Dia do Bibliotecário

Ontem fui à Biblioteca Central da Universidade Estadual de Maringá. Como sempre faço, visitei a estante onde são expostas as novidades. Não se trata necessariamente de lançamentos, mas dos livros recentemente catalogados e disponibilizados aos usuários. De qualquer forma, sempre há um livro que me chama a atenção e desperta o interesse de ler. Dessa vez, por exemplo, tive sorte. Fiquei contente ao perceber o livro Tempos Interessantes: uma vida no século XX, de Eric Hobsbawm. Não tive dúvidas, peguei e me dirigi ao guichê para emprestá-lo. E quase que a obra me passava despercebida, pois estava na última prateleira da estante próxima ao piso e meio encoberto por outros livros.

São tantos dias comemorados durante o ano que a gente se perde. Tenho resistências a essa onda de comemorar o dia disso, o dia daquilo etc., mas concordo que há algumas datas que se justificam e, de qualquer forma, é importante para lembrarmos-nos das pessoas que nem sempre têm o trabalho reconhecido. Muitas vezes, o usuário de uma biblioteca não reconhece a importância desta – especialmente se for pública – nem valoriza o trabalho do(a) bibliotecário(a) e de todos que tornam possível o funcionamento da mesma.

Conversei com a senhora que me atendeu e agradeci. Ela pareceu-me surpresa com a minha falação sobre a importância da biblioteca pública. Despedi-me e fui embora, feliz pela possibilidade de ler esta obra. No caminho, refleti sobre o quanto naturalizamos determinados fatos e, muitas vezes, não percebemos a sua importância. Para muitos parece que sempre existiram bibliotecas públicas e, portanto, é natural que tenhamos a nossa. Outros não demonstram consciência de que a biblioteca pública presta um serviço fundamental à sociedade e, talvez o mais importante, é esta que a mantém através dos recursos econômicos que produz, os quais são transformados em impostos. Há quem pense que a biblioteca é estatal e não pública, afinal é o governo quem repassa as verbas. Também há quem age como se o público fosse propriedade privada.[1]

“E se não existisse biblioteca pública?!”, pensei. No momento, por exemplo, estou com cinco livros. Além do citado, estou lendo: A construção da ordem – Teatro de sombras, de José Murilo de Carvalho; Brasil História – Texto e Consulta (vol. 2), de Antonio Mendes Junior et alli; História concisa da Literatura Brasileira, de Alfredo Bosi (e também peguei emprestado o livro Dom Casmurro, de Machado de Assis, para a minha filha). Imagine se eu tivesse que comprar todos os livros que preciso ler ou simplesmente consultar para preparar aulas! Embora haja quem considere que os professores universitários ganham milhões e estão ricos, sabemos o quanto é difícil manter o padrão que nos é exigido e os gastos necessários para nos manter informados e que garanta a qualidade do nosso trabalho. Não seria possível comprar todos os livros, até porque não tenho outra fonte de renda a não ser o salário. Ainda bem, portanto, que existem as bibliotecas públicas.

As bibliotecas, porém, nada seriam se não houvesse as pessoas que nelas trabalham. Os que fazem o culto ao livro não percebem que o ser humano é mais importante do que os livros; estes são criações humanas e existem em função dos indivíduos concretos de carne e osso, e não o contrário. Por isso, devemos agradecer aos bibliotecários e também aos demais trabalhadores que cuidam da biblioteca. Sem eles e elas, os livros seriam apenas livros e as bibliotecas não existiriam. Meu sincero muito obrigado a todos!
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[1] Ver: Biblioteca pública, uso privado, 14.07.2007; Público e privado, de 28.07.2007; e O exemplo dos acadêmicos, de 18.08.2007.

2 comentários sobre “Dia do Bibliotecário

  1. Muitas são as datas que ocupam o calendário do ano. Umas ganham relevo nos meios de comunicação às vezes por serem especialmente rentáveis, outras entretanto não são nem sequer lembradas. Ir a biblioteca, pegar um livro torna-se tão simples, ainda mais quando se tem o hábito de freqüentar esse ambiente. E o agradecimento ao bibliotecário fica por vezes esquecido pela comunidade de usuários. Ao ler o texto gostei da lembrança do profissional que trabalha na biblioteca, como é bom pensar em situações da vida que por fazerem parte da rotina parecem banais, mas ao serem observadas mais detidamente nos proporciona outro olhar. O texto mexeu sensivelmente com as minhas memórias. Lembrei-me da época de infância quando meu irmão mais velho – adorador desde pequeno dos livros, a quem agradeço – me levava sempre as tarde para a biblioteca pública, onde tive oportunidade de ler as histórias infantis… a coleção de Monteiro Lobato… Era recebida com certa admiração, porque era bem pequena e gostava daquele ambiente. E este ao longo da vida tornou-se espaço primordial de estudo e aprendizagem. Gosto de ir a bibliotecas, em especial da Universidade, mas gosto também dos laços afetivos construídos com as pessoas que trabalham no local – não pode ser diferente, pois freqüentamos cotidianamente – e começa com gestos simples: um sorriso, um bom dia ou boa noite, um agradecimento alegre e com o tempo já fizemos um amigo. Os livros são nossos companheiros, tão necessários, mas o mais importante é a vida!

  2. Como você sabe, sou uma frequentadora assídua da BCE. E assim foi durante a educação básica na Biblioteca Municipal de Goioerê.O ambiente me agrada, afinal, para quê estão lá as pessoas né?!Também passo no Painel! Mas, diferente de você, resisto ao empréstimo de livros que quero muito ler! Isso porque, não dou conta de tudo o que desejo ler! Mas, sem dúvida, acrescento o título e autor em parte da agenda para, um dia, realizar a leitura.Eu também agradeço aos bibliotecários!Sempre fui muito bem atendida e, aliás, faço empréstimos de bibliotecas da UEL, enfim, praticamente, todos me conhecem por lá já!! rsOs anos passam né?!Beijo enorme.

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