Interdisciplinaridade como exigência para novas práticas profissionais dos Cientistas Sociais

Clipboard02Em 22 de maio de 2013, estive na Universidade Estadual de Londrina (UEL) para participar da XXIV Semana de Ciências Sociais: “CIÊNCIAS SOCIAIS: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS”. O evento foi organizado pelo Colegiado do Curso de Ciências Sociais, Departamento de Ciências Sociais, Mestrado em Ciências Sociais, Especialização em Ensino de Sociologia, PARFOR–Ciências Sociais, PIBID – Ciências Sociais e Centro Acadêmico de Ciências Sociais. Fui convidado para falar sobre o tema “Interdisciplinaridade como exigência para novas práticas profissionais dos Cientistas Sociais”. A mesa-redonda, coordenada pelo Prof. Dr. Fabio Lanza, também teve a participação da Profa. Ms. Zelma Torres Cruz, professora Emérita da UEL.

Registro o agradecimento aos organizadores, à equipe que trabalhou para a realização da semana e ao público presente. A propósito, fiquei admirado com a quantidade de professores (as) da rede pública estadual. Em geral, eventos como este tem caráter mais internista, praticamente restrito à presença dos estudantes do curso organizador. Como disse aos presentes, que este agradecimento não seja recebido como a atenção devida às formalidades do culto acadêmico. De fato, convidar alguém para participar de um evento é sempre uma demonstração de confiança intelectual e, de certa forma, uma aposta positiva fundada em expectativas. Sob o risco de cometer um dos sete pecados capitais, mas sem falsa modéstia, devo admitir que é um alegria ter a oportunidade de, ao menos, tentar contribuir. Essa alegria é ainda mais intensa pelo fato de rever pessoas queridas, amigos e amigas de longa data. Obrigado, portanto!

Por outro lado, a confiança depositada e as expectativas geradas pressupõem a responsabilidade de não decepcionar. Para tanto, é necessário ao convidado preparar-se adequadamente para falar sobre o tema proposto e corresponder ao que se espera dele. O convite direciona reflexões que, em maior ou menor grau, exige leitura, releituras, esforço de síntese, etc. Em outras palavras, oferece a oportunidade de aprender e aprofundar o que, em tese, imaginamos saber. Com efeito, estou entre aqueles que se orientam pelo ensinamento socrático do “Sei que nada sei!” Os arrogantes iludem-se ao imaginar que dominam o conhecimento. E, já adiantando o tema proposto, diria que a arrogância intelectual é um dos principais entraves a uma proposta científica e pedagógica interdisciplinar. De fato, como diria Max Weber, a vaidade é uma espécie de doença profissional entre os intelectuais. Ao contrário dos que cegam-se pelo brilho que irradia do espelho de Narciso, penso que devemos cultivar a humildade e nos pautarmos pela certeza de que o aprender é um processo permanente. Agradeço, portanto, pela oportunidade que me foi oferecida de aprender! Muito obrigado!

As palavras acima foram escritas antes do evento e fazem parte de um texto maior que orientou a minha fala. Não se trata de um artigo científico e acadêmico, mas apenas uma tentativa de organizar ideias e orientar a exposição. Esta, na medida do possível, foi organizada para: 1) Compreender a concepção de interdisciplinaridade; 2) Considerar a realidade na universidade e, em que medida, a estrutura, organização e habitus no campo científico e intelectual favorecem ou não a perspectiva interdisciplinar; 3) Identificar, ainda que brevemente, quais são efetivamente as práticas dos cientistas sociais; 4) Avaliar como estas práticas vinculam-se, e em qual proporção, à concepção interdisciplinar; 5) Por fim, analisar as possibilidades de uma nova práxis inspirada na interdisciplinaridade.

Não foi possível aprofundar como gostaríamos, inclusive por limites de tempo, mas foi uma oportunidade importante para aprender, especialmente com a exposição da colega da mesa, Profa. Zelma Torres Cruz, e as intervenções dos presentes. Espero ter contribuído, ainda que minimamente. Muito obrigado!

Ps. O texto que escrevi para orientar a exposição está disponível na íntegra aos interessados (solicite pelo blog ou email antoniozai@gmail.com).

31 comentários sobre “Interdisciplinaridade como exigência para novas práticas profissionais dos Cientistas Sociais

  1. Olá caro Ozaí boa noite! Parabéns pelo excelente blog com temas interessantes e questionadores sempre! Sou assistente social e gostaria de ler o texto que elaboraste para a discussão sobre a interdisciplinaridade. abraços, Flávia Laura.

  2. Olá professor Ozaí, boa noite. Peço a gentileza de me enviar seu texto. Meu e-mail é chenriquelopes@globo.com
    Desde já agradeço pela sua atenção e o parabenizo por este espaço de diálogo que só conheci agora, mas que voltarei para aprender e debater, caso seja possível, sobre alguns dos assuntos que trata aqui.
    Atenciosamente,
    Carlos Henrique Lopes Pinheiro

  3. Antonio Ozai, acompanho o seu blog e gostaria de receber o texto sobre interdisciplinaridade. Abraços.

  4. Antonio
    Boa tarde

    Em preliminar agradeço respeitosamente a gentileza do envio do texto: “Interdisciplinaridade como exigência para novas práticas profissionais dos Cientistas Sociais”. Como destaquei anteriormente em outros pífios comentários nossa prioridade deveria (visão unilateral) ser o acesso a escola de todas as crianças em idade escolar. Creche para a primeira infância, ou seja, de zero a seis anos, ou zero a quatro e escola em turno integral de 4 a 6 anos. É fato que temos mais de 4 milhões de crianças (2013) fora da escola e trabalhando. O abandono do ciclo médio também é preocupante e coloca essas pessoas em condição de hipossuficiência diante do mercado de trabalho agressivo e tecnológico, lhes restando portanto trabalhos penosos, insalubres e perigosos, quando não todas essas atribulações conjugadas. Não basta por obvio garantir a presença física dos alunos na escola, mas que esta tenha no minimo, merenda, refeitório, quadra poliesportiva coberta, água, sanitários e sobremodo biblioteca – pode que a inclusão digital ponha termo ao conceito físico de biblioteca, se já não pôs? – e mais do que tudo isso que as Professoras tenham formação compatível e acima de tudo salário adequado. O Piso Nacional é migalha, ainda por agravante não é respeitado o seu pagamento por uma gama elevada de Administradores Públicos. Defendemos o pagamento do salário minimo constitucional, para cada turno de 20 horas e pagamento do terço de férias sobre os 60 dias de gozo e não só sobre 30 como fazem muitos entes públicos. Se sobra dinheiro para investir em estádios e nas copas e eventos esportivos, razoável que tenha dinheiros públicos para se investir em educação. Nos centros de excelência e mesmo nas instituições de ensino superior – públicas e privadas – obvio que já se deveria estar trabalhando a ciência, o conhecimento, a prática e a filosofia de forma integradora, falta pois vontade política para tanto intra e extra escola,– fundamental, médio, técnico e superior – agora ainda assim, acho que precisaríamos urgentemente separar a figura institucional do pesquisador do professor universitário, a exemplo do que já ocorre a décadas em outros países criando e favorecendo a carreira dos dois trabalhos. Talvez com relação ao teu texto e por hipótese acho que poderia ter citado um exemplo concreto de intedisciplinariedade, preferencialmente onde esteja dando certo, se é que existe essa escola ou centro de estudos.
    Um abraço
    Pedro
    Caxias do Sul, 31 de maio de 2013.

  5. Professor Ozaí, boa noite! Acompanho seu blog a bastante tempo.
    E tenho aprendido muito com seus artigos, formado em Historia, pós graduado em Gestão Cultural e Gestão de Patrimônio Material e Imaterial na Micro Região do Vale do Aço, tenho atuado no Programa Escola Integral em Tempo no município de Coronel Fabriciano como parceiro da gestores públicos desde 2005 a 2012.
    Me agrada muito as suas reflexões e tenho utilizado-os muito para enriquecer os meus pontos de vistas acercas dos contextos em que trabalho, são referências importante para pensarmos o senso comum próprios com mais senso critico, agregando valores positivos nas interações humanas.

  6. Olá,
    Parabéns, acompanho seu Blog e muito tenho aprendido.
    Por favor, quero receber este material na íntegra, interesso-me por este assunto.
    Obrigada.

  7. Olá Professor Ozaí,

    Belo texto, sim, a interdisciplinaridade é de suma importância desde a educação básica até a educação acadêmica, porque significa conhecer, respeitar… abrir a escuta a todas as áreas do conhecimento, pois todas as ciências de alguma forma contribuem para o entendimento mais amplo do “ser” humano e o mundo que o cerca, e justamente por tal complexidade, não pode ser “conceituado” por apenas uma determinada ciência. Para além de seres biológicos, também somos seres sociológicos, psicológicos, cognitivos, filosóficos, históricos…Com uma identidade, com uma história de vida muito particular… Tenho lido muitos textos na web que tendem a “engaiolar” o ser humano e seus comportamentos em especial,como sendo apenas seres biológicos, quando sabemos que o que ocorre em seu entorno é multi-plurifatorial. Não há espaço para “arrogâcias intelectuais” quando temos a responsabilidade de discurtinar, desvelar a complexidade, a capacidade de superar limites, de conhecer, de aprender do e de ser. Parabéns pela iniciativa. Grande abraço.

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s