, como treinador profissional de futebol (curso ABTF), que as condutas táticas esquemáticas contemporâneas não fazem mais a diferença, considerando: a ultra valorização individual do jogador em detrimento da capacidade interativa do conjunto; dos que vivem e jogam no exterior (alguns adotam nova nacionalidade) e quase todos formam a nossa Seleção; do pouco tempo disponível para o Treinador estabelecer o adequado preparo de uma Equipe eficiente: técnica, tática, coesa, com equilíbrio emocional e disciplinar…
    Para a Copa de 2014 o Ministério dos Esportes e em particular a CBF devem estudar e estimar novo paradigma na arte de praticar o futebol; o atual modelo não será capaz de contribuir para obtermos resultados probabilisticamente satisfatórios para a reconquista da hegemonia no virtuoso Futebol Canarinho.
    Já existem novos conceitos voltados para a excelência competitiva sob condutas inovadoras que me parecem adequadas, pois tratam de trabalho investigativo, multidisciplinar, com o emprego da cientificidade (futebolciencia.com) – uma esperança para tornar a conquista do HEXA uma feliz realidade…

  25. Parabéns pelo texto, foco e os comentários! Realmente, estava procurando entender todo o processo que envolve a dinastia do futebol e a copa do mundo. Os meios de comunicação, o mercado, o foco das noticias e grande mídia, tal como a RBS. Todos voltados ao resultado de e desempenho de jogadores, times e uma torcida que estão ganhando muito e desenvolvendo uma atividade de oportunidade restrita. Enquanto, tantos nem tem oportunidade de comprar o essencial para se alimentar.
    O choro, a organização e os olhos na expectativa de vitoria e representatividade
    do pais. O futebol como uma questão de fenômeno! Marketing!
    A cultura de um povo não pode ser analisada apenas pelos desempenhos de jogos e carnaval.
    Elzamir

  26. Caro Antonio Ozai,

    Não vou questionar seu texto.
    Creio que o futebol no Brasil, e também na Argentina, precisa ser focado com uma lupa política e histórico-cultural.
    Pondero: a) do ponto de vista político e cultural, algo mais conservador – e autoritário – do que o discurso do Dunga, e do seu “grupo”, nestes mais de três anos?;
    b) do ponto de vista político e cultural, compare a essência do discurso do Dunga com a essência do discurso de Maradona.
    Quem gosta de futebol – como elemento da história cultural -, como eu, tem certo que o futebol deve ser, sim, analisado por estudiosos como você e outros.

    Um abraço
    Ricardo Menezes

  27. O mais engraçado é ver o Galvão dizer: “é só um jogo de futebol!!”. Nem parece que para a Globo é muito mais que um jogo de futebol, é negócio e muito lucrativo. Por isso querem e conseguem convenser a todos que o brasil é o país do futebol. Mas, que doce ironia.

  28. Pior de tudo é ser obrigada a deixar de trabalhar e ainda por cima ter de repor as aulas perdidas em outro dia sabendo que será apenas para “inglês ver”. Tudo pela educação, Brasil!

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