Homossexuais na Idade Média

0001882011175220Qual a postura da Igreja Católica e da cristandade sobre a homossexualidade na Idade Média? “Visto que o sexo, segundo os ensinamentos cristãos, foi dado ao homem unicamente para os propósitos da reprodução e por nenhuma outra razão, qualquer outra forma de atividade que não levasse ou não pudesse levar à procriação era um pecado contra a natureza. Os pecados contra a natureza incluíam especificamente a bestialidade, a homossexualidade e a masturbação”, escreve Jeffrey Richards.[1]

Já no século IV, Santo Agostinho, uma das mais importantes autoridades da Igreja, foi taxativo:

“Pecados contra a natureza, por conseguinte, assim como o pecado de Sodoma, são abomináveis e merecem punição sempre que forem cometidos, em qualquer lugar que sejam cometidos. Se todas as nações os cometessem, todas igualmente seriam culpadas da mesma acusação na lei de Deus, pois nosso Criador não prescreveu que pudéssemos utilizar uns aos outros dessa maneira. Na realidade, a relação que devemos ter com Deus é ela mesma violada quando nossa natureza, da qual ele é o Autor, é profanada pela lascívia perversa”.[2]

Estas palavras, retiradas das Confissões de Santo Agostinho, são inspiradas por uma determinada leitura e interpretação bíblica, ainda presente[3], de Levítico:

“Não te deitarás com um homem como se deita com uma mulher. É uma abominação” (Lv., 18, 22).

“O homem que se deitar com outro homem como se fosse uma mulher, ambos cometeram uma abominação: deverão morrer, e o seu sangue cairá sobre eles” (Lv., 20, 13).[4]

Vemos o quanto é perigoso a leitura literal e fundamentalista da Bíblia. Se devem morrer, alguém deve ser o instrumento de Deus que cumpre a sentença condenatória. Afinal, homofóbicos e fanáticos religiosos imaginam-se imbuídos de uma missão purificadora. Mas, retornemos à Idade Média – muito embora persistam pensamentos e posturas medievais em pleno século XXI! Na medida em que o cristianismo medieval concebia o sexo apenas para procriar e considerava antinatural e pecaminoso tudo o que não se enquadrasse nesta perspectiva, qual é a sua posição diante dos pecadores? O Antigo Testamento não deixa dúvidas. Cristo, porém, teve uma atitude tolerante, compassiva e amorosa. Como assinala Richards:

“Cristo não havia delineado um conjunto abrangente de ética sexual, e não há registro de que tenha encontrado algum homossexual. Mas, quando se deparou com uma adúltera sendo apedrejada – e o adultério era, como a homossexualidade, uma ofensa capital na lei do Antigo Testamento – disse: “Aquele dentre vós que não tiver pecado, atire a primeira pedra”, e, para a mulher, “Vai, e não peques mais”. Perdão e compreensão, então, em vez de punição, era a mensagem de Cristo”.[5]

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Outra foi a mensagem da cristandade medieval. Os primeiros padres da Igreja adotaram a linha condenatória. Suas opiniões foram sacramentadas em lei quando o império romano assumiu o catolicismo enquanto religião oficial. O imperador Justiniano (527-65), que se considerava o representante de Deus, impôs um rígido código moral e a homossexualidade passou a ser passível da pena de morte:

“Justiniano tinha uma visão dos atos homossexuais como sendo literalmente uma violação da natureza que provocava a retaliação da mesma: “por casa destes crimes ocorrem fomes coletivas, terremotos e pestes”, declarou. Este refrão deveria retornar no período posterior à Idade Média, quando uma sucessão de calamidades que surpreendeu a cristandade foi diretamente atribuída pelos pregadores populares e pelos teólogos à existência da sodomia”.[6]

Outro santo, Tomás de Aquino, na Summa Theologiae, concordava que o ato inatural, ou seja, todo ato sexual que não cumprisse o preceito de servir à reprodução da espécie, ainda que praticado sob consentimento mútuo ou individualmente, ou mesmo sem acarretar prejuízo a outrem, era caracterizado como o pior dos pecados, uma injúria a Deus:

“Eles violavam a ordem natural determinada por Deus. Por ordem crescente de gravidade, os pecados contra a natureza eram: masturbação, relação inatural com o sexo oposto[7], relação homossexual e bestialidade. Estas concepções eram amplamente determinadas, e se, em alguma medida, a literatura foi um reflexo da opinião popular, elas predominaram na sociedade secular”.[8]

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Nos séculos XII e XII, a política eclesiástica e civil contra a homossexualidade tornou-se ainda mais rigorosa. O Concílio de Nablus (1120), determinou que “o adulto sodomita persistente e do sexo masculino seria queimado pelas autoridades civis”.[9] Esta medida colocava os homossexuais “no mesmo patamar que os assassinos, hereges e traidores”. O passo seguinte foi a penalização cada vez mais crescente pela lei secular. De um lado, o puritanismo moralista mobilizou-se para reprimir a homossexualidade. Por outro, a “inquisição e as irmandades leigas associadas com as ordens mendicantes tornaram-se instrumentos de perseguição aos hereges e sodomitas”. O Concílio de Siena (1234) passou a designar homens cuja função era caçar sodomitas. O objetivo desses ancestrais medievos dos homofóbicos e fanáticos religiosos modernos era “honrar ao Senhor, assegurar a paz verdadeira e manter os bons costumes e uma vida louvável para o povo de Siena”.[10]

“O vício que não pode ser nomeado”[11] passou a ser cada vez mais perseguido. A sodomia deveria ser extirpada da sociedade, os sodomitas deveriam ser excluídos social e fisicamente. A homossexualidade foi equiparada a uma doença contagiosa, às impurezas que contaminavam a pureza cristã e social:

“Assim como o lixo é retirado das casas, de modo a que não as infecte, os depravados devem ser afastados do comércio humano pela prisão ou pela morte.” O pecado tem que ser destruído pelo fogo e extirpado da sociedade. “Ao fogo!” esbravejava são Bernardino em sua assembléia. “Eles são todos sodomitas! E vós estareis em pecado mortal se tentardes ajudá-los.”[12]

Em conclusão, nas palavras de Jeffrey Richards:

“O cristianismo era fundamentalmente hostil à homossexualidade. A mudança na Idade Média não foi um deslocamento da tolerância para a intolerância por razões não-intrínsecas às crenças cristãs, mas uma alteração nos meios de lidar com a questão. No período inicial da Idade Média, a punição era a penitência; no período posterior, a fogueira. Mas nunca foi questão de permitir aos homossexuais prosseguir em sua atividade homossexual sem punição. Eles eram obrigados a desistir dela ou arriscar a danação”.[13]

Era? Deixou de sê-lo? Qual o peso e influência do ideário teológico medieval sobre os homens e mulheres do nosso século? É certo que não se acendem mais as fogueiras inquisitoriais, mas a inquisição, sob outras formas, incluindo as mais sutis, persiste. Imagine o pai e a mãe de um filho homossexual diante dos são Bernardinos do nosso tempo! É curioso como os inquisidores se candidatam a santos e como muitos terminaram por ser canonizados! De qualquer forma, o preconceito contra a homossexualidade tem raízes profundas e milenares. Os mortos dominam o cérebro dos vivos e, apesar do passar do tempo, são renitentes! De certa maneira, a cada pensamento e gesto preconceituoso em relação à homossexualidade ressuscitamos os inquisidores medievais! Talvez devêssemos nos espelhar mais em Cristo do que nos santos padres da Igreja ou no Antigo Testamento.


[1] RICHARDS, Jeffrey. Sexo, desvio e danação: as minorias na Idade média. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1993, p. 136.

[2] Apud in idem.

[3] Sugiro que assista ao documentário Como diz a Bíblia (For The Bible Tells Me So. Direção: Daniel G. Karslake. EUA, 2007, 95 min.).

[4] Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.

[5] RICHARDS, 1993, p. 139.

[6] Idem.

[8] RICHARDS, 1993, p. 145-146.

[9] Idem, p. 146.

[10] Idem, p. 148.

[11] Idem, p. 149.

[12] Idem, p. 150.

[13] Idem, p. 152.

19 comentários sobre “Homossexuais na Idade Média

  1. Deus tenha misericórdia da vida de vcs, espero q um dia vcs tenham a chance de se redimirem de tal prática e encontrar a verdadeira felicidade, q está em Cristo Jesus.

    • Homossexualidade é biológica, a pessoa nasce assim, não escolhe. Hoje sabe-se que é epigenética, e ocorre ainda durante a gestação. Não é uma questão de escolha, e sim de predisposição genética, sobre a qual o indivíduo não consegue mudar por estar em sua própria biologia, quer os fundamentalistas gostem disso ou não. Ninguém é obrigado a seguir nenhuma religião, muito menos morrer por causa de uma religião de que não faz parte.

  2. Pensando como um cristão então: O Espírito Santo inspirou os escritores. Logo Ele quer contar uma história para alguém, e contar uma história leva tempo. Acredito que a intenção aí seja a de contar a história de um povo ignorante, para que Jesus depois explique que “para o amor não há regras”. Se lerem o antes e o depois além de só ler um pedacinho e deturpar tudo, verão que se trata de um povo extremamente ignorante, e que se aplicarmos aquelas leis hoje… bem, hoje o povo continua ignorante, mesmo com as coisas estando escritas.

  3. Foi o Cristianismo que impôs a condição de pecado ao homossexualismo, porque um dos motes da campanha de fundação da era cristã era “Crescei e multiplicai-vos”. Era preciso, então, povoar o lugar, portanto qualquer prática sexual não reprodutória passou a ser proibida, inclusive entre cônjuges. Passou a ser, porque até então a homossexualidade era praxe em todas as civilizações anteriores, em todos os povos, e até era prática natural incentivada e ritualística entre adultos e jovens. Além disto, qualquer prática sexual não reprodutória — que é reconhecidamente a prática preferida entre os casais heterossexuais de toda esta nossa civilização, não só para não gerar filhos que não se possam sustentar, mas também como uma forma contemporânea de lazer e divertimento urbanos, cada vez mais preferida entre as paredes de concreto cada vez mais apertadas. Assim, é preciso corrigir o mote do cartaz, para: “A prática sexual não-reprodutória não gera vida, mas a prática homossexual melhora a vida.”

    • André,

      boa noite.
      Obrigado por ler e comentar.
      Conheço o Moisés e tenho certeza de que ele nada tem a ver a “lei”; ele mora em São Paulo e nem mesmo é vereador. Me parece que tem mais a ver com o tal do Feliciano!

      Abraços e tudo de bom

  4. Acredito na individualidade como meio de expressão corporal, intelectual, sentimental e etc… acredito no poder da fé, independente de religião, acredito no RESPEITO antes do AMOR. Infelizmente vivemos num mundo onde os principais valores estão agregados a preceitos religiosos de pessoas que são em sua maioria recheados de hipocrisia. Só acredito num mundo melhor quando essas mesmas pessoas entenderem que o fundamental da vida é não levantar bandeira de VERDADES, verdade são coisas relativas, cada um para sua verdade. Amo a liberdade desde que ela seja pautada de respeito ao próximo. Força sempre.

  5. Interessante que alguns cristão vieram aqui comentar sobre a figura de Cristo como alguém que aceita a todos. Também sou dessa opinião, embora não seja cristão. É bonito ver alguém acreditar em alguma coisa e não ser contraditório com suas crenças ou os ensinamentos de suas crenças. Tenho pena da ignorância dos outros “cristãos” que acham que sexo tem que ser dessa ou daquela maneira e que um tipo é certo e outro errado, praticamente pregando o “linchamento” tanto físico quanto espiritual de quem não aceita tão somente o heterossexualismo. Acho interessante principalmente o fato de que Jesus, pelo cânone, não deixou descendentes, mas que a obrigação do homem e da mulher é se reproduzir. Reprodução para quê? O mundo já está lotado de gente inútil que só faz é destruir o planeta e pregar moral de cueca. Hoje em dia, ainda, por incrível que pareça, se uma mulher diz que não quer ter filhos ela é vista como alguém imoral. O mesmo vale para o homem, entretanto, pega-se mais leve.

  6. Crente é aquele que crê, que tem fé, mas, a fé sem obras é morta, como morta e vã é toda forma de discriminação,discriminação esta que se dá até entre eles mesmos,cristãos; o batista não frequenta a igreja catolica e vice-versa, sendo o cristo um só e tão mal interpretado, que dirá seguido. Em sendo verdade que a homossexualidade é um pecado, como tantos outros, é inconcebível a condenação, pois com base na própria PALAVRA, onde é dito: “eu não vim para os bons”, quem precisa de “médico” é aquele que está “doente”, e o médico trata o doente, não o condena. Agora a tal da fé é tamanha, como tamanho é o amor que professamos e devotamos uns aos outros, que ao sair em defesa dos homossexuais terminamos por condenar os que os apedrejam, contrariando também o exemplo do Cristo: “Pai, perdoai-os, pois não sabem o que fazem, muito embora devessem saber. Outro tipo de pecador que anda a solta e não é tão apedrejado é o político corrupto, que aqui no brasil não se dá ao trabalho nem de se esconder. De Fernando Collor pra cá são tantos os casos, e o proprio Collor ainda hoje passeia livremente nos meios públicos, o que a cristandade tem feito pela remissão, salvação, ou mesmo condenação desses pecadores que fazem mal muito maior á população do que os homossexuais? novamente só fazendo como Cristo: abrir os braços e entregar a alma à Deus, e implorar: Pai perdoa, eles não sabem o que fazem!

  7. Realmente o preconceito é algo repugnante. Mas o que se vê são crentes que não procuram ler a bíblia ou quando o fazem só procuram ler o que querem ler.
    Eu sou cristão e entendo perfeitamente que o meu papel não é julgar, inclusive a própria bíblia garante que aquele que assim proceder (independente de “ser crente” ou não) será julgado da mesma forma, não temos esse direito mas o que se vê é totalmente o oposto.
    O mundo (neste caso o oposto, ou o que deveria ser o oposto da igreja) está ai para ser evangelizado o que em nossa visão é uma demonstraçao de amor e preocupação com o bem das pessoas (em nossa visão mas que não deve ser imposta aos não-cristãos).
    A palavra também diz que não por força humana mas pelo espírito de Deus as pessoas se converterão, os crentes se esquecem que não é papel deles transformar ou convencer alguém, mas simplesmente falar sobre o amor de Jesus (como foi dito pelo professor Ozai acima) e crer que o que tiver de acontecer, acontecerá.
    E mais, para Deus tanto o homossexual e o homem “correto” (correto como diz a sociedade) são iguais e amados da mesma forma, porém, se ambos não aceitarem Jesus como Senhor de suas vidas o destino é o mesmo.
    Mas é importante salientar que em meu ponto de vista, as pessoas podem fazer o que quiserem fazer sem serem julgadas por outras pessoas, mas em nossa sociedade infelizmente não vemos isso e aqueles que julgam e acham que são cristãos na verdade são apenas crentes.

  8. Existem outros medievalismo. Parece que faço o papel de atar as pontas das ambivalências. A Idade Média é uma presença e uma ausência paradoxal, não! Estamos no mundo ocidental! A hermenêutica que temos acesso, a escrita devemos à igreja Católica. Então, há coisas medievais e poéticas que são o máximo! Entretanto, há coisas que precisam mesmo ser discutidas, além da questão eterna do homossexualismo: liberação da camisinha, casamento clerical, não permitir que crianças façam catequize antes dos 18 anos para evitar problemas relacionados à pedofilia, por exemplo. São temas importantes de serem discutidos nas mídias para repensar o presente caótico que vivemos.

    Carolina Assis

  9. Boa-tarde, estimado Prof. ANTÔNIO – Não entendo o coração e a mente dessas pessoas que discriminam os outros. Que se julgam representantes de Deus, juízes e carrascos ao mesmo tempo. Estamos no século XXI, como podem ainda pensar de maneira medieval ? Com todo o progresso tecnológico, com o maravilhoso acesso que temos à informação, como essas pessoas podem ser tão ignorantes ? Preconceito é mediocridade de alma e de cérebro. Por que não guiam tudo em suas vidas vazias pelos tempos medievais? Pelo obscurantismo? Ah! Então dói na pele desses/as “salvadores/as do universo” não é mesmo? Aprendi desde cedo a cuidar do meu nariz (como falava a minha mãe) e deixar os outros em paz, a viverem como quisessem as suas próprias vidas. JESUS, o filho de Deus/Pai/Mãe teve que dar uma chegadinha por aqui neste mundinho louco e egoísta, graças aos humanos e deu um imenso exemplo de amor, foi capaz de morrer por seus irmãos. Deixou-nos o mais lindo ensinamento: “Ama teu próximo como a ti mesmo!” Já deu para notar, querido Professor, que essa gentarada preconceituosa, não ama nem a si mesmo, logo tem uma raiva imensa do resto da humanidade. Podiam fazer uma catarse, um bom tratamento para verem porque odeiam tanto a ,própria vida e precisam sair por aÍ infernizando a vida dos outros. Quando a gente é feliz e realizado/a consigo mesmo/a não precisa disso. Só se quer estender a mão e ajudar o nosso próximo, independente de opção religiosa, política e sexual. E sobre pecado??? O que é isso? pecado dos brabos é ter uma alma doentia, triste e infeliz. Cuide-se, trate-se. Pecado é invadir a vida dos outros e sair falando mal. O amor incondicional é pura compreensão, tolerância e fraternidade. A maior vocação do ser humano é ser feliz e não dificultar e infelicitar a vida dos seus semelhantes. Que a sua PÁSCOA tenha sido como a minha, uma feliz, deliciosa e aconchegante reunião com a família e as pessoas que amamos. Abraço fraterno. Tenho certeza que Deus está no seu coração. ler o que o senhor escreve, Professor ANTÔNIO – também é um presente de Páscoa. Ótima semana. Vera Linden

  10. Antonio
    Bom dia

    Santo Ambrósio: Quem enviou sem ouro os apóstolos, fundou a Igreja sem ouro. A Igreja não possui ouro para tê-lo guardado, mas para distribuí-lo e socorrer os necessitados… Não seria melhor que os sacerdotes fundissem o ouro para o sustento dos pobres, se não houver outros recursos?… Temes que falte ornamento do Templo de Deus? O Senhor te responderia: os sacramentos não precisam de ouro; o verdadeiro ornamento dos sacramentos é a redenção dos cativos.”

    Parece que está jogo no seio da sociedade a questão fundamental do exercício de um direito, ou seja, de as pessoas se escolherem como quiserem e poder se apresentar como tal. Os reacionários – em tese escolhidos e ungidos – dos tempos, insistem em estabelecer regras para o conjunto da sociedade, desrespeitando a individualidade, a privacidade, os gostos, as maneiras, a felicidade dos que lhe são próximos. O escudo dos que insistem em determinar os rumos sociais, são embasados em factóides elevados a verdade incondicional. Transformam suas crenças pessoais em verdades absolutas, incontestes e com elas teimam em determinar os rumos da humanidade. São estes que justificam desbragadamente a indústria de armas, os defensivos químicos, as bebidas, incluso aqui os refrigerantes, a indústria do fumo, os monopólios das comunicações, o controle do sistema monetário. São os mesmos que vem a natureza e sobremodo florestas, oceano e animais como objetos, a seu serviço exclusivo, não levando em conta o direito de existir desses. São estes que toleram ainda em pleno Século XXI, a fome, a exploração de crianças, a escravidão, o salário mínimo – tem a desfaçatez de falar em seus documentos eclesiásticos em salário justo, quando salário é sinônimo de exploração – a prostituição, incluso aqui todas as formas de tráfico humano, entre outras tantas tragédias que nos assolam. As pragas impostas ao Egito e as provações ao povo eleito, são aperitivo em relação ao que estão impunemente fazendo ao planeta e por extensão aos bilhões de alienados e explorados que se arrastam para sobreviver. A escolha sexual é um direito dado a cada um, é afirmação cidadã poder expor socialmente este fato e sobremodo ser aceito como tal pelos demais membros da comunidade, independente da escolha que estes façam. A educação sexual, a biologia, a sociologia, a psicologia, deveriam isso sim ser cogentes em todas as fases do aprendizado escolar e não o estudo religioso o qual poderia ser optativo.
    Cordialmente
    Pedro
    Caxias do Sul, 31 de março de 2013.

  11. Pois é, adoro Santo Agostinho. O legal é saber que ele também teve uma vida devasta antes de ser religioso. Mais interessante é o conceito do livre arbítrio, o início de toda discussão dos textos hipertextuais, probabilísticos, mallarmaicos, etc..Temos o direito a uma escolha, até mesmo sexual. Agora há uma hipocrisia, uma vez que grande parte do corpo clerical é homossexual. E é um corpo clerical bastante sensível, ninguém se põe no lugar de um padre que é homossexual e curte ser padre, participar dos ritos e tem essa situação como cisão do próprio corpo. Eles tb. sofrem! E vivem a margem de, se escondem, afinal qual o problema em ser padre e homossexual? Se fosse católica, abraçaria essa causa, assistiria às missas sabendo conscientemente que o padre é homossexual, qual o problema! Se não há o que esconder, se há reconhecimento da fé e da boa fé do clérigo, pq não aceitá-lo como homossexual? Triste é essa mentira. Até mesmo Dalai Lama afirmou, antes de largar tudo e ir para praia, que o mundo mudou demais para o budismo não mudar. Acredito que o mesmo deve ser pensado para os católicos.

    • Homossexualidade não é escolha, é uma condição biológica do indivíduo. Um homossexual não consegue sentir atração pelo sexo oposto, por mais que queira sentir, não consegue. Não se trata de escolha, e sim de genótipo, epigenética, biologia, formação do cérebro etc.

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