Jazz e Blues em Paranavaí (PR)

800px-Parana_Municip_Paranavai.svgNo sábado (15/06/2013), assisti ao concerto da Orquestra de Sopros de Paranavaí. No repertório da “Noite do Jazz e Blues”, a Orquestra, sob a regência do Maestro Vitor Gorni, interpretou os clássicos “Coltrane Blues”, de John Coltrane; “Emancipation Blues”, do compositor Oliver Nelson, “C. Jam Blues”, de Duke Ellington; “Georgia On My Mind”, de Hoagy Carmichael e Stuart Gorrell, imortalizada na voz de Ray Charles – com direito a dois arranjos, o segundo acompanhado pela voz do cantor Ricardo Yuki; “The Man I Love”, dos irmãos George e Ira Gerswhin; e “Andorinha”, de Tom Jobim, entre outros. A noite teve ainda a participação especial do guitarrista André Campelo, o “Baby”.

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Música envolvente e de qualidade, com músicos qualificados. Não foi a primeira vez que tive o deleite de presenciar e ouvir a Big Band de Paranavaí no Teatro Municipal Dr. Altino Afonso Costa. Conheci o trabalho da Orquestra de Sopros de Paranavaí em abril de 2012. Então, a Big Band acompanhou a apresentação do cantor Ivo Pessoa, artista com músicas em trilhas sonoras de novelas da Rede Globo. O público compareceu em massa, o Teatro estava lotado. Naquela oportunidade, percebi o meu analfabetismo musical, pois, indesculpavelmente, desconhecia pessoa tão famosa. De fato, fui ao show para ver e ouvir a Orquestra de Sopros, estimulado por meu genro, Eduardo Amaral, trombonista e membro. Até que gostei do repertório do famoso cantor. Mas, sobretudo, adorei o show da Orquestra e, sempre que possível, retorno. Em junho de 2012, fui ao concerto “Temas de Filmes”; em dezembro do mesmo ano, ao show sobre os Beatles, com a participação da banda londrinense Beatles for Sale. [1] Devo ter comparecido a outros eventos, mas a memória não ajuda – o meu amigo Walterego, em tom jocoso, disse que sofro do “mal de ozai”!

A apresentação deste sábado foi mais uma oportunidade de deleitar-se com a música que aprendi a gostar. Ao vivo é uma experiência fantástica! O som dos saxofones, trombones e trompetes é envolvente, produz uma sensação indescritível. O contrabaixo, a guitarra e a bateria somam-se à harmonia musical. Nada entendo de música, menos ainda de teoria musical. A música me conquista pelo ouvir e a observação dos movimentos. Todos os sons são envolventes, mas o som do contrabaixo sobressai-se em minhas sensações. Os solos expressam momentos especiais em que se destacam as qualidades musicais individuais, sem, no entanto, conflitar com o conjunto da Orquestra. Aliás, eis um ótimo exemplo de como os indivíduos configuram um coletivo maior e melhor que eles individualmente, mas sem anular as potencialidades de cada um. Neste sentido, o trabalho do maestro é essencial.

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A nota dissonante da noite foi a pequena presença do público. Durante o evento, ouvi a conversa de dois senhores, os quais também se perguntavam porque a platéia foi tão reduzida. “Se fosse sertanejo”, disse um deles, “estava lotado!” “Será que foi bem divulgado?!”, questionou o outro. Surgiram outras hipóteses explicativas: o frio, o tempo chuvoso, festas juninas realizadas na data, a escolha do repertório, etc. “Como esperar que a população de uma cidade interiorana se disponha a sair de casa num sábado chuvoso e friento para ouvir Jazz e Blues?!” De fato, o concerto mobilizou um público muito seleto. Isto não significa que sejamos melhores ou piores que os demais – talvez um ou outro nutra uma concepção elitista sobre a cultura e desdenhe o gosto musical da plebe! De qualquer forma, pelo menos para os apreciadores, é ótimo que um grupo se disponha a tocar Jazz e Blues. Talvez o público reduzido desanime os músicos e o maestro, mas um ótimo trabalho não pode ser mensurado apenas quantitativamente. Até porque, em outros momentos, com outros repertórios, a presença do público foi animadora. Nós, os que gostamos do gênero musical, agradecemos! Sinceros parabéns! Que o trabalho continue e tenhamos outros concertos. De preferência, mais Jaz e mais Blues!!!


[1] Sugiro a leitura de Música para viver melhor!, publicado em 21/04/2012; e, Da experiência musical!, de 22/12/2012.

16 comentários sobre “Jazz e Blues em Paranavaí (PR)

  1. Caro Ozai
    sugiro que indique este maravilhoso show para nosso secretario da cultura em Maringá, para que possamos apreciá-lo no convite à Música.

  2. Professor, como é que se pega o “mal de Ozaí”? Será contagioso?. com relação à música, “da boa” como disse a Flávia, aqui no Maranhão, as oportunidades são infelizmente, muito mais raras. No momento temos que nos contentar mesmo com as nossas toadas de bumba meu boi, festa junina típica do folclore maranhense, algo assim como o samba e o carnaval para o carioca. Abraços, Angela Maria, boa noite.

    • Angela,

      boa noite.
      Obrigado por ler e comentar.
      Fique tranquila, até onde sei o “mal de Ozai” não contagia rsrsrs
      Permaneço aberto às sugestões, críticas e contribuições.
      abraços e ótima semana

  3. Orquestras possuem um repertório fixo, a OSP nunca repete repertório, o Maestro Vitor Gorni é audacioso, porque essa atitude caminha em território desconhecido, nunca se sabe se o repertório ira funcionar, visto que todas as apresentações são inéditas, o publico presente tem a oportunidade de assistir o inusitado, improvisos e atuações de primeira mão. Minha pequena participação foi assim, soube do repertório minutos antes de subir ao palco, que deleite!!!

  4. Estou arrasada aqui: estava em casa na noite de sábado e não soube do evento. Gosto de música boa e é inacreditável que perdi tal oportunidade. Moro em Paranavaí há menos de um ano e reclamo sempre da falta de opção cultural da cidade. Eu não soube do show, pois certamente teria ido! Visito com frequência o blog do Joaquim de Paula e por lá não havia nenhuma informação. Enfim, uma lástima…

  5. Sr Antonio obrigado pelo apreço e pelo comentário,fico feliz de tocar pra pessoas como o Sr. e por saber que temos pessoas que nos acompanham e gostam da boa musica.Tenha certeza que fui enriquecido pelo vosso elogioso texto.

    Abraços.

    Manoel Feliciano- trombonista e membro da OSP.

    • Caro Manoel,

      bom dia.
      Meu sincero muito obrigado por suas palavras. O mérito é seu e do grupo, o apreço é mínimo que podemos fazer para retribuir a experiência que a OSP proporcionou. PARABÉNS!!!

      Abraços e ótima semana,

  6. Engraçado Ozaí, parece que senti um pouco dessa sensação que você sentiu vendo e ouvindo a OSP. Você escreveu tão brilhantemente os detalhes que por um minuto me vi naquela platéia. Eu amo música da boa, embora não entendo muito, e sinto deixar passar tantas oportunidades de ouví-las, quando aparecem, é claro. Hoje só o que vemos são tipos de músicas, que deveriam ser chamado de outra qualquer coisa, menos de música. Isso explica o seleto público pra ouvir grandes músicas e orquestras, e as raras são as melhores. Obrigada por nos transmitir algo tão bom. Um abraço.

  7. Talvez um repertorio eclético seja a soluçao. Pelo menos é o que tenho notado em alguns grandes festivais de musica classica por aqui.

    • Regina,

      bom dia.
      Obrigado por ler e comentar.
      A OSP faz apresentações temáticas. Por exemplo, uma vez o repertório foi Samba… Mas, talvez o ecletismo seja a solução. Talvez! Por mim, não seria problema. Em música, sou eclético!

      Abraços e ótima semana

  8. A OSP é realmente maravilhosa. Um orgulho para Paranavaí. Com relação ao público, mesmo com divulgação agressiva, o mesmo não aparece. No entanto, friso que não é só nos show musicais não, trata-se de QUALQUER evento cultural. Hoje mesmo tivemos um dos melhores espetáculos de teatro que passou por aqui e um fiasco de plateia. Perdem os que ficam inertes e inúteis em casa na frente da TV, pois, nós continuaremos indo em todos, sorver desse mel que só a arte nos proporciona. Tenho certeza que quem vai, sai do teatro melhor que quando entrou.

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