Por que ler a Bíblia?!

imagesEm 2012, não recordo a data exata, iniciei o projeto de ler a Bíblia na íntegra. Desde então, e sempre que possível, dedico uma parte da noite para a leitura, reflexão e anotações. Leio sem pressa, como quem espera ser agraciado com a dádiva da vida no dia seguinte. “A senhora insensatez é impulsiva, é ingênua e nada conhece” (Pr 9,13).[1] Pensando bem, talvez seja insensato acreditar no dia seguinte, pois o tempo não nos pertence. Mas basta a certeza da finitude, não é necessário atormentar-se com a iminência da morte. Ela tem o seu próprio tempo. “Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu. Tempo de nascer, e de tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar a planta” (Ecl 3, 1-2). Morrer é da natureza intrínseca dos seres vivos; é da condição humana e, nisto, somos iguais aos animais em geral. “Pois a sorte do homem e do animal é idêntica: como morre um, assim morre o outro, e ambos têm o mesmo alento; o homem não leva vantagem sobre o animal, porque tudo é vaidade” (Ecl 3, 19). Assim, talvez seja uma doce ilusão acreditar no amanhã, mas é agradável viver com a esperança da aurora que anuncia o recomeço do ciclo da vida.

Na juventude, eu li a Bíblia. Embora comungasse sinceramente a sua mensagem religiosa e espiritual, tratava-se de uma leitura orientada pelo viés político-religioso da Teologia da Libertação. A Bíblia era o nosso livro vermelho.[2] Como escrevi em outro momento, a leitura da Bíblia dava-me respostas diante das injustiças sociais que sentia e via ao meu redor e reforçava a minha esperança utópica por uma sociedade justa e igualitária.[3] Naquela época, porém, não a li na íntegra nem seqüencialmente, mas sim trechos propensos à reflexão social e política – ainda que assimilados religiosamente. Era o tempo da militância na Pastoral Operária (SP). Mesmo quando, tempos atrás, retomei a leitura bíblica, não havia o propósito de ler integramente, mas apenas os Livros Poéticos e Sapienciais[4] – que reli recentemente. No momento, iniciei a leitura dos Livros Proféticos.

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Em respeito ao leitor, admito que não leio a Bíblia com o ardor religioso dos que consideram cada palavra inscrita como a revelação divina e conferem à mesma o caráter de obra sagrada. Pelo contrário, embora respeite os que crêem, admire a fé e até me esforce para compreender, a minha perspectiva é racionalista. Compreender não significa aceitar. A cada palavra que leio, página e livro que concluo a leitura, mais me convenço do Credo quia absurdum [5] Ainda assim, continuo a ler e a refletir…

“Por que ler a Bíblia?”, questiona o superego. “A Bíblia deve ser lida com o coração, com o sentimento”. O meu superego nutre uma religiosidade profunda e, por mais que se esforce, não compreende a minha dedicação racional à leitura bíblica. Ainda que não pronuncie, julga-me sacrílego. No fundo, porém, alegra-se ao ver-me debruçado sobre o livro sagrado; nutre a esperança de que suas palavras me toquem, falem ao meu coração. Eu o compreendo! Meu superego deseja o melhor, acredita na conversão e ora por mim. Ele almeja a minha salvação. Sua crença me sensibiliza e entristece-me decepcioná-lo. Não obstante, por mais que admire sua fé, receio a leitura quase que fundamentalista que tenta impingir-me. Ainda assim, procuro compreendê-lo.

Talvez esta seja a resposta ao questionamento. A leitura bíblica revela-se uma forma de conhecer melhor o meu superego, os meus semelhantes e a mim mesmo. Seja como for, ensina-me muito sobre a história, cultura, política, religião, etc. Mas, sobretudo, aprendo a melhor compreender a necessidade humana de acreditar e nutrir a esperança. De certa forma, a Bíblia revela-se uma generosa utopia, ainda que direcionada ao post-mortem.


[1] Bíblia de JerusalémNova edição revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2010. Todas as citações são desta versão.

[2] Ver Sobre a leitura da Bíblia!, publicado em 01.09.2012.

[4] Os Livros Poéticos e Sapienciais são: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria de Salomão e Eclesiástico.

[5] “Creio porque é absurdo”, frase atribuída a Tertuliano. Ver: Credo quia absurdum (Creio porque é absurdo), publicado em 11.04.2009.

36 comentários sobre “Por que ler a Bíblia?!

  1. Amado ,

    Independente de quaisquer coisa , temos que ter reverencia a leitura Bíblica que é a palavra de DEUS e o manual do homem.
    è um livro sagrado e temos que ter temor e tremor ao ler as escrituras que é a boca de DEUS falando aqui na terra,(quando digo tremor e temor significa respeito ,cuidado ,atenção a tudo que se refere ao Eterno, pois ele é o Eu sou entende ?)
    Não me refiro a religião , que é uma canôa furada, religião não tem nada haver com a palavra de DEUS, falo do Evangelho de DEUS que é o poder de DEUS aqui na terra .A palavra de DEUS transforma quaisquer ser vivente´, é só ,quando for ler a palavra orar pedindo a DEUS sabedoria e entendimento, e temos que crer,sem questionar e congregar em uma Igreja pois ele disse:Congregaivos por que? para estarmos sempre juntos um orando pelos outros temos que lutar contra o espirito e não contra a carne Efésios 6:10…mesmo se fosse Jonas engolindo a baleia vc tem que crêr entende (o crente não vivi do que vê mais sim do que crê, e sem fé é impossível agradar a DEUS.Não é por muito estudar , Teólogos etc.(sim é importante conhecimento),porém existe os escolhidos , como? muitos são chamados poucos são escolhidos a porta é estreita ,quero dizer ele chama e quem der ouvido este sim é considerado escolhido,OBEDECER.esta é uma palavra difícil de se cumprir pois as pessoas são muito cômodas preferem fingir que não esta entendendo o chamado Temos que fazer como Isaias ( eis-me aqui Senhor) entende?. DEUS tem um plano em nossas vidas é só orar Jejuar e pedir Pai eu quero fazer o teu quere em minha vida.Continue lendo as escrituras orando antes para ouvir a Deus falando ele é misericordioso Amém? Abraços.

  2. Oza[
    Na juventude, e até hoje continuo lendo a Bíblia pela ótica da TL.
    Deixei de ser militante engajado que fui na PJMP, mas diariamente me debruço nas páginas dos textos bíblicos para tentar entender a mística da fé.
    Anualmente leio um livro por inteiro,, além de leitura esparsas. Este ano estou estudando os Números.
    Não vejo separação entre vida coletiva e inclinação espiritual. e rejeito o discurso pentecostal-carismático desse tal de encontro pessoal com Cristo…

  3. caro ozaí,
    Sou novo por aqui, conheci seu blog através de outro blog, o do altamiro borges, mas fiquei muito feliz em ler esse texto. Nesse tempo de pós-modernismo parece que é chique ou dá um certo ar de intelectualidade se passar por ateu ou simplesmente falar mal da bíblia. Sou o que se pode chamar de cristao progressista, apaixonado pela biblia, por Jesus Cristo a quem considero meu Senhor, mas fujo da alienaçao que toma conta de muitos “cristaos”. Sou preocupado com a liberdade de expressao, por isso sou contra a PL122, e tenho um sonho meio utopico que espera um governo socialista cristao. Fiquei muito satisfeito com ascensao de um governo trabalhista em nosso país, por causa das politicas publicas e o combate a desigualdade social. Continue lendo a bíblia, pois nao perderá nada com isso, e parabéns pela coragem de compartilhar e nao ter medo de ser taxado de careta ou cafona. abç.

  4. aos desessete anos por influencia de colegas de escola entrei para a igreja assembleia de Deus, e tentei ler a biblia, era uma das obrigações do membro,mas não nos era recomendado a leitura dos clássicos, dos grandes filósofos, pensadores, era-nos recomendado apenas ler a biblia. Não permaneci lá por muito tempo, entrando dois anos depois para a faculdade, no ano de 1981, tendo oportunidade de participar de forma ativa no processo de restauração da liberdade de expressão. Não deixei porém de acreditar em Deus. Devo ter permanecido em Stand by até maio de 1985, quando a doença de uma filha de apenas cinco meses, que não respondia aos medicamentos, me trouxe a onde estou hoje: na igreja messianica Mundial do Brasil, fundada no Japão em 15 de junho de 1935. Esta filha curou-se de uma bronquiite asmática, sem precisar usar nenhum tipo de medicamento dos quais vinha usando sem nenhum resultado, além desse, que se pode chamar de milagre, muitos outros são vivenciados e relatados todos os meses pelos membros dessa igreja e também de outras religiões. Segundo Mokiti Okada, fundador dessa igreja, sem os relatos de milagres que contém a biblia, esta seria apenas um livro de moral, e é portanto a ocorrencia de milagres que confere a este livro, além de ser a prática da liberdade de expressão daquele que criou o livre arbítrio, Deus, a sua incontestável sacralidade, A não ser que queiramos contestar o grande Socrátes: Só sei que nada sei. Sabemos o suficiente para comprovar cientificamente a não sacralidade de textos como esse, e de provar a inexixtencia do milagre? Deus está, tal qual o homem, em todos os lugares, e onde esteja o homem, lá estará Deus, dentro dele, e Deus assim como o homem, também tem o direito de se expressar, seja através de milagres, ou de palavras, o porém é que talvez não seja muito inteligente tentar compreender Deus, mas sim obedecê-lo, não seremos nunca oniscientes como Ele, pois tendo-se como certa a sua onisciencia, não há o que temer. Mokiti Okada recomenda entretanto, que se leia não só os livros sagrados, mas tudo que estiver ao nosso alcance, com o objetivo de desenvolver a inteligencia. Minha recomendação de leitura, além da bíblia, de onde Cecília Meireles, segundo ela mesma, tirava inspiração para escrever suas poesias, é naturalmente, os ensinamentos de Mokiti Okada, à disposição no site da fundação Mokiti Okada: http://www.moa.org.br.
    um abraço ao Antonio e aos demais.

  5. Olá Professor Ozaí! Sou novo por aqui e aqui cheguei através de um amigo nosso, Jorge Pinheiro. Me intrigou seu texto, como “crente” e discípulo de Cristo, aprendi a acreditar na sacralidade das escrituras. Mas tive mesmo que refazer meu caminho inúmeras vezes até perceber que o sagrado não estava na forma, mas no ambiente a que sou levado quando a ela me entrego. Demorou muito pra entender isso, uma vez que esta experiência lançou fora os descaminhos da religião em mim encrustados pela religião. Descobri também ajudado por poucos que a Bíblia é um livro existencial, ela fala de relacionamentos entre Deus e muitos homens, e não um livro de dogmas, regras, sim´s e não´s, etc. Então passei a lê-la como se eu mesmo estivesse vivendo tais relacionamentos considerando seus contextos, foi assim que sua leitura fez todo sentido pra mim. Desejo que sua leitura o leve pra mais perto de Deus e sua infinita sabedoria e graça, alimentando sua mente e alma com uma porção de sua plenitude a cada trecho percorrido. Grande abraço!

  6. Em outubro de 2009 comecei um projeto para escrever sobre a “Historia do Povo de Israel”. Estou na correção do texto.

  7. Prof. E demais leitores. Permita-me indicar um site, donde venho apreendendo a esvaziar-me do mal, para crescer no bem, sem concepção teológica ou filosófica acerca dos institutos, mas crendo, não pela razão do homem, que ‘e finita, mas pela misericórdia e graça de Deus. Fui simplista no que digo, pois prefiro que os que agora me lêem, não fixem nada que venha de mim, mas, receba, ouvindo o Evangelho de Deus, na profundidade da alma e espirito que só Deus alcança. Paz-atodos. http://Www.vemevetv.com.br. E m.vemevetv.com.br.

  8. Parabéns Prof. OZAÍ, pela leitura seja bem vindo ao grupo de pessoas que estudam a Bíblia.
    Gostei do comentário da Vera Linden, Problemas não existem e sim desafios.
    “A morte é a própria Vida numa nova edição”. Deus está presente em todos os lugares, nas coisas mais simples e nos corações humildes.

  9. Olá Ozaí!

    Se vale, deixo uma sugestão: após ler o cânone, leia também os “evangelhos apócrifos”, acredito que só irá acrescentar elementos à sua reflexão. Lá verá, por exemplo, o importante papel que as mulheres tinham no advento do cristianismo. Mas claro, é só uma sugestão.
    Abraços!

  10. Não há mal nenhum em ler a Bíblia, não importa se você a considera Sagrada ou não. Em algum momento de sua vida as respostas para alguns questionamentos podem estar em suas paginas.

    • Às vezes algumas respostas só aparecem quanto retiramos dela a sacralidade e a contextualizamos de forma correta.

      • Antonio,

        obrigado.
        Às vezes acontecem tantas coisas rsrsrs Inclusive, podemos até encontrar respostas.
        Permaneço aberto às críticas, sugestões e contribuições.
        abraços e tudo de bom,

    • Vagner,

      boa noite.
      A princípio concordo: não deveria causar mal algum ler um livro como a Bíblia. Infelizmente, porém, algumas leituras literais (fundamentalistas) fazem mal. E muito…

      Obrigado por ler e acompanhar o blog.
      Abraços e tudo de bom,

  11. O título do artigo deve ser mudado para “Por que leio a Bíblia?”, pois ele trata apenas das razões muito pessoais pelas quais você a lê. Por que eu a leria?

    • Caro Frid,

      boa noite.
      Obrigado por ler e comentar.
      Seu comentário procede. Comentei com o meu amigo Walterego e ele, de forma não muito educada, disse: “O texto é seu, vc dá o título que quiser”. Mas assim, respondi a ele, não há diálogo. Eis o objetivo do título: ele se propõe a dialogar com outros leitores que leem a Bíblia de forma diferente. Se vc leu até o final, e não apenas o título, vc deve ter percebido que dialogo com outros. E, por fim, escrevo para o leitor. O título é uma forma de perguntar e dialogar com ele.

      Abraços e tudo de bom,

      • OK! Li todo seu texto e por isso que sugeri a mudança do título. Ele dá a impressão que você exporá os motivos para ler a bíblia. Agora você explicou que se propunha a dialogar com outros leitores que leem a Bíblia de forma diferente, que não é o meu caso, que não a leio (sem nenhum preconceito).

        Grande abraço!

    • O título do artigo é “Por que leio a Bíblia?!” e não “Porque que leio a Bíblia?”. Note, José Frid, que existe uma diferença entre os dois títulos, o seu e o dele, repare isso. Se você entendeu uma face do título, agora, você precisa entender a outra para propor um novo título, até porque, ao meu entender, o título que você propôs está implícito no título do artigo.

  12. Olá! Essa Bíblia de Jerusalém é uma das melhores para o estudo. Confesso que a cada leitura aumentam as certezas acerca das incertezas que esse livro coném. Nada de errado, afinal, ela demorou anos para ser escrita, por muitos autores de diferentes “cosmologias” e até mesmo a sua composição é cercada de conflitos, haja vista os diversos concílios. Mas, sem isso as leituras ficariam chatas. Acredito que as leituras têm que provocar e levantar dúvidas para que tornemos a reabrir os livros fechados. Assim, a Bíblia continua sendo uma excelente leitura, o que pode atrapalhar é conisderá-la um livro sagrado.

  13. Em tese que sistematiza uma análise semiótica de livros do Antigo Testamento, Mariza Mendes (2009) se rende ao que chama de “sentidos ocultos” presentes nos textos. Ao concluir a crítica, a autora observa: “O discurso que se manifesta nos livros do Antigo Testamento está cheio de sentidos ocultos, que nos fascinam e nos escapam, não permitindo nunca uma apreensão definitiva”.
    Ao ler “Confissões” de Santo Agostinho, o leitor perceberá que o teólogo era fascinado por muitos textos do Antigo Testamento. Os sentidos ocultos dos textos foram muitas vezes perseguidos e problematizados pelo teólogo. Um dos fragmentos do Eclesiastes apreciados por aquele Doutor da Igreja, fala do sentimento de eternidade que Deus teria deixado no coração do homem: “Tudo fez Deus formoso no seu tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim”.
    Por outro lado, pessoas que nunca leram o texto costumam surpreender com expressões que se identificam com as mensagens presentes no livro. Algumas expressões são muito conhecidas como, por exemplo: “Tudo tem seu tempo […] tempo de nascer, tempo de morrer…”, ou “nada há de novo debaixo do sol”, ou ainda, “vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. A metáfora da “corda tripla”, ou “cordão de três cordas”, também presente no texto, continua sendo utilizada com o propósito de lembrar que uma atitude solidária pode dar melhor resultado do que um estilo egoísta. Outra metáfora presente no discurso do “Pregador” é aquela que fala de “vestes brancas”: atributo desejável para desfrutar algumas coisas boas da vida, como alimentar-se e beber o vinho com alegria ou desfrutar a vida com a mulher que se ama.
    “Quem sabe o que é bom para o homem durante sua vida, ao longo desses dias contados de sua existência fugaz? Quem mostrará ao homem o que vai acontecer depois dele debaixo do sol? Questões levantadas pelo “Pregador” no Eclesiastes e que na sua visão precisariam ser respondidas “antes que se rompa o fio de prata, e se despedace a copa de ouro, e se quebre o cântaro na fonte, e se parta a roldana do poço e o pó volte a terra, como antes, e o espírito volte a Deus, seu autor”.
    Parabéns mais uma vez Ozaí por este belo texto. Me confesso também um fascinado pelos sentidos ocultos presentes nos textos bíblicos.

    • Caro Tarcísio,

      boa noite.
      Meu sincero muito obrigado por seu comentário instigante e esclarecedor.
      Por favor, vc pode informar a referência completa da tese de Mariza Mendes? Foi publicada? Está disponível?
      Agradeço.
      Abraços e tudo de bom,

  14. Bom dia Ozaí
    Gostei do seu texto.
    A Bíblia, este livro misterioso. Quem a vê como um interessante livro de história, logo se vê julgado pela grande maioria das pessoas; atitude esta, que segundo a própria Bíblia, não é papel dos homens, mas sim de Deus. Será que Ele fará isso mesmo? Quem disse isso? A moralidade religiosa é um importante instrumento de controle social, em especial em tempos de crise.

    Bom domingo! ….. ah, domingo, dia de ir à missa!
    Abraços.
    Rose.

  15. Gostei muito das suas citaçoes e reflexoes. Devo dizer que ja fiz projetos de ler a biblia inteira e a prova é que ja comecei varias vezes… tanto assim que por enquanto vou me contentar com as citaçoes de bons leitores como voce. Parabéns pela postagem de hoje.

  16. A leitura bíblica pode provocar otimas reflexões, dependeno da leitura que se faz da mesma. Marx citou-a várias vezes, inclusive, em O Capital. como exemplo, indico: a)Gênesis, 25, 27-34 quando fez uma analogia entre o drama de Esaú e o proletariado; b) Outra, Marx aponta a incorência dos têuto-cristãos que colocavam uma roda de madeira no pescoço de seus servos para que eles não levassem farianha à boca enquanto moiam o milho. Isto estava em diametral oposição ao preceito bíblico que determinada: “Não atarás a boca do boi que debulha”. Ora, se assim não se procede com um boi, far-se-á isso com um ser Humano?

  17. Que sacrilégio esse depoimento Ozaí… A esquerdalha vai lhe crucificar. Onde já se viu ler a bíblia ou nela buscar conhecimentos? Logo nesse livro de capa preta, resistente ao tempo? Culturas e civilizações não conseguiram! Algo a mais deve existir para que a bíblia, além de continuar existindo, não pare de ser difundida.
    Ozaí, desde quando nos conhecemos, que você me convidou a ir à sua casa num sábado à tarde para articular com alguns alunos a criação da revista Urutágua que percebo em você uma pessoa boa e idealista. Nunca o vi pedindo votos nem articulando perseguições, ódios ou rancores. Você até os cultivou, mas contra as injustiças, imobilismos, burocracia e outros fatores de atrasos narradas com maestria nos belos artigos que sempre tive o prazer de ler. E aprender. E pensava: O Ozaí, como a maioria de nós teve ensinamento religioso que deve ter contribuído para os seus conhecimentos e toda essa intelectualidade, mas ele não confessa. Explicitamente. O problema da interpretação da bíblia é que ela não poder ser entendida em leitura solitária.
    Forte abraço e boa recuperação.

  18. Estimado Prof. OZAÍ,
    Lê-lo é sempre uma aula agradável de vida, de esperança e alegria. Vou copiar seu belo e interessante texto e enviá-lo ao marido, filhos, nora, amigos e amigas.
    Fiz este questionamento várias vezes a mim mesma: Por que ler a Bíblia? Sempre tive uma certa má vontade com o livro sagrado, porque nunca me adaptei a nenhuma religião. Tenho uma fé, que certa vez uma religiosa luterana, disse-me que gostaria muito de ter. Creio que sou uma pessoa ingênua e muito sonhadora. Desde criança, mesmo tendo uma vida bem difícil e sem carinho ou amor, procurava simplificar a vida. Lutar e não me lamentar. Para que complicar se eu podia simplificar. Acostumei-me a ser forte. O que os outros achavam problema, eu encarava como um desafio que eu podia vencer. A morte, por exemplo, para mim não existe e este corpo que usamos aqui na Terra, nesta pequena passagem, que é uma prévia da imortalidade, merece respeito e cuidado. Por enquanto, ele é o nosso envólucro, mas somos muito mais. Acredito no amor incondicional e no respeito a todos os seres vivos do nosso planeta. Aqui, pode ser o nosso paraíso ou o nosso inferno. Nos ligamos em tantas vaidades tolas, quando deveríamos valorizar mais o sorriso do marido, do filho, da nora, da neta, da vizinha, porque são presentes divinos, gratuitamente distribuídos pela bondade de Deus.
    O Deus magnânimo, compreensivo, generoso e justo que não encontrei em nenhuma religião, é o que existe em mim.Ele é o meu grande amigo, meu apoio, meu confidente. Vejo Deus também no meu marido, nos meus filhos, na minha nora, em pessoas como o senhor e também nos animais, nas plantas, na natureza. O senhor, Prof. OZAÍ é assim, tem essa verdade, esta bondade explícita, pois escreve para que as pessoas entendam. Não complica nada, Não quer ser o bam-bam intelectual metido, o dono da verdade, poderoso e esnobe, mas fala com uma alma solidária e amiga. Transmite com generosidade o seu saber. Quanto mais as pessoas são arrogantes e prepotentes, mesmo sendo gênios, monumentos de sabedoria, de cultura, menos explicam DEUS, para as pessoas simples como eu e milhões pelo Brasil e pelo mundo afora. E como tudo é ligado à ganância, ao poder econômico? Ao quanto dinheiro você tem e não ao que você é. Creio que isto dá uma imensa desesperança às pessoas.
    Tentei ler a Bíblia lá pelos meus dez anos, mas ficava imaginando o padre mal-humorado e que gostava de dar cascudos e maldizer as crianças e, sempre pedindo dinheiro para a igreja. Eu tinha vários questionamentos sobre o digno representante da religião de minha avó materna: porque ele não trabalhava para manter a igreja, como meu pai fazia (levantando às cinco da manhã) para sustentar a nossa famíla?: Se ele é um representante de Deus na Terra, por que é tão ranzinza, malvado e comia tanto nos almoços de domingo, na casa da vovó ? A gula não é pecado? Encontrei uma meia-resposta, os religiosos seriam superiores e logo, desculpados de todo o pecado. Pensei em ser freira para obter o privilégio, mas desisti porque sempre quis casar e ter filhos.Além do mais, a freira da minha escola também não gostava de crianças, especialmente as pobres e piolhentas. Era má e parecia odiar o mundo.Sempre imaginei que as pessoas que escreveram a Bíblia eram assim e quis distância deste livro.
    Meu marido é um grande leitor da Bíblia e já me mostrou várias belas passagens, justo dos Livros Poéticos e Sapienciais. Aprendi a apreciar o “Cântico dos Cânticos.”
    Em 2001, ganhei de aniversário da Pastora Hulda Hertel, que era minha chefe e uma grande e querida amiga, uma Bíblia. Ela era uma mulher extraordinária. Onde chegava, vinha junto a alegria e o otimismo.Pensei até em me tornar Evangélica Luterana, mas notei que não seria bem-vinda por outros membros da religião, especialmente alguns doutores em Teologia. Achei melhor continuar com as minhas ideias e prosseguir na minha missão de ajudar quem precisa de mim,, pois até a ajuda e o apoio devem ser delicados e sensíveis e não invasivos.
    Obrigada, Prof. OZAÍ, depois de lê-lo, vou pensar na Bíblia com mais consideração e respeito e, lê-la como o senhor bela e sabiamente escreveu: ” com o coração, com o sentimento.”
    Abraço de sua leitora, que promete da próxima vez, escrever menos. Este é um dos meus vícios: escrever demais. Abraço de paz e fraternidade, Vera Linden.

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